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Relatos Ardientes

A amiga da noiva que não queria ir embora

4.4 (50)
Ilustração do conto erótico: A amiga da noiva que não queria ir embora

O casamento havia durado exatas onze horas.

Sofía sabia disso porque tinha olhado o relógio quando o fotógrafo pediu a última foto do grupo. Uma e quarenta e sete da madrugada. O cálculo lhe dera graça enquanto posava com aquele sorriso colado ao rosto desde as duas da tarde, o sorriso oficial de noiva feliz, aquele que dói nas bochechas depois da sétima hora e que, ainda assim, você não consegue parar de fazer porque sempre tem alguém com um celular apontado para você.

Onze horas de flores brancas, discursos emocionados, felicitações com beijo duplo, tios apertando sua mão com a solenidade de quem entrega algo importante, e sua mãe chorando em três momentos diferentes que não vinham especialmente ao caso.

Rodrigo tinha aguentado bem, o que já era muito dizer. Ele odiava eventos sociais com aquela aversão tranquila dos introvertidos bem-educados. E, no entanto, esteve ali a noite toda, terno escuro, cabelo recém-cortado, distribuindo abraços e brindes com uma generosidade que Sofía agradeceu em silêncio toda vez que o localizava do outro lado do salão.

Valeria, ao contrário, tinha aproveitado cada minuto.

Sempre fazia isso. Festas eram seu habitat natural: sabia quando rir, quando se calar, quando encher a taça de alguém que precisava, mesmo sem pedir. Sofía a conhecera no primeiro ano da faculdade, em uma fila do bandejão universitário, e desde então tinham passado mais horas juntas do que com qualquer outra pessoa em suas vidas. Rodrigo chegou depois, no terceiro ano, e se integrou a essa amizade com uma facilidade que Sofía sempre achara chamativa, embora nunca de um jeito que a deixasse desconfortável.

Nessa noite Valeria usava um vestido cor de vinho com decote transpassado. Sofía o tinha visto quando ela entrou na igreja e achou perfeito: elegante sem se esforçar, marcante sem precisar chamar atenção. O que não previra era a forma como Valeria usaria aquilo durante as horas seguintes. O decote marcava seus seios toda vez que ela se inclinava para falar com alguém, e Sofía surpreendera mais de um convidado olhando com insistência para o vão entre os peitos, algo que a Valeria parecia divertir.

O problema, se é que dava para chamar de problema, era que Valeria a noite inteira a olhava de uma maneira específica.

Não era o olhar habitual. O habitual era quente, direto, com aquele humor contido que Sofía sabia ler depois de dez anos de amizade. Este era diferente. Era o olhar de alguém que tem algo pendente e sabe que a noite não vai acabar sem resolver isso. Era um olhar que descia para a boca, para o pescoço, para o decote do vestido de noiva, e voltava aos olhos com uma desfaçatez tranquila.

Sofía percebeu a primeira vez durante o jantar, quando Valeria roçou o antebraço no dela ao lhe passar o pão e deixou os dedos ali um segundo a mais do que o necessário. Percebeu a segunda vez na pista de dança, quando dançaram juntas uma música lenta e Valeria a manteve bem perto, com a palma da mão na lombar e os lábios quase roçando sua orelha quando sussurrou algo que Sofía mal ouviu. A mão tinha descido das costas até a parte de cima da bunda em um movimento lento e deliberado, e Sofía sentira os mamilos enrijecerem contra o vestido branco como se tivessem opinião própria a respeito. Percebeu a terceira vez quando os olhos de Valeria se encontraram com os seus por cima do ombro de Rodrigo e Valeria sorriu de um jeito que não era exatamente de amizade.

Cena 1 do conto: A amiga da noiva que não queria ir embora
Miradas que no eran casualidad

E o que Sofía achou estranho não foi o olhar em si. O estranho foi que não fez nada para detê-lo. E que estava com a calcinha úmida havia algumas horas e ainda faltava a parte mais interessante.

***

Às quinze para duas, os últimos convidados se despediram. O garçom fechou o bar e começou a empilhar as cadeiras com aquele barulho específico que indica que a festa acabou de verdade. Sofía tirou os sapatos no elevador e subiu os três andares descalça, com o vestido branco recolhido em um braço e os saltos pendurados no outro. Rodrigo e Valeria vinham atrás, os dois em silêncio, os três um pouco bêbados, embora não o bastante para não saber exatamente o que estava acontecendo.

