Minha esposa me transformou no terceiro do seu trisal
A noite que mudou tudo começou sem aviso prévio, como essas coisas costumam começar. Marco chegou para jantar como já tinha chegado dezenas de vezes antes: com uma garrafa de vinho tinto que escolheu sem consultar ninguém, aquele jeito dele de ocupar qualquer espaço em que entrava e a facilidade de alguém que se sente em casa em qualquer lugar. Valeria o recebeu na porta com um beijo na bochecha que durou um segundo a mais. Eu percebi. Sempre percebo essas coisas, embora tenha demorado para aprender a nomeá-las.
Durante o jantar falamos de trabalho, de uma viagem que nenhum dos três ia fazer, do filme que tínhamos visto na semana anterior. Marco tem essa capacidade de parecer completamente relaxado em qualquer situação, como se nada pudesse pegá-lo de surpresa. Eu, ao contrário, não conseguia comer sem sentir o coração bater contra as costelas. Valeria o olhava de um jeito que eu conhecia bem: com aquela mistura de curiosidade e determinação que precede suas decisões importantes. A mão dela roçou a coxa de Marco por baixo da toalha, e ele nem se mexeu, como se aquela mão pertencesse ali desde sempre.
Quando Valeria sugeriu que Marco ficasse para dormir, ele me olhou antes de responder. Foi só um segundo, mas foi suficiente para entender que ele já sabia o que eu mal começava a processar.
—Se o Sebastián não se importar —disse.
—Não me importo —disse eu.
E assim tudo começou.
***
Fiquei na sala enquanto eles iam para o quarto. Coloquei música baixa na intenção de não ouvir, mas a música não foi suficiente. Os sons que vinham debaixo da porta eram obscenos, úmidos, precisos: o som inconfundível de uma rola entrando e saindo de uma buceta molhada, a respiração entrecortada de Valeria virando gemidos agudos, a voz grossa de Marco dizendo coisas que eu não conseguia distinguir, mas cuja cadência eu entendia perfeitamente. Ouvi o estalo seco de uma palma contra a bunda dela, e Valeria pedindo mais. Ouvi Marco ordenar que ela ficasse de quatro, e o ranger da cama mudando de ritmo. Ouvi minha mulher dizer "assim, mais forte, me arrebenta", com uma voz que eu nunca tinha ouvido em dez anos.
Desabotoei a calça sem pensar. Minha rola já estava dura fazia tempo, encharcando o tecido, e eu a peguei ali mesmo no sofá enquanto ouvia outro homem comer minha esposa. Comecei a me masturbar devagar, ouvindo Valeria gozar com um grito longo, sufocado contra o travesseiro. Gozei também, quase ao mesmo tempo, jorrando no meu próprio peito como um adolescente, mordendo o lábio para não fazer barulho. Depois de um tempo tudo recomeçou: o ranger das molas, os gemidos, desta vez mais lentos, mais fundos. Minha rola ficou dura de novo. Me masturbei uma segunda vez, mais devagar, ouvindo Marco dizer para ela engolir toda a porra dele, e Valeria dizendo que sim, que ia engolir até a última gota. Quando Marco terminou com um grunhido grave e prolongado, eu também terminei pela segunda vez, com a mão cheia e o coração batendo nas costelas.
Quando Valeria voltou para a sala, parecia diferente. Não exatamente mudada, mas completada, como se tivessem devolvido a ela algo que eu não sabia que estava faltando. Ela caminhava com aquela leveza particular que eu só tinha visto depois de certas conversas importantes, quando uma decisão aguardada há muito tempo enfim se resolve. Estava só com a minha camisa aberta, e por baixo dava para ver suas coxas brilhantes, úmidas até a metade.
Ela se deitou ao meu lado no sofá e pegou minha mão sem dizer nada por um momento.
—Você viu alguma coisa? —perguntou.
—Ouvi tudo —disse eu.
Houve uma pausa. Então ela levou minha mão até si, deslizou-a entre as pernas e me fez tocar sua buceta. Estava quente, inchada, encharcada. Meus dedos afundaram sem resistência e saíram pingando uma mistura espessa que não era só dela.
—Toca —disse ela—. Sente o que ele deixou dentro de mim.
Não precisei que ela explicasse. O que senti foi estranho: a buceta da minha esposa de sempre, cheia do sêmen de outro homem. Espesso, morno, escorregadio. Ela me observava enquanto eu processava aquilo, estudando meu rosto com uma atenção que não era crueldade, mas curiosidade genuína. Mexeu os quadris para que meus dedos entrassem mais fundo, e uma gota grossa escorreu pela coxa dela até o sofá.
—Quero saber até onde você vai —disse.
Antes que eu pudesse responder, a mão dela já estava na minha nuca. Não foi violento nem brusco. Foi a pressão calma e constante de alguém que sabe exatamente o que quer, um empurrão que tinha mais de convite do que de ordem, embora naquela noite a diferença entre as duas coisas fosse mínima.
