O que aconteceu na cozinha quando meu irmão voltou
A Clara tinha se levantado três vezes antes das nove da manhã para olhar pela janela do corredor. Aquela que dava para a estrada de acesso. A que permitia ver os carros chegando com antecedência suficiente para decidir se corria ou não.
Decidiu não correr.
Quando o táxi de Marcos apareceu entre os pinheiros às dez e quinze, Clara estava de pé na cozinha, com uma xícara de café que já fazia mais de vinte minutos que ela não bebia, ocupada demais controlando o ritmo irregular do próprio coração.
Três anos. Em três anos dá para querer muito alguém por telefone, por mensagens e por ligações que às vezes iam até duas da manhã. Dá também, sem querer de verdade, começar a querer de outro jeito. Sem que esse segundo tipo de querer tenha nada de inocente.
A porta da frente se abriu e o frio de novembro entrou junto com Marcos.
Ele tinha mudado. Não de forma dramática, mas do jeito que as pessoas mudam quando passam anos sendo elas mesmas em um lugar novo: mais assentadas dentro do próprio corpo. Os ombros mais largos, a postura diferente, algo no maxilar que antes não estava ali. Deixou a mochila no chão do hall e olhou para ela.
— Clara.
Só o nome dela. Mas com aquela voz grave que no telefone não era igual.
Ela atravessou o espaço entre os dois e o abraçou. Marcos a recebeu na hora, os braços envolvendo-a com uma força tranquila que ela não esperava. Ele cheirava a viagem, a frio e, por baixo disso, a alguma coisa que ela reconheceu sem precisar pensar.
— Você está diferente — disse ele, junto ao cabelo dela.
— Eu tenho dezenove anos. Se passaram três anos.
— Eu sei. Mas mesmo assim.
Se afastaram. Clara o estudou com aquela honestidade direta que sempre tivera. Marcos sustentou o olhar com a mesma calma de sempre, que ela nunca conseguira copiar.
— Berlim te mudou — disse ela.
— Para melhor, espero.
— Para melhor — confirmou.
Para bem demais.
Os pais deles estavam na sala. O reencontro foi barulhento, caloroso, com o tipo de perguntas que os pais fazem quando passam anos esperando um retorno. Clara ficou na periferia, observando. Observando ele, se fosse honesta. E percebendo, bem no fundo, um calor entre as pernas que ela vinha tentando ignorar havia três anos e que naquela manhã já não pedia permissão.
***
No meio da manhã, com o café de boas-vindas ainda sem ser recolhido da mesa, a mãe chamou os dois.
— Temos que ir ao povoado resolver umas coisas. Talvez demore bastante. Vocês se viram para almoçar?
— A gente se vira — disse Marcos.
A porta se fechou. O carro sumiu pela estrada de cascalho. E a casa grande e silenciosa da serra ficou de repente só para os dois.
Marcos se serviu de mais café e ficou encostado na bancada da cozinha. Clara recolheu as xícaras da sala porque precisava fazer alguma coisa com as mãos.
— Me conta — disse ele quando ela voltou.
— O que você quer que eu conte?
— Tudo o que você não me contou por telefone.
— Isso é muita coisa.
— Temos o dia inteiro.
Clara deixou as xícaras na pia e sentou na bancada oposta, cruzando as pernas sob o corpo. Olhou para ele durante um instante que se estendeu além do previsto.
— Você sentiu falta da casa? — perguntou.
— Senti falta de algumas coisas da casa — disse Marcos.
— Quais?
Ele sustentou o olhar dela.
— Você sabe quais.
O silêncio que veio depois tinha peso. Clara deixou ficar e olhou para as próprias mãos.
***
A ideia de cozinhar juntos surgiu quando os dois abriram a geladeira ao mesmo tempo e encontraram os ingredientes que os pais haviam deixado para fazer algo doce antes de sair. Farinha, ovos, leite, manteiga.
— Panquecas — disse Marcos.
— Nunca dão certo comigo.
— Eu te ensino.
Começaram em silêncio, com aquela velha intimidade de quem se conhece para sempre. Marcos mediu os ingredientes com aquela precisão dele que Clara sempre achara exasperante em outros contextos e que agora observou com uma atenção que não tinha muito a ver com a receita. Ele estava de braços descobertos, com a camiseta puxada até o cotovelo. Misturava em movimentos circulares, lentos.
