Minha irmã me descobriu com a lingerie dela vestida
Desde que me entendo por gente, tudo o que pertencia ao mundo das mulheres me atraía de um jeito que eu não sabia explicar. Não era só curiosidade. Era a elegância de um gesto, a forma como um tecido caía sobre a pele, o som de um salto alto no chão de cerâmica. E, acima de tudo, as roupas: as dela.
Minha irmã se chama Lorena e é cinco anos mais velha do que eu. Crescemos os dois sozinhos com nossa mãe em um povoado onde nunca acontecia nada, uma daquelas ruas compridas que no verão cheiram a terra molhada e buganvília. Meu pai foi embora quando eu mal sabia andar, e minha mãe se arrebentou em dois empregos para que não nos faltasse nada. Por isso, durante anos, quem de verdade me criou foi Lorena.
Dividíamos o quarto. Duas camas separadas por uma mesinha de cabeceira, uma janela de frente para o pátio e um armário enorme que era todo dela. Nunca faltou assunto nem motivo para rir até tarde. Ter uma irmã mais velha que cuida de você e, ao mesmo tempo, te trata como seu melhor amigo é algo que só se valoriza depois que os anos passam.
O problema começou, se é que foi um problema, quando ela fez dezoito anos e passou a sair aos domingos à tarde com as amigas.
Eu era pequeno demais para ir, então ficava em casa. Sentia uma tristeza absurda, uma daquelas tristezas que não entendem por que o mundo continua girando sem levar em conta a própria existência. Mas antes de ela sair havia um momento que eu esperava a semana inteira: vê-la se arrumando.
Eu me sentava na cama dela, de pernas cruzadas, e a observava como quem assiste a um filme. O jeito como descartava três blusas antes de escolher a quarta. A forma como se inclinava para o espelho para pintar os olhos, com a boca entreaberta e a respiração presa. Como calçava os sapatos em pé, apoiando uma mão no meu ombro para não perder o equilíbrio.
—Como estou? —perguntava por fim, girando sobre si mesma.
—Você está linda demais —eu respondia, e dizia sério.
Ela sorria, me dava um beijo na bochecha e ia embora. E então a casa ficava em silêncio, só para mim.
***
No primeiro domingo em que abri o armário dela, não procurava nada. Só queria estar perto dela de alguma forma, sentir o perfume dela nas roupas penduradas. Passei os dedos pelos cabides, pela seda de um vestido, pela lã macia de um suéter. E então, numa gaveta, encontrei uma calcinha preta de renda.
Não sei quanto tempo fiquei com aquilo nas mãos. Lembro da textura, do desenho da renda contra a luz da tarde, e de um pensamento que cruzou minha cabeça com a força de um raio: preciso saber como é sentir isso.
Um arrepio me percorreu inteiro. Olhei para a porta, embora soubesse que estava sozinho em casa. Tirei a roupa com as mãos desajeitadas e vesti a calcinha.
Foi uma sensação que eu nunca esqueci. A maciez da renda contra uma pele que nunca tinha sentido nada parecido. O corpo inteiro se arrepiou. Fui até o espelho de corpo inteiro, o mesmo diante do qual ela se arrumava, e comecei a me mover como a tinha visto se mover: uma mão na cintura, o queixo um pouco erguido, uma volta lenta sobre os calcanhares.
Eu não me reconhecia, e pela primeira vez na vida gostei do que vi.
***
A partir daquele domingo, toda vez que Lorena saía, eu me afundava no armário dela como num mar. Experimentava tudo: calcinhas, sutiãs que eu preenchia com meias, saias que ficavam largas em mim, vestidos que apertavam nos ombros, sapatos nos quais eu mal conseguia dar dois passos sem cambalear.
Aprendi a pentear o cabelo de lado, a estudar meu reflexo de perfil, a andar devagar para a saia se mover. Os meses se passaram e meu ritual virou a parte mais importante da minha semana. Eu a esperava com uma mistura de excitação e vergonha que não me deixava dormir na noite anterior.