A suíte era grande. Cama enorme no centro, uma chaise longue diante da janela panorâmica, e uma garrafa de espumante que o hotel deixara na mesinha com um laço e um cartão de felicitações escrito com aquela letra redonda e genérica dos hotéis. A cidade se estendia do outro lado do vidro, milhares de pontos de luz que não tinham o menor interesse no que iria acontecer naquele quarto.

Rodrigo abriu o espumante sem cerimônia. Serviu três taças.

—A gente devia brindar — disse Valeria.

—Por quê? — perguntou Sofía.

—Pelo que quer que venha agora.

Sofía pegou sua taça. Os três beberam sem dizer mais nada. Sofía sentiu o espumante descer pela garganta com a mesma temperatura com que lhe subia entre as coxas.

Foi Valeria quem se moveu primeiro. Aproximou-se de Sofía devagar, sem gestos bruscos, como se tivesse calculado exatamente aquele momento durante as últimas horas. Afastou uma mecha da testa com os dedos e ficou assim, com a mão no rosto dela, esperando.

—Me diz que não — disse em voz baixa —. E eu vou embora agora mesmo.

Sofía não disse nada.

Valeria a beijou.

Era um beijo tranquilo no começo, quase cauteloso, os lábios apenas em contato. Mas Sofía correspondeu, e então o beijo mudou de natureza. Aprofundou-se lentamente, com aquela calma que só têm as coisas que esperam há muito tempo o seu momento. A língua de Valeria buscou a de Sofía sem pressa, úmida, segura, e Sofía abriu a boca para recebê-la enquanto sentia o calor subir pelo pescoço e pelo peito como uma descarga lenta. A língua da amiga sabia a espumante e a algo mais escuro, algo que estava suspenso havia dez anos e que agora lhe entrava na boca com uma fome paciente. Sofía notou a mão de Valeria descendo pela lateral do corpo, contornando a cintura, apertando sua bunda por cima do vestido branco com uma possessividade que a fez soltar um gemido curto contra os lábios dela.

Rodrigo estava a poucos passos, com a taça na mão. Sofía o procurou com os olhos por cima do ombro de Valeria. O que encontrou em sua expressão não foi surpresa nem rejeição. Era algo completamente diferente. Ele respirava mais pesado que o normal, a mandíbula marcada, o olhar fixo na boca de Valeria sobre a de Sofía como se não quisesse perder nem um segundo. O volume na calça do terno era tão evidente que Sofía sentiu as pernas amolecerem ainda mais.

—Vem — disse ela.

Ele deixou a taça na mesinha e se aproximou.

***

O vestido branco demorou a cair no chão. Não por dificuldade técnica, mas porque nenhum dos três parecia ter pressa. Rodrigo procurou o zíper nas costas enquanto Valeria continuava beijando Sofía, e os três se moviam devagar, procurando o espaço que lhes cabia, se ajustando sem falar. Os dedos de Rodrigo desceram o zíper com uma lentidão quase reverente e o tecido foi se abrindo pelas costas até deixar Sofía tremendo mais de antecipação do que de frio. Por baixo, ela só usava um sutiã branco de renda e uma calcinha combinando, já encharcada na frente. Valeria enfiou a mão entre as pernas dela por cima do tecido e riu com a boca colada à dela ao senti-la tão molhada.

—Porra, Sofía — murmurou, esfregando o cuzinho por cima da renda com dois dedos —. Você está escorrendo.

Quando o tecido do vestido finalmente deslizou, Sofía sentiu o ar frio do quarto sobre a pele. Valeria recuou um passo só para olhá-la.

—Meu Deus — disse em voz baixa.

Sofía não soube se ria ou não. Mas a forma como Valeria disse aquilo não tinha nada de exagerado nem forçado. Era simplesmente a constatação de alguém que havia imaginado algo e descobria que a realidade superava a imagem.