— Assim — disse, passando a tigela para ela —. Sem pressa.
Clara pegou a tigela e mexeu. Marcos ficou atrás dela, a mão sobre a dela para corrigir o ângulo. O contato foi tão natural quanto inesperado. Ela continuou mexendo. Ele não tirou a mão de imediato. E ela sentiu, muito claramente, o volume do pau de Marcos se apertando contra a parte baixa das costas dela através do jeans.
— Assim? — perguntou Clara, com a voz um pouco mais falha do que queria.
— Assim — disse ele, a voz mais baixa, mais perto do ouvido dela.
Nenhum dos dois se mexeu por vários segundos. Marcos empurrou a cintura um pouco para a frente, quase imperceptivelmente, e Clara sentiu a rola endurecer contra ela. Depois Marcos se afastou e foi acender o fogo, como se nada tivesse acontecido.
Clara mexeu a massa sozinha, mais devagar do que precisava. A calcinha já estava úmida e ela só fazia onze minutos que estava com ele na cozinha.
Colocou música no celular. Pop atual, alguma coisa que soasse normal. Passou a cantar baixinho enquanto preparava o resto e, quando se virou para pegar o açúcar, encontrou Marcos olhando para ela do outro lado da ilha. Não de um jeito que pudesse ser apontado. Só olhando. O jeito como alguém olha para algo que não vê há muito tempo.
— O quê? — perguntou ela.
— Nada — disse ele, desviando os olhos para a frigideira.
***
Foi ela quem derramou a massa. Um movimento brusco ao passar a tigela de um lado para o outro, e um jato grosso caiu sobre a camiseta, cobrindo-lhe o peito. Ficou imóvel por um segundo, olhando o desastre, e então soltou uma gargalhada.
— Você é um perigo — disse Marcos, se aproximando.
— Sempre fui.
Ele pegou um pano da bancada, mas não usou. Ficou na frente dela, olhando com aquela expressão que Clara passava a manhã inteira tentando não nomear. Com o pano ainda na mão, inclinou a cabeça e aproximou a boca da clavícula dela, onde um fio de massa brilhava na pele.
A língua dele percorreu o rastro devagar. Devagar demais. Lambendo a massa e também a pele por baixo, aproveitando qualquer desculpa para não se afastar.
Clara não se mexeu. Apoiou uma mão na bancada para não perder o equilíbrio. A língua de Marcos continuou descendo, chupando a massa da borda do decote, e com os dentes ele puxou o tecido para abrir melhor espaço. O calor da boca dele se espalhava da clavícula até o pescoço, lento, sem urgência, como se tivesse decidido que tinha tempo. Ela sentiu a própria respiração mudar sem pedir licença e os seios se tensionarem dentro do sutiã, os mamilos duros como pedra contra o tecido.
— Marcos — disse ela. Uma única palavra, sem continuação.
Ele ergueu a cabeça. Olhou para ela bem de perto. Tinha a boca brilhando de massa e saliva.
— Me diz que não — disse ele. — Se quiser que eu pare, você me diz e eu paro.
Clara demorou um segundo inteiro para responder.
— Eu não quero que você pare. Não para, porra.
***
O que veio depois teve aquela textura estranha de algo que estava querendo acontecer havia tempo demais. Marcos a beijou e dessa vez não houve cuidado: enfiou a língua inteira na boca dela, procurando-a, e Clara devolveu o beijo com a mesma fome, chupando a língua dele como se estivesse esperando aquele gosto havia três anos. Mordeu o lábio inferior dele. Marcos rosnou baixo contra a boca dela e, com uma mão, agarrou a nuca dela; com a outra, a cintura, puxando-a para si.
Clara sentiu de novo o pau duro de Marcos, agora contra o ventre dela, e não se afastou. Pelo contrário: levou a mão pela frente do jeans e apertou o volume sobre o tecido. Marcos assobiou entre os dentes.
— Porra — disse ele contra a boca dela.
— Faz três anos que eu imagino isso — disse ela. — Três anos.
— Eu também.
Ele arrancou a camiseta manchada por cima da cabeça dela e a jogou no chão. O sutiã veio atrás, com dois movimentos rápidos dos dedos no fecho. Os seios de Clara ficaram livres, brancos e cheios, com os mamilos rosados, duros, apontando para ele. Marcos ficou olhando por um segundo inteiro, de boca aberta.
