Dois irmãos, uma câmera e eu no hotel
Meu nome é Valentina, tenho trinta e três anos e nunca tinha pensado que acabaria naquela situação. Sou uma mulher de curvas pronunciadas: busto generoso, cintura marcada, quadris largos que sempre atraíram olhares na rua. Durante anos eu vivi isso com indiferença. Naquela noite aprendi que meu corpo tinha um preço.
A mensagem chegou numa terça-feira à tarde. Um perfil com poucas fotos, nome de batismo e uma biografia curta: «Criador de conteúdo para adultos». O texto era direto. Meu corpo era «exatamente o que ele procurava» para sua plataforma de vídeos. Pensei em apagar sem responder, como havia feito com outras mensagens parecidas. Mas naquela semana o banco me mandara um segundo aviso de dívida, e o valor que Rodrigo me ofereceu na mensagem seguinte era três vezes meu salário mensal.
Demorei dois dias para escrever de volta.
Pus minhas condições desde o início.
—Só fotos. Nada mais. E se em algum momento eu me sentir desconfortável, acabamos a sessão.
Rodrigo aceitou sem objeções. Marcamos num hotel discreto no centro, num quarto que ele reservaria. Ele me disse para levar roupas que eu gostasse, algo que me fizesse sentir segura. Escolhi um vestido de alcinhas cor bordô que me caía bem, o mesmo que eu usava em jantares de trabalho quando queria parecer profissional sem me esforçar demais.
Cheguei dez minutos antes do horário. Passei cinco minutos parada diante do espelho do elevador me perguntando o que estava fazendo. Eu preciso do dinheiro. Só isso. Uma sessão de fotos, o dinheiro em espécie e pronto.
***
O quarto era amplo e arrumado. Rodrigo já estava lá dentro quando abri com o cartão que ele havia deixado na recepção em meu nome. Tinha vinte e seis anos, mais ou menos o que eu esperava: cabelo escuro um pouco crescido e um sorriso que tentava ser tranquilizador. Trazia uma câmera pequena na mão e o celular no bolso da calça.
—Valentina. —Ele repetiu meu nome como se estivesse provando-o na boca.— Você é ainda mais fotogênica pessoalmente.
—Vamos começar logo —respondi. Não queria elogios.
Passamos os primeiros vinte minutos de forma quase profissional. Ele pediu que eu posasse junto à janela, aproveitando a luz natural. Que cruzasse os braços, que os baixasse, que olhasse para a rua. Eu seguia as instruções com rigidez. O clima era tenso, mas administrável.
Depois ele pediu que eu tirasse o vestido.
—Só o vestido. Deixa o sutiã e a calcinha. Preciso de fotos mais diretas para a plataforma.
Eu fiz devagar. Me sentia exposta, mas não tinha feito nada que não tivesse imaginado antes de vir. Rodrigo fotografava com cuidado, falando pouco, mudando os ângulos. Quando ele segurou meu queixo para virar meu rosto em direção à lente, os dedos dele roçaram meu pescoço por um segundo a mais.
—Você tem um corpo incrível —murmurou.— Os seguidores vão enlouquecer.
Senti calor nas bochechas. E em outro lugar que preferi ignorar: entre as pernas, uma pulsação surda que eu não sentia com tanta clareza há anos.
Ele começou a pedir mais. Que eu tirasse o sutiã. Que eu posasse de joelhos sobre a cama. Que eu o olhasse enquanto segurava a câmera. Cada pedido vinha acompanhado de uma explicação razoável sobre que tipo de conteúdo vendia melhor. Eu calculava em silêncio quanto daquilo estava combinado e quanto não estava.
—Rodrigo, nós dissemos fotos.
—E são fotos. —Ele sorriu com paciência.— Mas se você quer receber o que combinamos, preciso de conteúdo que justifique esse preço. Você decide.
Essa última frase ficou ressoando em mim. Você decide. Como se a decisão fosse livre quando a dívida não era.
Tirei o sutiã. Meus peitos ficaram expostos, pesados, com os mamilos endurecidos pelo frio do ar-condicionado. Rodrigo baixou a câmera por um instante. Depois a ergueu de novo e continuou gravando.
—Perfeita —disse em voz baixa.— Exatamente o que eu precisava.