Eu era cuidadoso. Devolvia cada peça ao lugar exato, dobrava do mesmo jeito, deixava os sapatos com as pontas voltadas para dentro, como ela deixava. Estava convencido de que ela nunca descobriria.
***
Aquela tarde de novembro eu lembro com uma nitidez que quase dói.
Eu estava usando um conjunto preto de calcinha e sutiã, quase transparente, e umas meias que se sustentavam sozinhas no meio da coxa. Estava diante do espelho, inclinando os quadris, brincando de ser outra pessoa, quando ouvi a chave na fechadura e a porta do quarto se abriu de repente.
Era Lorena. Tinha voltado para buscar a carteira que havia esquecido.
Ela ficou paralisada na soleira. Eu também. O tempo parou entre nós como um vidro prestes a se quebrar.
—O que você está fazendo com a minha roupa? —disse, e a voz dela não era de raiva, era de pura surpresa.
Não consegui articular uma única palavra. Corri até ela, caí de joelhos, abracei suas pernas e comecei a chorar. O medo, a vergonha, os meses de segredo, tudo saiu pelos meus olhos ao mesmo tempo.
Eu esperava um grito. Esperava que ela me afastasse com nojo. Em vez disso, senti as mãos dela se fecharem com suavidade ao redor dos meus braços.
—Ei, ei, levanta —ela disse baixinho—. Não chora. Vem, senta aqui comigo.
Ela me levou até a cama. Sentamos na beirada, e eu a abracei de novo, escondendo o rosto no ombro dela, ainda tremendo.
—Calma —murmurou, acariciando meu cabelo—. Respira. E agora me conta. Por que você veste minhas roupas? Desde quando faz isso?
Engoli em seco. Não fazia sentido mentir, não daquele jeito.
—Porque eu gosto —confessei por fim, com a voz quebrada—. Faz meses. Sempre que te vejo se arrumando eu fico fascinado, e um dia experimentei uma calcinha e não consegui parar mais. Eu adoro como me sinto quando uso sua roupa. Gosto de me olhar no espelho. Eu sinto muito, Lorena, sinto mesmo. —Ergui a cabeça, suplicante—. Por favor, não conta pra mamãe.
Ela me encarou por um bom tempo. Eu procurei no rosto dela qualquer sinal de rejeição e não encontrei. Só havia uma ternura serena, como se por fim entendesse algo que vinha intuindo fazia tempo.
—Escuta bem —disse ela—. Seu segredo está seguro comigo. A partir de agora vai ser nosso segredo, só seu e meu. E, se você quiser continuar usando minhas roupas, pode. Com uma condição.
—Qualquer uma —respondi na hora.
—Que você não estrague nada. —E sorriu pela primeira vez desde que tinha aberto a porta.
O alívio foi tão grande que uma risada escapou misturada às lágrimas.
—Obrigado —disse, abraçando-a outra vez—. Você é a melhor do mundo. Eu te amo.
—Eu também te amo. —Fez uma pausa, inclinou a cabeça e acrescentou com um brilho travesso nos olhos—: Ou eu deveria começar a te chamar de irmãzinha?
Ela me deu um beijo na bochecha, e dessa vez o beijo durou um segundo a mais. Quando se afastou, os olhos dela tinham mudado. Já não era o olhar de uma irmã que acabou de descobrir um segredo. Era outra coisa. Algo escuro, algo curioso, algo que me fez apertar as coxas sob a renda.
***
—Se vai fazer isso, a gente vai fazer direito —disse, abrindo o armário de uma vez com uma determinação nova—. O que você está usando está bonito, mas não é roupa para uma tarde de domingo. Fica aí.
Ela remexeu entre os cabides e tirou um vestido azul-claro, curto, com a saia bem rodada. Um que eu tinha olhado mil vezes sem coragem de tocar.
—Braços para cima —ordenou.
Antes de me vestir, no entanto, ela parou. Olhou-me de cima a baixo, de calcinha, sutiã e meia, e mordeu o lábio inferior devagar demais, de um jeito que eu nunca tinha visto.