— Meu Deus — murmurou. — São melhores do que eu imaginava.
— Você imaginava?
— Todas as noites.
Ele se abaixou e abocanhou um mamilo. Clara soltou um gemido curto, agudo, que ecoou pela cozinha. Marcos chupou forte, puxando com os lábios, enquanto com a mão livre apertava e amassava o outro seio, beliscando o mamilo entre os dedos. Trocou de lado. Passou a língua ao redor, devagar, e depois mordeu de leve, e Clara cravou as unhas nos ombros dele.
— Marcos — ofegou.
— Shh.
Ele a ergueu até a bancada sem esforço, as mãos firmes na cintura dela, e se colocou entre as pernas. Desabotoou o jeans e o puxou de uma vez só, junto com a calcinha encharcada, deixando-a completamente nua sobre o mármore frio. Clara sentiu o arrepio do contato no bumbum e o calor entre as pernas ao mesmo tempo.
Marcos se afastou um passo. Olhou-a inteira. Viu os seios subindo e descendo com a respiração, o ventre, o cu depilado com os pelos curtos e escuros logo acima, as coxas abertas pela própria posição.
— Abre mais — disse com a voz rouca.
Clara obedeceu. Encostou-se para trás com as mãos e afastou os joelhos. Marcos se aproximou de novo e passou a palma aberta pela parte interna da coxa dela, subindo, até chegar ao sexo. Na primeira vez que tocou ali, Clara quase caiu para trás. Ela estava encharcada. Os dedos de Marcos deslizaram sem resistência nenhuma pelos lábios, para cima e para baixo, e ele soltou um som meio risada, meio gemido.
— Você está pingando.
— Estou assim desde que você entrou pela porta.
Ele enfiou um dedo. Só um, até o fundo, e Clara arqueou as costas. O dedo se moveu devagar, procurando lá dentro, curvando para cima. Quando encontrou o ponto que queria, Clara soltou um gemido que nem reconheceu como sendo dela.
— Aí — disse Marcos, mais para si mesmo do que para ela. — Bem aí.
Enfiou um segundo dedo. Os dois entravam e saíam com um som molhado e obsceno que enchia a cozinha por cima da música. Clara mexia os quadris contra a mão dele, buscando aquilo, sem vergonha, de boca aberta e olhos fechados.
***
— Para — disse ela de repente.
Marcos se afastou na hora, as mãos ficando imóveis onde estavam.
— Você está bem?
— Sim. — Clara respirou. — Só precisava te dizer uma coisa antes.
Ele esperou, com os dedos ainda brilhando dela.
— Eu nunca fiz isso com ninguém — disse ela. — Não de verdade. Sou virgem.
Marcos a olhou por um instante. Leu o rosto dela com aquele costume de anos de lê-la.
— Você quer continuar? — perguntou.
— Quero. Mas quero que seja você. Precisava que você soubesse.
Ele assentiu devagar. Levou os dois dedos à boca, sem tirar os olhos dela, e os chupou devagar, saboreando-a. Clara sentiu o sexo se contrair só de olhar para aquilo.
— Então vamos fazer direito — disse Marcos.
E voltou a se aproximar, desta vez ainda mais devagar.
Beijou a boca dela. Beijou o pescoço. Desceu pelo esterno, entre os seios, chupando de novo os mamilos um por um até deixá-los vermelhos e sensíveis. Continuou descendo pelo ventre, mordendo de leve a pele, até chegar ao púbis. Deitou-a sobre a bancada limpa. Clara sentiu o mármore frio nas costas e o hálito quente de Marcos entre as pernas e não soube o que a deixava mais tonta.
Ele agarrou as coxas por baixo, colocou-as sobre os ombros, e abriu o sexo dela com os polegares.
— Porra, que bonito você tem — murmurou.
A primeira lambida foi longa e lenta, de baixo para cima, do cu até o clitóris. Clara soltou um gemido tão agudo que ela mesma se surpreendeu. Marcos voltou a subir a língua, agora mais larga, mais achatada, e passou por todo o sexo dela como se estivesse comendo. Chupou os lábios um por um. Enfiou a língua dentro, tirou, subiu até o clitóris e o cercou, lambendo em círculos, chupando com os lábios.
