Um deslize no pátio e alguém tinha visto
Desceu as escadas convencida de que ninguém sabia de nada. O homem do pátio a esperava com um sorriso torto e uma foto que mudava tudo.
Desceu as escadas convencida de que ninguém sabia de nada. O homem do pátio a esperava com um sorriso torto e uma foto que mudava tudo.
Quando Damián fechou a porta e saiu em viagem, Mariela já sabia que a semana inteira a sós com Rodrigo mudaria tudo entre eles.
Ela sabia exatamente o que queria naquela noite: um homem que a olhasse como se fosse sua e não lhe desse trégua. Só precisava atravessar a porta daquele quarto.
Todo mundo desconfia do que eu sou pelo jeito que me visto, mas eu nunca confirmo. É o meu segredo, e contá-lo anonimamente me deixa mais quente do que qualquer outra coisa.
Saiu do banho com a toalha na cintura, como em toda tarde. Mas o olhar do vizinho não era o de sempre, e ele soube disso antes de o outro abrir a boca.
Quando a campainha tocou, Babacar mandou que ele abrisse a porta usando só aquela tanga ridícula. O amigo entrou sorrindo, e Tomás soube que aquela noite não pertencia mais a ele.
Saí daquela reunião com o sangue fervendo. Nessa noite eu não queria brincar de leve: queria destruir os dois meninos que me esperavam de joelhos no colchão.
Marcos me pediu que eu estivesse lindíssima quando ele voltasse para casa. Enquanto Carla arrumava meu cabelo, lembrei tudo o que fiz para ser dele e o que ainda estava disposto a entregar.
A última mensagem de Saúl tinha chegado sete dias antes: «Às seis, não falte». E às seis em ponto eu subi, com o coração na garganta e o corpo decidido antes da cabeça.
Pensei que seria só uma tarde e um desconhecido. Não imaginei que cada um me ensinaria algo diferente, nem que o terceiro me deixaria sem voz por dois dias.
Ela disse que chegaria tarde, mas, ao abrir a porta do banheiro, a luz das velas revelou sua mentira favorita: estava nua à minha espera.
Chegou ao instituto com a carta de expulsão do filho na bolsa. Saiu com os joelhos trêmulos e um segredo que não poderia contar ao marido.
Diante do espelho eu deixava de ser Sebastián. Vestia as meias, a saia, o perfume dela e me transformava na mulher que ninguém sabia que eu trazia dentro.
A mão dela subiu pelo meu antebraço enquanto eu tentava servir mais vinho, e entendi que aquela taça não era o único motivo para ela ter me convidado para sua casa.
Eu disse aos meus pais que passaria o dia com uma amiga. Na verdade, ia à casa de Renata, onde me esperavam uma peruca, uma gaiola rosa e um homem que sabia o que queria de mim.
Sob a calça de moletom eu usava só meia arrastão e calcinha de renda. Eu não procurava um prédio qualquer: procurava o lugar onde iam me tratar como objeto.
Ele me fazia despertar num horário exato, sem alarme, apenas com as palavras enfiadas na minha cabeça. E eu obedecia enquanto meu namorado roncava ao lado.
Me olhei no espelho com a peruca posta e o vestido translúcido, e soube que naquela noite eu ia deixar um estranho fazer comigo tudo o que eu vinha imaginando há semanas.
Guardei o número dele como «S.1». Dois dias para me arrepender e nem uma vez quis fazer isso: eu queria que me usassem de novo, pior que da primeira vez.
Estava pronta desde as quatro da tarde, encharcada e precisando, quando aquele homem baixinho bateu à minha porta sem imaginar que eu descobriria seu apelido à força.