O motel onde meu filho e eu nos reencontramos
Querido leitor, para entender o que vou te contar você precisa saber uma coisa: meu filho e eu levamos vários anos compartilhando algo que ninguém mais conhece. Começou há muito tempo, quase sem percebermos, e desde então não fomos capazes de largar. Se você quiser saber como tudo nasceu, isso é outra história. Hoje quero falar de uma tarde em particular.
Mauricio já é um homem feito e direito. É casado, tem a vida resolvida, sua rotina, sua casa. E ainda assim, de tempos em tempos, encontramos um jeito de nos ver. Não num almoço de família, não num aniversário. Nos vemos a sós, longe de todos, para nos entregar a algo que sua esposa jamais imaginaria e que meu marido nunca suspeitaria. Sempre na discrição de um motel, onde só existem nossos corpos e a vontade que vai se acumulando entre um encontro e o seguinte.
Dessa vez combinamos que ele viria me buscar no ponto de ônibus, na avenida que dá para a saída da cidade. Esperei apenas alguns minutos, com o coração batendo no peito como se fosse a primeira vez. Quando vi o carro dele aparecer, senti aquele formigamento que nunca me abandonou. Entrei, ele me sorriu, e tomou rumo para a região da periferia, onde os motéis se alinham um atrás do outro.
Antes de chegar, parou numa loja e comprou algumas cervejas bem geladas e um maço de cigarros. Íamos conversando sobre qualquer coisa, sobre o trabalho dele, sobre uma viagem que pensava em fazer, sobre nada importante. Mas por baixo da conversa havia outra corrente, aquela que nós dois conhecíamos e que nos deixava a pele tensa sem precisar dizer uma palavra.
Entrou no motel Las Palmas, onde já tínhamos estado antes. Esse instante de passar pelo portão sempre me deixa um pouco nervosa. Uma mulher indicou o número do quarto pela janelinha. Mauricio estacionou, foi pagar, e a funcionária fechou o portão às nossas costas. Só então desci do carro.
Ele se aproximou de mim e nos beijamos ali mesmo, junto à porta, devagar no começo e logo com fome, nos procurando com a língua, perdendo a noção de quem éramos para os outros.
— Você não sabe o quanto eu estava com saudade — eu disse contra os seus lábios.
— Eu também, mamãe. Muita.
Subi as escadas em direção ao quarto caminhando devagar, sabendo que ele me olhava de baixo. Eu queria que olhasse.
***
Lá dentro, fui ao banheiro me trocar. Tinha levado um conjunto mais atrevido na bolsa, então vesti um body preto, meias e um salto alto. Retocar a maquiagem diante do espelho e me observei por um momento. Mauricio gosta de me ver assim, provocativa, arrumada só para ele.
Saí e o encontrei sentado no pequeno sofá que havia ao lado da cama. O rosto dele se iluminou. Dei uma volta lenta para que me visse de todos os ângulos.
— Gostou? — perguntei.
— Demais. Posso tirar umas fotos suas?
— As que você quiser, meu amor.
Possei para ele um tempo, me divertindo com o olhar dele, e depois me sentei ao seu lado. Ele abriu duas cervejas e acendeu um cigarro. Ficamos assim, bebendo devagar, falando baixinho, enquanto eu aproveitava a forma como ele me percorria com os olhos toda vez que dava um gole.
Ele ligou a televisão num canal de música. Quando começou uma música de que eu gostava, me levantei e comecei a dançar para ele, como sempre. Me movi devagar, de costas para ele, olhando-o por cima do ombro. Aos poucos, fui baixando as alças do body, desabotoando-o na virilha e deixando que me visse por inteira.
Ele tinha tirado a roupa enquanto eu dançava. Estava nu, me olhando, se tocando devagar, já excitado. Vê-lo assim me incendiou ainda mais.
Quando a música acabou, me sentei com ele. Ele abriu outra cerveja para mim e fui bebendo com o corpo quase descoberto, só o body enrolado na cintura. Nos beijamos de novo, mais fundo. Disse que queria algo mais forte e ele ligou para a recepção para pedir alguns drinks. Enquanto traziam, continuamos nos beijando, sem pressa, deixando a tensão crescer.
Os drinks chegaram por aquele pequeno passa-prato giratório na parede para que ninguém precisasse ver ninguém. Nós os colocamos na mesa e fomos bebendo em goles pequenos. Naquele momento eu já me sentia tonta e com tesão, com a pele sensível a qualquer toque.
***
Ali mesmo, no sofá, Mauricio começou a me beijar o pescoço e a acariciar meus seios com aquela vontade dele que eu tanto adoro. Sentir as mãos dele amassando meu corpo, brincando com meus mamilos, me fez arquear. Depois ele abaixou a cabeça e os levou à boca, sugando devagar, primeiro um e depois o outro.
— Assim, meu amor — eu disse, enterrando os dedos no cabelo dele—. Devagar.
Abri as pernas e ele levou a mão entre elas, me percorrendo por inteira com as pontas dos dedos. Senti que derretia. Me levantei, o beijei e me ajoelhei entre as suas pernas. Ele estava duro. Peguei com a mão e, olhando nos olhos dele, levei à boca.
