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Relatos Ardientes

Minha mãe não suportava me dividir com minha irmã

Naquela primeira noite depois da confissão, Daniela não conseguiu dormir. As palavras da mãe continuavam girando dentro da cabeça dela, não como uma ameaça, mas como uma promessa. Sentia-se observada, mas já não com o pânico de ser descoberta. Era outra coisa: a espera tensa de quem sabe que vai ser reivindicada e parou de resistir. Enfiou a mão por baixo do pijama e tocou o cu inchado, encharcado, incapaz de acalmá-lo com os próprios dedos: sabia que nenhuma carícia sua bastaria quando já conhecia o peso que teriam as de Raquel.

Raquel, por sua vez, dormia com a calma de quem já venceu. Passara meses cultivando aquela obsessão, primeiro do outro lado de uma fechadura, depois com toques que fingiam ser casuais. Sabia que a filha mais nova estava exatamente naquele ponto em que a necessidade do corpo derruba qualquer pudor. Era só questão de escolher o momento.

A manhã chegou com uma luz dourada que se infiltrava pelas persianas. Andrés saíra cedo, como sempre, soterrado em reuniões intermináveis. Quando a casa ficou em silêncio, Raquel convidou Daniela para o quarto dela, aquele espaço de frascos de vidro, tecidos caros e perfume maduro que as duas irmãs nunca haviam pisado de verdade.

— Hoje vou me dedicar a você — anunciou com um sorriso sereno —. Comprei ceras e óleos novos. Quero experimentar na sua pele.

Daniela assentiu com um nó no estômago. Sabia que não se tratava de nenhum tratamento de beleza. Despiu-se devagar, com as mãos trêmulas, e se deitou sobre as toalhas que a mãe havia preparado na cama. Os mamilos endureceram assim que sentiu o ar, e percebeu o olhar de Raquel descendo por seu ventre liso até se deter entre as coxas, avaliando-a sem pudor, como quem inspeciona uma peça que enfim vai poder morder.

Raquel começou pelas pernas. Aplicou o óleo morno com uma lentidão calculada, percorrendo cada centímetro daquela pele pálida que tanto a fascinava. Seus dedos tinham uma segurança diferente da que Daniela conhecia, uma paciência quase hipnótica. O aroma de lavanda encheu o quarto.

— Vou depilar você — sussurrou, aquecendo a cera —. Quero que cada carícia fique mil vezes mais intensa.

Trabalhou com delicadeza extrema, demorando-se em cada região, aliviando o puxão de cada faixa com beijos que subiam devagar pelas coxas. Quando chegou à virilha, fez isso com uma naturalidade que terminou de desmontar Daniela. Abriu-lhe as pernas com as duas mãos, sem perguntar, e passou a ponta do polegar pelos lábios do cu para deixá-los bem esticados antes de aplicar a cera. Sentia a respiração da mãe tão perto que o calor queimava. Cada puxão doía, e cada dor era apagada por uma língua morna que se demorava um segundo a mais sobre a pele recém-arrancada, tão perto do clitóris que Daniela começou a arquear os quadris à procura dela sem pensar.

— Fica quieta — sussurrou Raquel com um sorriso —. Ainda não.

Quando terminou, deixou-a completamente depilada, brilhando de óleo, com o cu tão exposto que qualquer sopro de ar a fazia estremecer. Raquel passou dois dedos pelos lábios já nus, muito devagar, abrindo-os para olhar lá dentro.

— Você não tem uma única imperfeição — murmurou Raquel —. Olha para você. Está pingando por minha causa, meu amor. Nem sequer toquei direito em você e já está assim.

Deixou a cera de lado e substituiu a rotina pelas mãos nuas. Os dedos que antes fingiam ser profissionais desceram direto ao clitóris inchado e começaram a girar em círculos lentos, pressionando cada vez com mais força. Daniela soltou um gemido que quebrou o silêncio. O contato era experiente, sem hesitação, carregado de uma intenção impossível de interpretar errado. Raquel enfiou dois dedos de uma vez, até o fundo, e os curvou à procura do ponto que fez Daniela arquear as costas contra as toalhas.

— Ai, mãe... — gemeu, vermelha de vergonha ao se ouvir.

