A tarde que começou como café para três
Tinha aceitado o encontro sem pensar muito. Camila vinha há semanas falando de Andrés, meu ex-namorado, com aquela mistura de curiosidade e inveja que as amigas têm quando ouvem falar de um homem que esteve com você e não com elas. «Tem cara de saber foder bem», me disse uma noite, enquanto abríamos a segunda garrafa de vinho. Não achei má ideia organizar algo. Um café, nós três juntos. Uma tarde sem outra pretensão aparente além de apresentá-los formalmente.
Nada do que aconteceu depois foi simples nem inocente.
Quando entrei no café, eles já estavam sentados. Camila tinha chegado antes, e, nos cinco minutos em que eu levava para chegar, os dois tinham encontrado um jeito de se inclinar um para o outro como se se conhecessem há anos. Ela tinha aquele hábito seu de morder o lábio inferior quando algo realmente lhe interessava, e naquela tarde fazia isso sem parar. Andrés a escutava com a cabeça levemente inclinada e os olhos fixos nos dela, com aquela atenção que eu demorei meses para descobrir que não era exclusiva minha.
—Finalmente —disse ele ao me ver, levantando-se pela metade do banco.
Sentei na frente dos dois. Pedi um café. E, durante a hora seguinte, me dediquei quase exclusivamente a observar.
A tensão entre eles tinha textura. Camila gesticulava mais do que o normal, usava as mãos para explicar coisas que normalmente teria dito em duas palavras. Andrés escolhia cada frase com cuidado, aquele cuidado dele que parecia casualidade, mas não era. Em algum momento ele disse algo em voz muito baixa e ela riu com a cabeça jogada para trás, e eu percebi que já fazia vários minutos que não acompanhava a conversa.
Estava pensando nos dois. Não separadamente, mas juntos. No pau de Andrés entrando no cu de Camila enquanto eu olhava.
Não era ciúme. Isso eu tinha resolvido com Andrés muito antes de terminarmos. Era outra coisa: uma curiosidade muito específica, do tipo que não se apaga facilmente uma vez que aparece. Eu tinha os dois pedaços separados e a minha cabeça estava juntando tudo sozinha, sem me pedir permissão. Senti um latejar baixo, insistente, entre as pernas, e cruzei as coxas discretamente debaixo da mesa.
***
Com Camila eu tinha uma história que nenhuma das duas jamais nomeou em voz alta.
Nos conhecíamos havia seis anos. Tínhamos morado juntas por quase dois, tínhamos vivido os dramas uma da outra com uma intimidade que ia além do que costuma caber no conceito de amizade, e havia uma noite — uma noite no fim de julho, depois de uma festa que se prolongou mais do que o previsto — que continuava ali, entre nós, sem precisar ser mencionada para existir.
Chegamos juntas ao apartamento, um pouco bêbadas, rindo de algo que já não lembro. Fechamos a porta e a risada morreu sozinha. Ficou um daqueles silêncios que não se preenchem com palavras.
Fui eu quem a beijou. Ou talvez tenha sido ela quem não se afastou quando me aproximei. Depois de tanto tempo, a origem já não importa.
O que lembro com clareza é a forma como ela respondeu: sem dúvidas, sem a insegurança de quem faz algo pela primeira vez. Camila na cama era completamente diferente de Camila no mundo: mais calada, mais concentrada, com uma atenção que não deixava nada sem registrar. Ela enfiou a língua na minha boca com fome, mordendo meu lábio, e as mãos foram diretas para debaixo do meu vestido, levantando minha saia até a cintura sem nenhum pudor.
Me empurrou contra a parede do corredor. Baixou minha calcinha de uma vez até os joelhos e enfiou dois dedos de golpe, me encontrando já encharcada. Riu baixinho contra meu pescoço ao notar.
—Você estava louca por isso —sussurrou no meu ouvido, enquanto curvava os dedos dentro de mim e me fazia cerrar os dentes.
Fomos como pudemos até o quarto, deixando roupas pelo caminho. Eu a deitei na cama, arranquei sua camiseta e mordi seus mamilos até ficarem duros sob a minha língua. Ela me agarrou pelo cabelo e me guiou para baixo sem dizer nada, e eu obedeci: abri suas pernas, separei os lábios do seu cu com os dedos e comecei a chupá-la devagar, lambendo seu clitóris com a ponta da língua enquanto enfiava dois dedos e procurava aquele ponto interno que a fazia arquear o corpo.
Camila gozou apertando minha cabeça contra ela, calada como sempre, mas tremendo com o corpo inteiro. E não me deu tempo para nada: me virou, me colocou de barriga para cima e se posicionou entre minhas pernas com a mesma determinação. Lembro da pressão das suas mãos nos meus quadris quando ela abaixou a cabeça e tomou seu tempo, sem pressa, aprendendo com paciência o que funcionava e aplicando sem hesitar. Ela chupava meu clitóris com os lábios, depois lambia em círculos, depois enfiava a língua inteira no meu cu e começava de novo. Gozei rápido, muito mais rápido do que eu gostaria de admitir, gemendo alto e apertando o rosto dela contra mim enquanto eu gozava na boca dela.