Ele me tocou primeiro com os nós dos dedos, quase com delicadeza, na borda do peito direito. Depois com a palma aberta, me pesando, testando o peso da minha carne. Eu não o impedi. Mantive os olhos fixos na parede ao fundo enquanto ele passava os polegares pelos meus mamilos até que ficassem completamente eretos, puxando-os com dois dedos, apertando-os até que um gemido curto me escapasse pelo nariz.
—Relaxa —disse.— Seu corpo já sabe o que quer.
Ele tinha razão e isso me irritava.
Ele se abaixou e chupou um mamilo inteiro com a boca, envolvendo-o num calor úmido. Senti a língua girar em torno dele, a leve pressão dos dentes, a sucção que me puxava do peito até o baixo ventre em uma linha direta. Ele passou para o outro sem soltar o primeiro, alternando entre um e outro, enquanto a mão livre descia pela minha cintura e se enfiava por baixo do elástico da calcinha.
Quando os dedos dele abriram os lábios da minha boceta e encontraram a umidade que já escorria de mim, ele ficou quieto por um segundo e sorriu contra meu peito.
—Encharcada —disse.— E eu ainda nem te toquei de verdade.
Ele enfiou dois dedos até o fundo num só impulso. Eu deixei a cabeça cair para trás e soltei um gemido que não esperava, rouco, animal. Ele começou a me foder com a mão devagar, tirando os dedos brilhantes dos meus fluidos e voltando a entrar, enquanto o polegar procurava meu clitóris e o esfregava em círculos apertados.
—Rodrigo —disse, sem saber se era um freio ou um pedido.
—Eu sei —respondeu ele.— Eu sei.
***
O que veio depois não foi brusco. Rodrigo era paciente nesse sentido. Foi me conduzindo aos poucos: um beijo no pescoço, uma mão descendo pela minha cintura, os lábios dele encontrando meu peito. Quando quis racionalizar, eu já estava deitada na cama, com a calcinha pendurada num tornozelo, e ele tinha a cabeça entre minhas coxas.
Primeiro veio o hálito quente sobre minha boceta, sem me tocar, enquanto ele me abria as pernas com as duas mãos e me olhava como quem estuda o que vai comer. Depois a língua, plana, longa, uma lambida inteira de baixo até o clitóris que me arrancou um espasmo no quadril. Ele riu com a boca colada em mim, e essa vibração me atravessou por inteiro.
O que ele fazia com a boca era preciso. Sabia exatamente quanta pressão aplicar e quando recuar. Chupava meu clitóris com os lábios, soltava, descia para me lamber por dentro e voltava a subir. Enfiou dois dedos de novo enquanto me lambia, curvando-os para cima, procurando aquele ponto que fazia anos que nenhum amante meu se dava ao trabalho de procurar. Ele encontrou.
Eu apertei os lençóis com os punhos e forcei a respiração para não gemer alto, mas meus quadris se moviam sozinhos, empurrando contra o rosto dele. Ele me segurou pelas nádegas e me ergueu alguns centímetros do colchão para me comer mais fundo, o nariz contra o púbis, a língua sem parar. Gozei com um espasmo que me percorreu as costas inteiras, sem conseguir evitar, apertando as coxas contra as orelhas dele e soltando um grito que bateu nas paredes do hotel.
Rodrigo levantou a cabeça, com a boca e o queixo brilhando, e me olhou com aquele sorriso que já me parecia familiar.
—Assim que eu gosto —disse, passando o dorso da mão pelos lábios.— Agora você está mesmo confortável.
Ele abriu o cinto. Eu abri a boca para dizer alguma coisa, mas não saiu nada útil. O que saiu foi um suspiro quando o vi: a rola dura, grossa, curvada para cima, a glande inchada e brilhante de líquido pré-gozo. Ele se aproximou da beira da cama e a encostou nos meus lábios sem dizer palavra.
Eu a abri. Ele entrou devagar, empurrando até que senti a glande no fundo da garganta. Segurou minha nuca com uma mão e começou a foder minha boca num ritmo lento, me deixando respirar, tirando-a inteira para passar a glande pelos meus lábios e voltar a enfiá-la. Eu chupava com a língua plana, saboreando o sal do pré-gozo, sentindo a rola latejar contra o meu palato.
—Olha para mim enquanto mama ela —ele pediu.