— Isso, me chama assim. Me chama de mãe enquanto eu te fodo com os dedos. Quero ouvir isso.

Ela a trabalhou com a mão num ritmo firme, sem pressa, retirando os dedos encharcados e voltando a enterrá-los com um estalo úmido que enchia o quarto. Com a outra mão, segurava-lhe a barriga para que ela não se movesse, dominando-a com uma calma que a Daniela parecia mais excitante do que qualquer violência. Raquel subiu pela cama até ficar sobre ela e segurou-lhe o queixo.

— Olha para mim. Não feche os olhos. Quero que você saiba quem está fazendo você sentir isso.

Daniela obedeceu. Naquele olhar já não havia nada maternal. A mãe a beijou com uma voracidade que ela nunca recebera de ninguém, mordeu-lhe o lábio, chupou-lhe a língua, enquanto continuava enfiando os dedos com um vai-e-vem constante. Desceu pelo pescoço, deixando marcas que depois teriam de ser escondidas, e parou nos seios. Levou um mamilo à boca e o chupou com fome, sugando até Daniela gritar, alternando com mordidinhas suaves na aréola. O outro seio ela apertava com a mão livre, puxando o mamilo entre indicador e polegar até deixá-lo roxo.

— Você tem as tetas mais gostosas que eu já vi na vida — disse com a boca cheia —. Eu podia chupar isso por horas.

Continuou descendo. Lambuzou o umbigo, beijou os quadris e, quando lhe abriu as pernas por completo, Daniela ergueu a cabeça para olhar. A mãe estava ajoelhada entre suas coxas, com o cabelo preso para o lado, e soprou devagar sobre o cu aberto antes de sacar a língua e passá-la plana, de baixo para cima, em uma lambida longa que terminou com a ponta cravada no clitóris.

— Meu Deus — gemeu Daniela, agarrando-se aos lençóis.

Raquel não respondeu. Enterrou a língua na entrada do cu, enfiou-a o mais fundo que conseguiu e começou a fodê-la com a boca num ritmo obsceno. Bebia o fluxo que Daniela não parava de soltar, chupando os lábios um por um, mordendo-os com cuidado, subindo de vez em quando ao clitóris para desenhar círculos com a ponta da língua. Depois enfiou dois dedos de novo, desta vez por trás, e continuou chupando o clitóris com a boca enquanto a penetrava, coordenando língua e dedos no mesmo compasso.

Daniela sentiu o prazer se acumular num ponto que já não podia sustentar. Enterrou as mãos no cabelo da mãe, empurrando o rosto dela contra o cu, e gozou gritando, com o corpo inteiro sacudindo contra a boca de Raquel. A mãe não se afastou: continuou chupando e lambendo, prolongando o orgasmo até Daniela começar a implorar que parasse.

— Mãe, eu não aguento mais, por favor...

Raquel ergueu o rosto ensopado, sorrindo, com os lábios brilhando do líquido da filha, e lambeu os dedos um por um diante dela, para que visse.

— Isso é só o começo, meu amor. Você vai aprender a gozar tantas vezes seguidas quanto eu quiser.

Quando tudo terminou, ficaram enroscadas entre as toalhas, com o cu de Daniela ainda pulsando. Raquel beijou-lhe a testa.

— Isso é só o começo, meu amor.

***

A partir daquela tarde a casa mudou de modo invisível para o resto do mundo, mas sísmico para quem morava nela. Daniela deixou de arrastar a melancolia dos meses anteriores; movia-se com uma graça nova, consciente dos olhos famintos que a seguiam. Raquel irradiava uma vitalidade que Andrés atribuiu, equivocadamente, a algum passatempo recém-descoberto. Não sabia que o passatempo da mulher era a própria filha.

Numa manhã, enquanto Daniela se preparava para as aulas de arte, Raquel entrou no quarto com um vestido vermelho no braço.

— Hoje você não vai à escola. Inventei uma desculpa médica. Nós duas vamos sozinhas.

O destino foi um mirante isolado nas colinas, um lugar varrido pelo vento de onde a cidade se estendia como uma tapeçaria de luzes. Raquel estacionou sob alguns pinheiros, num canto sombreado, e sem dizer nada começou a acariciar-lhe o cabelo.

