A visita técnica que mudou minha vida secreta
Quando o técnico consertou meu computador, pensei que tudo tinha acabado. Não sabia que ele já conhecia Marina, meu segredo mais bem guardado, e pretendia usar isso contra mim.
Quando o técnico consertou meu computador, pensei que tudo tinha acabado. Não sabia que ele já conhecia Marina, meu segredo mais bem guardado, e pretendia usar isso contra mim.
Ela estava junto à escultura de bronze, com um vestido preto que parecia apaixonado pelo corpo dela, e me olhou sem pudor, como se já soubesse o que íamos fazer naquela noite.
Quando desci do carro vestida de marinheira, os seis amigos dos meus irmãos assobiaram, sem ainda saber qual era o meu segredo nem o que eu faria pelo homenageado.
Eu o conheci tímido e frágil, quando se chamava Tomás. Dez anos depois, ele cruzou a porta de minissaia, com um sorriso que prometia arruinar meu verão.
Achei que seria uma tarde tranquila diante da TV, até o pé descalço da minha meia-irmã começar a subir pela minha coxa e uma pergunta mudar tudo.
Saí de casa com a calcinha vermelha e o coração disparado: meu tio jamais me chamava em dia de folga, e eu já sabia qual era a verdadeira intenção.
De pé diante deles, só com o conjunto de renda rosa, esperei a ordem. A sacola com o vestido pesava nas minhas mãos, e eu já tremia antes de tudo começar.
Surgia bebendo seu gin tônica quando dois homens se sentaram ao seu lado e falaram de um filme. Quando terminou a bebida, ela já tinha assinado.
Quando abri a porta com o vestido no corpo e o cabelo recém-penteado, ele ficou sem palavras. Nessa noite parei de me esconder e me entreguei por inteiro.
Todas as tardes, ao voltar da faculdade, guardava as roupas masculinas na gaveta de baixo, como quem esconde provas de um crime. E descia a escada de saltos.
Eu achava que meu segredo estava seguro entre estas paredes, até ouvir a janela dele se fechar com força e saber que alguém tinha acabado de ver quem eu sou de verdade.
Aos dez anos minha mãe entendeu antes de mim quem eu era. Vinte anos depois, olho meu corpo no espelho e enfim reconheço a mulher que sempre fui.
Há semanas eu escolhia o vestido, o perfume, a lingerie. Nessa noite ele cruzaria a porta e enfim me veria como sempre sonhei que me visse.
O anúncio dizia: travesti enrustida busca amigo maduro. Naquela mesma semana subi numa caminhonete de vidros escurecidos sem saber direito o que me esperava no fim da viagem.
Quando abri minha mala na cabana, não havia nada meu: só calcinhas de renda, saias curtas e maquiagem. Carla me olhou com calma e disse que essa era minha única chance.
Quando o apartamento ficava vazio, eu abria a gaveta da minha mãe e me transformava em outra pessoa. Naquela tarde, uma sombra na janela mudou tudo.
Depilei-me inteira, vesti a calcinha preta e pintei os lábios de vermelho. Faltava uma hora para ele chegar, e eu já tremia sem nem tê-lo visto.
Fiquei amarrado de barriga para cima, com as pernas abertas, sem saber o que ela tiraria em seguida daquela sacola preta deixada sobre a cama do hotel.
Bastou uma carta mais baixa que a dele para que aquela gaiola rosa deixasse de ser uma brincadeira e se tornasse minha nova realidade por dois meses inteiros.
Eu fazia a mesma brincadeira com minha mulher na cama havia anos. O que eu não sabia é que ela tinha anotado cada palavra e que aquela viagem à costa tinha um plano.