Cena 3 do conto: A amiga da noiva que não queria ir embora
Demasiada belleza para una sola habitación

Rodrigo contornou Sofía por trás, as mãos percorrendo devagar os lados do corpo, a curva da cintura, a parte baixa do ventre, e depois subindo aos seios com uma pressão firme que arrancou de Sofía um suspiro curto. Ele desabotoou o sutiã com um único movimento dos dedos e a peça caiu no chão, juntando-se ao vestido. Os mamilos de Sofía ficaram duros com o contato do ar, e Rodrigo os beliscou por trás, primeiro de leve e depois apertando o suficiente para que ela sentisse o puxão direto entre as pernas. Ela inclinou a cabeça para trás contra o ombro dele e fechou os olhos por um instante.

Valeria tirou o vestido vinho com calma, deixou-o dobrado sobre a cadeira — esse pequeno detalhe de organização no meio de tudo o mais a tornava humana de um jeito inesperado — e voltou completamente nua, sem sutiã nem calcinha, a pele quente e os mamilos duros de excitação sob a luz amarelada da suíte. Tinha os seios menores que os de Sofía, redondos, com os bicos escuros e rígidos, e um triângulo de pelos aparados entre as coxas que brilhava levemente de umidade própria. Estava quente a noite inteira, assim como ela.

Sofía olhou para a boceta dela sem disfarçar. Valeria percebeu e abriu as pernas mais um pouco, oferecendo-se com um sorriso lento.

—Depois — disse —. Primeiro você.

Rodrigo baixou a calcinha de Sofía enquanto mordia seu pescoço. Precisou passar a mão por sua boceta para tirá-la por completo, e ao fazer isso deixou dois dedos imóveis sobre os lábios molhados, pressionando sem entrar ainda. Sofía soltou um gemido longo que terminou contra a boca de Valeria.

O que veio depois não teve a urgência nem o caráter de cena que Sofía teria imaginado. Foi deliberado. Havia algo concentrado na forma como os três se moviam, como se cada um soubesse que valia a pena tomar o tempo necessário. Valeria voltou a beijá-la, desta vez mais fundo, mais sujo, enfiando a língua até o fundo da boca enquanto buscava um mamilo com a mão e o torcia sem piedade. Sofía sentiu a mão de Rodrigo descer até a curva da sua bunda para apertá-la com vontade, afastando um pouco suas nádegas enquanto a guiava até o centro da cama.

Valeria começou pelo pescoço, depois a clavícula, sugando a pele com a boca aberta até deixá-la ardendo de um jeito gostoso, seguindo uma linha descendente que Sofía percebeu como uma corrente percorrendo suas costas. Mordeu um mamilo com cuidado e depois com menos cuidado, até Sofía se arquear. Rodrigo sussurrava no ouvido dela coisas que Sofía mal processava: que ela estava linda, que tinha esperado demais, que se deixasse levar, que ia fodê-la enquanto Valeria lhe comia a boceta. A voz dele era grave, carregada, e o roçar da ereção contra a coxa de Sofía deixou claro o quanto ele pensava em qualquer outra coisa. Estava duro como pedra, duro havia horas, e Sofía o sentia pulsar contra o quadril mesmo por cima da calça.

Foram se deslocando até a cama sem que ninguém propusesse isso em voz alta. A cama era tão grande que havia espaço de sobra para os três. Sofía caiu de costas e Valeria subiu sobre ela, cavalgando, esfregando a boceta nua e encharcada contra seu ventre antes de começar a descer.

—O que você quer? — perguntou Valeria, apoiada em um cotovelo entre as pernas abertas de Sofía, com a boca úmida e o olhar fixo na boceta que tinha a centímetros do rosto.

—Ainda não sei — disse Sofía, respirando mais rápido —. Mas não para.

—Quer que eu coma sua boceta? — Valeria soprou sobre os lábios molhados e Sofía se contraiu —. Diz.

—Come. Por favor.

Valeria sorriu com uma intensidade faminta e desceu de novo, desta vez sem rodeios, abrindo as coxas dela com as duas mãos e enterrando o rosto entre suas pernas enquanto Rodrigo se acomodava ao lado de Sofía e beijava sua nuca.

***

Valeria passou a língua lisa de baixo para cima, lambendo toda a boceta de uma só vez, e parou no clitóris para sugá-lo entre os lábios com uma sucção lenta que fez Sofía erguer os quadris da cama. Sofía tinha os dedos enroscados no cabelo dela sem guiar nada, apenas sentindo aquela boca percorrer o centro do seu corpo com uma dedicação implacável. A língua de Valeria se movia lenta sobre o clitóris, depois mais firme, depois suave outra vez, alternando pressão e ritmo até deixá-la desarmada. Sofía se arqueou sobre os lençóis com um gemido abafado, os quadris buscando mais daquela pressão exata enquanto Rodrigo lhe acariciava os seios de lado, beliscando os mamilos de leve antes de apertá-los com mais força.