— Aqui ninguém nos vê, mas o mundo está lá embaixo, sem saber o que é nosso.

O que aconteceu dentro do carro foi urgente e cru. Raquel a empurrou contra o banco, arrancou-lhe a calcinha de um puxão e afundou o rosto entre as pernas dela antes que Daniela tivesse tempo de se ajeitar. Comeu-lhe o cu com fome, chupando o clitóris com os lábios fechados, puxando-o, enquanto enfiava três dedos que a abriam de par em par. Daniela pressionava as palmas contra o teto do carro, tentando segurar os gritos, com as coxas tremendo de um lado e do outro da cabeça da mãe.

— Mais forte, mãe, mais forte — implorou, surpreendida consigo mesma.

Raquel obedeceu. Cravou a língua no clitóris e enfiou os dedos até o nó dos dedos, fodendo-a sem descanso, embatendo contra ela até se ouvir o barulho molhado do fluxo na palma da mão. Quando Daniela gozou, gritando de boca aberta contra o banco, a mãe subiu sobre ela, ergueu a saia e colocou o cu sobre o rosto da filha.

— Agora você. Faça como eu te ensinei.

Daniela agarrou as nádegas dela e enfiou a língua. Chupou a mãe com toda a ansiedade que ainda tinha, aprendendo o gosto, aprendendo o ritmo com que Raquel movia os quadris contra sua boca. Lambiu o clitóris com a ponta da língua, depois com a língua inteira, e enfiou dois dedos imitando o que tinham feito com ela. Raquel se agarrou ao volante para não cair, gemendo baixinho, moendo o rosto dela com lentidão.

— Isso, assim, meu amor, assim, não para, não para...

Ela gozou sobre a boca de Daniela com um espasmo longo, encharcando-lhe o queixo e o pescoço. Os vidros estavam embaçados. Raquel se deixou cair sobre ela e a beijou, misturando os dois sabores na mesma boca.

— Você é minha — repetia contra o ventre dela, descendo de novo —. Ninguém te merece mais do que eu.

E recomeçou. Abriu-lhe as pernas, se acomodou sobre ela e esfregou o cu no da filha, fazendo tesoura devagar, com os clitóris se chocando a cada impulso. Moviam-se assim até as duas voltarem a gozar, agarradas pelas mãos, com os dedos entrelaçados sobre o estofamento.

Na volta, o silêncio dentro do carro era de pura satisfação. Daniela olhava pela janela e compreendia algo incômodo: o que vivia com a mãe era mais intenso do que o que havia vivido com a irmã. Havia poder, risco, uma transgressão que a mantinha acesa. Raquel não apenas a desejava; idolatrava-a a ponto de roçar a loucura, e isso, longe de assustá-la, a alimentava.

Como vou voltar atrás depois disso?

***

Mas a sombra de Carla continuava ali. A irmã mais velha ligava todos os dias da universidade, cheia de promessas de reencontro. Daniela respondia com o mesmo carinho, enquanto por dentro se partia em dois. Amava Carla. E, ao mesmo tempo, não queria abandonar o labirinto de prazeres que a mãe lhe abrira.

Raquel conhecia essas ligações e, em vez de mostrar ciúme, usava-as a seu favor.

— Me diz, sua irmã te fazia sentir assim? — perguntava no meio da intimidade, com três dedos enfiados até o fundo e o polegar cravado no clitóris, sabendo que a competição só atiçava a entrega de Daniela —. Ela te fodia tão bem assim, ou era só uma menina brincando com você?

— Não, mãe, você, só você — ofegava Daniela, sem saber mais se mentia ou dizia a verdade.

Numa noite de sexta-feira, Raquel a levou a um clube de jazz no centro, discreto e com pouca luz. Vestiu-a com um modelo preto que deixava os ombros à mostra e proibiu que usasse calcinha. Sentaram-se numa mesa isolada e, enquanto a música envolvia o local, o pé de Raquel começou a subir por baixo da mesa, pela perna, pela coxa, até encontrar o cu nu. Passou o peito do pé pelos lábios abertos, para cima e para baixo, com uma calma cruel. Daniela mantinha a compostura, conversando sobre qualquer coisa enquanto o corpo se tencionava e as pernas se abriam sozinhas.

