A troca de casais que começou no chuveiro
O estrondo que veio da cozinha arrancou Daniela de um sono pesado. Ela abriu os olhos devagar e conseguiu ver a silhueta de Tomás cruzando o corredor às pressas. A curiosidade a roçou por um instante; a vontade de ir ao banheiro era mais forte do que qualquer pergunta.
Levantou-se com um bocejo. Usava uma blusa de alças que mal continha seus seios e uns shorts mínimos que deixavam suas pernas morenas à mostra. Era uma mulher de curvas amplas, daquelas que entram numa sala e a ocupam inteira. Sabia o efeito que causava, e àquela hora da manhã isso lhe dava exatamente igual.
Caminhou até o banheiro ainda meio sonolenta. Empurrou a porta e ficou paralisada no batente.
Renata estava debaixo do chuveiro, nua, com a água quente escorrendo pelas costas. Era uma mulher madura, magra, de pele escura e músculos firmes conquistados à força de academia. Tinha aquela segurança que só vem de conhecer bem o próprio corpo, e a exibia sem pudor.
— Não vá embora — disse Renata sem se virar por completo, estendendo uma mão—. Você não precisa ficar sem graça.
Daniela sentiu o calor subir às bochechas. Não era exatamente pudor; era a surpresa de encontrá-la assim, tão dona da situação.
— E os outros? — perguntou.
— Saíram. Tinham assuntos para resolver — respondeu Renata, com um sorriso que não explicava nada por inteiro. Ela sabia perfeitamente o que estava acontecendo na cozinha, mas preferiu se calar —. Voltam já. Não se preocupe.
Do corredor, de fato, vinham gemidos abafados e sussurros que ninguém no banheiro nomeou.
Renata fechou a água e, antes que Daniela pudesse dar um passo para trás, aproximou-se e trancou a porta. Com um movimento rápido, encurralou-a contra a madeira, os corpos apenas separados pelo tecido molhado.
— Agora que estamos sozinhas, gostosa... — murmurou, e a beijou.
O beijo foi profundo, uma mistura de ternura e domínio que desmontou Daniela em segundos. A surpresa se desfez entre seus lábios e deu lugar a algo mais urgente. As mãos de Renata percorreram suas curvas sem pressa, medindo cada centímetro como se tomassem posse de um território.
— Que loucura a de ontem à noite, não é? — sussurrou Renata sem parar de acariciá-la—. Fiquei sabendo do que aconteceu entre Bianca e Andrés. E algo me diz que você teve dedo nisso.
Ela a encarou fixamente, os olhos cravados nos dela.
— Não se faça de inocente. Você tem um talento especial para criar problemas. — Deu uma palmada brincalhona na bunda dela —. Você foi uma menina má.
Desabotoou a blusa e os seios de Daniela ficaram livres. Renata os acariciou devagar, roçando os mamilos escuros até senti-los endurecer sob os dedos.
— Então eu sou uma menina má? — respondeu Daniela, recuperando a postura —. Nesta casa ninguém está livre de pecado, querida.
Renata voltou a buscar sua boca. Daniela virou o rosto, resistindo só um pouco, mas a insistência foi mais forte e acabaram unidas outra vez em um beijo longo. Então ela também começou a explorar: passou as mãos pela pele tonificada de Renata, pela cintura fina, pelas costas onde os músculos se contraíam sob o toque. O contraste entre a suavidade do próprio corpo e a firmeza do de Renata lhe parecia estranhamente excitante.
Renata se inclinou de repente e reparou em um detalhe da pele de Daniela. Uma marca reveladora. Seu sorriso entortou.
— Você esteve com ele, não esteve?
— Com quem, querida? — respondeu Daniela, fingindo.
— Com seu marido ou com seu amante?
Daniela, maior e mais forte do que ela, a empurrou contra os azulejos do box.
— Não brinque comigo — advertiu em voz baixa.
Longe de se assustar, Renata sorriu.
— Melhor não brincar você comigo, vadiazinha. Ou prefere que contemos à Vanesa que você é a amante do marido dela?
A chantagem caiu como um balde de água fria. Daniela se afastou, frustrada, sentindo o poder mudar de mãos.
— Isso eu gosto — ronronou Renata, triunfante —. Agora venha e me prove. Quero que você sinta o gosto do seu amante dentro de mim.
Uma mistura de raiva e desejo percorreu o corpo de Daniela. A humilhação da ordem, a insinuação, tudo acendia algo que ela não queria reconhecer. Você vai me pagar, pensou. E, no entanto, a simples ideia de obedecer a aquecia.
