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Relatos Ardientes

O segredo que minha irmã escondia em família

O ar da casa dos meus pais parecia denso, carregado com o peso de todos os meses que eu tinha passado fugindo deles. Cada passo pelo corredor era um lembrete do porquê de eu estar ali: o susto cardíaco do meu pai e um casamento de família que servia de desculpa perfeita para o meu retorno. Mas a verdadeira razão, a que me mantinha acordado de madrugada, era a bomba que minha irmã Bárbara tinha soltado meses antes: nossos pais, os pilares da respeitabilidade do bairro, estavam havia anos metidos no meio liberal.

Cheguei e só ela estava lá. Minha mãe. Vi-a de costas, arrumando umas coisas na cozinha, e a figura dela me atingiu de um jeito que me envergonhou. Não era minha mãe, era uma mulher. Uma mulher com uns quadris que pediam para ser agarrados e uma costas que prometia coisas que um filho não deveria pensar.

—A Bárbara fica aqui esses dias — disse sem se virar.

Um arrepio me percorreu a coluna. Bárbara aqui, comigo. Uma dor de cabeça fingida me serviu de pretexto para me trancar no meu antigo quarto, no escuro, para lutar com meus fantasmas em particular.

O jantar foi um suplício. Meu pai, sereno como sempre apesar do que tinha, falava do seu «mistério coronariano» e da necessidade de relaxar. O único mistério que eu via era como ele se mantinha impassível diante do espetáculo que tinha na frente: minha mãe e Bárbara exibindo dois decotes que eram uma homenagem descarada à carne.

—Com esses decotes vocês vão provocar outro infarto no papai — soltei, com um meio sorriso que pretendia ser uma piada.

O silêncio foi cortante. Um chute firme da minha irmã por baixo da mesa. Minha mãe soltou uma risadinha de ingenuidade fingida.

—Não se preocupe, filho. Seu pai é mais de vida contemplativa.

Mas os olhos dela, ao se cruzarem com os do meu pai, contavam outra história. Uma de cumplicidade, de segredos compartilhados na escuridão de um quarto. Bárbara, por sua vez, estava tensa, furiosa. O olhar dela me dizia tudo: a balança tinha pendido. Ela não tinha me mentido.

***

Meus pais saíram para caminhar, ordens médicas. A porta se fechou e o mundo se reduziu à minha irmã e a mim. Quis escapar, mas ela foi mais rápida. Agarrou meu braço e me empurrou para o sofá, em frente à televisão.

—Senta e olha — ordenou, num sussurro baixo e ameaçador.

Apertou play. E o infarto que eu tinha previsto para meu pai quase foi o meu.

Lá estavam eles. Meus pais. E minha mãe… Deus, minha mãe. Não era a mulher que me servia café de manhã. Era outra pessoa, entregue a dois homens ao mesmo tempo, com gemidos que enchiam a sala e palavras que eu jamais imaginei saindo da boca dela. «Grava direito», ela pedia ao meu pai, que segurava a câmera com uma excitação que dava para notar através da calça.

Minha irmã avançou a fita. Casais conhecidos, vizinhos, rostos do bairro. Eu estava escandalizado, não; excitado, até a medula. Era minha mãe, e ainda assim eu não conseguia desviar o olhar.

—Está vendo? — sibilou Bárbara no meu ouvido, o hálito quente no meu pescoço—. Eu disse. Queria que você ouvisse isso dela, mas assim é melhor.

Din-don. Din-don. A campainha tocou com uma insistência que me gelou o sangue.

—Calma — disse ela, desligando a TV com uma tranquilidade que me aterrorizou—. É nossa prima Noelia.

***

Abri a porta e ela estava ali. Pequena, frágil, com uns olhos cinzentos que pareciam conter toda a tristeza do mundo. Não se parecia em nada com as mulheres exuberantes da minha família. Era delicada, quase etérea, com um cabelo castanho compridíssimo que emoldurava um rosto peculiar; não feia, mas diferente. A «coitadinha», como Bárbara costumava chamá-la.

Ao lado dela, minha irmã parecia uma deusa viking: alta, poderosa, com olhos cor de avelã que atravessavam tudo. O contraste era abissal.

