A escapada de duas casais que terminou entre os quatro
Passamos um dia inteiro naquele loft e ainda me custava acreditar em como os quatro encaixávamos tão bem em um mesmo espaço. Era um mezanino moderno, amplo, no coração da cidade, mas com uma sensação de isolamento tão bem construída que, por momentos, nos esquecíamos de que lá fora a cidade seguia pulsando no seu ritmo de buzinas e motores. Lá dentro, tudo era calma. Silêncio. Aquele silêncio que não incomoda, que abraça.
Estávamos espalhados pela sala, cada um com uma cerveja na mão, conversando com aquela naturalidade que só os anos de amizade proporcionam. Pelas janelas de vidro se via o terraço interno, e entrava uma luz morna de fim de tarde. Marina estava no sofá, com os pés sobre as pernas de Tobías, olhando o celular, mas atenta a tudo. Bruno e eu estávamos no chão, apoiados no móvel baixo da televisão.
— O terraço privativo foi um acerto — disse Bruno, esticando as pernas —. A gente pensa que, no centro, vai dar para ouvir tudo, e olha: nem uma sirene.
— E o jacuzzi — acrescentou Tobías, roçando a panturrilha de Marina —. Ontem quase não saímos de lá.
Marina sorriu sem levantar os olhos.
— E a cama. Não sei que colchão é aquele, mas dormi como não dormia há semanas.
— Se dependesse de mim, eu me instalava aqui por um mês — comentei, dando um gole na cerveja. Rimos os quatro.
Havia algo diferente nessa escapada. Talvez fosse não ter um plano. Nada além de estarmos juntos, descansar, sair da rotina. Depois de meses de trabalho sem trégua, tínhamos conquistado o direito de não fazer absolutamente nada.
— Que horas são? — perguntou Marina, largando finalmente o celular.
— Hora do jacuzzi — respondeu Bruno sem pensar.
Nos entreolhamos e, sem dizer nada, todos soubemos que aquele era o momento. Não foi uma decisão falada: o corpo pediu. Marina se levantou devagar, espreguiçou-se como uma gata e foi até o quarto se trocar. Tobías e Bruno foram buscar as toalhas e umas cervejas que tínhamos deixado gelando.
Minutos depois, já no terraço, fomos entrando na água sem pressa. Marina usava um maiô preto de uma peça, simples, mas provocante, e por cima uma camiseta branca de algodão que, ao molhar, começou a grudar na pele como um véu. Tobías a olhava quase sem piscar.
— Você está linda assim — disse ele de repente.
Marina baixou o olhar, corada.
— É só água.
— E você, molhada, é outra história — acrescentei com um sorriso cúmplice.
Entre risadas, animados por todos, cada um começou a tirar a roupa. Ainda não havia nada explícito, mas o ar começava a mudar. Tobías tirou a cueca. Bruno, o short. Eu, o biquíni. E Marina, depois de um segundo de dúvida, tirou a camiseta encharcada. Bruno e eu dissemos que isso era trapaça, incentivamos, e ela, mesmo a contragosto, acabou tirando também o maiô.
Ela voltou a se sentar na água, agora nua, ao lado de Tobías, com Bruno e eu à sua frente. Sua pele brilhava pelas gotas do jacuzzi. Ela estava linda. Real. Completamente presente. Foi aí que senti que naquela noite podia acontecer algo diferente. Ninguém disse nada. Apenas nos olhamos.
O que veio depois talvez já não me caiba contar. Porque houve um olhar. Uma forma de se render ao instante, sem resistência. E foi ela, Marina, quem decidiu viver aquilo, senti-lo e narrá-lo a partir da própria pele. Então lhe passo o fio. Ninguém melhor do que ela para contar o que aconteceu quando o desejo começou a falar em voz baixa.
Narra Marina:
Senti o calor da água me envolvendo, mas o que percorria meu corpo por dentro era outra coisa. Uma mistura de nervosismo e arrepio, as bochechas em chamas, aquele sorriso de vergonha. Já tinha ficado nua na frente deles outras vezes e, ainda assim, não me senti exposta. Senti-me amparada, como se para além da pele eles vissem quem eu realmente era.
