Minha tia me encontrou inconsciente naquela caverna
Quando abri os olhos sobre a pedra úmida e a vi tirando o maiô, soube que aquela pancada na cabeça me levara a um lugar de onde eu não sairia o mesmo.
Quando abri os olhos sobre a pedra úmida e a vi tirando o maiô, soube que aquela pancada na cabeça me levara a um lugar de onde eu não sairia o mesmo.
Quando voltei do banheiro, meus dois irmãos a tinham encurralada no centro da sala, e no olhar dela não havia surpresa: havia um sorriso que esperava aquele momento havia meses.
Encontrei-o na minha cama com uma das minhas calcinhas na mão e um maço de notas sobre a colcha. O que veio depois não foi pelo dinheiro.
Minha prima tinha ido à praia com as amigas. Quando toquei a campainha, minha tia abriu a porta com o avental no corpo e um sorriso que eu nunca tinha visto antes.
Quando a tela se abriu, minha cunhada recebia seus dois parentes na sala com um sorriso que eu jamais tinha visto nos almoços de domingo.
Eu o desejava desde meus primeiros amantes e nunca tive coragem de dizer. Naquela tarde, diante da câmera dele, descobri que meu irmão também vinha aguentando o mesmo desejo havia anos.
Ele apareceu na porta sem avisar, com cara de briga e uma garrafa debaixo do braço. Às três da madrugada, nada do que eu sabia sobre ele era verdade.
Quando as escovas do lava-rápido apagaram o mundo de fora, minha irmã se inclinou sobre o banco, afastou meu cabelo da testa e sussurrou algo que eu já não podia ignorar.
Eu estava em coma havia um mês quando uma mão quente ergueu o lençol no meio da madrugada. Só ao abrir os olhos descobri quem tinha decidido me despertar.
Às duas da madrugada desci descalça para pegar um copo d’água e os ouvi discutir baixinho sobre mim, com aquela voz de casais que já não precisam terminar as frases.
Saí do banheiro com a imagem da minha cunhada Renata, recém-saída do banho, presa na cabeça. Uma hora depois, ela bateu à minha porta envolta num roupão.
Achei que estava sozinho em casa. A chave na fechadura me pegou tarde demais e, quando levantei a cabeça do sofá, ela já tinha me visto.
Entrei no meu quarto e a encontrei nua num canto, se masturbando enquanto me olhava. Ela não disse nada. Eu também não. Só me sentei diante dela.
Nove meses de independência fracassada a trouxeram de volta à casa do pai, às regras de Carmen e ao olhar de Marcos, que desde o primeiro dia fazia ela sentir coisas que não devia.
Valeria se sentou entre Matías e eu sem pedir licença. Quando virou o rosto para mim com aquele sorriso, entendi que passávamos anos evitando o inevitável.
As mãos frias dela se moveram devagar por onde nenhuma mão deveria. Eu não emiti um som. Mas alguma coisa se quebrou naquela tarde e nada mais voltou a ser exatamente igual.
Ela estava triste havia dias desde que o namorado a deixou. Sentei ao seu lado no sofá sem intenção clara. Mas ela apoiou a cabeça no meu ombro e tudo mudou.
Coloquei o café na mesa, começamos a conversar, e a última coisa de que me lembro é o sono me vencendo. Quando acordei, estava amarrado de mãos e pés.
O médico foi claro: sete dias de tratamento. Minha mãe, enfermeira de profissão, disse que ela mesma cuidaria disso. Não imaginei o que isso significava.
Quando minha irmã sussurrou no meu ouvido o que queria de verdade, eu soube que nenhum dos dois conseguia mais fingir que isso não existia.