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Relatos Ardientes

Minha primeira vez como mulher trans com um homem maduro

Durante anos carreguei um segredo que só dava as caras à noite, quando eu me vestia diante do espelho e me reconhecia em uma mulher que o resto do mundo não conhecia. Me maquiar se tornou um ritual privado: o delineador, o batom, a peruca que eu ajustava com cuidado, a lingerie que escondia no fundo da gaveta. Durante o dia eu era uma pessoa; quando apagava a luz, era outra. E, a cada vez, me custava mais voltar à primeira.

Aquela vez decidi sair assim, com o coração batendo no peito e a sensação de que algo tinha sido colocado em movimento sem minha permissão. Minhas mãos tremiam ao fechar o carro. Caminhei sobre saltos que mal dominava, sentindo o roçar da saia nas coxas e o olhar de cada desconhecido como uma pergunta. Eu não sabia que naquela noite iria me encontrar com um homem que me ensinaria, sem nem tentar, quem eu era de verdade.

Eu o conheci no estacionamento de um bar em que entrei procurando coragem. Tinha tomado duas doses para soltar os nervos e saí para respirar quando o vi. Ele estava encostado no carro, alto, ombros largos, com aquela calma que só os anos dão. Não devia ter menos de cinquenta. Tinha fios grisalhos nas têmporas e uma camisa aberta no pescoço que deixava ver o começo do peito. Ele me olhou sem safadeza, quase com curiosidade, e, quando me aproximei, fui eu quem falou primeiro.

— Você está esperando alguém? — perguntei, surpresa com a minha própria voz.

— Ninguém em particular — respondeu, sorrindo—. E você?

Eu disse a verdade. Toda ela. Quem eu era, o que eu buscava, o que nunca tinha tido coragem de fazer. Esperei que ele ficasse sem jeito, que arrumasse uma desculpa e fosse embora. Em vez disso, ele assentiu devagar, como se entendesse algo que eu mal começava a compreender.

— Entra — disse, abrindo a porta do passageiro—. Conheço um lugar tranquilo.

Se eu entrar, não tem volta.

Entrei.

***

O motor ronronava sob nós e as luzes da cidade passavam pela janela como clarões. Ele dirigia sem pressa, com uma mão no volante, e de repente procurou a minha. Não apertou. Guiou-a, devagar, até deixá-la sobre a sua entreperna. Senti algo duro e grosso sob o tecido da calça, e um calor subiu do meu ventre até a garganta.

— Isso te assusta? — perguntou sem tirar os olhos da estrada.

— Não — menti pela metade, porque o que eu sentia não era medo; era um desejo que eu nunca tinha permitido nomear.

Deixei a mão ali, sentindo-o crescer, e pela primeira vez na vida me senti desejada como a mulher que eu sempre soube que era. O silêncio dentro do carro não era desconfortável. Era uma promessa.

— Você não precisa me provar nada — disse ele de repente, como se lesse minha mente—. Hoje à noite você só precisa se deixar levar.

Assenti, embora não tivesse certeza de que ele pudesse me ver. Apoiei a cabeça no encosto e observei seu perfil iluminado em rajadas pelos postes. Havia algo na sua segurança que me acalmava, uma maneira de me tratar que eu nunca tinha recebido. Ele não me via como uma estranheza nem como uma conquista. Ele me via.

O motel apareceu no fim de uma avenida pouco iluminada. Ele desceu primeiro, contornou o carro e, antes de abrir a porta para mim, parou por um segundo para me olhar através do vidro. Quando abriu a porta, estendeu a mão como quem oferece a uma dama.

— Vem — disse.

E então, sem que eu esperasse, me beijou. Um beijo lento, firme, que me fez fechar os olhos e esquecer qualquer dúvida. Ele cheirava a um perfume amadeirado, a algo limpo e masculino que me desmontou por completo.

***

O quarto era simples: uma cama grande, uma luz suave, o rumor do ar-condicionado. Ele me abraçou pela cintura por trás e falou contra o meu ouvido.

— Como você se chama?

— Renata — respondi, e nunca um nome soou tão meu.

— Eu sou Hugo. — Ele fez uma pausa—. Hoje à noite eu sou seu, Renata. Vou tirar de você toda a mulher que você carrega por dentro.

As palavras dele me atravessaram como uma corrente. Não havia vulgaridade nelas, só uma certeza que me fez amolecer os joelhos. Virei para encará-lo e começamos a tirar a roupa um do outro, sem pressa, nos descobrindo à luz dourada do abajur.