—Olha como você está —murmurou, mais para si mesma do que para mim—. Caralho, Carla. Se qualquer um te visse, pensaria que você é uma putinha prontinha.
A palavra me atingiu como uma chicotada doce. Ninguém nunca tinha falado assim comigo, e muito menos ela. Senti o pau endurecer dentro da calcinha de renda, empurrando o tecido, marcando na costura. Lorena baixou os olhos. Percebeu na mesma hora.
—Ah, ah —sussurrou, com meio sorriso—. Olha só o que temos aqui.
—Lorena, eu… —comecei a gaguejar.
—Cala a boca. —Ela pôs um dedo nos meus lábios—. Cala a boca, Carla. Não tem problema. Você acha que eu sou boba? Há meses você anda mexendo no meu armário. Eu notei como minhas roupas cheiram quando eu volto. Já vi as calcinhas dobradas errado. E uma vez encontrei uma suja, irmãozinho. Suja da sua porra.
Meu chão sumiu debaixo dos pés. Ela riu baixinho, pegando meu queixo com dois dedos.
—Não faz essa cara. Eu não estou brava. Estou pensando em outra coisa bem diferente.
Ela se aproximou até a boca dela ficar a um centímetro da minha. Cheirava ao perfume dela, a chiclete de menta, a alguma coisa que me deixava tonto.
—Você quer ser minha irmãzinha de verdade, Carla? Quer que eu te ensine tudo?
Assenti sem conseguir falar. Não dava para falar. O pau pulsava tanto que doía.
Lorena me empurrou com a ponta dos dedos até eu cair sentado na beirada da cama. Ela se ajoelhou entre minhas pernas, bem devagar, e afastou a calcinha para o lado, tirando meu pau com dois dedos como quem tira um passarinho de uma gaiola. Estava tão duro que eu tinha vergonha de olhar, brilhando na ponta.
—Olha que bonitinho você está —sussurrou—. Pingando por minha causa. Pela sua irmã.
E abaixou a cabeça. Eu fechei os olhos e me agarrei aos lençóis com os dois punhos quando senti a língua quente dela me lamber da base até a ponta, bem devagar, me saboreando. Depois abriu a boca e o colocou inteiro, sem pausa, até o fundo, até eu sentir a garganta dela apertar em volta da glande. Quase gozei ali mesmo.
—Lorena, caralho, Lorena —eu gemi, tremendo.
Ela tirou com um estalo molhado e me olhou de baixo, com os lábios brilhando e os olhos escuros.
—Shhh. Aqui você não me chama de Lorena, Carla. Aqui você me chama de irmã. Para saber quem está chupando você.
—Sim… irmã…
—Boa garota.
Ela voltou a me chupar. Dessa vez usou também a mão, subindo e descendo, apertando a base, enquanto a língua girava na ponta. Mamava com uma obscenidade que não combinava com a menina doce que me cobria quando eu era pequeno. Tirava tudo para fora, cuspia na glande, engolia de novo. O som da boca dela enchia o quarto, úmido, sujo, impossível de esquecer.
—Irmã, eu vou gozar —eu avisei, cerrando os dentes.
Ela o tirou de repente, apertando a base com dois dedos.
—Nem pensar. Ainda não. As irmãzinhas obedientes aguentam.
Ela se levantou, tirou o suéter pela cabeça e deixou os jeans caírem. Por baixo, usava um conjunto branco de renda, muito parecido com o que ela mesma tinha me vestido tantas vezes sem saber. Tinha seios pequenos e firmes, os mamilos marcando sob o tecido. Desabotoou o sutiã e o deixou cair no chão. Depois tirou a calcinha, bem devagar, deslizando-a pelas pernas, e me jogou na cara.
—Cheira —ordenou—. Cheira como você me deixou molhada, sua safadinha.
Eu a pressionei contra o nariz. Estava encharcada, quente, cheirava a buceta, à buceta dela. Gemido saiu de mim como o de uma garota.
