A mãe da minha namorada não foi a única naquela noite
O motor do carro apagou diante da escadaria da propriedade e, de repente, o único som era a nossa respiração. O ar dentro do habitáculo estava tão carregado que parecia que uma única palavra podia estourar tudo. Ao meu lado, Renata mantinha o olhar cravado no porta-luvas, mas o peito subia e descia rápido demais. Ela usava um vestido de seda cor pérola que se ajustava às curvas de mulher madura com uma insolência que a filha jamais tivera.
—Não deveríamos estar aqui, Hugo —sussurrou, embora não fizesse o menor movimento para sair do carro—. Se a Lucía descobrir que eu vim sozinha com você para a casa dos seus pais…
—A Lucía não sabe distinguir um bom vinho de um vinagre, Renata —respondi, virando-me para ela sem pressa—. Assim como não sabe o que é um homem. Ela ainda brinca de casinha. Você, por outro lado, sabe perfeitamente por que aceitou essa viagem.
Coloquei a mão na coxa dela, justo onde a seda terminava e começava o calor da pele. Renata soltou um suspiro ofegante, mas não tirou a minha mão. Os dedos dela se cravaram no banco. Com a filha tudo era desajeito juvenil; com ela eu sentia uma resistência diferente, uma maturidade que pedia aos gritos para ser domada.
—Você é um demônio —conseguiu dizer, me encarando por fim. Tinha os olhos carregados de algo que só os anos de contenção conseguem cozinhar em fogo baixo.
—Sou o homem que vai te ensinar por que sua filha sempre será uma sombra ao seu lado —respondi.
***
Saímos do carro. O frio da noite nos golpeou, mas só serviu para atiçar o fogo. Abri a pesada porta de carvalho da casa dos meus pais. O saguão nos recebeu com o cheiro de cera, flores frescas e aquele silêncio aristocrático que estava prestes a ser profanado. Não acendi as luzes grandes; deixei apenas uma luminária de mesa que alongava as sombras sobre o mármore.
Mal fechei a porta, não lhe dei tempo nem de soltar a bolsa. Encurralei-a contra a madeira fria. O baque seco de suas costas ecoou por todo o vestíbulo vazio.
—Hugo, aqui não… alguém pode vir… —tentou protestar, mas as palavras se apagaram quando minha boca encontrou seu pescoço.
—Você cheira a mulher, Renata. Não a perfume de adolescente, e sim a alguém que passou anos desejando que arrancassem dela essa fachada de senhora perfeita. A Lucía se assusta quando eu a toco com força. Você não. Você tem um corpo feito para isso.
Minhas mãos subiram por suas ancas, erguendo a seda. Ela arqueou as costas buscando o contato, cravou os dedos no meu cabelo e puxou com uma desesperação que acabou de denunciá-la. Não havia ternura no que eu fazia; havia algo cru, quase animal. Eu queria que ela sentisse o peso do meu desejo, a firmeza de um homem que não respeita árvore genealógica.
—Diz que ela não é nada comparada a você —exigi ao ouvido dela, enquanto encontrava a umidade que já encharcava sua lingerie de renda—. Diz.
—Ela… ela é uma menina —gemeu, com a cabeça jogada para trás—. Não sabe de nada… Deus, Hugo.
Girei seu corpo e a pus de costas para a porta. O contraste entre a elegância de senhora e a posição em que eu a colocava me incendiava. Ergui o vestido até a cintura. Renata ofegava entre o prazer e a vergonha, as mãos apoiadas na madeira, enquanto eu me desfazia do cinto com uma mão e com a outra a segurava pelo cabelo.
—A Lucía acha que sou dela —sussurrei—. Mas toda vez que eu a toco, penso na mulher que a trouxe ao mundo. Penso em como despedaçar essa sua elegância até não sobrar nada além de uma fêmea suplicando.
—Faz logo! —gritou, esquecendo o decoro, esquecendo onde estávamos—. Faz de mim sua!
A primeira investida foi sem preâmbulos, reivindicando seu interior com uma autoridade que a fez gritar para o teto. Renata se estremeceu, as pernas tremendo nos saltos, enquanto eu marcava um ritmo implacável. O som da nossa carne começou a preencher o saguão, uma música obscena que desafiava os retratos que nos observavam das sombras.