Noelia vinha com o namorado novo, um cara que Bárbara estava convencida de que era gay e que usava nossa prima como fachada para a família dele. E Noelia, inocente, tinha se deixado arrastar para esse mundo de aparências.

Minha mãe tinha planejado que todos ficassem na casa, mas Bárbara, com sua mente torcida, teve uma «ideia»: que os três subíssemos para o apartamento dos avós, vazio havia tempos, deixando o sobrinho com nossos pais. O sorriso dela era o do diabo.

Me agarrei à presença de Noelia como a uma boia. Diante dela, pensei, minha irmã não ousaria fazer nada. Segundo Bárbara, além disso, nossa prima nunca na vida tinha tido um orgasmo. Ela era perfeita. Minha âncora na normalidade.

Que ingênuo.

***

Lá em cima, entre caixas meio desembrulhadas e um ar de abandono que servia de pretexto perfeito, Bárbara agiu.

—E se a gente jogasse alguma coisa? — propôs com falsa naturalidade—. Verdade ou desafio.

Noelia ficou vermelha como um tomate.

—Não, não… Eu sou a patinho feio. Sempre perco.

Bárbara se aproximou e acariciou o braço dela com uma doçura venenosa.

—Não fala bobagem. Você é linda. É só um jogo, entre família. Não é, Dario?

Ela me olhou. E nos olhos dela não havia pergunta, havia ordem. Eu estava preso entre a lembrança da minha mãe no vídeo, a manipulação da minha irmã e a inocência palpável da minha prima. Assenti.

O jogo começou, e eu tinha a terrível certeza de que as peças que iríamos perder não seriam só a roupa. Bárbara embaralhou um velho baralho com uma destreza insultante. O jeito de distribuir, claro, era um truque que só ela sabia fazer.

Noelia perdeu a primeira rodada. Tirou os sapatos com a rapidez de quem comete um pecado. Eu fui o seguinte, uma mão horrível que minha irmã celebrou com uma gargalhada, e tirei as meias.

A terceira rodada foi de Bárbara. Ou pelo menos pareceu. Ela tirou a blusa com uma lentidão ensaiada, revelando um sutiã de renda preta que mal a continha. Noelia não conseguia parar de olhar, os olhos cinzentos misturando o escândalo com uma curiosidade que ela não ousava admitir.

—Sua vez, Dario — disse minha irmã, e a voz dela já não era um sussurro.

Perdi de novo. A camiseta. Noelia inspirou de repente, um som quase inaudível que, ainda assim, eu ouvi. Ela estava olhando para o primo de um jeito que jamais imaginei.

—Está vendo, Noelia? Não é nada demais — disse Bárbara, passando um dedo pelo ombro nu dela—. É só o corpo. E o corpo foi feito para brincar.

Noelia perdeu a rodada seguinte. Tremendo, desabotoou o jeans e o deixou cair, revelando uma calcinha branca, simples, que contrastava com a situação. Depois foi a minha vez: a calça. Fiquei só de roupa íntima, e aí começou o verdadeiro problema. Minha excitação era uma traição impossível de esconder.

Os olhos de Noelia se cravaram na minha virilha. Já não havia curiosidade, havia hipnose. Medo e fascínio lutando até a morte na expressão dela.

—Meu Deus… — escapou dos lábios dela.

***

Bárbara sorriu. Tinha chegado a hora dela.

—A última rodada, Dario — disse, e seus olhos brilharam com uma malícia pura—. Por você. Por Noelia.

A mão foi uma farsa. Noelia perdeu. Ficou olhando para as próprias mãos sem saber o que fazer.

—A calcinha — ordenou minha irmã, sem um traço de piedade—. Quero que você veja o que acontece quando deixa de ter medo.

Com os olhos fechados, como se a ausência de visão a livrasse da culpa, Noelia se desfez da última peça. Depois foi a minha vez, mas não precisou jogar. Bárbara se levantou, veio até mim e, com um movimento rápido, baixou minha roupa íntima.

Noelia soltou um grito abafado e levou as mãos à boca, mas os olhos dela continuaram cravados ali.

