O segredo que a esteticista do hotel escondia
Natalia só queria se depilar antes de ir à praia. Não esperava que a esteticista do hotel fosse tão impressionante, nem o que encontraria sob seu jaleco.
Natalia só queria se depilar antes de ir à praia. Não esperava que a esteticista do hotel fosse tão impressionante, nem o que encontraria sob seu jaleco.
Duas taças de vinho, um robe de seda e a campainha às dez da noite. Era Ernesto, e aquele olhar dele deixava claro que ele não vinha pedir açúcar.
Me vesti para impressionar ninguém, ou pelo menos era o que eu pensava. Dois guardas me barraram com um sorriso que dizia saber exatamente quem eu era.
A primeira vez que vesti sua lingerie e me vi no espelho, não soube se o que senti foi vergonha ou algo completamente diferente.
Eu vinha preparando aquele dia havia meses: a peruca, o vestido, o lubrificante. Achava que estava sozinha no mirante abandonado. O guarda tinha outra ideia.
Quando fecho a porta, abro a gaveta, pego o perfume que ele escolheu para mim e me transformo em quem eu realmente sou. Só ele sabe.
Para o mundo, éramos dois amigos no bar. Só eu sabia que usava uma calcinha fio dental preta por baixo do jogger — e que ele também sabia.
Maquiei-me por vinte minutos, coloquei a peruca castanha e abri a porta do hotel quando bateram. Esperei por aquele momento por anos sem saber que o esperava.
Cheguei antes de Daniela e uma garota me ofereceu uma bebida no balcão. Não sabia que naquela noite acabaríamos as três numa cama, fazendo coisas que nenhuma de nós tinha em mente.
Passei meses trocando mensagens com ele, sem saber se teria coragem. O dia chegou, e subi no táxi com as mãos tremendo e as meias na mochila.
Um homem comum descobriu que, sob as roupas da esposa, vivia outra versão de si mesmo, pronta para sair quando veio o confinamento.
Quando eu disse que podia chamar alguém para acompanhá-lo, ele foi comprar cigarros. Trinta minutos depois, Sofía desceu a escada de salto.
Trinta e um pontos. A voz de ELARA já o esperava: «Acorda, querido. Hoje você também não será o homem que passou anos acreditando ser».
Nunca tinha saído vestida para a rua. Naquela sexta, decidi que era a hora: minissaia, salto e o vagão mais lotado do ano. O que aconteceu superou tudo.
A primeira vez que fui sozinho à casa dele, meu coração batia forte enquanto eu tocava a campainha. Eu não sabia o que dizer. Ele abriu de robe úmido e sorriso.
Por baixo da tanguinha apertada, se marcava um volume que eu não consegui parar de olhar. E ele percebeu. Naquela tarde, descobri algo que eu já não podia fingir ignorar.
Passei meses beijando-a às escondidas sem que nada além disso acontecesse; naquela tarde, com a garrafa quase vazia, foi ela quem me arrastou até a janelinha do motel.
Desci para o banheiro com os saltos na mão e ainda sem entender o que seria um dia inteiro saindo como Luna ao lado de Bruno por aquele vilarejo.
Subi no elevador de salto e peruca, rezando para não cruzar com ninguém. Ele abriu de roupão e me chamou de puta antes de eu dizer oi.
Me olhei no espelho com a lingerie dela, os saltos e os lábios pintados, e soube que não podia ficar em casa. Eram duas da manhã.