Minha namorada me confessou o que aconteceu naquela noite no escuro
A semana tinha sido um desastre. O trabalho tinha devorado nós dois com reuniões intermináveis, e-mails que se multiplicavam sozinhos e prazos que não davam trégua. Mariana e eu mal tínhamos trocado olhares cansados em meio ao caos das nossas rotinas, e as brincadeiras que costumavam acender nossas noites tinham ficado num canto esquecido. Quando chegou a sexta-feira, sentimos aquilo como uma rendição silenciosa ao cansaço.
Decidimos ficar em casa. Nada de sair: uma série no sofá, uma garrafa de vinho tinto e a promessa tácita de voltarmos a nos encontrar na calma do nosso próprio refúgio.
A sala estava semipenumbra, iluminada apenas pelo brilho azulado da televisão. Tínhamos escolhido uma série de suspense, algo para nos manter acordados, mas a trama passava diante dos nossos olhos sem que a absorvêssemos. Mariana estava aninhada contra meu peito, com uma camiseta velha minha que lhe caía enorme e deixava entrever a curva do quadril cada vez que ela se mexia. Eu brincava distraído com uma mecha do seu cabelo enquanto o vinho nos aquecia a garganta.
O episódio terminou e o silêncio tomou o quarto. Mariana se espreguiçou com um suspiro preguiçoso, e o movimento fez a camiseta subir, deixando à mostra a pele suave do abdômen. Olhei de canto e senti o cansaço da semana começar a desaparecer, substituído por um calor que crescia devagar.
—Vamos dormir? —ela perguntou, com a voz tingida de sono, mas com um ar brincalhão que não me escapou.
Deixei de brincar com seu cabelo e deslizei os dedos pela nuca dela, parando ali com uma pressão firme que a fez estremecer.
—Antes... —disse, quase num sussurro—. Quero te perguntar uma coisa.
Mariana ergueu uma sobrancelha, intrigada. Virou-se um pouco mais para mim e apoiou uma mão no meu peito, com um sorriso curioso surgindo nos lábios.
—O quê? —perguntou, entre o desafio e a expectativa.
Respirei fundo, medindo as palavras. Nunca tinha perguntado daquele jeito, tão diretamente. Tínhamos compartilhado tantas noites, tantos jogos carregados de desejo, tantas confissões sussurradas no escuro, mas aquilo era território novo.
—O que te excita mais? —perguntei por fim, com a voz carregada de curiosidade e de um desejo que já começava a arder—. Algo que realmente te deixa louca. Algo que você sempre quis... ou que sempre lembra.
Mariana piscou, surpresa por um instante. Depois soltou uma risada suave que reverberou contra meu peito. Ela se ergueu com um movimento fluido e sentou-se montada nas minhas coxas; a camiseta subiu o suficiente para deixar claro que ela não usava nada por baixo. As mãos dela encontraram meus ombros e ela me olhou com aquele brilho travesso que sempre me desarmava.
—Quer saber o que me excita? —sussurrou, inclinando-se para roçar os lábios nos meus, apenas um contato que me deixou com vontade de mais—. Quer mesmo?
Assenti, e minhas mãos deslizaram por seus quadris até a pele quente de suas coxas.
—Tá bom —disse ela, com uma voz baixa que prometia me levar até o limite—. Vou te contar... mas tem uma história por trás.
***
Mariana sorriu, um sorriso perigoso que anunciava algo intenso. Inclinou-se até que os lábios ficassem a centímetros dos meus, o hálito quente roçando minha pele como uma carícia invisível.
—Aconteceu quando eu estava na faculdade —disse ela—. Segundo ano. Tínhamos vinte anos, todos nós. Algo que ainda me excita toda vez que eu penso.
Senti um arrepio percorrer minha coluna. O jeito como ela disse aquilo, com aquela mistura de nostalgia e fogo, me fez pressentir que o que vinha não era só uma confissão, mas uma viagem ao fundo dos desejos dela.
—Me conta tudo —sussurrei, com a voz rouca, quase suplicante—. Cada detalhe.