Clara mexia os quadris contra a boca dele sem conseguir evitar. Agarrou a cabeça dele com as duas mãos e puxou o cabelo, não para afastá-lo, mas para trazê-lo mais para perto, e Marcos rosnou contra ela e a vibração na garganta dele chegou ao clitóris como uma descarga.
— Não para — ofegou Clara. — Não para, não para, não para.
Ele não parou. Enfiou outro dedo, depois dois, enquanto continuava chupando o clitóris com a boca. Os dedos entravam e saíam com um ritmo constante, curvando para cima a cada investida, e a língua trabalhava o clitóris por cima, devagar, deliberada.
Clara começou a sentir o corpo inteiro se tensionar. As coxas tremiam sobre os ombros de Marcos. A respiração ficou entrecortada. Sons que ela nunca tinha feito antes saíam do peito, altos, sem filtro.
— Vou… Marcos, eu vou…
— Goza — disse ele contra o sexo dela, sem parar de se mover. — Goza na minha boca.
Clara gozou. Gozou tão forte que o orgasmo arqueou suas costas e ergueu o bumbum da bancada, fazendo-a gritar sem nenhuma vergonha. Prendeu a cabeça de Marcos entre as coxas, sufocou-o contra a vulva, e ele continuou a lambê-la devagar, mais suave, arrancando os últimos tremores enquanto ela voltava a cair sobre o mármore, ofegante.
Demorou um pouco para recuperar a respiração. A luz da cozinha era a mesma de antes. A música continuava tocando pelo celular, suave demais para ter abafado qualquer coisa.
— Bem? — perguntou Marcos, com o queixo apoiado no ventre dela, brilhando até as bochechas, olhando-a de baixo.
— Não tenho palavras para o quanto foi bom.
Ele sorriu.
***
Foi Clara quem tomou a iniciativa depois. Sentou-se, ainda nua sobre a bancada, olhou para ele e foi direta porque sempre fora direta: passou uma mão pelo pescoço de Marcos, aproximou a boca da dele e provou a si mesma nos lábios dele. Lambuzou o queixo molhado dele com a língua. Chupou o lábio inferior.
— Agora você — disse.
Desabotoou os botões da calça com dedos que não tremiam tanto quanto esperava. Baixou o jeans e a cueca boxer de uma vez. O pau de Marcos saltou para fora, duro, comprido, com a ponta avermelhada e uma gota brilhando na fenda. Clara ficou olhando por um segundo. Era maior do que imaginara. A boca dela encheu d’água sem querer.
Envolveu-o com a mão. Estava quente, firme, com as veias marcadas sob a pele fina. Marcos se tensionou inteiro sob o toque dela e soltou um som baixo entre os dentes.
— Espera — murmurou ele.
Mas ela já tinha descido.
Ajoelhou-se no chão da cozinha e olhou para ele de baixo com aquela mistura de curiosidade honesta e intenção clara que caracterizava tudo nela. Mostrou a língua e lambeu a ponta, recolhendo a gota de pré-gozo. Salgado. Ela gostou. Lambia toda a parte de baixo do pau, de baixo para cima, como se fosse um sorvete, e, quando chegou à ponta, enfiou tudo na boca.
Marcos soltou um gemido gutural que ecoou nos azulejos.
— Meu Deus, Clara. Porra.
Ela não sabia exatamente o que estava fazendo, mas foi aprendendo no caminho. Desceu a boca o máximo que conseguiu, sentiu a ponta na garganta, recuou, puxou ar, desceu de novo. Um fio de saliva pendia do canto da boca e ela não se importava nem um pouco. Marcos tinha os dedos enredados no cabelo dela, sem empurrar, só acompanhando o movimento, olhando-a de cima com a boca aberta.
— Assim — ofegou ele. — Bem assim.
Clara chupou com mais força. Passava a língua em volta da glande toda vez que subia. Desceu uma mão aos ovos e os amassou devagar enquanto a boca fazia o resto. Com a outra mão, envolveu a base do pau e bombeava o que não cabia na boca, coordenado, num ritmo constante. Cada vez que engasgava um pouco, Marcos rosnava como um animal, e isso deixava o sexo dela úmido de novo.
— Olha pra mim — disse ele com a voz quebrada.