Fiz devagar, como ele gosta. Percorria com a língua todo o comprimento e depois o colocava na boca aos poucos, cada vez um pouco mais. Mauricio me observava sem perder um detalhe, com a respiração cada vez mais entrecortada. Aquele olhar dele, fixo na minha boca, me excitava mais do que qualquer outra coisa.
Quando ele já estava bem molhado, me ergui e fui até o grande espelho da parede. Me apoiei na prateleira e ele colou nas minhas costas, segurando meus seios, beijando minha nuca, minha orelha, me arrepiando inteira. Senti a ereção entre as nádegas, roçando, e me ver refletida assim, com as mãos dele por todo o meu corpo, me deixou louca.
— Você já me quer? — perguntei ao reflexo.
— Sim. Já.
— Vem.
***
Fui para a cama e me deitei com as pernas abertas, chamando-o com um gesto. Mauricio se acomodou entre elas, me beijou na boca e, sem tirar os olhos de mim, foi entrando devagar. Soltei um gemido longo ao senti-lo dentro.
— Assim, meu amor — sussurrei —. Devagar, que eu já estava com saudade.
— Eu também — respondeu contra meu pescoço.
Começou a se mover num ritmo constante, entrando e saindo, parando às vezes para me beijar ou voltar aos meus seios. Eu acariciava suas costas, seu cabelo, sentindo-o no mais fundo de mim. Depois de um tempo o parei, empurrei de leve para que se deitasse de costas e subi em cima dele.
Guiei-o de novo para dentro de mim e comecei a me mover, marcando o ritmo, olhando-o de cima. Ele me segurava pelas ancas, me acariciava, apertava minhas nádegas. De vez em quando eu me inclinava para aproximar meus seios da boca dele e ele os recebia com vontade.
— Você me enlouquece — ele me disse, quase sem fôlego—. Você está deliciosa assim.
Desci por um instante e me inclinei ao ouvido dele.
— Quero sentir sua boca aí — eu disse.
Não precisou repetir. Deitei de costas, aberta para ele, e Mauricio desceu até se colocar entre minhas pernas. Vi ele pôr a língua para fora e começar a me percorrer inteira, lento, concentrado. Eu me abri com os dedos para ele.
— Segura aí, meu amor — pedi.
A língua dele subia e descia, parava bem onde eu precisava, brincava em círculos até me fazer me contorcer. Fechei os olhos e me deixei levar, agarrando-me aos lençóis, movendo os quadris contra a boca dele.
— Assim, não para, por favor — implorei —. Já, já quase…
Mauricio se concentrou por completo e, em questão de segundos, me fez explodir. O orgasmo me percorreu dos pés à cabeça enquanto ele continuava ali, me sustentando com a boca até eu parar de tremer.
***
Fiquei quieta por alguns instantes, recuperando o fôlego. Ele voltou a subir e me penetrou de novo, devagar, olhando nos meus olhos. Tinha as costas molhadas de suor; eu as acariciava e sentia o calor sob minhas mãos.
— Você gosta? — perguntei.
— Demais — ele arfou —. Você está uma delícia.
Fizemos aquilo por mais um tempo, sem pressa, mas cada vez mais intenso. Num momento ele me colocou de bruços e, antes de continuar, me surpreendeu com a língua percorrendo-me por trás. Arqueei de prazer.
— O que você está fazendo, safado? — eu disse, rindo baixinho.
Ele não respondeu. Continuou por mais um tempo e depois voltou a entrar em mim com força, me segurando pelas ancas, me atacando enquanto eu apertava os lençóis e gemia sem controle.
— Eu sou sua, meu amor — eu disse —. Toda sua.
— Mamãe, eu não aguento mais — ele arfou.
— Me dá, me dá tudo.
Me deixei cair por completo sobre o colchão e ele gozou em cima de mim, afundando até o fim com um último impulso. Senti o peso dele, a respiração agitada contra minha orelha, e soube que estava terminando dentro de mim. Amassei o lençol, tomada, gozando cada segundo.
Ele ficou imóvel por um momento, vencido, antes de se deixar cair para o lado. Ficamos assim, deitados, nos recuperando, com as pernas ainda entrelaçadas.
***
Mais tarde, já mais calmos, ele foi buscar umas bebidas geladas enquanto eu acendia um cigarro. Me deixei cair no sofá com as pernas abertas e notei como ele me olhava.
— Gostou do que vê? — perguntei.
— Muito.
— Vem, tira minhas meias.
Mauricio se ajoelhou e, devagar, tirou primeiro meus saltos e depois as meias, uma e depois a outra, beijando meus tornozelos. Pegou um dos meus pés e levou os dedos à boca, lambendo-os sem tirar os olhos de mim. Sentir a língua ali, sua saliva morna, arrepia minha pele de novo. Ele fez o mesmo com o outro pé, sem pressa, como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Eu mesma tirei o body e joguei nele, rindo.
— Coloca meus saltos de novo, por favor.
Ele os colocou. Fiquei nua, salvo por eles, e nós dois compartilhamos mais um tempo de brincadeira, de carícias lentas, dessa cumplicidade que só nós entendemos. Quando por fim nos vestimos, a tarde já tinha caído.
Mauricio me levou de volta para perto de casa, como sempre, e nos despedimos com um beijo longo dentro do carro, sabendo que, assim que cada um cruzasse sua porta, voltaríamos a ser o que o mundo acha que somos. Até a próxima escapada.