O que ela não sabia, e o que eu estava prestes a descobrir, é que naquela casa os segredos têm olhos. E, atrás da fresta da porta da sala, alguém prendia a respiração.
***
Para Carmen, o barulho vindo do saguão era ensurdecedor. Ela estava de pé na penumbra da sala, o corpo colado à madeira fria da porta. Seus dedos, repletos de anéis que haviam passado de geração em geração, tremiam sobre a maçaneta. Um centímetro. Uma fresta de luz era tudo o que a separava do caos.
Pela abertura, ela via algo que nenhuma mãe deveria ver e, no entanto, não conseguia desviar o olhar. Tinha os olhos verdes muito abertos. Lá estava seu filho, Hugo, convertido em pura vontade, submetendo Renata contra a parede dos antepassados.
O que mais a perturbava era o som. Não os gemidos da outra mulher, mas o baque seco e rítmico da carne de seu filho. Carmen sentiu um arrepio que não nascia do frio, mas de um lugar muito mais fundo e escuro. Ver Hugo assim, com aquela segurança brutal, com as costas que se contraíam a cada investida, provocou nela uma pontada estranha de orgulho misturada com algo proibido.
Ele se transformou num animal, pensou, quase sem ar.
Renata, sua amiga de tardes de chá e galas beneficentes, agora estava reduzida a uma mulher trêmula sob o comando de seu filho. Carmen via o vestido de seda feito trapo ao redor da cintura, as mãos sempre tão cuidadas arranhando a parede. A humilhação da outra mãe era o combustível da própria excitação.
De repente, Hugo levantou o olhar. Carmen ficou sem fôlego, convencida de que havia sido descoberta. Os olhares se cruzaram por um segundo infinito. Mas ele não parou. Ao contrário: um sorriso cruel e cúmplice curvou-lhe os lábios. Ele sabia que ela estava ali. Queria que ela visse.
As pernas lhe fraquejaram. O fato de seu filho saber que ela era testemunha e, em vez de se envergonhar, convidá-la a continuar olhando, acabou de demolir sua moral de matriarca. Sua mão direita desceu, quase sem permissão, pela saia de seda cinza. O atrito da própria intimidade arrancou dela um suspiro ofegante que se perdeu sob o grito de Renata. Ela estava encharcada, e começou a se tocar no mesmo ritmo dos quadris do filho.
Essa força, essa crueldade, ele herdou de mim, disse a si mesma, com os olhos fixos nas costas de Hugo.
***
Eu não desviava o olhar da fresta. Saber-me observado pela própria mãe, pela mulher que representava a lei e o sobrenome daquela casa, me transformou em algo mais que um homem. Segurei Renata pela nuca e a forcei a inclinar a cabeça para trás, na direção da porta da sala.
—Sabe quem está aí atrás? —sussurrei, lançando a voz com crueldade em direção à abertura—. Minha mãe está nos vendo. Sente como ela nos devora com os olhos enquanto você se contorce sob o meu comando.
Renata soltou um soluço de puro choque. O pânico tentou surgir, mas a intensidade das investidas o afogou antes mesmo de nascer.
—Hugo, não… —gemeu, embora seus quadris se erguessem buscando mais.
—Cala a boca —ordenei, com um tapa sonoro que ecoou como um disparo no silêncio da casa—. Ela sabe o que você é. Mas não sabe o que estou pensando dela neste exato momento.
Aumentei o ritmo, os olhos cravados naquele centímetro de escuridão.
—Está escutando, mãe? —disse, dirigindo-me à porta—. Sei que você está aí. Sei que está vendo como eu acabo com essa mulher sob os olhos dos nossos antepassados. E sei que você está molhada. Porque você e eu temos o mesmo sangue.
Do outro lado da porta, Carmen sentiu o coração parar. Seus dedos estancaram por um instante diante da audácia do filho.
—Sabe o que eu desejo agora? —continuei, com a voz mais rouca—. Que você abra essa porta. Que veja que seu filho não tem limites. Saia, Carmen. Saia e prove que é a dona desta casa, ou junte-se ao que está acontecendo nela.
Renata gritava, o corpo sacudido por um clímax violento, mas eu não parei. Continuei esperando o movimento final.
A porta da sala rangeu. O centímetro de escuridão virou dez, depois vinte. A silhueta de Carmen começou a se recortar contra a luz do saguão.