Ergui os olhos. Ele baixou a câmera e gravou de cima meu rosto com a rola entrando e saindo entre meus lábios esticados. Tirou-a de repente, brilhante de saliva, e a passou pelas minhas bochechas, pelo queixo, pelos mamilos.
—Vira de lado —disse.
Ele me colocou de lado na cama, ergueu a perna de cima e entrou devagar. Cada investida era uma negociação entre meu corpo e minha cabeça, e meu corpo ia vencendo de forma vergonhosa. Senti ele me abrir centímetro por centímetro, a boceta se esticando ao redor da rola até ficar toda dentro, tão fundo que me raspava algo por dentro que eu nem sabia que existia.
Segurei a beirada do colchão. Ele me mantinha pela cintura com uma mão e com a outra afastava meu cabelo do rosto para me ver direito. Começou a me foder com investidas longas, saindo quase todo e voltando a me afundar até o fundo, cada golpe arrancando um gemido contra o travesseiro.
—Olha para mim —ele pediu.
Eu olhei. Ele acelerou. A cama começou a ranger sob nós, meus peitos quicavam a cada empurrão, e ele baixou a mão livre entre minhas pernas para esfregar meu clitóris no ritmo dos quadris dele.
—Diz que você gosta —disse, sem parar de me socar.
—Eu gosto —disse, quase sem voz.
—Mais alto.
—Eu gosto, porra, eu gosto de como você me come.
Gozei duas vezes antes que ele terminasse. Na segunda vez nem tentei disfarçar: apertei a boceta ao redor da rola dele e gritei contra o travesseiro enquanto ele me enterrava até o fundo e aguentava, sentindo como eu me contraía ao redor dele. Ele saiu justamente antes de gozar e acabou no meu baixo ventre, jatos grossos e quentes caindo sobre a pele e escorrendo até o umbigo.
***
Eu estava deitada de costas recuperando o fôlego, com o sêmen esfriando no meu estômago, quando ouvi o som da porta. Não a fechadura: a porta diretamente, como se alguém tivesse outro cartão.
Entrou um homem mais velho. Trinta e nove anos, calculei. Mais alto que Rodrigo, com a mandíbula quadrada e um olhar que percorreu o quarto inteiro em menos de um segundo. Ele parou em mim, na desordem da cama, no sêmen brilhando sobre minha pele.
—Você a encontrou —disse a Rodrigo, sem surpresa.
—Eu disse que valia a pena —respondeu ele da beira da cama.
Me sentei e puxei o lençol para cima. O recém-chegado se chamava Tomás. Irmão mais velho. Percebi isso nos traços imediatamente: o mesmo formato da testa, os mesmos maxilares marcados. Ele me olhava como se já me conhecesse.
—Isso não fazia parte do combinado —disse, olhando para Rodrigo.
—Valentina. —Rodrigo falou com calma, como quem explica algo óbvio.— Eu te ofereci um valor por conteúdo. Se gravarmos os três, eu pago o dobro. Você não precisa fazer nada que não queira. Pode dizer não agora mesmo e termina aqui.
O dobro.
Tomás não tinha dito mais nada. Estava de pé junto à porta, esperando, sem pressionar. Foi isso que me desarmou: ele não insistir. Apenas esperar.
—Para que plataforma? —perguntei, sem saber bem por que perguntava.
—A mesma —respondeu Rodrigo.— Só que com mais conteúdo.
Soltei o lençol.
***
Tomás era diferente do irmão. Mais lento, mais deliberado. Onde Rodrigo era preciso, ele era pesado. Tirou a roupa sem pressa, sem me olhar enquanto fazia isso, como se se despir diante de uma desconhecida fosse algo cotidiano para ele. Talvez fosse.
Quando ele abaixou a cueca, entendi do que ele falava com peso. Ela era mais grossa que a de Rodrigo, mais escura, com as veias marcadas ao longo do corpo. Ele se aproximou da cama sem pressa e a deixou pendurada perto do meu rosto sem dizer nada, esperando para ver o que eu faria.
Enfiei-a na boca sem pensar. Ouvi ele soltar um suspiro longo, quase entediado, enquanto eu tentava abarcá-la com os lábios. Ela preenchia minha boca inteira. Fui levando-a para dentro da garganta aos poucos, sentindo como ela se fechava ao redor dele, e ele pôs uma mão na minha nuca para guiar meu ritmo. Rodrigo gravava de um canto, se movendo ao redor da cama para encontrar o ângulo.