Um rapaz se aproximou, atraído por ela, e ofereceu uma bebida. Raquel respondeu com uma calma de gelo.

— A senhorita está acompanhada, obrigada.

Quando o desconhecido se retirou, apertou a mão da filha com força.

— Ninguém mais pode olhar para você assim. Você é minha.

Minutos depois, guiou-a até os banheiros, trancou-as num boxe amplo de mármore escuro e a colocou de frente para a parede. Ergueu o vestido até a cintura, separou-lhe as nádegas e se ajoelhou atrás. Passou a língua do clitóris ao cu, em uma única lambida, e parou ali, chupando o anel do cu com a boca aberta.

— Mãe... — gemeu Daniela, apoiando a testa no mármore frio.

— Cala a boca. Aguenta.

Enfiou a língua no cu, pressionando-se contra ela, enquanto com a mão trabalhava o clitóris por diante. Depois subiu, mordeu a nuca dela e enfiou três dedos no cu de um só empurrão. Fodê-la contra a parede com força, com os dedos entrando e saindo, tapando-lhe a boca com a outra mão para abafar os gritos. Daniela se retorcia, empurrando o cu para trás, procurando cada investida.

Quando já a tinha à beira, Raquel parou, virou-se e sentou na tampa do vaso com as pernas abertas.

— Ajoelha. Chupa isso aqui, agora.

Daniela se deixou cair de joelhos e enterrou o rosto entre as coxas dela. Chupou o cu da mãe com desespero, mamando o clitóris, enfiando a língua o máximo que podia, com as mãos agarradas aos quadris dela. Raquel a segurou pelo cabelo e moveu a cabeça dela como quis, fodendo sua boca, mordendo o próprio lábio para não gritar contra a porta de madeira. Quando gozou, empurrou o rosto de Daniela contra o cu até sentir que ela engolia. Depois a ergueu, limpou-lhe o queixo com o polegar e enfiou-o na boca dela para que chupasse. Dessa vez foi Daniela quem tomou a iniciativa: agarrou a mão da mãe e a levou de novo entre as pernas, obrigando-a a terminar o serviço. Raquel sorriu e a masturbou ali mesmo, apertando-a contra o próprio peito, até Daniela gozar mordendo-lhe o ombro. Saíram, ajeitaram o cabelo diante do espelho e voltaram à mesa como se nada tivesse acontecido, com os olhos brilhando pelo segredo compartilhado e o cheiro do cu uma da outra impregnado na pele.

***

No dia em que Carla voltou das férias, o ar parecia carregado de eletricidade. Desceu do táxi radiante, com a confiança que a independência dá, e abraçou Daniela aspirando seu aroma como se quisesse reconhecê-la.

— Eu senti tanta falta de você.

Raquel observava da soleira, com um sorriso gelado.

— Bem-vinda de volta para casa.

A tensão entre mãe e filha mais velha foi instantânea. Carla, com sua intuição afiada, percebeu algo diferente no ambiente, uma vibração que não conseguia nomear. Naquela mesma noite trancou a porta do quarto de Daniela e se lançou sobre ela.

— Sonhei com isso toda noite.

Arrancou a roupa dela em puxões, a deitou de costas e montou por cima. Beijou-a de boca aberta, chupando-lhe a língua, enquanto apertava os seios com as duas mãos. Desceu rápido, sem cerimônia, e cravou a língua no cu dela, chupando o clitóris com a ansiedade de meses. Enfiou dois dedos e os moveu depressa, sem a paciência calculada de Raquel, com a fome juvenil de quem quer acabar logo para começar de novo. Daniela gozou de imediato, arqueando-se contra a boca da irmã, e Carla não parou: subiu sobre ela, virou-a e se deitou por cima ao contrário, num sessenta e nove apertado.

Daniela se viu com o cu da irmã no rosto e o lambeu por hábito, chupando o clitóris que conhecia de cor. Mas, enquanto fazia isso, em algum canto da mente as mãos pausadas da mãe continuavam presentes, a calma com que Raquel demorava-se em cada dobra, o domínio com que a segurava. As duas gozaram quase ao mesmo tempo, se sacudindo uma contra a outra, mas para Daniela havia uma dissonância, um eco que não conseguia silenciar dentro do próprio prazer.