Valeria enfiou dois dedos na boceta de Sofía sem parar de chupar seu clitóris. Sofía sentiu a penetração dupla — os dedos se curvando por dentro, buscando um ponto que Valeria parecia conhecer melhor do que ela mesma, a língua se movendo em círculos rápidos por fora — e um gemido longo escapou de sua garganta, um som que não parecia seu.

—Porra — ela arfou —. Porra, Valeria, continua assim.

—Sua boceta é linda — disse Valeria para Rodrigo sem erguer a cabeça, falando contra a carne molhada de Sofía —. Você sabe o gosto da sua mulher?

Rodrigo soltou um rosnado. Tinha se despido em algum momento que Sofía perdera. Estava ao lado dela, com a pica dura apontando para sua coxa, a glande brilhando de líquido pré-ejaculatório, grossa, marcada pela veia de baixo. Sofía fechou a mão em torno dela e começou a masturbá-lo devagar sem olhar o que fazia, os olhos fechados, concentrada na boca que estava lhe arrancando a alma por baixo.

Rodrigo se acomodou ao lado dela, e Sofía o procurou quase por reflexo. Beijou-o desajeitadamente no começo, distraída pelo que Valeria lhe fazia, mas ele não pareceu se importar com a falta de jeito. Segurou-a com calma e devolveu o beijo com uma atenção que a Sofía pareceu estranhamente reconfortante naquele momento, enfiando a língua em sua boca com uma fome contida que logo deixou de ser contida. Ele pegou a mão com que ela masturbava sua pica e guiou o ritmo, mais forte, apertando o punho dela ao redor do pau.

—Chupa ele — disse Valeria entre duas lambidas, olhando para cima com o queixo brilhante —. Eu cuido disso.

Sofía se virou um pouco, sem que Valeria tirasse os dedos de sua boceta, e levou a pica de Rodrigo à boca. Sugou-o inteiro da ponta até onde conseguiu, ajudando com a mão no que não cabia, sentindo-o pulsar contra a língua. Rodrigo agarrou seu cabelo com uma mão sem puxar, apenas mantendo-o afastado do rosto, e soltou um longo suspiro quando ela começou a mover a cabeça para cima e para baixo em um ritmo lento. Tinha gosto amargo e quente. Sofía passou a língua pela veia de baixo, chupou os testículos um por um, e voltou a levá-lo até a garganta até que lhe vieram lágrimas aos olhos. Rodrigo se deixava fazer, observando-a com uma mistura de incredulidade e desejo, e de vez em quando descia a mão para tocar-lhe um mamilo enquanto Valeria continuava a provocá-la entre as pernas.

Valeria curvou os dedos dentro da boceta de Sofía e chupou seu clitóris com mais insistência, e Sofía soltou a pica de Rodrigo com um grito abafado.

—Vou gozar — ela arfou —. Vou gozar, porra, Valeria, continua, continua.

Quando Valeria chegou onde queria chegar, Sofía soltou o ar que não sabia estar prendendo. O corpo se contraiu em um espasmo longo, a vulva pulsando ao redor dos dedos e da boca de Valeria, e o orgasmo subiu de repente por suas costas, quente, desordenado, deixando-a trêmula enquanto ainda sentia a língua de Valeria lambendo-a até o fim. Apertou as coxas de Valeria contra a cabeça sem querer e sentiu o gozo escorrer por dentro como uma corrente líquida, um orgasmo que não acabava, que continuava sempre que Valeria movia os dedos um milímetro mais para dentro.

—Muito bem — disse Valeria quando ergueu a cabeça, com uma serenidade que fez Sofía soltar uma risada curta e involuntária. Metade de seu rosto estava brilhando, os lábios inchados, o queixo encharcado da boceta de Sofía. Chupou os dois dedos um depois do outro, com o olhar fixo nela —. Você tem gosto de delícia, amor.