Tomás me tirou a rola da boca de repente, brilhante de baba, e me ergueu da cama com facilidade. Me virou. Senti o corpo dele atrás do meu, sólido, quente, a rola dura cravada entre minhas nádegas. Ele mordeu minha nuca com suavidade.
—Você está bem? —me perguntou ao ouvido.
Assenti. Não foi uma resposta corajosa. Foi honesta.
Ele me inclinou sobre a beira da cama, abriu minhas pernas com o joelho e entrou em mim por trás sem aviso. Gritei contra o colchão. Ele me enfiou até o fundo no primeiro impulso e ficou ali, me deixando sentir até o último centímetro, enquanto me segurava pelos quadris com as duas mãos.
—Porra —murmurou atrás de mim.— Como aperta bem.
Começou a me foder devagar, com investidas fundas e longas que me faziam bater contra a beirada da cama. Cada golpe arrancava um gemido novo de mim. Rodrigo se colocou à minha frente, a rola dura outra vez, e a pôs na minha boca. Entre os dois eu não tinha escapatória possível, embora eu nem tentasse escapar. Um atrás, outro na frente, cada empurrão sincronizado com o do outro, me fazendo oscilar no lugar como uma boneca enfiada dos dois lados.
A câmera continuava gravando da mesinha de cabeceira. Em algum momento isso deixou de importar.
O que aconteceu durante a hora seguinte é difícil de ordenar numa sequência limpa. Há momentos que lembro com nitidez e outros que se misturam. Lembro das mãos de Tomás nas minhas coxas enquanto eu me inclinava para a frente, os dedos dele cravando na carne, a palmada seca que ele deu na minha bunda quando gozei pela terceira vez sobre a rola dele. Lembro da boca de Rodrigo encontrando a minha depois de me chupar o clitóris, meu próprio gosto na língua dele, o calor. Lembro de me montar em Tomás enquanto Rodrigo me empurrava por trás com dois dedos babados no cu, me preparando para ele, e de ter pedido mais com uma voz que eu não reconheci como minha e não ter sentido vergonha naquele momento.
Lembro do instante em que Rodrigo entrou por trás enquanto Tomás ainda estava dentro pela frente, a sensação impossível de estar cheia pelos dois ao mesmo tempo, de não saber qual dos dois estava me fazendo o quê, de gozar sem controle apertando os dois de uma vez e ouvi-los rosnar ao mesmo tempo.
Gozei mais vezes do que eu gostaria de admitir.
No final me puseram de joelhos entre os dois. Os olhos de Rodrigo buscavam os meus, com a rola na mão, punhetando-a a centímetros do meu rosto. Os de Tomás olhavam para baixo, concentrados, a mão se movendo num ritmo mais lento, porém mais firme. Eu abri a boca e coloquei a língua para fora, sem que ninguém pedisse. Os dois gozaram sobre mim quase ao mesmo tempo: jatos grossos que caíram na minha língua, nos lábios, nas bochechas, nos peitos, escorrendo para o decote. Fiquei ajoelhada no carpete daquele quarto anônimo de hotel, com o cabelo colado ao rosto, o sêmen pingando do queixo e as coxas tremendo.
Rodrigo baixou a câmera.
—Perfeito —disse.
***
Fui tomar banho sozinha. Ninguém tentou me acompanhar nem falar comigo enquanto a água corria. Quando saí do banheiro, Tomás já não estava. Rodrigo me estendeu um envelope com as notas contadas e o deixou sobre a cama sem se aproximar.
—Se quiser repetir, me escreve —disse.— Sem compromisso.
Me vesti sem responder. No elevador da descida, olhei para o espelho e não encontrei exatamente o que esperava ver. Nem arrependimento nem satisfação limpa. Só uma mulher de trinta e três anos que havia tomado uma decisão sobre a qual ainda não sabia o que pensar.
Guardei o envelope na bolsa.
Saí para a rua. O barulho do trânsito, as pessoas andando, o céu começando a escurecer. Nada havia mudado lá fora. O que tinha mudado era algo que eu ainda não sabia nomear.
Três dias depois escrevi para Rodrigo.
—Quando é a próxima sessão?