Tobías estava à minha direita, tranquilo, com aquela maneira dele de me fazer sentir confortável só com o silêncio. Bruno, na diagonal, brincava com Lucía sem deixar de me escanear com uma suavidade intensa. Lucía me olhava com empatia, como se eu estivesse cruzando uma fronteira que só ela sabia o quanto me custava. Ela me ofereceu um sorriso leve e roçou minha perna sob a água. Não era preciso falar.
Me encostei para trás, fechei os olhos por alguns segundos e me deixei levar pelo calor e pelas bolhas. A água acariciava minhas coxas, e o corpo de Tobías se aproximava de forma sutil, como por inércia. O braço dele passou por trás de mim e envolveu minhas costas. Suspirei fundo, sem oferecer resistência. Me aconcheguei contra ele, senti sua respiração no meu pescoço e me deixei ir um pouco mais.
— Relaxa, linda — disse Lucía, se aproximando —. Você está entre quem mais te ama.
Bruno me olhou e fez um gesto de aprovação.
— Adoro como você fica quando relaxa assim — sussurrou Tobías, quase inaudível.
Me arrepiei. Sua voz não tinha pressa, e isso me desmontou. Apoiei toda a espalda contra o peito dele. A mão dele subia devagar pela parte interna da minha coxa, sob a água, como se cada toque fosse uma pergunta à espera de resposta. Eu não disse nada. Apenas fechei os olhos. A resposta estava em como deixei meu peso cair sobre ele, em como meu corpo falava mais claro do que minhas palavras.
Do outro lado, Lucía me observava com desejo, mas também com doçura. Acariciava Bruno com suavidade; o sexo dele despontava da água sem vergonha, excitado. As mãos dela deslizavam pelo abdômen dele, e ele respondia com um sorriso cúmplice. Meu coração batia forte. Eu sentia que flutuava, e não só por causa da água.
Tobías deslizou a mão para cima e acariciou meu ventre. Gemia baixinho, mais de surpresa do que qualquer outra coisa, e joguei água nele num gesto brincalhão antes de me apoiar em seu ombro, de costas para ele, como se esse gesto bastasse para esconder o que realmente acontecia dentro de mim. Não bastava. Meu corpo estava alerta, vibrando com cada toque. A água morna se movia ao nosso redor e, por um momento, não soube se o que pulsava era o jacuzzi ou minha própria respiração.
Ele não disse nada. Manteve o braço em volta de mim, a palma aberta contra meu abdômen. Não forçava, apenas estava ali, envolvente, como se dissesse que ficaria se eu também quisesse ficar. Então senti o nariz dele roçar meu pescoço. Não era um beijo, era só um toque, como se ele respirasse minha proximidade, minha entrega lenta.
Me virei um pouco e o procurei com o olhar. Ele estava ali, tão perto, com os olhos calmos, mas atentos. Me observava como se eu fosse uma promessa que ele não ousava pedir. Não sorri. Não falei. Só estendi a mão sob a água e toquei sua coxa. Ele se aproximou mais, ainda em silêncio, e a mão dele pousou sobre a minha. Nossos dedos se entrelaçaram por um instante. E então decidi parar de me esconder.
Me impulsionei com as pernas e me acomodei de lado sobre suas coxas. Ele me recebeu sem tensão, como se já estivesse esperando por aquilo. Apoiei a cabeça na clavícula dele, o cabelo molhado escorrendo pelo ombro. A pele dele estava quente, levemente trêmula. Como a minha. Eu quase não me movia, mas tinha os sentidos transbordando. O calor se concentrou entre minhas pernas, nos seios, nas bochechas ardendo.
