Meu filho mudou as regras na noite da piscina
A cumplicidade entre Marisol e seu filho havia se tornado o ar que respiravam, uma atmosfera densa e privada na qual ambos se moviam com uma liberdade que beirava a temeridade. Andavam sempre nus pela casa, já não por provocação, mas por puro costume. Naquele verão, Adrián, num impulso de responsabilidade incomum, decidiu cuidar da piscina pela primeira vez. Disse à mãe, com meio sorriso, que limpá-la também fazia parte do contrato.
Durante o dia, quando o calor caía como uma manta úmida sobre o jardim, eles se banhavam. Brincavam na água como duas crianças que se recusavam a crescer, espirrando água um no outro, rindo, uma coreografia de inocência que era a fachada perfeita do que fervia por baixo. Adrián aproveitava qualquer descuido para tocá-la: os dedos procurando-a sob a água, uma surpresa elétrica, ou fechando-se sobre seus seios enquanto olhava de soslaio para as janelas dos vizinhos, como um sentinela vigiando seu próprio reino secreto.
Mas uma noite, sob um céu sem lua e com as estrelas como únicas testemunhas, ele lhe pediu para dar o próximo passo.
— Vamos para a piscina — disse, com a mão percorrendo-lhe as costas enquanto ela se servia de um copo de água na cozinha.
Marisol se virou com um sorriso incrédulo.
— Agora? Você ficou louco? Eu estou com cara de quem quer pegar uma pneumonia a estas horas?
— Não seja chata. Vai ser incrível. A água, a noite... nós.
Ela negou com a cabeça e deixou o copo sobre a bancada com um golpe seco.
— Nem brincando, Adrián. Não penso em sair nua para o quintal nem que tenha faltado energia em metade do bairro.
Ele colou-se às costas dela, sua ereção quente e firme pressionando contra suas nádegas como uma prova que não admitia discussão.
— É perigoso — murmurou ela, sentindo como o corpo traía cada uma de suas palavras, como uma corrente descia por sua coluna.
— Não há lua, não há luzes. Ninguém vai nos ver. Estaremos sozinhos no universo, mãe. Só nós dois e o cloro.
Marisol resistiu um pouco mais, uma luta simbólica que já sabia perdida. A insistência dele, misturada à promessa de uma aventura proibida, acabou por desarmá-la.
— Tudo bem — disse, com a derrota na voz—. Mas zero barulho. Entendido?
— Sim, senhora! — respondeu ele, com um tom militar e debochado ao mesmo tempo.
Ele a pegou pela mão e a guiou quase à força até a porta de correr. Ela caminhava com a relutância de quem vai para o patíbulo, arrastando os passos, enquanto ele a puxava, impaciente.
— Tenho certeza de que você não vai sair assim — insistiu ela numa última tentativa de negociação —. Se um vizinho olhar pela janela...
— Que se divirta com o espetáculo — disse ele, e a empurrou suavemente para fora.
***
A noite os envolveu num manto morno perfumado de jasmim. Ela entrou primeiro, um arrepio doce percorrendo-a enquanto se afundava até os ombros. Ele a seguiu e a encontrou no meio do silêncio. Adrián a levou de propósito para a parte mais funda, onde os pés já não tocavam o fundo, um pequeno abismo azul. Ali a tomou como sua, como dois náufragos numa ilha deserta cuja única lei era o desejo.
A ausência de peso da água os transformava em astronautas de um sexo sem gravidade. Marisol enrolou a cintura dele com as pernas e ele entrou nela com um movimento lento e profundo, um deslizamento que parecia mais limpo, mais elementar. Cada investida deslocava a água para dentro, uma pressão estranha e prazerosa. Ele movia os quadris com uma força tranquila, um remador constante que os empurrava mar adentro.
— Temos que ficar em silêncio — sussurrou ela contra a orelha dele, antes de mordiscar o lóbulo.
— Estamos em silêncio — respondeu ele sem parar de se mover—. Estamos falando com a pele.
E era verdade. Os corpos deles dialogavam numa língua antiga, um murmúrio de pele contra pele, de água salpicando devagar, de suspiros contidos. Marisol sentiu o orgasmo se aproximar não como uma explosão, mas como uma maré, uma onda que a levantava e a arrastava para uma margem de inconsciência. Quando ele terminou dentro dela, foi um torrente silencioso de calor em plena escuridão. Ficaram assim, abraçados, flutuando, dois corpos fundidos no coração da noite.
Fizeram aquilo três vezes, uma maratona aquática que os manteve à tona até depois das duas da madrugada, convertidos em criaturas noturnas cujo único propósito era sondar os limites do prazer. Marisol se surpreendia com a resistência de Adrián, uma energia de animal jovem que parecia inesgotável. Isso ele não herdou do pai, pensou, com uma mistura de orgulho e blasfêmia.
Por fim, exaustos e enrugados como passas, voltaram para a casa deixando um rastro de água no mármore. Tomaram banho juntos, um ato íntimo e funcional no qual ensaboaram as costas um do outro e se enxugaram com toalhas enormes, como dois atletas depois de uma partida decisiva.