Mariana deixou a camiseta subir mais, expondo a pele dela à luz fraca da sala. Pegou minhas mãos e as guiou devagar até suas coxas, como se quisesse que eu fizesse parte da cena que estava prestes a descrever.
—Foi numa noite de inverno —começou, baixando a voz para um murmúrio íntimo—. Eu estava com seis colegas do curso, todos homens. A gente tinha marcado no apartamento de um deles para terminar um trabalho prático. Era tarde, já tinha escurecido, e de repente... acabou a luz em todo o quarteirão.
Soltei o ar lentamente, sentindo como o simples começo já me prendia. Minhas mãos subiram um pouco mais pelas coxas dela.
—No começo foi um caos —continuou, com os olhos brilhando na penumbra—. Tudo no escuro, só se ouvia nosso riso e o barulho de alguém tropeçando numa cadeira. Um deles ligou a lanterna do celular, mas a luz era fraca, um halo amarelado que mal deixava a gente ver os rostos por entre as sombras. Estávamos na sala, sentados no chão sobre um tapete gasto, cercados de anotações que ninguém mais olhava. Fazia um calor estranho para a estação, daqueles que grudam na pele, e o ar cheirava a madeira velha e a essa mistura de nervosismo e juventude que não dá para fingir.
Engoli em seco, imaginando-a ali, jovem, presa naquele caos de escuridão e risadas. Meus dedos começaram a se mover com mais intenção, deslizando por baixo da camiseta para roçar a pele macia do abdômen dela.
—O que aconteceu depois? —perguntei, com a voz mais grave.
Mariana inclinou a cabeça e deixou o cabelo cair sobre um lado do rosto como uma cortina escura. As mãos dela desceram pelo meu peito.
—Começaram as piadas —disse, com um sorriso que denunciava o prazer da lembrança—. Primeiro bobagens, brincadeiras sobre o trabalho, sobre o professor que tinha passado aquela tarefa inútil... mas depois foram ficando mais ousadas. Frases com duplo sentido que faziam o riso se misturar com olhares rápidos, nervosos. Eu estava no meio, com uma saia curta que colava nas coxas por causa do calor e uma blusa fina, sem mangas. Não sei quem falou primeiro, mas alguém soltou: “A gente devia fazer massagem na Mariana, pra relaxar depois de tanto estudo”. Foi uma brincadeira, no começo. Todo mundo riu... mas ninguém disse não.
Senti o pulso acelerar. A imagem de Mariana cercada por seis pares de mãos na penumbra começou a ganhar forma na minha mente. Minhas mãos subiram, roçando a curva dos seios dela por baixo do tecido.
—E você, o que disse? —perguntei, com uma urgência que mal conseguia conter.
—Não disse nada —sussurrou, inclinando-se para beijar meu pescoço com uma lentidão deliberada que me fez rosnar—. Fiquei quieta, esperando. E então... começou.
***
—Um deles se aproximou primeiro —ela retomou, com a voz densa—. Acho que foi Bruno, o dono do apartamento. Eu o senti antes de vê-lo, porque a escuridão era tão espessa que eu só conseguia me guiar pelo som da respiração dele. Ele se sentou atrás de mim, tão perto que eu sentia o calor do corpo dele nas minhas costas. As mãos dele encontraram meus ombros, quentes, um pouco ásperas, e começaram a amassar devagar. Ele fazia círculos lentos que soltavam meus músculos e me faziam tremer ao mesmo tempo.
Fechei os olhos por um segundo, imaginando-a naquele primeiro contato. Minhas mãos subiam pelas coxas dela enquanto a voz dela tecia a cena.
—Não demorou muito até outro entrar na brincadeira —continuou, baixando ainda mais o tom—. Não sei quem foi. Senti as mãos dele nos meus braços, mais suaves que as de Bruno, com dedos longos que deslizavam dos meus cotovelos até os pulsos, apertando de leve, como se medisse minha reação. Cada vez que tocavam a parte interna dos meus braços, um arrepio subia pela minha coluna. Eles estavam testando o terreno, e eu só me deixava levar, prendendo a respiração.
Rosnei, os dedos se apertando contra a pele dela.