De repente senti outra mão. Suave. A de Lucía, acariciando minha perna sob a água. Virei-me para olhá-la. Tinha aquela doçura que me desmontava, mas também um brilho novo, um brilho que incendiava. Ela baixou os olhos para meu corpo e depois voltou a me olhar, como se me dissesse para me deixar querer. Do outro lado, Bruno assentiu em silêncio e se inclinou na minha direção.
— Relaxa, amor — sussurrou.
E foi o bastante. Um fio de confiança atravessou meu peito. Eu não precisava fazer nada que não quisesse. Mas também não precisava continuar me contendo.
Tobías me puxou mais para perto dele, com ternura. Apoiei a cabeça no ombro dele e senti nossos corpos se alinhando sob a água: o roçar da sua coxa na minha, seu abdômen contra minhas costas, a mão firme sobre meu ventre. Tudo lento. Tudo seguro. Peguei a mão dele e a guiei até onde ardia. Ele me entendeu sem palavras. E eu já não quis disfarçar mais.
Apertei as pernas sem querer, com um tremor interno que me avisava que não havia volta. Deslizei a mão sob a água e rocei sua ereção com suavidade. Estava dura, quente, viva. Meus dedos tremiam, mas não pararam. Mordi o lábio, e desta vez não foi por timidez, mas por fome, por essa ansiedade que começa no estômago e sobe até a garganta. Tobías acariciou minha coxa em resposta, descendo a mão até encontrar meu centro, sem entrar, apenas roçando.
— Você é linda, e não precisa fazer nada que não queira — ele sussurrou.
— Justamente por isso eu quero — respondi sem pensar.
Ele gemeu, quase imperceptível. Começou a acariciar meus seios com as duas mãos, de um jeito quase respeitoso, mas carregado de desejo, como se mal acreditasse que finalmente estava desfrutando do meu corpo, e eu do dele. Virei-me um pouco mais, ficando quase de frente, e um dos meus mamilos ficou diante da boca dele. Ele não deixou passar a oportunidade: tomou-o entre os lábios enquanto continuava a acariciar o outro peito.
Isso foi demais. Não sei se era a excitação acumulada, a vergonha, a confiança, o proibido ou a novidade, mas percebi que estava muito excitada. Todo o meu corpo pulsava. Sem pensar, afundei um pouco, me apoiando nos joelhos dele, e o beijei ali, entre meus lábios, pela primeira vez. A água se agitava ao redor enquanto minha boca o envolvia com torpeza, mas com desejo verdadeiro. Ele ofegou, enfiando a mão no meu cabelo molhado. Uma parte de mim já não queria parar.
Tobías me deteve com suavidade, segurou minha mão e me ajudou a levantar. Pediu a Lucía e a Bruno que nos acompanhassem, e os quatro caminhamos até o quarto.
***
Nos secamos só um pouco, com as toalhas que estavam ao lado do jacuzzi. Eu ia na frente, ainda com o calor no corpo, e não só por causa da água. Sentia que flutuava, que cada passo me aproximava de algo inevitável. Tobías vinha atrás, e no nosso ritmo lento se juntavam os passos de Lucía e Bruno, um pouco mais atrás, naquele silêncio cúmplice que sempre se formava entre nós quando a noite tomava aquela direção.
A cama estava aberta, esperando. Parei por um segundo à beira dela. Tobías se sentou primeiro, me tomou pela cintura e me guiou para deitar. O olhar dele era calmo, mas profundo. Ajoelhei-me diante dele, ainda com o gosto da água morna e do sal da pele dele nos lábios. Peguei o sexo dele com as mãos com uma suavidade que contrastava com a ansiedade que havia dentro de mim. Observei-o por um instante e, sem romper o contato visual, o levei à boca. Percorri-o devagar, com devoção, como se cada carícia da minha língua fosse uma palavra não dita. Ele soltou um suspiro longo, acariciando meu cabelo. Passaram-se alguns minutos que me pareceram curtíssimos, até eu sentir as mãos dele nos meus braços, me levantando para a cama.
— Agora deixa comigo — ele sussurrou com a voz rouca, os lábios no meu pescoço.