— Acho que me enchi de cloro até a alma — disse ela, esfregando o cabelo —. Amanhã vou cheirar a piscina e a escândalo.
— Você cheira a glória — respondeu ele, beijando-lhe o ombro —. Você é a minha medalha de ouro.
***
Nos dias seguintes a rotina se instalou com a naturalidade de uma estação. Marisol pensava, às vezes com uma lucidez que a assustava, em como aquela relação com o filho havia evoluído. Já não era uma criança, claro. Era seu dono, seu amante, seu homem. Parecia viver num paraíso de regras inventadas, um jardim do qual não queria fugir.
Mas o mundo exterior, com sua insistência ridícula na normalidade, voltou a bater à porta. Começou o último ano de Adrián na faculdade, e o tempo de repente se tornou um recurso escasso. De manhã ele ia para a universidade e a casa ficava vazia, um cenário sem seus atores principais. O café da manhã virou algo rápido e pragmático. O sexo matinal, porém, esse ritual sagrado, permaneceu intacto. Só que ela, como uma estrategista que cuida de seu melhor trunfo, impôs uma nova regra.
— Escuta aqui, campeão — disse ela certa manhã, enquanto ele a empurrava contra a bancada, já dentro dela, movendo-se com a impaciência de quem sabe que o ônibus não espera —. De manhã você pode gozar, mas só uma vez. Depois, banho e aula. À tarde, primeiro os estudos; quando terminar, a gente se diverte.
Ele protestou, um gemido abafado contra seu pescoço.
— Mas mãe, eu quero...
— Querer não é poder — interrompeu ela com um sorriso —. Não quero que você se esgote nem que suas notas caiam por minha culpa. Este é o ano mais importante. Preciso que você se torne um gênio das finanças, não um dom-juan acabado. Preciso que você tenha energia para conquistar o mundo... e para voltar para casa e me conquistar. Faça isso por mim.
Adrián entendeu a lógica torta de sua mãe. Rendeu-se e deixou que o corpo explodisse dentro dela, um jorro rápido e poderoso, a promessa de que voltaria mais tarde com mais fome e mais tempo.
***
Quando Adrián voltava para casa no meio da tarde, ela o esperava como sempre, com uma camisola transparente e nada por baixo, um símbolo da rendição total do seu corpo. Mas a realidade impunha sua tirania de obrigações entediantes.
— Primeiro os estudos, meu amor — sussurrava, com um beijo que era mais aviso do que boas-vindas —. Você precisa se formar se quiser ser alguém.
Ele suspirava como uma criança que teve o doce negado e se fechava com os apontamentos. Mas Adrián era um cavalo puro-sangue, uma energia que não se deixava domar por completo. A promessa da manhã se dissolvia com a luz da tarde. Às vezes ele a pegava na cozinha. Empurrava-a contra a pia e a tomava por trás, rápido e feroz, enquanto ela tentava, sem sucesso, terminar de picar as cebolas do jantar.
— Adrián... por favor... o jantar — murmurava, com o peito colado ao metal frio.
— O jantar pode esperar — rosnava ele, entrando nela com uma força que a deixava sem ar.
Outras vezes ele a colocava sobre a bancada, como se fosse um prato que ia devorar. Marisol, sentada no mármore, com as pernas abertas, o via se aproximar entre as facas e as tábuas de cortar, um ato sacrílego no altar da comida da família.
— Pelo menos veste alguma coisa — pedia ela num acesso de responsabilidade que até para si mesma soava como piada —. Não quero acabar misturada ao molho bolonhesa.
Ele ria e recusava. “É meu molho”, dizia, e a enchia sem remédio, um desastre que ela teria de limpar depois.
Quando não conseguia negociar uma trégua até a noite — o que costumava terminar num boquete rápido para acalmar a fera —, eles faziam isso no sofá. Aquele testemunho mudo de tantas tardes de televisão havia se tornado o principal campo de batalha do desejo deles. Ele a deitava sobre as almofadas, abria-lhe as pernas e a possuía sem cerimônia. O sofá absorvia o suor, os gemidos e as provas da paixão deles, manchas difíceis que cabiam a Marisol limpar no dia seguinte.
Um dia, enquanto esfregava de joelhos uma mancha particularmente teimosa, Adrián apareceu na soleira.
— O que você está fazendo, mãe?
— O que parece? Sou a faxineira da minha própria orgia — disse ela sem parar de esfregar —. Seu pai me deixava preocupações; você me deixa manchas. Não sei o que é pior.
Ele se ajoelhou atrás dela e a abraçou pela cintura.
— Desculpa — disse, com uma voz genuinamente arrependida.
Marisol se virou, o rosto a um palmo do dele.
— Não se preocupe, amor. É um preço pequeno pelo paraíso. Embora, já que você está aqui... me ajuda a ver se a mancha saiu de vez? A gente podia fazer uma nova e comparar.