***
Ela apareceu no limiar, banhada pela luz fraca. Não restava traço da matriarca perfeita: a saia de seda cinza amassada, o cabelo desgrenhado, o peito subindo e descendo com uma violência que denunciava o que acabara de viver nas sombras. Seus olhos verdes pousaram primeiro em Renata e depois se ergueram até mim.
Eu não parei.
—Traga o óleo do móvel da sala, mãe —repeti, com uma autoridade que a fez sobressaltar—. Mexa-se.
Carmen caminhou até o móvel de madeira com as pernas tremendo. Seus dedos, que minutos antes se afundavam nela mesma, procuraram o frasco entalhado de óleo de sândalo e jasmim. Ela o tomou com a mão insegura e voltou. Renata, pendurada no meu ombro, olhava a amiga se aproximar do epicentro de tudo.
—Passe nas suas mãos —ordenei, reduzindo o ritmo sem sair de Renata—. E unte-a com isso. Quero que você sinta a carne que seu filho está reivindicando.
Carmen obedeceu. O óleo caiu sobre suas palmas com um sussurro obsceno. Ela se aproximou e começou a deslizar as mãos pelas costas e pelas ancas da outra mulher, com uma mistura de fascínio e inveja. O contato de duas peles maduras, lubrificadas e quentes, elevou a cena a um nível que já não admitia volta.
—Olha para ela —rosnei, sentindo as mãos da minha mãe roçarem as minhas sobre o corpo de Renata—. Ela é experiente, mas não tem o seu fogo. Sabe há quanto tempo esperei para ter vocês duas assim?
—Hugo… filho… isso é loucura —sussurrou Carmen, embora suas mãos não parassem de percorrer a amiga, descendo agora para as coxas.
—A loucura foi fingir que isso não ia acontecer —respondi. Segurei Renata pelo cabelo e a forcei a olhar para minha mãe—. Diga o que sente.
—Me sinto… melhor do que em toda a minha vida, Carmen —gemeu Renata, jogando a cabeça para trás—. Seu filho não é como os outros.
***
Saí de Renata e me virei para minha mãe. Carmen ficou petrificada, a respiração cortada diante da minha proximidade.
—No chão, as duas —ordenei, com uma voz que não admitia a menor dúvida.
Renata, com as pernas trêmulas e o vestido transformado em um farrapo molhado, desabou de joelhos. Carmen, a orgulhosa senhora da casa, a seguiu um segundo depois. Ver minha própria mãe ajoelhada diante de mim, com o rosto aceso pela humilhação e pelo desejo, foi o mais perto do poder absoluto que eu já estivera.
—Prepara-a, mãe —mandei, apontando para Renata—. Quero que ela sinta suas mãos antes das minhas.
Carmen, guiada por uma fome que já não podia reprimir, colocou-se atrás da amiga. Começou a untar o óleo com dedos trêmulos. Renata soltou um grito abafado, arqueando as costas, enquanto os olhos da minha mãe buscavam os meus. Havia um pedido silencioso no olhar dela: a súplica para ser ela a próxima.
—Paciência —sussurrei, aproximando-me.
Segurei Renata pelas ancas enquanto Carmen a sustentava pelos ombros, convertida no apoio necessário. Tomei-a devagar, sem piedade. Renata soltou um grito que Carmen abafou de imediato, pressionando os lábios contra os dela em um beijo faminto. Comecei a me mover com um ritmo selvagem, cada investida fazendo o corpo de Renata bater contra o da minha mãe, que sustentava as duas com uma força desesperada.
—É demais, Hugo —gemeu Renata entre o beijo.
—É o que você merece por pensar que sua filha bastava para mim —respondi—. Olhe para a minha mãe. Olhe como ela aproveita. Ela sabe que depois de você vem ela.
Carmen, diante da imagem do que o filho estava fazendo, alcançou o próprio clímax sem que ninguém a tocasse. Cravou os dedos na carne de Renata, os olhos fixos em cada movimento.
***
Afasti Renata com uma brusquidão que a deixou ofegante sobre o mármore, coberta de suor e óleo. Não lhe dei tempo de se recuperar. Meu objetivo final estava bem à minha frente, de joelhos.