***

Eles se reorganizaram várias vezes na hora longa que se seguiu. Não era um processo ordenado nem planejado: era uma conversa contínua entre corpos que iam encontrando o que buscavam. Sofía se virava, Rodrigo mudava de posição, Valeria se ajeitava onde fosse preciso. Funcionava com uma lógica própria que não precisava de instruções.

Cena 4 do conto: A amiga da noiva que não queria ir embora
La despedida fue tranquila

Houve um momento em que Sofía esteve entre as pernas de Valeria, retribuindo o favor, com o rosto entre as coxas da amiga, lambendo sua boceta desajeitadamente no começo e com mais decisão depois. Tinha um sabor diferente do seu, mais salgado, mais forte, e Sofía a chupou como um dia sonhara fazer, sem nunca se permitir lembrar disso até aquela noite. Valeria gemia baixinho, com as mãos no cabelo dela, os quadris ondulando contra sua boca, e enquanto isso Rodrigo havia se colocado atrás de Sofía, de joelhos, e enfiado a língua em sua boceta por trás, fodendo-a com a boca enquanto ela comia a boceta de Valeria. Sofía sentiu o cérebro apagar por um instante.

Houve outro momento em que Sofía esteve entre os dois, de quatro, com Rodrigo atrás se movendo em um ritmo contínuo que ela percebia nos ombros, na cintura, na forma como ele a segurava pelos quadris, e com Valeria à frente, deitada de costas com as pernas abertas, oferecendo outra vez a boceta para que ela continuasse chupando. A sensação de estar completamente cercada, sem nenhum espaço livre, com uma pica a fodendo por trás e uma boceta na boca, era algo que Sofía não teria sabido descrever de antemão, mas que naquele momento lhe pareceu exatamente o que vinha buscando havia tempo sem saber o nome.

Rodrigo a penetrou devagar no começo, com uma paciência que contrastava com o tremor das mãos. Passou a cabeça do pau por toda a fenda da boceta antes de entrar, ensopando o início da pica em sua umidade, e quando empurrou até o fundo Sofía gemeu contra a boceta de Valeria com um som abafado. Estava cheia, aberta, a pressão sólida da pica empurrando dentro dela até o fundo, atingindo um ponto profundo que a fazia ver pontos brancos toda vez que ele recuava e tornava a entrar. Valeria segurou a cabeça dela com as duas mãos e esfregou seu rosto contra sua boceta aberta, fazendo-a sentir como ia ficando cada vez mais molhada à medida que Sofía a lambia enquanto Rodrigo a fodia por trás.

O movimento ficou mais profundo, mais contínuo, e Sofía começou a perder a conta de onde terminava uma sensação e começava a outra. Rodrigo a comia com um ritmo cada vez mais forte, segurando suas ancas com os dedos afundados, e cada investida fazia seu clitóris roçar nos lençóis e sua cabeça se mover contra a boceta de Valeria. O som no quarto era uma mistura de suspiros, palmadas de quadril contra bunda, e os gemidos cada vez mais altos de Valeria.

—Você está bem? — perguntou Rodrigo em algum ponto, com a voz rasgada de desejo, sem parar de metê-la.

—Melhor do que bem — disse ela, mal conseguindo sustentar a frase, erguendo por um segundo o rosto de entre as pernas de Valeria —. Me mete forte. Me fode forte.

Rodrigo obedeceu. Segurou suas ancas com mais força e começou a enfiar a pica com investidas longas e profundas que a fizeram deslizar para a frente sobre a cama, até ter que apoiar os cotovelos dos lados de Valeria para não cair em cima dela. Sofía sentia o pau inteiro entrar e sair, os testículos de Rodrigo batendo em seu clitóris a cada golpe, e voltou a enfiar a língua na boceta de Valeria com uma fome que nunca sentira na vida. Enfiou dois dedos ao mesmo tempo em que a chupava, curvando-os como Valeria fizera com ela, e percebeu a boceta da amiga começar a se fechar ao redor deles.

Valeria chegou primeiro, com as coxas apertadas ao redor da cabeça de Sofía e um som que não era um grito, mas também não era discreto, mais um suspiro áspero que se quebrou quando gozou. Sofía sentiu a boceta se contrair ao redor de seus dedos em pulsações rápidas, o líquido quente escorrendo pela palma, e continuou lambendo o clitóris até Valeria lhe afastar a cabeça com um sobressalto, sensível demais para continuar. Depois se deitou de costas olhando para o teto, com aquele sorriso que Sofía só vira outra vez, quando chegara a carta dizendo que tinha sido aprovada no concurso.