Ela ergueu os olhos sem tirá-lo da boca. Marcos a olhava com uma intensidade que ela nunca tinha visto. Acariciou o rosto dela com o polegar, marcando o volume do pau por dentro.
— Você é linda assim — murmurou. — Com meu pau na boca. Meu Deus, você não sabe quantas vezes eu gozei pensando nisso.
Clara gemeu em volta dele e a vibração o fez se tensionar inteiro.
— Clara — disse ele com a voz quebrada. — Eu vou gozar. Se você não quiser…
Ela não se afastou. Pelo contrário: acelerou. Chupou com mais força, mais rápido, com a mão bombeando em sincronia. Marcos rosnou, jogou a cabeça para trás e gozou na boca dela com dois empurrões longos que encheram a língua dela de sêmen quente e espesso.
Ela engoliu o que conseguiu. O resto escorreu pelo canto da boca, pelo queixo, e caiu no peito, entre os seios. Não parou até ele terminar de vez, sugando-o de leve, ordenhando-o com os lábios. Quando enfim tirou o pau da boca, ergueu os olhos para ele, com os olhos brilhando e o queixo sujo, e ele a olhou de volta com uma expressão que Clara nunca tinha visto no rosto dele.
— Vem aqui — disse Marcos.
Ergueu-a do chão. Beijou-a na boca, nos lábios sujos dele, sem nenhum nojo, chupando o próprio gosto da língua dela. Limpou com o polegar o que ainda restava no queixo dela e pôs no caminho da boca dela para que ela engolisse também. Clara fez isso, olhando nos olhos dele.
***
— Agora você — disse ele. — Quero te comer.
— Sim.
— Fala você.
— Me come. Por favor.
Marcos rosnou e a ergueu de novo sobre a bancada. O pau não havia baixado totalmente e, poucos segundos depois, com a boca de Clara mordendo o pescoço dele e as mãos dela percorrendo-o, estava duro de novo contra o ventre dela.
Tirou um preservativo da carteira — Clara notou que ele já estava preparado, e aquilo a agradou — e o colocou sem tirar os olhos dela. Posicionou-se entre as coxas dela, agarrou o pau pela base e passou a ponta por todo o sexo dela, para cima e para baixo, ensopando-a, parando no clitóris até que ela soltou um gemido de queixa.
— Enfia logo.
— Vou devagar.
Apoiou a ponta na entrada do sexo. Empurrou só um pouco. Clara sentiu a pressão, um alargamento, algo se tensionando por dentro que ela nunca tinha sentido. Marcos entrou mais um centímetro. Parou. Olhou para ela.
— Bem?
— Continua.
Empurrou mais um pouco. Ela fechou os olhos, cerrou os dentes. Doeu por um instante, uma fisgada, e depois a dor se dissolveu na plenitude estranha de tê-lo dentro. Marcos continuou, bem devagar, milímetro por milímetro, até sentir que ela o envolvia por inteiro.
— Porra — murmurou ele. — Você está apertadíssima.
— Você está dentro — disse Clara, meio rindo, meio chorando. — Você está dentro de vez.
— Estou dentro de vez.
Ficou parado, deixando-a se acostumar. Beijou a boca dela, o pescoço, chupou os mamilos de novo. Quando Clara começou a mover os quadris sozinha, buscando mais, Marcos começou a se mexer.
As primeiras investidas foram lentas, quase cautelosas. Tirava quase tudo e enfiava de novo, com calma, deixando que ela sentisse cada centímetro. Clara cravou os dedos nos ombros dele quando começou a entender o que estava sentindo. Uma presença, uma plenitude, algo que ela não sabia que lhe faltava até deixar de faltar. O pau de Marcos abrindo o sexo dela devagar, saindo, entrando de novo, e a cada investida uma onda de calor subindo pelo ventre.
— Mais — ofegou ela. — Mais forte.
Marcos acelerou. Agarrou-a pelos quadris e começou a fodê-la com mais força, com um ritmo constante que fazia os seios de Clara quicarem e a pele das coxas dela bater contra a dele com um estalo molhado a cada vez. Houve atrapalhos: um ângulo que não funcionou na primeira, uma pausa para ajustar que os fez rir baixinho. Se moveram. Clara enlaçou as pernas na cintura dele e Marcos entrou mais fundo. Ela soltou um grito sufocado.
