Minha fantasia de travesti: uma noite com um desconhecido
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.
Me arrumei como nunca para vê-lo: minissaia, salto, peruca. O que eu não esperava era que a irmã dele aparecesse e adivinhasse, num só olhar, tudo o que escondíamos.
Três semanas sem notícias dele e eu não aguentei mais. Mandei «oi» e a resposta me lembrou a única coisa que eu era para ele: sua puta obediente.
Eu o amarrei com cordas para que não me mordesse. Eu o banhei entre as ruínas. O que descobri naquela noite entre as prateleiras vazias mudou quem eu era para sempre.
Estava sentada no sofá redondo do fundo, de pernas cruzadas e com o copo meio vazio, quando vi o rapaz de cabelo cacheado largar a bebida e ir direto na minha direção.
Quando ouvi o carrinho do vendedor de milho, pensei só em matar a vontade. O que eu não esperava era que ele terminasse a noite na minha cozinha, me olhando como se eu fosse a sobremesa.
Por baixo da minha camisa de botões há renda. Por baixo da calça social, meias de arrastão e cinta-liga. Meus colegas veem Matías. Eu sei quem sou de verdade.
Travesti no armário, fui à entrevista mais importante da minha carreira com uma calcinha de renda sob o terno. Achei que ninguém perceberia. Eu me enganei.
Quando elas chegaram ao prédio, minha vida cinzenta encontrou um foco. O que eu não esperava era que esse foco acabaria me consumindo por inteiro.
A porta se abriu e Nadia me examinou de cima a baixo com um sorriso lento. Atrás, Raquel cruzou os braços. —Fala —disse—. O que você quer?
Natalia só queria se depilar antes de ir à praia. Não esperava que a esteticista do hotel fosse tão impressionante, nem o que encontraria sob seu jaleco.
Duas taças de vinho, um robe de seda e a campainha às dez da noite. Era Ernesto, e aquele olhar dele deixava claro que ele não vinha pedir açúcar.
Me vesti para impressionar ninguém, ou pelo menos era o que eu pensava. Dois guardas me barraram com um sorriso que dizia saber exatamente quem eu era.
A primeira vez que vesti sua lingerie e me vi no espelho, não soube se o que senti foi vergonha ou algo completamente diferente.
Eu vinha preparando aquele dia havia meses: a peruca, o vestido, o lubrificante. Achava que estava sozinha no mirante abandonado. O guarda tinha outra ideia.
Quando fecho a porta, abro a gaveta, pego o perfume que ele escolheu para mim e me transformo em quem eu realmente sou. Só ele sabe.
Para o mundo, éramos dois amigos no bar. Só eu sabia que usava uma calcinha fio dental preta por baixo do jogger — e que ele também sabia.
Maquiei-me por vinte minutos, coloquei a peruca castanha e abri a porta do hotel quando bateram. Esperei por aquele momento por anos sem saber que o esperava.
Cheguei antes de Daniela e uma garota me ofereceu uma bebida no balcão. Não sabia que naquela noite acabaríamos as três numa cama, fazendo coisas que nenhuma de nós tinha em mente.
Passei meses trocando mensagens com ele, sem saber se teria coragem. O dia chegou, e subi no táxi com as mãos tremendo e as meias na mochila.