Ele sorriu, entendendo. Levou-a de volta ao sofá e, sobre a mancha quase apagada, voltaram a marcá-lo, um ato de desafio, a prova de que seu paraíso era um lugar vivo que precisava ser regado constantemente.
***
Num sábado, com o sol entrando em abundância, Marisol decidiu que a domesticidade devia se fazer presente, nem que fosse por cortesia.
— Adrián, meu bem — disse, encontrando-o largado no sofá como um paxá —. Neste fim de semana precisamos arrumar a garagem. Aquilo é uma selva de ferramentas esquecidas.
— Acabei de conquistar o sofá, mãe — suspirou ele —. Tenho que conquistar a garagem também?
— A garagem é o próximo nível. O chefe final. E nem vista nada, porque com o calor que faz lá dentro a gente tem que ir como Deus nos trouxe ao mundo. Ou como eu te trouxe ao mundo.
Trabalharam durante horas, uma coreografia eficiente de caixas, ferramentas e trastes antigos. O suor perlava a pele deles sob a luz fluorescente. Quando enfim tudo ficou empilhado com precisão quase militar, Marisol se abaixou para pegar os últimos trens do chão. Foi então que ele, ao vê-la naquela posição, sentiu que o trabalho tinha sido apenas o prólogo do verdadeiro negócio do dia. Segurou-a pela cintura, já desperto e alerta contra o vão de suas nádegas.
— Adrián, não, por favor. Estou cansada e suja — protestou ela, com uma voz que era pura formalidade.
— Vou te deixar mais suja — rosnou ele, empurrando-a em direção ao carro, um velho sedã que fora testemunha de mil viagens de família.
— Não aí. É desconfortável, é pequeno... e cheira à minha juventude! — ela riu enquanto ele a forçava com suavidade a abrir a porta traseira —. Você percebe a ironia? Vou foder no mesmo carro onde trocava sua fralda.
— Considere uma melhoria no equipamento — disse ele, e a colocou dentro quase a jogando sobre o banco.
Ela caiu com uma careta de nojo fingido sobre o estofado desbotado.
— Isso é deprimente. Faz um século que ninguém entra aqui. Vou quebrar a cabeça no porta-copos. E isso aqui é o quê? Um chiclete grudado? Era meu!
Ele entrou por trás, um predador entrando em sua toca, e se posicionou por cima, cravando-se nela sem aviso prévio, uma invasão rápida e contundente.
— Adrián! Avisa antes!
— Avisar? Contratualmente é meu direito? Você me avisou quando decidiu se tornar a mulher mais desejável do planeta?
No fundo, Marisol adorava aquela força, aquela determinação que se impunha sobre ela. Gostava que ele a dominasse, que a tratasse como um território a conquistar. E esse pensamento se misturou, na deliciosa loucura de sua mente, com a ironia de tê-lo criado, de tê-lo ensinado a ser forte e a não desistir... só para que ele aplicasse toda essa educação em possuí-la. Ela tinha sido sua treinadora pessoal para o único campeonato que importava: o de conquistá-la. A ideia foi tão obscenamente hilária que a empurrou ao orgasmo de imediato, um espasmo que a percorreu enquanto ele continuava se movendo, um motor implacável.
— Adrián, sim! Assim, meu campeão! — gritou, sem se importar que o som ricocheteasse nas paredes de cimento.
Quando ele terminou, um jorro a reclamou como troféu. Ficaram ali, um emaranhado de suor e pele no banco traseiro de um carro velho, um monumento à loucura.
— Acho que dei ao carro uma história muito mais interessante — disse ela, com a voz rouca.
Ele riu, um som profundo e satisfeito.
— Esse agora é o meu banco favorito.
Ficaram mais um tempo abraçados, ouvindo o eco de suas respirações. Marisol pensou no acaso, nas formas estranhas como o desejo se manifestava. Tinha passado de mãe a amante, de protetora a protegida, de dona da casa a escrava do próprio filho. E, por alguma razão, sentia-se mais livre do que nunca.
***
Mas tudo, até o paraíso mais perfumado, tem data de validade. Os seis meses voaram como um suspiro, e a figura de Esteban, seu marido, voltou do esquecimento como um fantasma incômodo. Tanto ela quanto Adrián o haviam arquivado, um personagem secundário de uma trama que já não lhe pertencia. Uma semana antes do retorno, o telefone tocou, um toque estridente que cortou o ar denso de seu mundo secreto.
— Alô? — disse ela, com a voz ligeiramente trêmula. Do outro lado, a voz de Esteban soava tão distante quanto a de outro país.
— Marisol, sou eu. Só estou ligando para avisar que no sábado à tarde chego. Não venham me buscar, pego um táxi.
A ligação foi curta, seca, tão funcional quanto uma previsão do tempo. Desligou e ela ficou com o telefone na mão, sentindo o peso do mundo real sobre os ombros.
Adrián, nu no sofá diante de um documentário sobre tubarões, olhou para ela.
— Era ele, não era?
Ela assentiu, sem palavras, perguntando-se se aquele seria o fim de tudo.