— Aí — ofegou. — Aí, porra, aí.
Marcos se apoiou com as duas mãos na bancada de cada lado dela e começou a fodê-la de verdade. Investidas longas, profundas, que a pregavam contra o mármore. Clara o abraçou pelo pescoço, os seios esmagados contra o peito dele, mordendo o ombro para não gritar alto demais e não conseguindo evitar totalmente.
— Você é minha — ele disse no ouvido dela, com a voz escura. — Entendeu? Toda minha.
— Sua. Eu sou sua.
Ele rosnou e acelerou. A cozinha se encheu do barulho de pele contra pele, dos gemidos, do som molhado do sexo de Clara encharcado em volta do pau de Marcos. Ela sentiu o corpo tensionando de novo, o calor subindo do ventre, o segundo orgasmo se formando antes do que esperava.
— De novo — ofegou. — Vou gozar de novo.
— Goza comigo dentro — disse ele. — Quero sentir você.
Marcos desceu uma mão e procurou o clitóris com o polegar enquanto continuava a estocá-la. Dois círculos e Clara se quebrou. O orgasmo a partiu por dentro, mais forte que o primeiro, e o sexo dela se fechou em espasmos ao redor do pau de Marcos, apertando-o, ordenhando-o.
— Porra — rosnou ele. — Porra, Clara, não aguento.
— Goza — ofegou ela. — Goza dentro.
Marcos deu mais três investidas, fundas, brutais, e gozou com um gemido quebrado contra o pescoço dela, o pau pulsando inteiro dentro dela. Clara o apertou mais forte com as pernas e sentiu cada pulsação como se fosse sua.
Ficaram assim por um bom tempo, respirando. A cozinha cheirava a manteiga queimada porque a frigideira tinha ficado no fogo o tempo todo. Marcos se retirou com cuidado, tirou o preservativo e o jogou fora, e foi apagar o fogo. Clara ficou onde estava, nua sobre o mármore, olhando para o teto, com aquele silêncio interno que às vezes vem depois das coisas importantes e com as pernas ainda tremendo.
***
Muito tempo depois, quando os dois estavam sentados no chão com as costas encostadas nos armários baixos — Clara com a camiseta de Marcos e mais nada, ele de cueca —, Clara olhou para a tigela de massa solidificada sobre a bancada e soltou uma gargalhada longa.
— Estragamos a sobremesa.
— Completamente — confirmou Marcos.
— Vamos ter que explicar para onde foram os ingredientes.
— Vamos dizer que deu errado. O que, tecnicamente, é verdade para as panquecas.
Clara encostou a cabeça no ombro dele. Ele encostou a dele na dela. Lá fora, os pássaros da serra faziam barulho entre os pinheiros e o sol de novembro batia baixo e frio pela janela.
— E agora? — perguntou Clara, sem drama. Uma pergunta real.
Marcos demorou a responder.
— Não sei. Acho que temos que pensar nisso.
— É.
— Você está bem?
— Melhor do que bem. — Fez uma pausa. — E você?
— Sim. — Outra pausa. — Só que ainda não sei como chamar isso.
— Você não precisa chamar de nada agora.
Ele assentiu devagar.
Ficaram assim, em silêncio, até ouvirem o barulho do carro dos pais na estrada de cascalho. Então se levantaram às pressas, recolheram o que havia para recolher, Clara correu para vestir a própria roupa e pôs água para ferver para o café com a calma de quem sabe exatamente o que está fazendo, embora o que acabara de acontecer ainda não coubesse em nenhuma categoria conhecida.
Marcos a observou do outro lado da cozinha enquanto ela esperava a água ferver.
— Clara — disse ele.
Ela se virou.
— Eu sei — disse ela antes que ele pudesse continuar.
Ele assentiu. E nenhum dos dois disse mais nada quando a porta da frente se abriu e os pais entraram com sacolas, barulho e perguntas sobre se tinham almoçado bem.
— Tentamos fazer panquecas — disse Clara. — Deu errado.
A mãe olhou para a tigela vazia e para a frigideira limpa e não perguntou mais nada. Marcos serviu o café. A tarde na casa da serra continuou como se nada tivesse acontecido, o que era exatamente a forma certa de continuar por enquanto.