Quando viu meu corpo, a lingerie preta que eu tinha escolhido com tanto cuidado, ele soltou o ar devagar.

— Você é linda — disse, e disse de verdade.

Essas duas palavras acenderam em mim mais do que qualquer carícia. Desabotoei a calça dele com dedos trêmulos, baixei-a, e, ao deslizar a roupa íntima, me deparei com uma ereção grossa que me fez prender a respiração. Por um instante achei que não ia conseguir. Mas o desejo foi mais forte do que o medo, e eu soube que naquela noite queria ser dele até o fim.

***

Fiz com que se sentasse na beira da cama, com as pernas abertas, e me ajoelhei entre elas. Peguei seu membro com a mão e o beijei devagar, ouvindo o primeiro gemido grave escapar dele. Fui levando-o à boca aos poucos, saboreando a sensação de tê-lo à minha mercê, sedenta por ele de um jeito que jamais tinha experimentado.

Hugo se contorcia e enroscava os dedos no meu cabelo.

— Isso, Renata... mais — murmurava.

Cada palavra dele me dava segurança. Saber que eu o satisfazia, que um homem como ele perdia o controle por minha causa, me fazia me sentir poderosa e feminina ao mesmo tempo. Continuei até a respiração dele ficar entrecortada e então, sem avisar, ele me parou com suavidade.

— Vem cá — disse, me levantando do chão—. Eu quero mais de você.

***

Ele me colocou na cama, de joelhos, com o rosto contra o travesseiro. Beijou a curva da minha lombar, desceu até minhas nádegas e me deu uma palmada que me arrancou um gemido de surpresa e prazer. Senti a língua dele, os dedos, a ponta do seu sexo me percorrendo de cima a baixo, brincando, me preparando sem pressa.

Eu já não aguentava mais.

— Por favor... — implorei, com a voz quebrada—. Eu não aguento mais.

— Paciência — disse, afastando-se por um momento.

Voltou com um pouco de creme frio que espalhou com cuidado. Quando senti a primeira pressão, todo o meu corpo se tensionou e um grito abafado escapou de mim. Achei que não fosse suportar, que era demais. Mas Hugo parou, esperou, deixou que eu me acostumasse e falou baixinho até meu corpo se abrir para ele.

— Respira — murmurou—. Você é minha, se solta.

E então a dor se transformou em algo que eu jamais tinha imaginado. Um prazer denso, profundo, que me fez gemer contra o travesseiro e empurrar para trás, buscando mais dele. Eu já não reconhecia a minha própria voz pedindo para ele não parar.

— Mais... por favor, mais — eu ofegava, completamente entregue.

Ele se movia com um ritmo firme, uma mão na minha cintura e a outra acariciando minha coxa. Cada investida me enchia de uma sensação que confirmava tudo o que eu sentia havia anos diante do espelho. Aquela noite eu não estava fingindo. Aquela noite eu era eu.

***

Senti que o fim estava se aproximando quando as mãos dele apertaram meus quadris com força. Um calor intenso me inundou por dentro e, quase ao mesmo tempo, meu próprio corpo se rendeu em um orgasmo que me deixou trêmula, sem fôlego, com o rosto enterrado no lençol. Ficamos assim por alguns segundos, ele ainda dentro de mim, os dois exaustos, respirando no mesmo compasso.

Depois ele se deixou cair ao meu lado e me puxou para o peito. O coração dele batia rápido sob a minha bochecha.

— Então era verdade — disse, acariciando meu cabelo—. Sua primeira vez. E eu gostei muito. Gostaria de repetir, se você quiser.

Ergui a cabeça para beijá-lo. Ele correspondeu sem hesitar.

— Obrigada — eu disse em voz baixa—. Por ser o primeiro. Por me tratar como uma mulher.

Porque foi isso que ele me deu, mais do que prazer: a certeza de que eu não estava sozinha, de que alguém podia me olhar e ver exatamente quem eu via quando apagava as luzes.

***

Tomamos banho juntos, devagar, em um silêncio confortável que já não precisava de palavras. Quando saímos, a madrugada tinha esfriado o ar e a avenida estava vazia. Ele me levou de volta até onde eu tinha deixado o carro e, antes de eu descer, trocamos os contatos. Eu não sabia se voltaria a vê-lo, mas não importava.

Dirigi para casa com os vidros abaixados e um sorriso que não saía do meu rosto. Aquela noite foi inesquecível, não só pelo que fizemos, mas pelo que confirmou. Finalmente eu entendia quem eu era. Renata. Uma mulher que tinha demorado demais para se permitir existir, e que não pretendia mais se esconder.

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