A fantasia que levei anos para me atrever a realizar
Meu nome é Noelia e tenho vinte e seis anos. Dizem que sou bonita, embora eu me ache bem comum. Sou baixinha, mal passo de um metro e meio, com o cabelo castanho e ondulado que quase nunca sei pentear. Tenho os olhos escuros, o nariz pequeno e os lábios um pouco mais grossos do que o habitual. Meus seios não são ruins para a minha compleição, embora sempre me tenham parecido um pouco caídos.
O que vou contar aconteceu há pouco mais de um mês e ainda não consigo tirar da cabeça. Sim, fiz algo que jamais teria imaginado de mim mesma: me ofereci a um grupo inteiro de desconhecidos. E a pergunta que mais me faço não é por que fiz isso, mas como uma garota tímida, calada, daquelas que ficam vermelhas ao pedir a conta, terminou desejando aquilo com todas as forças.
Não foi uma decisão de um dia. Foi algo que foi amadurecendo dentro de mim durante anos.
A primeira vez que vi um vídeo desse tipo foi por acaso, na tela do celular de uma amiga. Estávamos num banco do parque, um grupo de quatro ou cinco, e ela reproduzia algo entre risadas nervosas. “Que nojo”, todas diziam, mas ninguém desviava o olhar. Me aproximei por curiosidade. Na tela havia uma mulher cercada de homens, uma imagem que minha amiga passou depressa, sem parar. No fim ela aparecia completamente coberta, sorridente, como se tivesse acabado de ganhar alguma coisa. Minhas amigas fizeram caretas de nojo. Eu não disse nada, mas aquela imagem ficou gravada em mim durante semanas.
***
Lembro de um domingo de manhã em que meus pais tinham saído e a casa estava em silêncio. Acordei com vontade, me acariciei debaixo dos lençóis e comecei a me tocar. Normalmente eu termino rápido, só com os dedos, mas naquela manhã queria algo mais. Peguei o celular e comecei a procurar. Não era a primeira vez; eu gostava de vídeos de homens maduros, não saberia explicar muito bem por quê.
Enquanto eu passava as miniaturas, uma me fez parar: uma garota jovem, sorridente, com um homem de cada lado. Senti um nervosismo estranho, metade vergonha metade desejo, e entrei mesmo assim. Eu esperava ação imediata, mas o vídeo começava com uma entrevista, a garota ainda vestida, respondendo perguntas com uma timidez que me pareceu estranhamente familiar.
Deixei de me tocar. Fiquei olhando, não sei se excitada ou simplesmente fascinada. Havia algo dentro de mim, chame de tara ou curiosidade, que me empurrava a continuar vendo. Não me lembro do vídeo inteiro, mas sim de cenas soltas: como ela começava a se despir cercada de mãos, como todas aquelas mãos a percorriam ao mesmo tempo, como o ritmo crescia até que, no final, todos terminavam quase juntos. A garota esperava com os olhos fechados, sem fugir. Eu já estava no limite havia um bom tempo, me segurando de propósito para não perder nada, e quando chegou o fim eu gozei de um jeito que não me lembrava de ter sentido nunca. Fiquei ofegante, deitada de costas, com o celular ainda reproduzindo ao meu lado.
Desde então, esse tipo de vídeo se tornou meu recurso secreto. Era o que melhor funcionava para mim. Naquela época eu estava muito ativa e comecei a sair com Rubén, um cara do bairro. Não era meu tipo ideal, mas eu tinha vontade de experimentar coisas.
Numa tarde, esperando o ônibus dele numa rua já quase vazia, eu o beijei até deixá-lo sem fôlego, abri o zíper da calça e fiz uma punheta ali mesmo. Ele gozou rapidinho, e senti o sêmen dele escorrendo quente pela minha mão. Foi meu primeiro contato real com aquilo que tantas vezes eu havia visto na tela. Fiquei olhando para a palma da mão como se ela guardasse um segredo.
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Voltar a ver aqueles vídeos depois dessa experiência mudou tudo. Agora eu me colocava no lugar da garota. Me imaginava cercada, recebendo, sentindo. E cada vez que pensava nisso, um arrepio me percorria inteira. Não era só a ideia de estar cercada: era a entrega, a sensação de ser o centro de tudo e, ao mesmo tempo, não ser ninguém.
Não contei isso a ninguém. Tinha vergonha até de admitir para mim mesma. Mas a ideia voltava uma e outra vez.
A próxima vez que encontrei Rubén foi na garagem da casa dele, com a desculpa de me mostrar uma moto velha que estava consertando. Eu ia com outras intenções. Depois de um bom tempo me ajoelhei e o coloquei na boca. Era a primeira vez que eu fazia aquilo. Ele me avisou que estava prestes a gozar, mas eu não me afastei. A textura não era como eu esperava, mais macia, e me surpreendi com o quanto estava quente descendo pela minha garganta. O gosto era estranho, mas a tara da situação compensava tudo.