Depois ficamos as duas na escuridão do quarto, suadas e sem fôlego, sem dizer nada. Na manhã seguinte, tomamos café da manhã juntas como se nada tivesse acontecido. Não mencionamos o que houve. Não foi necessário: aquilo continuava ali de qualquer forma, e as duas sabíamos.
***
Com Andrés a história era diferente em quase tudo.
Tínhamos ficado juntos por quase um ano. Um relacionamento real, daqueles que incluem rotina e discussões sérias e noites sem dormir falando de coisas que importam. Quando acabou, acabou bem, sem cenas e sem ressentimentos, e isso fazia com que fosse mais fácil de lembrar com exatidão.
O que mais me custava esquecer nele, fisicamente, era a lentidão. Andrés nunca tinha pressa. Tinha mãos grandes e as usava como se o tempo não fosse um fator, demorando-se em cada lugar o tempo justo até eu não aguentar mais esperar. E tinha um pau grosso, daqueles que se sentem desde a primeira investida, com o qual sabia se mover com a mesma calma de tudo o resto. No começo isso me desesperava. Com o tempo, aprendi a apreciar o que ele construía com isso.
Ele tinha o hábito de perguntar em voz baixa, quase como parte do ritmo: «assim?», «aqui?», «você gosta assim, forte?», sem esperar uma resposta longa, só um sinal. No começo pensei que fosse insegurança. Depois entendi que era exatamente o contrário: ele gostava de confirmar o efeito de cada estocada. Era uma forma de prestar atenção difícil de tirar da cabeça.
O que mais me custou esquecer foi uma tarde de domingo no apartamento dele. Nada de particular tinha acontecido para justificar aquilo: passamos o dia sem planos, vendo um filme pela metade, e em algum momento do entardecer ele começou a beijar meu pescoço sem dizer nada. Me despiu devagar no sofá, peça por peça, olhando para mim depois de cada botão como se estivesse memorizando algo. Abriu minhas pernas e lambeu meu cu por um tempo que me pareceu uma eternidade, parando cada vez que notava que eu estava perto, até eu puxar o cabelo dele implorando para que não parasse.
Quando finalmente me penetrou, eu já estava tão à beira que quase gozei com a primeira investida. Ele me fodeu devagar, muito devagar, entrando inteiro e saindo quase todo, olhando para o meu rosto o tempo inteiro. Me virou e me pôs de quatro, e continuou no mesmo ritmo lento, segurando meus quadris e cravando aquele pau até o fundo uma e outra vez. Quando finalmente me deixou gozar, foi com uma intensidade que me pegou desprevenida, gemendo contra o travesseiro enquanto ele me segurava no lugar. Ele gozou depois, sem pressa, gozando dentro de mim com aquela satisfação calma que não era arrogância, mas algo mais honesto que isso. Aquela tarde ficou gravada em mim com uma nitidez inconveniente.
***
Andrés voltou do banheiro e retomou a conversa de onde tinha parado. Camila se inclinou para a frente de novo. Eu os olhava e tinha na cabeça uma imagem muito concreta: os dois juntos, cada um com suas particularidades — a boca faminta dela, o pau lento e grosso dele — e eu em algum lugar no centro disso.
Me mexi na cadeira. Tinha as mãos apertadas no colo e só percebi isso naquele momento. Debaixo da saia, eu estava molhada.
—Querem ir para a minha casa? —disse, no primeiro espaço que encontrei na conversa.
Os dois me olharam ao mesmo tempo.
—Tenho uma garrafa de vinho fechada —acrescentei, como se isso fosse motivo suficiente.
Camila trocou um olhar rápido com Andrés. Andrés me olhou por um segundo a mais do que o necessário.
—Claro —disse ele.
***
No meu apartamento a conversa continuou um pouco, mas com menos substância do que antes. Estávamos os três na sala, com as taças de vinho e a música em volume baixo, e a eletricidade que havia começado no café já não tinha mais para onde ir, a não ser para onde inevitavelmente iria.
Fui eu quem fez o primeiro movimento.
Virei-me para Camila, afastei o cabelo do ombro dela com uma mão e a beijei. Devagar. Sem perguntar nada. Enfiei a língua na boca dela e ela respondeu com a mesma concentração de sempre, mordendo meu lábio, subindo uma mão pela minha coxa até enfiá-la debaixo da saia. Tocou-me por cima da calcinha, sentiu o quanto eu já estava encharcada e me olhou por um segundo nos olhos com um meio sorriso.
Quando afastei o rosto, Andrés não tinha se movido do sofá. Nos observava com aquela atenção multiplicada de quem quer entender bem o que tem diante de si antes de participar. Tinha as mãos apoiadas nos joelhos, o volume já marcando no jeans, e estava completamente imóvel.