—Não… não pode ser real — sussurrou, entre assustada e maravilhada.

Minha irmã riu, uma gargalhada baixa e triunfante. Ajoelhou-se ao meu lado como uma sacerdotisa diante da divindade dela.

—Gostou, prima? — perguntou a Noelia com uma provocação tão crua que me arrepiou—. Eu disse que seu primo era especial. Chega mais perto e toca nele. Não tenha medo. O medo é o que nos seca por dentro.

Noelia estava paralisada, uma cerva presa nos faróis de um carro. Os olhos dela iam de mim para o rosto da minha irmã, buscando uma saída que não existia.

—Vai — insistiu Bárbara, suavizando a voz até deixá-la melosa—. Não é um monstro. É um presente.

Com um soluço contido, Noelia deu um passo vacilante. Depois outro. Ajoelhou-se ao meu lado, tremendo como uma folha. Bárbara segurou o pulso dela e levou a mão até mim.

—Toca. Sente como ele pulsa por você.

Os dedos de Noelia, frios e finos, me roçaram. Foi uma descarga elétrica. O toque dela foi hesitante no começo, explorando; depois a curiosidade, mais forte que o pânico, a venceu e a mão se fechou com uma fome desajeitada.

—Meu Deus… — sussurrou de novo, desta vez de puro espanto—. Bate como um coração.

Enquanto falava, a mão de Bárbara subiu pela coxa da nossa prima, até a virilha dela, já molhada e aberta. Noelia tinha se excitado olhando.

—Olha, Dario — disse minha irmã, apontando com o queixo—. Olha como ela te deseja. Diz pra ela. Diz que você quer ela.

Eu a encarei, com os olhos cheios de lágrimas mas também de um desejo que despertava com violência.

—Quero que tente, Noelia — disse, com a voz rouca—. Como faz sua prima.

Noelia piscou. Uma lágrima correu pela bochecha dela. Mas não disse não. Inclinou-se e, desajeitada e inexperiente, me provou pela primeira vez. O calor da boca dela, a ideia de que era minha prima, a inocente da família, ajoelhada enquanto minha irmã a guiava, me levou ao limite.

—Assim — dizia Bárbara, com uma mão na nuca dela—. Devagar. Vai se acostumando.

Enquanto isso, minha irmã se deslizou atrás de Noelia e os dedos dela encontraram o sexo encharcado. Sem aviso, penetrou-a com dois dedos. Noelia me soltou para gritar, um grito de prazer e dor ao mesmo tempo. O corpo dela se convulsionou num orgasmo rápido e brutal, o primeiro real da vida dela, provocado pelos dedos da prima enquanto eu a segurava com a mão.

—Isso! Por favor! — gritou, sem pudor.

***

Bárbara, a mestra de cerimônias daquela loucura familiar, sorriu com uma satisfação diabólica. Ajudou Noelia a ficar de pé, as pernas ainda tremendo, e a posicionou sobre mim, de costas para o meu peito, deixando minhas mãos livres.

—Devagarinho, prima — murmurou—. É seu primo. É pra você.

Noelia baixou os quadris. Encontrei uma resistência que me deixou sem fôlego, um anel de músculo apertado como um nó.

—Sou pequena demais… — choramingou, embora o corpo dela empurrasse para baixo, faminto.

Então Bárbara fez sua jogada. Ajoelhou-se diante de nós e, enquanto com uma mão esfregava o clitóris dela em círculos rápidos, com a boca atacou um dos mamilos dela. A combinação foi devastadora. Noelia se encharcou, deslizou para baixo e, num só movimento, me engoliu por inteiro. Nós dois gritamos.

Ela começou a se mover, primeiro desajeitada, depois com um ritmo instintivo e selvagem. Cada investida a fazia gemer, um som alto e claro que já não tinha nada de medo. Eu a segurava pelos quadris, ajudando-a a subir e descer.

Bárbara era um redemoinho. Passava de chupar os mamilos dela a enfiar os dedos na boca, me olhando enquanto saboreava. Noelia estava em outro planeta, um orgasmo atrás do outro, sem descanso, uma marionete cujos fios nós dois manejávamos.