Me deixei cair sobre os lençóis, sentindo o frescor do algodão nas costas. Ele começou a me percorrer com uma delicadeza que me fez fechar os olhos. Beijou entre os meus seios, sobre meu ventre, e cada parte de mim voltava a se acender com uma calma elétrica. Quando afastou minhas coxas e se acomodou entre elas, tive um momento de pudor. Senti-me exposta, vulnerável, mas não insegura. Senti seu hálito quente exatamente onde eu mais precisava, e depois sua língua. Suave. Me descobrindo.
Soltei um suspiro e arqueei o corpo. Meu corpo se movia sozinho. As coxas tremiam, os dedos se agarravam aos lençóis, os quadris seguiam o ritmo da língua dele, que desenhava círculos e depois pressionava no centro exato do meu desejo. Abri os olhos e vi Lucía sentada ao lado de Bruno. Ela o acariciava com aquela sensualidade que não tinha pressa, mas o olhar dela estava em mim, em nós. Ela sorria com as bochechas em chamas, e a outra mão me acariciava a perna, como se me sustentasse à distância.
Tudo em mim tremia. Fechei os olhos, abri um pouco mais as pernas e rodeei a cabeça dele com as coxas. Apertei-o sem querer, com os espasmos no ventre que eu já não conseguia controlar.
— Tobías — sussurrei, quase sem voz. Não como súplica. Como rendição.
Lucía se aproximou mais. Beijou minha testa, depois meus lábios. A mão dela acariciou meus seios e me fez gemer ainda mais. Era um fogo suave, mas real, um fogo que não queimava, que acariciava por dentro. Então o procurei com o olhar. Tobías ergueu a cabeça. Nossos olhos se encontraram.
— Quero que você me tome — eu disse, com a voz entrecortada, mas clara. Não era um pedido de permissão. Era desejo.
Ele subiu sobre mim com aquela calma dele, com aquele jeito de sustentar sem apressar. Abracei-o com as pernas, sentindo como ele se alinhava comigo. Meu corpo se abriu. Rocei-o contra minha entrada já úmida e ofeguei. Fui eu quem o guiou, pegando-o com a mão, esfregando-o em mim, posicionando-o exatamente onde eu precisava.
— Agora sim — sussurrei.
E ele entrou. Devagar. Fundo. Minhas unhas se afundaram nas costas dele enquanto ele me preenchia centímetro por centímetro. Uma sensação de entrega absoluta me invadiu, de estar exatamente onde devia estar. Fechei os olhos e soltei um gemido longo. Movi os quadris buscando mais, pedindo mais, e ele me obedecia sem palavras.
Do outro lado da cama, vi Lucía. Nua, com uma mão entre as pernas, me olhava fixamente enquanto se tocava com movimentos lentos. Bruno, atrás dela, acariciava sua cintura e beijava sua nuca. Os olhos dela brilhavam. Ela também ofegava, e ao nos ver mordeu os lábios.
— Você está linda assim — disse entre suspiros.
Isso me fez gemer mais forte. Tobías intensificou o ritmo. Suas investidas ficaram mais ritmadas, e eu me arqueei sob seu corpo, deixando o prazer me atravessar. Cravei as unhas nas costas dele. Ele ofegava perto do meu ouvido, o hálito quente arrepiando minha pele.
— Você está tão gostosa, Marina.
O corpo dele se chocava com o meu, úmidos, unidos. Cada golpe dos quadris me empurrava contra o colchão, mas eu o acompanhava, buscando aquele ponto em que o prazer vira urgência. Eu o apertava cada vez mais, como se quisesse prendê-lo dentro de mim.
Lucía gemeu ao ver como ele me penetrava com força e ternura ao mesmo tempo. Empurrou os quadris para trás contra Bruno e os sons úmidos dos corpos deles encheram o quarto. Entre ofegos, levantou o rosto na nossa direção.
— Está tão gostoso, finalmente — sussurrou, e percebi que ela também estava à beira.