Carmen me viu me aproximar e foi atravessada por um arrepio de terror e de pura expectativa. Era a dona da casa, a guardiã do sobrenome, mas sob aquela luz tênue não era mais que uma mulher reivindicada por aquilo que ela mesma havia gerado.
—Sua vez, mãe —disse—. Renata, sustente o peso dela.
Forcei-a a se levantar só para incliná-la sobre o corpo da amiga, que continuava no chão. A imagem era pura provocação: a matriarca da casa apoiada sobre a mãe da minha namorada, as duas lubrificadas, as duas à minha mercê. Posicionei-me atrás de Carmen, segurando-a pela cintura fina.
—Olhe para você —sussurrei em seu ouvido, percorrendo sua pele madura e firme—. Está tremendo. Você gostou de me ver despedaçar sua amiga, não foi? Gostou de ver o que seu filho é.
—Hugo… por favor… —gemeu, enterrando o rosto no ombro de Renata—. Somos do mesmo sangue…
—Exatamente por isso —respondi—. Porque só alguém com seu sangue aguenta o que vou fazer com você.
Tomei-a. O impacto foi tão fundo que ela soltou um uivo que se cravou nas paredes da casa. Renata, por baixo, sentiu o abalo e foi obrigada a sustentar o peso dela, tornando-se a testemunha mais íntima de tudo. Comecei a me mover com uma força que superava todo o resto. Carmen, presa entre o corpo da amiga e o meu, se entregou por completo, entrelaçando os dedos nos de Renata enquanto as duas se fundiam num mesmo gemido.
—Olhe para mim, mãe —ordenei, virando sua cabeça para o grande espelho dourado do corredor—. Diga que você é minha.
—Sou sua! —gritou, rompendo o último véu da dignidade—. Faça o que quiser comigo!
Renata, em vez de se afastar, começou a usar as mãos e a boca para estimular Carmen por baixo, fechando um círculo de prazer que desafiava toda lógica. Eu as governava as duas, meus quadris batendo contra os de minha mãe, o óleo fazendo com que os três corpos deslizassem e se confundissem.
***
O ar estava saturado do rastro de jasmim e do cheiro cru do sexo compartilhado. Senti o fim se acumular na base da coluna, uma maré de fogo que ameaçava incinerar tudo.
—É o fim, mãe —rosnei, apertando-lhe a cintura até deixar marcas brancas na pele avermelhada—. Aqui morre a decência.
Carmen já não articulava palavras; apenas sons guturais. Renata ergueu a cabeça de baixo, com o rosto desfeito, e buscou a boca da minha mãe, selando sua união com um beijo desesperado enquanto eu acelerava até um nível frenético. O choque da carne contra a carne ecoava como um tambor no mármore.
Terminei com uma violência que fez Carmen se arquear até quase se partir. Ela soltou um grito que lhe rasgou a garganta, as unhas enterradas nos ombros de Renata, que naquele mesmo instante desabava no próprio orgasmo, sacudida pela energia que caía sobre ela.
O silêncio que veio depois foi absoluto, quebrado apenas pelas nossas respirações. Retirei-me devagar e deixei o corpo de Carmen cair sobre o de Renata. As duas ficaram entrelaçadas no chão, uma massa de seda rasgada, pele untada e cabelos revoltos.
Fiquei de pé e as observei de cima. A primeira luz da alvorada começava a entrar pelos grandes vitrais, tingindo o saguão de um cinza azulado.
—Olhem para vocês —disse, recuperando a frieza de sempre—. Amanhã, Lucía vai acordar pensando que tudo continua igual. Mas vocês sabem a verdade. A partir de hoje, esta casa tem um único dono.
Carmen ergueu o olhar, enxugando o suor da testa. Em seus olhos já não havia vergonha, e sim uma aceitação sombria. Levantou-se com dificuldade, ajustando os trapos de sua saia cinza com uma dignidade nova e macabra. Caminhou até Renata e lhe estendeu a mão para ajudá-la a se levantar.
—Lucía nunca saberá de nada —sentenciou, olhando para ela e depois para mim—. O que aconteceu sob o retrato dos antepassados fica com eles.
Renata assentiu em silêncio, aceitando seu lugar naquela nova ordem. Caminhei até a porta principal e a tranquei com chave, selando o destino dos três. O sol terminou de nascer e iluminou os quadros da família, que pareciam sorrir diante do retorno de sua verdadeira natureza às paredes da casa.