O vikingue do chalé aprendeu a morder o travesseiro
Mordi o travesseiro quando ele pronunciou aquele nome. E então tudo o que eu tinha escondido durante anos começou a se desfazer entre os lençóis, golpe a golpe.
Mordi o travesseiro quando ele pronunciou aquele nome. E então tudo o que eu tinha escondido durante anos começou a se desfazer entre os lençóis, golpe a golpe.
Os dois brutamontes me arrastaram para conhecer as máquinas enquanto ela ficou sozinha com o dono. Quando voltei, a mesa estava vazia.
Quando soube que me restavam poucos anos, decidi vivê-los sem regras, e comecei pela pessoa que dormia a três metros da minha porta todas as noites.
Eu o amarrei com cordas para que não me mordesse. Eu o banhei entre as ruínas. O que descobri naquela noite entre as prateleiras vazias mudou quem eu era para sempre.
Quando espiei pela fechadura e a vi ajoelhada diante dele, soube que o tesão tinha vencido o orgulho muito antes daquela noite.
Fechei os olhos no vestiário vazio e deixei a fantasia me levar mais longe do que eu imaginava. Quando os abri, não havia mais volta.
A campainha tocou às sete e meia e eu soube que meu casamento tinha acabado de mudar para sempre. Ela desceu sem sutiã, olhou para eles e sorriu.
Quando abri a porta ele não vinha sozinho: atrás dele, com aquele sorriso ensaiado de michê, vinha um homem que eu nunca tinha visto no bairro.
A cama rangia no ritmo de gemidos contidos. Fui descalço até a fresta da porta de Camila, e o que vi me deixou pregado ao chão por uma hora inteira.
Desci para o banheiro numa noite sem luz, achando que estava sozinho na casa. A lanterna de um celular iluminou a cozinha e entendi por que os dois andavam tão estranhos.
Chegou ao apartamento do homem com a promessa de não se conter. Ainda não sabia o tamanho da rola que iria desvirgá-lo nem até onde ia cair aquela pá.
Desci do avião sabendo que teria que encará-lo. O que eu não sabia é que, naquela mesma noite, entre lágrimas, eu ia pedir a ele algo que nunca tive coragem de dizer.
Quando levantei os olhos entre o capim, dois faróis se apagaram a trinta metros. Dentro do carro, uma sombra imóvel não parava de nos observar.
Parei na esquina delas sem saber direito o que procurava. Na primeira vez que um desconhecido me perguntou o preço, minha voz tremeu mais do que eu esperava.
Conheci-o pela internet aos dezesseis. Dois anos depois, numa manhã de agosto, ele me escreveu que iria à capital e que era minha única chance de vê-lo novamente.
Quando entrei no táxi rumo aos arredores, ainda podia desistir. Não desisti, e horas depois me arrependeria com os pulsos amarrados à cabeceira da cama dele.
Às sete da noite de 31 de dezembro eu não queria voltar ao hotel para ficar sozinho. Lembrei do lugar de cabines a três quadras e empurrei a porta sem pensar duas vezes.
Às dez e quarenta e cinco eu já estava descendo as escadas do meu apartamento. Antes de sair, olhei pelo olho mágico, por se acaso visse alguém. O hall estava vazio. Melhor assim.
Um valentão que nunca aprendeu a respeitar. Naquele dia no parque, ele receberia a lição que jamais esqueceria, pelas mesmas mãos que tentou humilhar.
Quando vi a cadeira preparada com aquele objeto enorme saindo do assento, soube que a noite não seria um jantar normal.