—Depois alguém sugeriu que eu me deitasse na mesa —disse, com a voz tremendo um pouco—. “Vai ficar mais confortável”, disse um deles, acho que Diego, porque tinha aquele tom atrevido que sempre o denunciava. Entre risadas, me levantaram dois ou três, não sei quantos, era tudo um caos de mãos no escuro. Me deitaram de bruços sobre a madeira fria, e a barra da saia subiu quando eu me estiquei, deixando minhas pernas expostas.
Soltei o ar com força, imaginando-a estendida sobre aquela mesa, vulnerável e poderosa ao mesmo tempo.
—Bruno voltou aos meus ombros —continuou—. Os polegares dele afundavam na base do meu pescoço, desmanchando nós que eu nem sabia que tinha. Mas ele não ficou só ali. Desceu pelas minhas costas, seguindo a linha da coluna por baixo da blusa, roçando meus lados com uma pressão que me fazia arquear contra a mesa. Ao mesmo tempo, as mãos nos meus braços continuavam no mesmo ritmo, e então outro se animou com as minhas pernas. Começou nos tornozelos, com dedos quentes que subiam devagar, traçando círculos nas panturrilhas, apertando até me arrancar suspiros.
Ela fez uma pausa, deixando o peso das palavras encher o ar. Rosnei mais forte, com os dedos tremendo contra ela.
—Eles ficaram mais ousados —disse—. Alguém deslizou as mãos por baixo da minha blusa por trás. “Isso atrapalha”, murmurou entre risadas, e antes que eu pudesse reagir soltaram o fecho do meu sutiã. Afrouxaram e tiraram por baixo do tecido. Outro, pela frente, ergueu minha blusa o suficiente para deixar meus seios à mostra, e senti dedos me roçando ali, desenhando círculos lentos. Ao mesmo tempo, outras mãos subiam pelas minhas coxas, por baixo da saia, até a borda da minha calcinha.
Rosnei, com as mãos sobre os seios dela por baixo da camiseta. A ideia dela cercada, exposta naquela mesa, me deixava louco.
—Tinha mãos por todo lado —sussurrou, com a voz entrecortada—. Bruno nas minhas costas, dedos nos meus braços segurando meus pulsos contra a mesa, outros subindo pelas minhas pernas e parando bem na minha pele mais sensível. Doze mãos, Tomás... doze mãos me tocando ao mesmo tempo, me explorando. Cada um tinha seu próprio ritmo, mas todos pareciam sincronizados naquela dança caótica. Ninguém dizia nada, só se ouviam as respirações e o ranger da madeira sob o meu corpo. E então... eu não aguentei mais.
Mariana parou por um instante, a respiração ofegante, enquanto a lembrança a consumia.
—Foi como se tudo explodisse dentro de mim —disse—. As mãos nas minhas coxas, no meu peito, nas minhas costas, tudo se juntou numa corrente que eu não conseguia controlar. Um calor que subia do centro e se espalhava por cada nervo. Eu tremi como nunca, com as mãos agarradas à borda da mesa, enquanto um orgasmo brutal me atravessava. Me deixou destruída, cercada por sombras e respirações agitadas.
Rosnei mais forte, os dedos se movendo com urgência enquanto eu a imaginava perdida no prazer no meio da escuridão.
***
Mariana sorriu, um sorriso carregado de prazer e nostalgia, enquanto as mãos dela desciam pelo meu peito até me encontrar duro sob a calça. Ela me acariciou com uma lentidão deliberada, igualando o ritmo dos meus dedos sobre ela.
—E depois... —sussurrou, deixando um rastro úmido no meu pescoço que me fez rosnar—. Eu retribuí o favor.
Soltei o ar com força. A imagem dela, jovem e ousada, tomando o controle naquela noite caótica, me incendiava.
—Me conta —eu disse, ofegante—. Tudo.
—Fiquei tremendo sobre a mesa, exausta, mas não queria que acabasse ali —começou, com a voz baixa e crua—. Sentia as respirações ao meu redor, rápidas, entrecortadas, como se eles também estivessem à beira de alguma coisa. Sentei-me apoiando nos cotovelos e, embora quase não os visse, sabia que esperavam para ver o que eu faria.