No corredor, Raquel escutava os sons que tão bem conhecia, devorada por uma raiva muda. Sentia-se uma rainha destronada por uma herdeira impaciente. Entrou no quarto, acordou Andrés com uma agressividade que ele não soube decifrar e o usou como um objeto. Sentou-se sobre ele sem deixá-lo falar, enfiou a pica dura de uma vez e começou a cavalgar com fúria, sem olhá-lo, projetando nele toda a frustração. Cravava as unhas no peito dele, apertava os próprios seios, fodendo o marido como se ele fosse um pedaço de carne, pensando na boca de Daniela chupando outra. Andrés gozou rápido, e ela continuou se movendo por cima, buscando o próprio orgasmo com os dedos no clitóris, até se deixar cair para o lado, mais vazia e mais ressentida do que antes.

Os dias seguintes foram uma guerra silenciosa. Carla monopolizava Daniela; Raquel tentava interceptá-la em qualquer descuido, mesmo que fossem apenas alguns segundos num corredor.

— Já me esqueceu tão rápido assim? — sussurrou numa tarde, aprisionando-a contra a parede enquanto Carla tomava banho. Enfiou a mão por baixo da saia, afastou a calcinha e cravou dois dedos no cu sem preâmbulo. Moveu-os rápido, com raiva —. Ela já fez você gozar hoje? Quantas vezes? Me diz.

— Três — confessou Daniela, com a boca aberta contra o ombro da mãe para não gemer.

— Então agora a quarta eu dou. E essa você vai lembrar.

Masturbou-a ali mesmo, contra a parede, em menos de um minuto, até Daniela gozar mordendo o próprio punho. Raquel tirou os dedos encharcados e passou-os pelos lábios antes de chupá-los diante dela.

— A mamãe está estranha com você, não acha? — comentou Carla outra noite, semicerrando os olhos.

— Ela se acostumou comigo enquanto você não estava — mentiu Daniela, desviando o olhar.

***

Numa tarde em que Carla tinha saído para ver os amigos, Raquel chamou Daniela ao escritório, um cômodo de livros antigos e móveis de couro.

— Fecha a porta — ordenou sem erguer os olhos.

Quando obedeceu, a mãe se aproximou e começou a desabotoar-lhe a blusa. Tirou-lhe o sutiã de um puxão e chupou-lhe os mamilos um de cada vez, mordendo-os, sugando-os com força até deixá-los duros e vermelhos.

— Carla pode entrar a qualquer momento — protestou débilmente, embora o corpo já respondesse.

— Não vai. Está com os livros dela. E, se entrar, melhor. Que veja de quem você é.

Inclinou-a sobre a mesa de mogno, entre papéis e penas, arrancou-lhe a saia e baixou a calcinha até os joelhos. Ajoelhou-se atrás e passou a língua do clitóris ao cu, lambuzando-a por inteira, chupando-lhe o anel do cu com fome enquanto enfiava dois dedos no cu. Abriu-a pelos dois lados ao mesmo tempo, um dedo em cada buraco, e começou a bombear com as duas mãos, olhando Daniela se retorcer sobre os papéis da mesa.

— Olha você. Toda minha. Aberta para mim em cima dos papéis do seu pai.

Ergueu-se, agarrou-a pelo cabelo e jogou a cabeça dela para trás. Enfiou três dedos de uma vez no cu e com o polegar da outra mão pressionou o cu, fodendo-a assim, com as duas mãos, obscenamente, até Daniela começar a tremer inteira. Naquela tarde não buscava ternura, e sim reafirmar quem mandava. Justo quando Daniela estava prestes a terminar, ouviram passos. Era Carla, chamando-a. Raquel não parou; tapou-lhe a boca com uma mão e continuou enfiando os dedos, mais rápido, mais fundo, empurrando-a contra a borda do mogno. Daniela sentia a mão tapando sua boca, a outra mão da mãe destruindo-a por dentro, os passos se aproximando no corredor, e tudo isso, em vez de detê-la, a lançou mais forte. Gozou tremendo, mordendo a palma de Raquel, apertando os dedos com o cu enquanto os passos passavam direto para a cozinha.