A partir daí virou costume com ele. E, com o tempo, também com mais alguém. Rubén não saía muito; eu saía. Uma noite acabei no banheiro de um estacionamento subterrâneo com dois caras que eu tinha acabado de conhecer. Lembro de como chupei os dois quase ao mesmo tempo, de como eles gozaram no meu rosto com apenas alguns segundos de diferença. Aquilo foi o mais perto que cheguei da minha fantasia, e ainda hoje volto a essa noite quando me toco.
***
A ideia de organizar algo de verdade vinha rondando minha cabeça havia muito tempo, mas me faltava o empurrão. Eu sabia que bastaria um anúncio em algum site de encontros, mas a simples ideia de cuidar disso, de falar com estranhos, de coordenar tudo, me paralisava.
Foi então que conheci Andrés. Foi numa sala de chat com desconhecidos, há pouco mais de meio ano. Era um homem de uns quarenta e poucos anos, correto e discreto, daqueles que escrevem com cuidado. Fomos ganhando confiança até combinarmos de conversar com regularidade. Nossas conversas tinham muita carga, e numa delas, quase sem pensar, confessei minha fantasia a ele.
Ele se surpreendeu no começo, mas logo se ofereceu para organizar tudo. Disse que eu só teria que aparecer num lugar, numa hora, e que ele cuidaria para que tudo estivesse pronto e, sobretudo, para que fosse seguro. Era um homem minucioso. Me mandava e-mails enormes com perguntas, algumas óbvias que eu nunca tinha me feito.
— Quantos homens você quer? — ele me escreveu um dia.
Nem sequer tinha pensado nisso.
Respondi quinze, assim, só por dizer um número. Me pareceu uma quantidade que soava bem sem soar impossível.
Algumas semanas depois me chegou outro e-mail: já tinha o pessoal e uma data. Um arrepio me percorreu as costas ao ler aquilo. Ia acontecer de verdade. E já no fim de semana seguinte, em apenas alguns dias. Fiquei muito nervosa. Na mesma mensagem havia uma frase que eu não entendi: “no final fica em cento e cinquenta por cabeça”. Perguntei, e ele explicou que cada homem pagaria essa quantia para participar.
Fiquei de boca aberta. Minha intenção nunca foi cobrar, e sim realizar um desejo. Mas também era verdade que meu notebook estava morrendo e que uma renda extra não me faria nada mal. Aceitei. Andrés me mandou o endereço de uma casa de campo onde o encontro seria “realizado”.
***
Aqueles dias eu não conseguia pensar em outra coisa. Me sentia estranha quando estava com meus pais ou com minhas amigas, imaginando o que elas pensariam se soubessem o que eu ia fazer no sábado. Nunca vi tantos vídeos como naquela semana; eu gostava de vê-los sabendo que logo saberia, enfim, o que se sente de verdade.
Na véspera eu quase não dormi. Acordei cedo, tomei um banho longo, me depilei inteira, hidratei a pele. Fiquei me olhando nua no espelho por um bom tempo, me perguntando como terminaria no fim do dia. O lugar ficava a quase quatro horas de trem; Andrés escolheu longe de propósito, para ser discreto, e se assegurou de que nenhum dos presentes fosse da minha região.
Ele me buscou na estação. Era a primeira vez que eu o via pessoalmente, e me tranquilizou saber que ele também participaria. Pelo menos eu não estaria totalmente sozinha.
A casa era linda, muito mais do que eu esperava. Entramos numa sala ampla e iluminada, com uma janela enorme de lado a lado. Tinham retirado a mesa de centro e, sobre um tapete macio, estenderam uma espécie de manta redonda. Era ali que tudo ia acontecer. Ver aquilo me impressionou: nada a ver com os vídeos frios e descuidados que eu conhecia. Aquilo era acolhedor, quase elegante, e justamente por isso me deixava mais nervosa.
Os homens ainda não tinham chegado. Eu tinha pedido a Andrés que tudo fosse fluido, sem apresentações nem conversas; eu não queria socializar, eu ia ao que ia. Sentamos numa salinha à parte para tomar uma bebida enquanto esperávamos. A campainha começou a tocar sem parar. Andrés ia acomodando as pessoas e voltava para perto de mim. Cada nova voz do outro lado da parede aumentava um pouco mais meu nervosismo. Uma parte de mim gritava que eu estava louca, que fosse embora; a outra me empurrava a continuar.
Num desses vai e vem, Andrés voltou, me dedicou um sorriso e me disse outra frase que não vou esquecer:
— Já estamos todos.
Levantei sem pensar muito. Coloquei um vestido curto preto, quase transparente, que eu tinha comprado só para essa ocasião e que eu sabia que acabaria no lixo. Nada por baixo. Olhei-me uma última vez no espelho, desejei sorte em voz baixa e saí.