Ela fez uma pausa, e a tensão cresceu entre nós.
—Sentei na beirada da mesa, com as pernas pendendo —continuou—. Estiquei a mão para o mais perto, acho que Bruno de novo. Toquei por cima da roupa, sentindo o coração dele bater rápido. Minhas mãos estavam desajeitadas no começo, trêmulas por causa do que tinha acabado de acontecer, mas eu não parei. Desci devagar até a beirada da calça dele e, quando enfiei a mão por dentro, encontrei-o quente, pronto. Comecei a me mover devagar, ouvindo como ele ofegava no escuro, como o corpo dele se inclinava para mim sem conseguir resistir.
Fechei os olhos, a respiração pesada, imitando com as mãos o movimento que ela descrevia.
—Não fiquei só com ele —continuou, com os dedos se movendo sobre mim com mais pressão—. Tinha mais gente ao redor, esperando, e eu não queria deixar ninguém de fora. Virei para outro e repeti. Minhas mãos encontraram a cintura dele, desceram pelo abdômen, sentindo a pele morna sob meus dedos. Era como um jogo, Tomás... eu ia de um para outro, sentindo como cada um reagia de um jeito, como a respiração deles enchia o ar.
Rosnei mais forte, os dedos se movendo com uma precisão que a fazia ofegar.
—Usei a boca também —sussurrou, roçando os lábios nos meus—. Com o terceiro, acho que o Diego, porque reconheci o riso nervoso dele. Me inclinei da mesa, com as mãos nos quadris dele, e o levei comigo. Eu era desajeitada no começo, mas não me importei. Sentia os dedos dele se enredando no meu cabelo, me guiando com uma urgência que me acendia. E eu não conseguia parar.
Acelerei o ritmo das minhas carícias, preso a cada palavra.
—Continuei com os outros, um por um —disse, com a voz tremendo de prazer—. Em alguns, só com as mãos, deslizando por cima, sentindo como reagiam a cada carícia. Com outros eu me inclinava mais, deixando minha boca tomá-los, ouvindo como gemiam no escuro. A mesa rangia sob meu peso, o ar estava cheio daquele cheiro de desejo, e eu estava perdida nisso. Cada vez que um deles se enrijecia sob minhas mãos, era como se o prazer que eu dava me preenchesse também.
Mariana gemeu mais alto, os quadris se movendo com urgência contra minha mão enquanto a lembrança e o presente se fundiam.
—Levei todos eles até a beira —sussurrou—. Sentia como tremiam, como a respiração deles se cortava. Alguns se apoiavam na mesa, outros nos meus ombros, e eu não parava. Era como estar no controle e perdida ao mesmo tempo. Quando terminei com o último, fiquei sentada ali, ofegante, com o corpo tremendo pelo que eu tinha feito.
Mariana soltou um grito suave, o corpo dela convulsionando enquanto o orgasmo a atravessava como uma onda irresistível. Rosnei com força, meu próprio clímax vindo logo atrás. Por alguns segundos, só se ouviram nossos suspiros ofegantes, o eco do nosso prazer reverberando na sala silenciosa.
Quando finalmente nos acalmamos, Mariana desabou sobre meu peito, rindo entre respirações curtas, o suor brilhando na pele. Eu a envolvi nos braços e beijei sua testa.
—Você é incrível —murmurei, com a voz ainda rouca.
Ela sorriu, ainda tremendo, traçando círculos preguiçosos no meu peito.
—E você queria saber —sussurrou, com um brilho travesso nos olhos—. Mas tem mais um detalhe. Quando a luz voltou, percebi que minha calcinha tinha desaparecido. Alguém a deslizou pelas minhas coxas em algum momento, e eu nunca encontrei. Um deles ficou com ela... e eu jamais soube quem foi.
Ri e a puxei ainda mais para mim, com o calor dos dois nos envolvendo numa calma momentânea.
—Eu sempre vou querer saber mais —respondi, e a beijei com uma fome que prometia que o jogo nunca ia acabar.





