O favor que o melhor amigo do filho cobrou dela
Quando ele agarrou o ombro do sujeito que a assediava, Mariela sentiu algo proibido: a certeza de que aquele rapaz podia fazer com ela o que quisesse.
Quando ele agarrou o ombro do sujeito que a assediava, Mariela sentiu algo proibido: a certeza de que aquele rapaz podia fazer com ela o que quisesse.
Corri sob o temporal até a minha porta achando que já estava segura. Não percebi que ele tinha entrado atrás de mim até sentir a mão dele nas minhas costas.
Sei que não deveria, mas toda vez que caminho sozinha de madrugada eu o procuro com os olhos: aquele desconhecido que me encurrala contra a parede e não pede permissão.
Ela atravessou meio reino por uma relíquia lendária; o que não esperava era se ajoelhar diante de quem a guardava — nem desejar isso com cada fibra do corpo.
«Moro dentro do lago», disse ela sem pestanejar. Damián a tomou por excêntrica e foi mesmo assim. O que encontrou no fundo não era nenhum céu.
Quando abri os olhos, eu não estava na minha carteira: estava nu, amarrado à cadeira do professor, e uns saltos começavam a me rodear na sala vazia.
Eu o vigiei antes de sua falta. Disse que eu era bonita demais para andar entre a lama, sem saber que essa frase o condenava a nunca sair dela.
Segui um rastro de sangue até uma clareira onde algo me esperava pendurado entre as árvores. Não imaginei que a criatura da floresta me escolheria como presa.
Quando abri a mochila que ele me entregou no lobby daquele hotel de quinta, entendi que a reunião não era o que eu imaginava. E já era tarde para voltar atrás.
Toda a minha vida achei que pertencia só a ele. Na tarde em que ele entrou na direção e me encontrou sobre a mesa, descobri o quanto ele gostava de me ver com outro.
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.
Desci descalça à capela à meia-noite para pedir perdão pelos meus sonhos. Não imaginava que algo me esperava enroscado nas sombras, pronto para me ensinar o que meu corpo calava.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Achei que o barulho entre as caixas eram ratos. Era ela, agachada na escuridão, e, assim que sentiu meu medo, soube que aquela noite eu não voltaria para casa sendo o mesmo.
Ninguém acreditou que a besta existia. Por isso ele voltou ao monte para procurá-la, mesmo que isso significasse se perder para sempre na neve e nas garras dela.
Esperava um marido mirrado para desprezar. Quando o rei se inclinou para beijar-lhe a mão, a ponta da língua roçou sua pele e ela soube que havia se enganado.
Ela me mandou tirar a roupa na sala e começar a varrer. Naquela tarde eu era só o brinquedo dela, e cada palmada na bunda me lembrava quem mandava.
Chegou ao covil reduzido a pouco mais que um esqueleto acorrentado. A loba prometeu ensinar-lhe o que significava servi-la... e ele aprendeu melhor do que ela esperava.
Acordei certa de que tinha sido só um pesadelo quente. Então vi a caixa sobre a mesinha da sala, igualzinha à do sonho, e o café escorreu da minha mão.
Ela sabia o que tinham combinado, mas nenhuma palavra a preparou para o que sentiria quando cruzou aquela porta e a sala se fechou atrás dela.