—Vem —disse eu.
Ele se levantou sem dizer nada.
***
Fomos os três para o quarto, deixando as roupas espalhadas entre a sala e o corredor. A camisa de Andrés, meu vestido, o sutiã de Camila, a calça jeans dela. Quando chegamos à cama, já estávamos quase nus, e o pau de Andrés marcava duro contra a cueca.
Camila foi a primeira a se ajoelhar diante dele. Baixou a cueca sem cerimônia e agarrou o pau com uma mão, olhando-o por um segundo como quem estuda algo novo. Depois o colocou inteiro na boca, sem rodeios, chupando-o até o fundo com aquela concentração sua que não deixava nada sem registrar. Andrés soltou o ar pelo nariz e pôs uma mão na nuca dela, sem empurrar, apenas acompanhando.
Subi na cama e os observei. Era exatamente a imagem que eu vinha montando na cabeça a tarde inteira. A boca de Camila subindo e descendo pelo pau dele, ela olhando para ele de baixo, ele com os lábios entreabertos e respirando pelo nariz para não perder o controle cedo demais.
—Vem aqui —disse a Camila.
Ela tirou o pau da boca com um som úmido e subiu na cama comigo. Deitei-a de costas, abri suas pernas e comecei a chupar seu cu enquanto Andrés se aproximava por trás de mim. Senti as mãos grandes dele nos meus quadris, subindo pelas minhas costas, afastando meu cabelo. Depois senti minha calcinha descendo pelas coxas e o pau dele deslizando entre minhas nádegas, encharcando-se do quanto eu já estava molhada.
—Assim? —murmurou, com aquele hábito intacto.
—Sim —disse eu, com a boca ainda colada no cu de Camila—. Enfia já.
Ele me penetrou devagar, entrando inteiro de uma só vez. Soltei um gemido contra Camila e ela se arqueou debaixo de mim, agarrando minha cabeça com as duas mãos para eu não parar. Andrés começou a me foder por trás com aquele ritmo lento e profundo que eu conhecia bem demais, e eu continuei chupando o clitóris de Camila enquanto ele me cravava o pau até o fundo uma e outra vez.
Trocamos de posição várias vezes. Em algum momento foi Camila quem ficou por baixo de Andrés, com as pernas abertas e ele por cima, penetrando-a pela primeira vez com aquela lentidão que eu conhecia tão bem, mas que a pegou desprevenida. Vi-a arquear-se de um jeito que eu reconhecia e que, para ele, era novo, gemendo alto, cravando as unhas nas costas dele. Eu me sentei no rosto de Camila e ela me retribuiu o favor sem parar de gemer, chupando meu cu com a mesma boca com que havia chupado Andrés havia pouco. Isso, do ponto de onde eu estava, foi mais excitante do que eu tinha calculado.
Sentia a língua de Camila subindo pelo meu clitóris, as mãos dela nas minhas coxas me empurrando contra a boca, e ao mesmo tempo via o rosto de Andrés atrás de mim, concentrado, me fodendo com estocadas cada vez mais profundas. Agarrei sua nuca e o puxei para mim, e nos beijamos por cima do corpo de Camila enquanto eu me aproximava do orgasmo.
Gozei primeiro, apertando-me contra a boca de Camila, gemendo dentro do beijo de Andrés. Depois ela gozou, sem soltar meu cu, tremendo inteira debaixo de nós. E ele aguentou mais algumas investidas, olhando para nós duas, até que eu pedi que gozasse na minha boca. Saiu de dentro de Camila, ajoelhou-se na minha frente, e eu agarrei o pau dele com uma mão e o coloquei na boca a tempo de sentir o primeiro jato de porra quente contra a língua. Engoli tudo, chupando a ponta até a última gota, enquanto Camila nos observava de baixo com um sorriso cansado.
Houve um momento, já bem avançada a noite, em que nós três encontramos algo parecido com um ritmo em comum. Durou pouco — essas coisas sempre duram pouco —, mas enquanto durou não havia mais nada no quarto além disso. Só o calor e o peso dos três corpos e a sensação de que a tarde inteira vinha avançando em direção a esse ponto sem que ninguém dissesse isso em voz alta.
Depois ficamos os três em silêncio, largados na cama, pegajosos e sem fôlego. A garrafa de vinho estava quase vazia sobre a mesa. Ninguém fez menção de se mover.
Camila foi a primeira a rir. Era uma risada baixa, sem qualquer explicação aparente.
—Passei semanas falando dele —me disse.
—Eu sei —disse eu.
—Você sabia desde o começo?
—Tinha uma ideia.
Andrés nos olhava com a expressão de quem acabou de entender que foi, em certa medida, uma peça num tabuleiro que as outras duas moviam sem lhe contar.
—Você planejou isso? —me perguntou.
Bebi o último gole de vinho que restava na minha taça antes de responder.
—Digamos que eu imaginei primeiro —disse eu—. O resto foi por conta de vocês.