Eu desci.
Quando cheguei à altura dos quadris dela, Valeria afrouxou a pressão, mas não soltou. O cheiro era denso, mistura do sexo dela com o sêmen de Marco, um cheiro macho e fêmea ao mesmo tempo que entrou pelo meu nariz e tomou minha cabeça inteira. Eu sabia o que havia ali, de quem era, e ainda assim algo em mim tomou a decisão sem me consultar: abri a boca e passei a língua por toda a buceta, de baixo para cima, devagar, sentindo a porra do outro homem ficando nos meus lábios, na minha língua, morna e salgada.
—Assim —disse ela, em voz muito baixa—. Me limpa. Chupa tudo o que ele deixou.
Lambi os lábios da buceta um por um, chupei o clitóris inchado, enfiei a língua o máximo que pude e senti mais sêmen deslizando contra meu palato. Engoli. Fiz isso sem pensar, como se também já tivesse sido decidido antes. Valeria abriu mais as pernas e apertou minha cabeça com as duas mãos, se esfregando contra meu rosto enquanto eu chupava, lambia e engolia.
—Bom menino —sussurrou ela—. Esse é o meu marido.
Não sei quanto tempo passei ali. O suficiente para que o morbo se misturasse com outra coisa mais difícil de nomear: uma satisfação estranha que não vinha do prazer físico, mas de algo mais parecido com encontrar um lugar. Como se aquele fosse, exatamente, o lugar que me cabia. A porra de outro homem na minha boca e minha mulher gemendo por cima, me segurando contra a buceta dela.
Quando Valeria chegou ao orgasmo, o corpo inteiro dela se tensionou, as coxas apertaram minha cabeça e as unhas dela cravaram no meu couro cabeludo. Eu senti aquilo por dentro, pulsando contra minha língua. Depois ela me guiou para o outro lado, com a mesma calma de antes, sem pressa, como se a noite fosse infinita e houvesse tempo para tudo. Ela me fez lamber o cu dela também, empurrando meu rosto ali embaixo, e eu obedeci, com a língua dura e as mãos abrindo as nádegas dela. Ela gozou de novo, mais curto, mais agudo, enquanto eu comia sua bunda e me masturbava ao mesmo tempo.
***
No dia seguinte acordei sozinho. Não era incomum: Valeria às vezes levantava cedo para ler ou fazer café. Mas naquela manhã o silêncio do quarto tinha uma textura diferente, como se a noite anterior tivesse deixado algo sem resolver pairando no ar.
Saí para o corredor.
A porta do quarto de hóspedes estava entreaberta. Vinham vozes de dentro, baixas, intermitentes, interrompidas por silêncios e depois por outros sons: o ruído inconfundível de uma rola molhada entrando e saindo, o golpe rítmico de quadris contra uma bunda, um gemido abafado contra o travesseiro.
—Você tem certeza do que está dizendo? —era Marco.
—Completamente. —A voz de Valeria, entrecortada, com aquela serenidade que às vezes me desconcerta mais que qualquer outra coisa—. Você não imagina com que vontade ele chupou minha buceta cheia do seu leite. Sem eu dizer nada, na segunda vez. Engoliu tudo.
—Eu nunca teria imaginado.
—Nem eu. Há um ano eu teria dito que o Sebastián era o homem mais previsível do mundo. E, no entanto. Ontem ele me limpou com a língua como se a vida dele dependesse disso.
Houve uma pausa. Depois o ranger contínuo da cama, mais rápido, e o som úmido da rola de Marco entrando fundo.
—Aí —sussurrou Valeria—. Aí exatamente. Arrebenta minha buceta, Marco, mais forte.
Fiquei no corredor. Olhava pela fresta da porta sem ter decidido isso conscientemente: eu simplesmente estava ali, e dali dava para ver tudo. Valeria estava de bruços na cama, totalmente esticada de pés a cabeça, com as nádegas levemente erguidas. Marco estava sobre ela, com a rola enterrada até a base, se movendo com uma lentidão que parecia deliberada, a lentidão de alguém que aproveita cada parte do caminho e não tem pressa nenhuma de chegar ao fim. Dava para ver a rola dele brilhando entrando e saindo, molhada dela, grossa, marcada por veias visíveis. Paravam, conversavam, e então ela fazia algum movimento quase imperceptível com o quadril e ele retomava o ritmo com a mesma calma, enfiando até o fundo.
Não sei quanto tempo fiquei de pé ali, imóvel no corredor, com a rola para fora da cueca e a mão me masturbando devagar. O suficiente para que meu corpo me desse informações que eu não tinha pedido e que não podia ignorar.
