Confissão: o desconhecido que me submeteu por completo
Conheci-o recolhendo o correio. Uma semana depois eu estava de joelhos na sala dos medidores, me perguntando como perdi o controle tão rápido.
Conheci-o recolhendo o correio. Uma semana depois eu estava de joelhos na sala dos medidores, me perguntando como perdi o controle tão rápido.
Eu mapeava uma selva onde ninguém falava meu idioma e, ainda assim, foi ali, entre corpos pintados de argila, que deixei de me sentir um fantasma.
Não nos exibimos para que nos vejam: apenas deixamos de nos esconder. E, se uma persiana se mexe do outro lado da cerca-viva, ela sorri e abre um pouco mais as pernas.
Ele passava anos entregando rapazes ao templo sonhando em possuir a sumo sacerdotisa. Numa noite de lua cheia, seu desejo se cumpre da pior forma.
Eram oito e meia da noite, faltava meia hora para a ligação do cliente, e eu já sabia exatamente como queria que passássemos aquela espera.
Diante do espelho daquele salão, abriu-se uma caixa com roupas que não eram suas, e cada peça que vestia apagava um pouco mais o homem que havia entrado.
Faltava uma hora para virem me buscar. Ajustei a saia preta diante do espelho e entendi que o preço da dívida seria pago por mim.
Da janela, ele a observava há semanas; na noite em que pulou a cerca, entendeu que seria ela quem decidiria tudo o que aconteceria entre os dois.
O corpete se ajustava ao corpo como uma segunda pele e o cetim apertava seus punhos. Diante do espelho, Adrián deixava de fingir e enfim era quem desejava ser.
Entrei na terceira fileira com um café frio e meu ceticismo dobrado no caderno. Não sabia que cada frase dela iria reescrever quem eu era, até o último botão.
Bati na porta sabendo que, desta vez, tinha ido longe demais, e que a mulher que abriria não aceitaria desculpas: só obediência.
Me vesti pra estrear, entrei no carro com as outras duas meninas e cruzei metade da província sem saber que naquela noite aprenderia a suportar o desprezo de cabeça erguida.
Eu disse que nenhuma mulher se abria de pernas para ele tão fácil. Ele só sorriu e respondeu: “Já veremos”. Eu não sabia o que ele escondia atrás daquela porta.
Eu vinha percebendo há semanas o jeito como o amigo do meu marido me olhava. Naquela noite, sozinhos no quintal, entendi que nada era coincidência.
Entre e-mail e e-mail, com a porta fechada e o cronômetro em marcha, há anos aperfeiçoo uma rotina que jamais contei a ninguém. Até hoje.
Quando o espelho me devolveu um rosto que não era o meu, entendi que naquela casa eu já não mandava em nada. Só obedecia e desejava agradá-la.
Estacionou em frente ao prédio, se olhou no retrovisor e não reconheceu a mulher que devolvia o olhar. Naquela noite, havia decidido deixar de ser a esposa perfeita.
Nessa noite eu não era o anfitrião, mas o adorno. Minha esposa escolheu meu vestido, me calçou os saltos e mandou eu sorrir enquanto as chefes dela me avaliavam.
Quando ela abriu a porta com aquela lingerie preta e aquele sorriso frio, entendi que naquela noite não haveria conversa: só ordens, e eu estava disposto a obedecer cada uma.
Tenho 34 anos, uma cabeleira loira até a cintura e um desejo que já não escondo: vivo para obedecer. Esta é minha apresentação, sem pudor e sem filtros.