—Porra — murmurou Valeria, com a respiração agitada, contemplando como Rodrigo continuava fodendo Sofía aos pés da cama —. Que linda você está assim, fodida pelo seu marido no dia do casamento.

Sofía gemeu alto. Rodrigo acelerou o ritmo. Agarrou-lhe as nádegas com as duas mãos, afastou-as para ver entrar e sair, e Sofía sentiu outro orgasmo se acumulando desde o fundo do ventre.

—Vou gozar de novo — avisou com a voz abafada contra a cama —. Continua assim, continua, continua…

—Goza em cima do meu pau — ele arfou —. Vai, goza.

Sofía gozou com um grito longo e solto, sem pudor nenhum já, a boceta se apertando ao redor do pau de Rodrigo em espasmos lentos que o arrastaram junto. Rodrigo terminou pouco depois, com uma brevidade que Sofía achou inesperadamente terna diante de tudo o que havia acontecido, o corpo inteiro tenso antes de soltar um gozo quente dentro dela que ela não viu, mas sentiu pela forma como ele ficou imóvel, enterrado até o fundo, respirando fundo, colado às suas costas. Sofía percebeu os jatos de porra enchendo-a por dentro, um após o outro, e a pica pulsando em sua boceta enquanto Rodrigo se esvaziava.

Quando Rodrigo se retirou, devagar, Sofía sentiu o gozo escorrendo entre as coxas. Valeria se ergueu, olhou para a boceta aberta e pingando, e soltou uma risada baixa.

—Meu Deus — disse, e se inclinou sem mais, lambendo a parte interna da coxa dela e limpando a mistura que escapava.

Sofía se deixou cair de lado, tremendo, os três apertados no centro da cama enorme.

Os três ficaram quietos por um tempo. O quarto cheirava a calor humano, a pele suada, sexo recente, porra, boceta e ao espumante doce que ninguém tinha terminado de beber.

***

Sofía foi a primeira a se levantar. Foi ao banheiro, olhou-se no espelho da pia por um longo momento. Tinha o cabelo completamente desgrenhado e uma marca no pescoço que seria difícil de explicar no café da manhã com a família. Entre as coxas ainda sentia a umidade de Rodrigo escorrendo devagar. Lavou o rosto com água fria e voltou para o quarto.

Valeria estava procurando suas coisas com os olhos semicerrados.

—Você vai embora? — perguntou Sofía.

—É a noite de núpcias de vocês — disse Valeria —. Tenho um certo limite de presença numa noite de núpcias.

—Você podia ficar.

Valeria a olhou. Era o mesmo olhar de antes, o do salão durante o jantar, mas agora tinha algo diferente. Mais calmo. Como se já não houvesse nada pendente a resolver.

—Da próxima vez — disse.

Vestiu-se sem pressa, pegou a bolsa na cadeira, aproximou-se de Sofía e beijou sua bochecha. Depois foi até a cama, onde Rodrigo já estava meio adormecido, e pousou a mão no ombro dele por um segundo.

—Cuida bem dela — disse.

—Sempre — murmurou ele, sem abrir os olhos.

Valeria pegou os sapatos do chão, pendurou-os na mesma mão como se fosse o gesto mais natural do mundo, e fechou a porta da suíte com cuidado para não fazer barulho.

***

Sofía entrou na cama. Rodrigo levantou o braço sem olhar e ela se acomodou sob ele, com a cabeça em seu peito.

Lá fora, a cidade começava a clarear nas bordas do céu.

—Você está bem? — perguntou ele depois de um momento.

—Sim — disse ela —. E você?

—Sim.

Houve um silêncio confortável, do tipo que só existe entre pessoas que estão juntas há muito tempo.

—Eu vinha querendo te perguntar há tempo se você acharia isso ok — disse Rodrigo então, em voz baixa.

—E eu vinha esperando você perguntar — disse Sofía.

Ele soltou uma risada curta e suave. Sofía também riu, devagar, contra o peito dele.

Adormeceram com a cidade despertando atrás da janela panorâmica e o vestido branco ainda no chão onde caíra, amarrotado e esquecido, como se ninguém tivesse energia para pendurá-lo.

Ninguém teve.

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