Raquel tirou os dedos com um estalo e limpou-os na coxa da filha.

— Vai embora agora — sussurrou a mãe, penteando o cabelo com uma calma espantosa —. E não se esqueça de quem faz você sentir isso.

Daniela saiu com as pernas trêmulas, a calcinha ainda na mão, e deu de cara com a irmã no corredor.

— Onde você estava? Te procurei pela casa toda.

— Estava ajudando a mamãe com uns arquivos — mentiu, prendendo a respiração com medo de que o cheiro de Raquel a denunciasse.

***

Quando faltavam poucos dias para Carla voltar à universidade, ela fez uma proposta que mudou tudo. A irmã começaria um mestrado em outra cidade e queria que Daniela fosse com ela.

— Eu consigo uma bolsa para você. Alugamos um lugar pequeno, estudamos juntas e vivemos o nosso sem esconder de ninguém.

As palavras ressoaram sem parar. Era a oferta de uma liberdade que a mãe jamais lhe daria. Mas também sentia o puxão do vício que Raquel havia semeado nela. Será que eu conseguiria me contentar com algo tão calmo depois de tudo isso?

Raquel, que revisava em segredo o histórico do computador da filha, soube o que estava se formando. Em vez de confrontá-la, organizou um fim de semana numa casa de campo à beira de um lago, longe de Andrés e de qualquer conhecido. Ali, desplegou todo o seu arsenal. Tomou-a na varanda sob a lua, pondo-a de quatro sobre a grade de madeira e comendo-lhe o cu por trás com a língua enfiada até o fundo, até fazê-la gozar duas vezes seguidas no rosto dela. Tomou-a na cozinha, sentando-a sobre a mesa, abrindo-lhe as pernas e descendo para chupar o clitóris entre as xícaras do café da manhã, até Daniela gozar derrubando o açucareiro no chão. Tomou-a no cais ao amanhecer, as duas nuas, fazendo tesoura sobre as tábuas úmidas de orvalho, com os cus se chocando num ritmo lento até gozarem juntas vendo o sol subir.

E naquela última noite, na cama grande da casa, tirou de uma gaveta um consolador duplo de silicone preto. Mostrou-o para Daniela sem dizer nada, lambuzou-o com a boca e pediu que ela se deitasse de lado. Acomodou-se de frente para ela na mesma posição, uniram os quadris, e Raquel foi enfiando cada extremidade num cu, empurrando devagar até as duas ficarem enfiadas no mesmo brinquedo, unidas por ele.

— Agora fode você em mim — disse, agarrando-a pela cintura.

Moviam-se juntas, buscando o ritmo, empurrando-se uma contra a outra, o consolador entrando e saindo das duas ao mesmo tempo. Raquel procurou o clitóris com o polegar e o trabalhou enquanto continuavam se chocando, olhando nos olhos uma da outra, com a boca aberta. Gozaram quase ao mesmo tempo, apertando o brinquedo com os cus, agarradas pelos ombros, e continuaram se movendo devagar, mais lento, até o segundo orgasmo chegar sozinho, montado sobre o primeiro, muito mais longo, muito mais fundo.

— Me diz que nunca vai me deixar — pedia nos momentos de maior intensidade, com o polegar ainda sobre o clitóris da filha.

E Daniela, embriagada, assentia. Mas no último dia a mãe cometeu um erro. Mostrou-lhe o folheto de um apartamento na cidade.

— Vou alugar para nós duas, para quando você começar a universidade. Vamos ficar sempre juntas, sem que ninguém nos perturbe.

Daniela olhou o papel e sentiu faltar o ar. Não era uma oferta de amor. Era uma sentença de prisão perpétua numa gaiola de ouro. Naquele instante, entendeu que, se não fosse embora agora, nunca iria.

***

O jantar da formatura reuniu as quatro pessoas da casa numa calma sepulcral, aquela que precede os desastres. Andrés servia o vinho sem perceber que os silêncios da mulher e das filhas estavam carregados de dinamite. Daniela, pela primeira vez, sentia-se estranhamente calma: tinha decidido.