Eu aguentei com uma força de vontade que nem sabia que tinha. Pensei em números, em qualquer coisa, porque no meio daquela loucura uma certeza tinha se instalado em mim, firme e clara: aquele final não era para Noelia. Estava reservado para minha irmã.

***

Bárbara deve ter lido meu pensamento. Com uma decisão brutal, ergueu Noelia, que desabou de lado no sofá, vencida, murmurando incoerências, completamente fora de combate.

Minha irmã ficou de pé na minha frente. O corpo dela era uma estátua do desejo, e o olhar, um desafio direto.

—Você aguentou — disse ela—. Você foi bonzinho. Mas o teste acabou.

Ajoelhou-se entre minhas pernas, não com a delicadeza de antes, mas para reivindicar o que considerava seu.

—Isso é meu, irmão — disse, e a palavra «irmão» soou como a mais suja e excitante das blasfêmias—. Eu mereci.

E se entregou sem o menor constrangimento, com uma fúria experiente que não deixou nada ao acaso. Todo o controle que eu havia mantido se despedaçou em mil pedaços. O final me atingiu como um trem, uma onda que nasceu na base da minha coluna e me devastou.

—Bárbara! — gritei o nome dela, como oração e maldição ao mesmo tempo.

Quando terminei, eu estava tremendo, vazio. Ela se ergueu devagar, me olhou com um gesto de triunfo absoluto e, sem desviar os olhos dos meus, lambeu os lábios. Depois foi até Noelia, que ainda estava semi-inconsciente, e deu nela um beijo profundo. Nossa prima reagiu com um gemido fraco.

—Bem-vindo à família, irmão — disse, e pela primeira vez o sorriso dela foi genuíno—. Agora você é mesmo de vez.

***

A manhã seguinte chegou como uma ressaca. Nos vestimos em silêncio. Não havia nada a dizer; tudo tinha sido dito pela pele. O retorno para a casa dos meus pais foi tenso, elétrico. Bárbara estava com um sorriso de gata satisfeita, e eu sentia dentro de mim uma besta recém-desperta que agora exigia ser alimentada.

Ao entrar, a casa estava naquele silêncio matinal antes do caos. Minha mãe estava de costas na cozinha, com um batedor na mão, vestida com um robe de seda que se ajustava às formas dela e me lembrava a mulher do vídeo.

Bárbara foi direta para o quarto do filho, mas eu parei. A besta rugia. Não foi um pensamento, foi um impulso. Caminhei até minha mãe em passos silenciosos e parei atrás dela.

Levantei a mão. A primeira palmada soou como um chicote na quietude da cozinha. Um som seco. A seda mal amortizou o impacto.

Minha mãe ficou completamente imóvel. O batedor parou no meio do ar. O mundo inteiro pareceu prender a respiração.

Então me inclinei e beijei o pescoço dela. Não foi um beijo de filho. Foi um beijo possessivo, com a língua roçando sua pele, saboreando o medo e o espanto que emanavam dela.

—Bom dia, mãe — sussurrei, com a voz cavernosa.

Não vi o rosto dela. Virei as costas e fui para a sala, como se nada tivesse acontecido. Mas Bárbara viu. Me alcançou no corredor, com os olhos arregalados.

—Porra, Dario… — disse, sufocando uma gargalhada—. Você é fogo. Os mamilos dela ficaram duros como tachas, marcados sob a seda. E a cara dela era de quem não sabia se te matava ou se se jogava em cima de você.

Fez uma pausa, e um sorriso perverso cruzou seus lábios.

—«Coitadinha» — disse, com um sarcasmo que cortava como gelo—. Que atriz.

E ela tinha razão. A verdade era que eu não sabia por que tinha feito aquilo. Não foi premeditado. Foi o instinto, a mesma besta que na noite anterior tinha provado a filha e a sobrinha e agora reivindicava também a matriarca. Eu tinha marcado minha mãe, não como um filho, mas como o macho daquela nova e torcida matilha. E o silêncio que agora reinava na casa não era de paz. Seria o silêncio que antecede a tempestade?

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