Ela subiu na cama, me empurrou de costas contra o colchão e se sentou por cima de mim, de frente para o meu rosto. Vi a buceta aberta sobre mim, rosada, brilhante, com um fio de secreção pendendo.
—Mostra a língua. Vai, Carla. Come a buceta da sua irmã. Do jeito que eu sei que você sonhou mil vezes.
E desceu. Sentou-se sobre minha boca sem nenhuma delicadeza, me esmagando. Comecei a lamber como pude, desajeitado, desesperado, provando pela primeira vez uma mulher, e essa mulher era ela. Tinha gosto de sal, de alguma coisa doce por baixo, de um almíscar que entrou na minha cabeça e nunca mais saiu. Passei a língua pelos lábios dela, subi até o clitóris, chupei como já tinha visto em algum vídeo escondido, e ela começou a se mover por cima de mim, esfregando-se no meu rosto.
—Ai, isso… assim, irmãzinha, assim… olha como a minha Carla faz bem… enfia tudo, enfia a língua lá dentro…
Obedeci. Empurrei a língua o máximo que consegui para dentro da buceta dela, e ela soltou um gemido longo que se quebrou no final numa risada abafada. Agarrei o bumbum dela com as duas mãos, apertando, me enterrando mais. As coxas dela apertavam minhas orelhas. Eu não ouvia nada além da respiração entrecortada dela e da pulsação do meu próprio pau contra o ar.
Quando ela gozou, gozou sobre a minha boca. Senti a buceta dela tremer, o bumbum se contrair sob meus dedos, um jorro morno descer pelo meu queixo. Ela ficou assim por um instante, quieta, ofegante, com as mãos apoiadas na cabeceira da cama.
Depois desceu, ainda tremendo, e se deitou de costas ao meu lado. Olhou para mim com um sorriso preguiçoso, passando um dedo pelo lábio.
—Vem aqui, Carla. Me fode como a putinha que você é.
Eu me ajoelhei entre as pernas dela. Ainda estava com o sutiã preto e as meias, a calcinha jogada para o lado. Ela levou uma mão aos mamilos e começou a apertá-los, me olhando. Com a outra me guiou, segurando meu pau, posicionando-o na entrada.
—Devagar na primeira —sussurrou—. Porque eu quero que você se lembre para o resto da vida de com quem perdeu a virgindade.
Empurrei. A buceta dela se abriu ao redor de mim, quente, apertada, molhadíssima, e todo o meu pau desapareceu dentro num puxão lento e firme. Fiquei imóvel, de boca aberta, sem acreditar no que estava sentindo. Ela passou as pernas pela minha cintura e cruzou os tornozelos na minha lombar.
—Se mexe, Carla. Me fode. Me fode como se a mamãe nunca fosse voltar.
Comecei a meter. Desajeitado no começo, depois encontrando um ritmo. O colchão rangia, a cabeceira batia na parede, os seios dela se moviam a cada investida. Ela me olhava nos olhos o tempo todo, sem desviar nem por um segundo, e aquele olhar era a coisa mais obscena de todas. O olhar da minha irmã cravado em mim enquanto eu a penetrava até o fundo.
—Isso, irmãzinha, assim… mais forte… arrebenta minha buceta, Carla, arrebenta…
Agarrei os quadris dela e comecei a fodê-la de verdade, com o desespero de meses diante do espelho, de renda roubada, de punhetas silenciosas mordendo o travesseiro. Mordi um mamilo dela, lambi seu pescoço, respirei em sua orelha. Ela me arranhava as costas por baixo do sutiã que ainda usava.
—Vou gozar, irmã, vou gozar —eu gemi.
—Lá dentro não —sibilou—. Lá dentro não, amor. Tira e goza em cima de mim. Quero te ver. Quero ver minha Carla me enchendo de porra.
Tirei a tempo. Segurei com a mão e bastaram dois movimentos para explodir. Gozei sobre o ventre dela, sobre os seios dela, num jato longo e espesso que chegou até o pescoço. Ela ria, passando os dedos no sêmen, espalhando-o pela pele como se fosse creme.