— Vou fazer — disse por fim, olhando-a nos olhos—. Mas não porque você está mandando. Eu faço porque quero.
— Melhor ainda — sussurrou Renata—. E você também me agrada, Daniela. Venha aqui.
***
Elas voltaram a se beijar enquanto Renata percorria com as mãos cada curva do corpo de Daniela: os seios pesados, o ventre macio, os quadris largos, a bunda generosa. Libertou os próprios seios, bem mais modestos, e os esfregou contra os de Daniela até arrancar-lhe um suspiro. Sua mão então desceu, buscando a umidade entre as pernas de Daniela, e, ao encontrá-la, sorriu descaradamente.
— Vire-se, gostosa — ordenou—. E abra bem.
Daniela obedeceu, entre a resignação e a vontade. Sentiu o hálito quente de Renata na pele, depois sua boca. Só Tomás havia explorado antes aquela parte do seu corpo, mas a chantagem pesava mais do que qualquer reserva.
— Sempre gostei de você, Daniela — disse Renata entre lambidas—. Sempre quis que você fosse minha amante fixa, mas seus malditos ciúmes se metiam no meio. Você não é de dividir, mas adora tomar o que não é seu. Pobres Bianca e Vanesa.
Uma batida na porta interrompeu a cena. Era Bianca, que entrou com um sorriso maroto ao ver o que tinha diante de si.
— Ótimo. Agora que estamos todas aqui, é hora de nos acertarmos — anunciou, passando o olhar entre as duas.
Daniela sentiu o sangue gelar. A ideia de que seu encontro com Andrés tivesse provocado uma briga entre ele e Bianca a deixou completamente tensa. A culpa lhe amarrou o estômago. Não devia ter feito isso. Acabei com o deles. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dela continuava acesa pela atenção de Andrés, pelo poder que havia tido sobre ele.
— Nos acertarmos? — perguntou, com a voz um pouco trêmula.
— Sim — repetiu Bianca—. Temos muito o que conversar.
Renata quebrou a tensão deslizando as mãos pelos braços de ambas.
— Melhor nos acertarmos assim — sussurrou, e beijou as duas, uma depois da outra.
Bianca e Daniela se olharam com intensidade. A fúria e o desejo se misturavam em seus olhos e, de repente, sem aviso, se lançaram uma sobre a outra num beijo selvagem, uma descarga de tudo o que estava acumulado. As mãos de ambas começaram a se percorrer com urgência.
Bianca tinha porte médio, um pouco cheinha, com quadris largos e pele morena, o corpo de uma mulher que já tinha tido filhos. Era curiosa e não tinha medo de explorar. Seus dedos se detiveram nos seios enormes de Daniela, acariciando os mamilos até arrepiá-los, enquanto Daniela enfiava as mãos em seu cabelo ondulado e a puxava com força.
Renata observava com um sorriso faminto. Sem hesitar, abriu uma gaveta e tirou um brinquedo curvo e brilhante, de superfície lisa, que parecia feito para não deixar ninguém pela metade.
— Quem começa? — perguntou.
Bianca apontou para si mesma sem titubear, oferecendo-se primeiro.
Renata a deitou e deslizou o brinquedo devagar. Bianca arqueou as costas ao senti-lo dentro de si, um calor intenso se espalhando pelo ventre. Os gemidos começaram a escapar enquanto Daniela, abraçando-a, lambia seus mamilos duros e sensíveis. A dupla estimulação a levou ao limite: o brinquedo de Renata de um lado, a boca de Daniela do outro, até que o corpo inteiro se contraiu num espasmo.
O ar do banheiro estava carregado, as respirações entrecortadas. Renata então pegou um segundo brinquedo, maior, e Daniela se lambeu em antecipação. Sem dizer nada, pôs-se de quatro, um convite que não precisava de palavras. Bianca imitou a pose ao lado dela.
As duas ficaram à mercê de Renata, que ia de uma a outra saboreando seu controle. Daniela gemeu ao sentir a espessura; os quadris se moviam sozinhos, buscando mais. Bianca se estremecia a cada investida. Em meio ao frenesi, as duas se procuraram de novo com a boca, um beijo urgente que refletia tudo o que seus corpos estavam sentindo.
***
A porta havia ficado entreaberta desde que Bianca entrou, e de repente Vanesa apareceu.