Bruno a segurou com mais firmeza, sem parar de se mover com aquele ritmo hipnótico, e falou ao ouvido dela sem desviar os olhos de mim. Os dois nos olhavam com uma devoção ardente, como se o que acontecia entre Tobías e eu também pertencesse a eles.
Eu já não aguentava mais. Sentia Tobías me preenchendo de um jeito que parecia tocar minha alma.
— Vou gozar — sussurrei entre os dentes, com a voz quebrada.
Minhas coxas o envolveram com força. Todo o meu corpo se arqueou. Senti a pele se arrepiar do pescoço aos pés, uma corrente percorrendo meu abdômen e descendo até o mais fundo. O orgasmo me atravessou como um raio. Não consegui gritar: só um gemido sufocado, como se o ar me escapasse num suspiro de prazer puro. Tobías permaneceu dentro, firme, me deixando tremer ao redor dele.
Na outra cama, Lucía gemeu exatamente naquele instante, como se meu orgasmo tivesse disparado o dela. Bruno a segurou enquanto ela desabava em espasmos, e beijou sua nuca como quem cuida. Tudo era calor. Tudo era pele. Tudo era amizade e desejo entrelaçados.
***
Tobías ainda estava dentro de mim, imóvel, ofegando apenas. Eu o sentia tremer sobre mim, o peito subindo e descendo com dificuldade. Minhas paredes o apertavam em reflexos involuntários do prazer residual. Então notei: um leve movimento do quadril dele, como se tentasse se conter e não conseguisse. Ele começou a se mover de novo. Devagar. Fundo. Cada movimento era uma carícia profunda que voltava a me acender. Embora eu já tivesse gozado, sentia que podia gozar de novo se ele continuasse assim.
— Você quase me fez gozar junto — rosnou ao meu ouvido —, mas faltou um pouco.
Virei-me para olhá-lo, as bochechas ainda vermelhas, o cabelo colado ao rosto. Acariciei sua nuca.
— Vem, deixa eu te ajudar — sussurrei.
Virei-me devagar e fiquei de quatro, os braços apoiados na cama, as costas retas, os quadris arqueados na direção dele, me oferecendo. Eu sabia o que isso provocava nele. Senti o olhar dele percorrer meu corpo inteiro, em silêncio, até que as mãos tomaram meus quadris com firmeza e, com uma única investida, ele voltou a entrar por trás. Gemia alto. Todo o meu corpo se acendeu de novo.
— Assim, amor — eu disse entre ofegos —. Goza dentro, quero sentir.
O ritmo mudou. As investidas dele ficaram mais urgentes, e eu me impulsionava para trás para recebê-lo mais fundo. Foi então que vi Lucía e Bruno se aproximando, já recompostos. Ela se inclinou para beijar a parte baixa das minhas costas com uma doçura que me arrepiou, acariciou minhas nádegas e deslizou a mão pela minha coxa, enquanto Bruno se acomodava atrás dela, beijando-lhe o pescoço.
— Sempre soube que um dia ia te ver aproveitar assim, e me dá muito prazer — sussurrou Lucía ao meu ouvido.
Eu gemi, e isso pareceu excitar ainda mais Tobías.
— Não para — eu disse —. Estou prestes a te fazer gozar.
— Continua falando assim comigo e eu não vou aguentar — rosnou ele, com aquela voz grave que me fazia tremer.
Lucía beijou minha bochecha enquanto ele me penetrava com força, e entrelaçou os dedos nos meus.
— Entrega-se, amor. Deixa ele gozar com você.
E então aconteceu. Tobías se estremeceu, agarrou-se ao meu corpo como se precisasse de um ponto de apoio, e com uma última investida profunda soltou um gemido longo, abafado contra minhas costas. Senti-o gozar dentro de mim, quente, pulsante. Todo o corpo dele caiu sobre o meu: o peito nas minhas costas, o hálito agitado no meu pescoço, o coração disparado. Fiquei imóvel, ofegante, sentindo-o ainda dentro, os quadris se movendo só um pouco, como se precisasse prolongar o momento.