—Olha como você deixou sua irmã cheia —sussurrou, chupando um dedo—. Boa garota. Muito boa garota.
Desabei sobre ela. Ficamos assim um tempo, grudados, respirando aos pedaços, com minhas meias amassadas e o cabelo dela todo bagunçado sobre o travesseiro. Ela me acariciava a nuca, devagar demais.
Quando por fim nos sentamos, ela me limpou com a própria calcinha e a jogou no cesto de roupa suja com um sorriso cúmplice. Passou o vestido azul pela minha cabeça com o mesmo cuidado de antes, ajustando nos ombros, alisando o tecido sobre meus quadris. Depois segurou meus ombros e me colocou diante do espelho, ela atrás de mim, o queixo apoiado quase no meu ombro.
—Olha pra você —sussurrou—. Gostou?
Eu me olhei. O azul me caía bem. A saia flutuava com o menor movimento. E acima do meu reflexo estava o rosto dela, sorrindo, orgulhoso, com o pescoço ainda brilhando da minha porra meio seca.
—Sim —disse, e a voz quase não saiu—. Eu adorei.
—Tá, tá —ela riu, me devolvendo o abraço—. Ainda temos muito pela frente. Falta maquiagem, uns sapatos que não sejam três números maiores, aprender a pentear direito. E depois a gente vai vendo a questão do peito, com enchimento por enquanto. Mas tudo isso aos poucos. Sem pressa. Agora que eu sei do que você gosta, você vai aprender de tudo. No armário e na cama.
Assenti, tonto de felicidade e de cansaço. Pela primeira vez eu não me sentia um segredo sujo que precisava ser escondido. Eu me sentia acompanhado. Eu me sentia dela.
—Só mais uma coisa —disse Lorena, sentando na cama e dando tapinhas no lugar ao lado para eu me sentar—. Se você vai ser uma garota quando estivermos sozinhos, precisa de um nome. Seu nome de verdade não combina com esse vestido. Nem com a boca que você acabou de pôr entre minhas pernas.
Sentei ao lado dela, ainda com o azul vestido, brincando com a barra da saia entre os dedos.
—Nunca tinha pensado nisso —admiti.
Ela me examinou por um instante, semicerrando os olhos como quem procura a palavra exata.
—Carla —disse por fim—. Carla combina com você. Gostou?
Eu repeti baixinho, provando o nome na língua da mesma forma que tinha provado a renda meses antes. Carla. Cabia. Era como se sempre tivesse estado ali, esperando alguém dizê-lo em voz alta.
—Adorei —respondi, e me levantei num pulo para dar voltas pelo quarto, deixando a saia rodar ao meu redor.
Lorena ria, sentada na cama, me vendo girar.
—Você está linda, Carla. De verdade. —Então olhou o relógio na mesinha e mudou o tom—. Mas agora corre pra se trocar, anda. A mamãe está pra chegar e eu não quero explicar por que o filho dela está usando meu melhor vestido nem por que o quarto inteiro está cheirando a sexo.
Troquei-me às pressas, dobrei o vestido com um cuidado quase reverente e o devolvi ao cabide. Quando descemos para a cozinha, minha mãe ainda não tinha chegado. Lorena bagunçou meu cabelo ao passar, como sempre, mas antes se inclinou e sussurrou no meu ouvido:
—No próximo domingo tem aula, irmãzinha. E dessa vez quem vai te foder sou eu.
Minhas pernas fraquejaram contra a bancada.
Naquela noite, deitado na minha cama com ela respirando devagar na dela, eu não conseguia parar de sorrir na escuridão. Durante meses tinha guardado meu segredo como uma vergonha. E, numa única tarde, minha irmã o tinha transformado em algo nosso, numa porta aberta para quem eu sempre quis ser.
Adormeci pensando no azul daquele vestido, no contato da renda, no gosto da buceta dela na minha boca e no novo nome que finalmente era meu.