Ela vinha da cozinha, onde tinha tido seu próprio encontro, e ficou petrificada no batente. As sobrancelhas erguidas, os olhos arregalados, a mandíbula frouxa. Não podia acreditar no que via: Bianca e Daniela, nuas e enroscadas, entregues uma à outra enquanto Renata as conduzia.
Vanesa era uma mulher voluptuosa de pele clara, com seios enormes que atraíam qualquer olhar. Gostava de sexo, embora fosse inexperiente com mulheres. A cena a excitava e a perturbava em igual medida.
— Meninas... — disse com a voz trêmula—. Eu não sabia que...
Renata fechou a porta com um empurrão e lhe estendeu a mão.
— Venha. Me ajude.
Vanesa hesitou apenas um segundo. Depois pegou um dos brinquedos da gaveta e se juntou a elas. Enquanto Renata intensificava os movimentos dentro de Bianca, Vanesa se aproximou de Daniela, ainda de quatro, e começou a estimulá-la.
O beijo de Vanesa, quando se inclinou para buscar sua boca, era diferente: mais ousado, mais dominante do que sua timidez inicial prometia. Ela sussurrou no ouvido de Daniela uma palavra carregada, proibida, que ressoou na cabeça dela e lhe incendiou a pele. Entre isso e o brinquedo, Daniela arqueou as costas e se deixou levar.
Em algum momento as quatro se ergueram e se procuraram entre si, as mãos por todo lado, os gemidos se misturando no ar úmido do banheiro. Bianca e Renata se concentraram em Vanesa e Daniela; depois os papéis se inverteram, e as três se atiraram sobre Renata.
As mãos de Renata, porém, continuavam mandando mesmo quando era ela a cercada. Conhecia cada gesto, cada pressão. Mas desta vez eram três bocas e seis mãos sobre seu corpo, e até seu controle acabou cedendo. Ela se tensionou, a respiração acelerou, e um calor urgente subiu do ventre. As outras três não afrouxaram: acariciaram seus seios, sua bunda firme, suas coxas, até que um gemido gutural lhe escapou da garganta e o orgasmo a sacudiu inteira.
Quando o tremor passou, as três a abraçaram, compartilhando o calor do que tinha acabado de acontecer. Renata riu, exausta e satisfeita ao mesmo tempo.
***
Depois, ainda nuas e ofegantes, entraram juntas debaixo do chuveiro. Ensaboaram-se entre risadas, lavando umas às outras, enquanto a água quente levava os restos da paixão. As mãos continuavam se tocando, mas agora era um toque mais tranquilo, mais cúmplice.
Saíram enroladas em toalhas. A tensão ainda estava ali, embora transformada em algo mais íntimo. Foi então que Bianca pegou a mão de Daniela e a afastou um pouco do resto.
— Precisamos conversar — disse em voz baixa—. O que aconteceu com Andrés...
Daniela assentiu, o olhar tomado pela culpa.
— Eu sei. Eu errei. Sinto muito.
— Por que fez isso? — Os olhos de Bianca se encheram de lágrimas.
— Não sei. Foi um impulso. Não significou nada.
— Não minta para mim. Sei que você gosta dele. E ele também te deseja.
Daniela baixou a cabeça, incapaz de negar. Bianca cruzou os braços, ferida, mas a mágoa não durou muito. Queria demais a amiga.
— Por favor, me perdoe — murmurou Daniela—. Juro que isso não vai acontecer de novo. Eu gosto de você demais para te perder.
Bianca hesitou. O coração a puxava para os dois lados. No fim, cedeu e a abraçou com força.
— Eu te perdoo. Mas, até aqui. Andrés é meu marido e você é minha amiga. Não vou deixar isso entrar no meio de nós.
— Obrigada. Não vou te decepcionar.
As duas ficaram abraçadas por um momento, selando a reconciliação. A tensão entre elas se dissolveu, e ficou só o carinho.
As quatro saíram do banheiro com a pele brilhante e as bochechas coradas. Na sala, os maridos as esperavam, os olhos ardendo de antecipação. Estavam esperando havia um bom tempo, e o ar crepitava com tudo o que ninguém dizia.
Renata passou o olhar pela cena e trocou um sorriso cúmplice com as outras. Um acordo silencioso passou entre as quatro. A noite estava longe de terminar, e agora era a vez deles entrarem no jogo. Avançaram para a sala com passo firme, oito corpos prestes a se entrelaçar, as apostas mais altas do que nunca.