Foi Carla quem tomou a palavra.

— Pai, mãe, tenho uma coisa para dizer. Daniela vai morar comigo no ano que vem. A universidade de lá tem o melhor curso de arte do país e eu já consegui uma bolsa para ela.

O silêncio foi absoluto. Andrés deixou a taça sobre a mesa.

— Parece uma grande oportunidade para as duas — comentou, buscando a aprovação da esposa.

Raquel demorou a responder. O rosto se tornou uma máscara de pedra.

— Isso não é possível. Daniela tem o lugar dela aqui. Já fiz planos para o futuro dela.

— Os planos da Daniela são dela, mãe — interveio Carla com firmeza —. Você não pode decidir por ela para sempre.

A discussão escalou. Raquel, perdendo a compostura, acusou Carla de querer arrancar a filha dela; Carla insinuou que aquela relação tinha algo de doentio e controlador. Andrés olhava de uma para outra, perdido.

— Chega! — Daniela se levantou e o silêncio caiu de súbito. Todos os olhares se cravaram nela —. Eu vou com a Carla. Agradeço tudo o que você fez por mim, mãe, mas preciso da minha própria vida. Preciso ser livre.

Raquel se levantou e se aproximou até ficar a centímetros dela.

— Livre? Você acha que com ela vai ser livre? Ela só vai te dar uma sombra do que eu te dei. Ninguém vai te amar com a intensidade com que eu amo.

O subtexto, que só as duas entendiam, foi o golpe final. Carla se colocou entre ambas.

— Acabou, mãe. Daniela escolheu.

Raquel olhou para as duas filhas com um desprezo que escondia uma derrota total. Compreendeu que, ao tentar possuir Daniela por completo, a havia empurrado para os braços da irmã. Saiu da sala sem dizer mais nada, deixando para trás uma família quebrada e uma verdade pela metade que nunca seria dita diante de Andrés.

***

O dia da partida amanheceu cinzento, com uma garoa fina. Antes de sair, Daniela subiu ao escritório. Encontrou a mãe diante da janela, olhando o jardim encharcado, envelhecida anos em uma única noite.

— Eu vou embora, mãe — sussurrou, pousando a mão no ombro dela.

Raquel não se virou, mas apertou-lhe a mão com força.

— Eu sei, meu amor. Eu sei.

Por um instante não houve reproches nem jogos de poder, só o reconhecimento de um vínculo que as marcaria para sempre. A mãe se levantou e a abraçou com uma ternura que já não tinha nada de erótico, só amor.

— Seja feliz. E lembre-se de que você sempre será meu maior tesouro.

Beijou-a uma última vez, e às duas custou desfazer aquele abraço. Daniela desceu as escadas sem olhar para trás. Andrés a esperava na porta e lhe deu um abraço afetuoso, desejando sorte, sem compreender de todo a dimensão do que acontecera sob seu teto.

No táxi, Carla segurou sua mão.

— Pronta?

— Pronta.

Enquanto o carro se afastava, Daniela viu pelo retrovisor a figura da mãe na janela do andar de cima, observando-as até desaparecerem. Era o fim de uma era.

Naquela primeira noite no pequeno apartamento do bairro universitário, o encontro com Carla foi diferente. Não houve urgência nem jogos de dominação. Despiram-se devagar, acariciaram-se por longo tempo antes de tocar os cus, lamberam uma à outra com uma lentidão que nunca haviam tido. Carla chupou-lhe o clitóris como se tivesse todo o tempo do mundo, e Daniela a penetrou com dois dedos procurando seu ritmo, sem pressa, sem ninguém do outro lado da porta. Gozaram juntas, abraçadas, e depois ficaram se olhando no rosto, com os olhos úmidos. Daniela entendeu que a intensidade que a mãe lhe ensinara não se perdera: tinha se transformado. Agora era ela quem decidia como e quando sentir, quem tomava as rédeas do próprio prazer. A sombra de Raquel continuava ali, como a lembrança do que o desejo pode se tornar quando não conhece limites, mas já não tinha poder sobre ela. A liberdade, descobriu, não era a ausência de segredos, mas a possibilidade de escolher quais guardar e com quem compartilhá-los.

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