***
Entrar naquela sala cheia de gente desconhecida foi indescritível. Alguns conversavam, outros estavam de pé em silêncio. Havia homens de todas as idades, alguns atraentes, outros nem tanto. Quando me viram, sorriram e começaram a aplaudir. Eu não soube o que dizer. Foi Andrés quem quebrou o gelo, perguntando entre risadas se eu lhes parecia bonita. Ele ficou atrás de mim, me abraçou e posou as mãos sobre meus seios, acariciando-os enquanto todos olhavam. Aos poucos foi baixando meu vestido até deixar meus peitos à mostra.
Isso os atiçou. Começaram a se aproximar, alguns atirados, outros tímidos. Um homem bem mais velho do que eu se inclinou e beijou um dos meus mamilos. Depois senti mãos por toda parte, impossível saber de quem. O vestido ficou enroscado na altura da cintura. Ainda me excito ao lembrar de todas aquelas mãos me percorrendo, algumas suaves, outras mais atrevidas. Dedos, bocas, línguas. Uma mistura de carícias que eu não sei descrever.
As pessoas costumam pensar nisso só pelo fim, mas sentir o desejo de tantos homens ao mesmo tempo é algo enorme. Fiquei muito excitada. Eu me sentia dona de todos e, ao mesmo tempo, brinquedo deles. Eu me sentia desejada de uma forma suja e livre, e adorei me sentir assim.
Depois tudo foi rápido. Alguns tiraram o pau e buscaram minhas mãos. Baixei o olhar e vi quatro ou cinco mãos brigando para me tocar. Ajoelhei-me sobre a manta e comecei. Tive que aprender na prática a usar a boca sem as mãos, porque eu tinha uma em cada uma delas. Eram de todos os tamanhos, algumas tão grandes que eu mal dava conta da ponta. Lembro do cheiro intenso, uma mistura de perfumes masculinos. Fiz uma rodada inteira, inclusive Andrés, que esperava por aquele momento havia muito tempo.
Aí entendi que me preparar mentalmente não tinha servido de nada: não havia tempo para pensar, só para fazer. Meu corpo reproduzia por instinto tudo o que eu havia visto durante anos. Comecei a sentir dedos entre minhas pernas, outros me acariciando por trás. Eu não sabia a quem atender. Uns gemiam, outros me diziam coisas bonitas e alguns, coisas que não eram, mas eu desfrutava de tudo da mesma forma. A tensão crescia na sala, todos cada vez mais perto do limite.
O primeiro a gozar foi um garoto jovem, quase da minha idade, enquanto eu o tinha na boca. Instintivamente eu o afastei para que terminasse no meu rosto. Senti aqueles jatos quentes e foi como abrir uma garrafa: a partir daí não pararam mais. Com os restos do primeiro escorrendo pelas minhas bochechas, veio o segundo, um homem mais velho que me deixou o nariz melequento. Depois virou caos: eles se masturbavam e o próximo da fila pedia passagem. Eu abria a boca, botava a língua para fora e esperava. Aquele que demorava, eu ajudava um pouco mais.
Alguns terminavam de longe, outros me deixavam tudo dentro. Engoli mais do que em toda a minha vida somada. Lembro de dois ao mesmo tempo, apontando para mim, e de como coloquei as duas pontas na boca e apertei até esvaziá-los. É impossível explicar o que se sente. Alguns seguravam minha cabeça com as duas mãos e, embora eu achasse difícil, eu não queria que parassem. Quanto mais passavam, mais ansiosa eu ficava. Quando o último terminou, fiquei com vontade de mais.
***
Levantei em êxtase, com os joelhos doloridos de tanto tempo no chão. Muitos já tinham ido embora; outros fumavam ou acabavam a última bebida. Alguns poucos voltaram a aplaudir, o que me pareceu estranho. Fui ao banheiro, não por necessidade, mas para me ver no espelho. A imagem não me decepcionou: eu estava coberta, até no cabelo. O coração batia forte, e me dava uma tara enorme me ver daquele jeito. Tirei uma foto para nunca me esquecer.
Entrei no chuveiro, me apoiei nos azulejos e deixei a água correr. Ali me toquei, rápido e intenso, uma mão entre as pernas e a outra percorrendo meu pescoço, meu peito, meu rosto ainda úmido. Gozei logo, de um jeito brutal. Poucas vezes estive tão excitada.
Saí com um roupão. Só restava Andrés na sala, já arrumada. Ele sorriu para mim e nos abraçamos.
— Você esteve incrível — ele sussurrou no meu ouvido enquanto me colocava um envelope na mão.
E assim cumpri minha fantasia. Foi uma experiência única, mas não acho que vá repetir. Prefiro me lembrar dela exatamente como foi: algo irrepetível, só meu, que ainda hoje revivo toda vez que fecho os olhos.