Lucía nos envolveu com os braços e se deitou ao meu lado, acariciando meu rosto.
— Isso foi lindo — sussurrou, com um sorriso cansado, mas feliz.
Bruno também se deitou, abraçando-a por trás, e ficamos alguns minutos em silêncio, todos entrelaçados, as respirações misturadas. Tobías se retirou com suavidade, deitou-se ao meu lado, pegou minha mão e não disse nada. Só me olhou. Eu tinha um sorriso bobo. Os quatro tínhamos. Não era preciso dizer: estávamos completos.
***
Acordei com a luz suave filtrando-se pelas cortinas. O ar estava morno, e o silêncio tinha algo mágico, como se o tempo tivesse parado naquele quarto só para nós. Estávamos os quatro nus, entrelaçados sob um lençol leve. Eu podia sentir o calor dos corpos, o roçar de pele com pele, as respirações sincronizadas. Encolhi-me com a bochecha sobre o peito de Tobías e as pernas enroscadas nas de Lucía. Bruno ainda dormia, nos abraçando pela cintura. Parecíamos peças de um quebra-cabeça perfeitamente encaixadas.
E então, como se os corpos conversassem sem palavras, começamos a nos mover. Primeiro Tobías, acordando com uma ereção preguiçosa que se acomodou entre minhas coxas. Depois meus quadris, respondendo com um balançar suave. Senti os lábios dele na nuca, a mão dele contornando meus seios. Lucía também começou a se mover, quase nada, com um ritmo cúmplice, e Bruno a acariciou meio dormindo. O que se seguiu não foi um jogo de luxúria. Foi prazer lento. Desejo convertido em carícia.
Tobías me penetrou por trás com uma suavidade que me arrepiou por completo. Eu ainda me sentia úmida, receptiva, feliz. Fechei os olhos e o deixei fazer, esfregando-se dentro de mim num ritmo constante, como quando você está prestes a gozar e quer prolongar. Lucía se acomodou sobre Bruno com a mesma delicadeza, aquela entrega de quem não tem nada a provar, só a aproveitar. Ninguém falava. Não era preciso. Só nos roçávamos, interligados, quase sentindo o prazer dos outros: algo atípico que nunca íamos esquecer, e que nos fez sentir mais vivos do que nunca.
E quando os orgasmos chegaram, quase ao mesmo tempo, como se tivéssemos ensaiado aquela dança muitas vezes, foram profundos, quentes, como um suspiro coletivo. Eu me estremeci nos braços de Tobías com um gemido contido e o senti se render dentro de mim. Lucía gemeu ao mesmo tempo, cavalgando o próprio prazer sobre Bruno, que a sustentava com ternura. Ficamos assim, ofegando devagar, ainda unidos.
Depois, um a um, fomos nos levantando, entre olhares de cumplicidade e satisfação. Tomamos um banho juntos entre risadas, nos lavando como crianças travessas. O café da manhã foi simples e delicioso: pão fresco, frutas, café quente. Sentados no terraço, o sol nos iluminava o rosto e o dia mal começava.
O resto da jornada transcorreu com aquela calma deliciosa que só se sente quando não há expectativas nem máscaras. Entre risadas, sentamos para colocar algumas coisas do trabalho em dia, responder mensagens, revisar pendências. Almoçamos algo leve entre olhares e toques que ainda carregavam a memória da noite. Quando o céu começou a se tingir de laranja e violeta, Tobías tirou uma caixa de jogos de tabuleiro.
— Vamos jogar algo? — perguntou com um sorriso travesso.
Aceitamos encantados. A mesa se encheu de cartas, peças e taças de vinho tinto. Nos olhamos como se nos conhecêssemos de novo, a partir de outro lugar: mais suaves, mais nós mesmos, mais reais. Aquele loft tinha sido muito mais do que um lugar para descansar. E ainda nos restavam horas para aproveitá-lo.