Marco virou a cabeça em algum momento e me viu. Não se surpreendeu. Olhou para mim com uma tranquilidade quase gentil, como se já me esperasse exatamente ali, naquele corredor, naquele momento, com a rola na mão.
—Bom dia —disse, sem parar de comer.
Valeria levantou a cabeça.
—Amor. Há quanto tempo você está aí?
—Pouco —disse eu. Não era totalmente verdade.
—Entra —disse ela—. Fecha a porta.
***
Entrei. Fechei a porta atrás de mim.
Marco tirou a rola da buceta de Valeria devagar, e ela gemeu pela ausência. Sentou-se na beira da cama com a rola ereta, brilhante, apontando para o teto. Valeria se ajeitou ao lado dele, ofegante, com o cabelo grudado no rosto. O espaço entre os dois tinha exatamente a largura de uma pessoa, e os dois sabiam disso.
Valeria estendeu a mão para mim. Peguei. Sentei-me entre os dois, sem saber direito o que fazer com o resto do corpo, com as mãos, com o olhar. A rola de Marco estava a centímetros do meu rosto, encharcada da buceta da minha mulher, e eu não conseguia parar de olhar para ela.
—Os cornos sempre chegam sozinhos a isso —disse Marco, sem o menor tom de deboche. Dizia como quem enuncia um princípio geral—. Não precisa explicar nada a eles.
—Fala por você —disse Valeria—. O Sebastián é uma surpresa constante.
Marco sorriu. Tinha aquele tipo de sorriso que não inclui desculpa nem arrependimento, só satisfação.
Valeria pegou com a mão livre o que estava ao lado dela. A rola de Marco. Agarrou com familiaridade, com a mão firme, e a trouxe em minha direção devagar, segurando-a com uma naturalidade que me abalou mais que qualquer outra coisa daquela manhã. A ponta roçou meus lábios e deixou um rastro pegajoso e salgado.
Eu mantinha os lábios fechados. Não era exatamente resistência; era a pausa que precede algo irreversível, aquele segundo antes de o equilíbrio pender para um lado e não haver mais volta.
—Vai —disse Marco—. Abre a boca. Já está com o gosto da tua mulher em cima.
—Não apressa ele —disse Valeria—. Deixa ele chegar sozinho.
E foi o que fiz. Cheguei sozinho.
Primeiro coloquei a língua para fora, com os olhos fechados, e lambi a ponta. O gosto era exatamente o que eu tinha imaginado: a buceta de Valeria misturada com algo mais salgado, mais denso. Lambi de novo, desta vez percorrendo todo o comprimento da rola, da base à ponta. Depois abri a boca e a enfiei.
O primeiro contato foi desajeitado. Eu não tinha referência, nem prática, nem mapa para aquele território. A rola de Marco era grossa, mais grossa que a minha, e enchia minha boca de um jeito que eu nunca tinha experimentado. Minha garganta fechou na primeira investida, e tive de respirar pelo nariz, me forçando a relaxar. Mas há coisas que o corpo decifra sem a intervenção do cérebro, e eu fui encontrando o ritmo do mesmo modo que se aprende qualquer coisa nova: na tentativa, na resposta que vem do outro, na diferença entre o que provoca um gemido e o que provoca silêncio.
Chupei devagar, fechando os lábios ao redor do pau, subindo e descendo. Molhei toda a rola com saliva, lambi de cima a baixo, passei a língua nos ovos. Marco pôs uma mão na minha nuca —a mesma pressão que Valeria tinha usado na noite anterior— e me empurrou mais fundo. A ponta bateu no fundo do meu palato. Tossi, meus olhos se encheram de lágrimas, mas não me afastei.
—Você aprende rápido —disse Marco, e não soou como elogio, mas como observação neutra.
—Isso te surpreende? —disse Valeria, me olhando chupá-lo com uma expressão de puro deleite—. Ontem ele engoliu sua porra sem piscar.
Eu não disse nada. Tinha a boca ocupada, a rola de Marco entrando e saindo entre meus lábios, e isso pareceu resposta suficiente para os dois. Valeria me acariciava a nuca enquanto eu chupava a rola dele, e com a outra mão apalpava os próprios peitos, apertava os mamilos, enfiava dois dedos na buceta e os tirava para passá-los nos meus lábios esticados sobre o pau alheio.
***
O que veio depois foi uma manhã que desafia uma descrição organizada. Em algum momento Valeria foi para o outro lado da cama e ficou apoiada nas mãos e nos joelhos, com a bunda levantada e a buceta aberta pingando, e Marco foi até ela e enfiou a rola de uma só vez, até o fundo. Valeria gritou. Eu fiquei onde estava, olhando de muito perto, a centímetros, enquanto ele a penetrava com aquela calma que eu já começava a reconhecer como sua marca. Via a rola dele sair brilhante, escorrendo, e voltar a afundar.
—Vem —disse Valeria, estendendo uma mão para mim—. Aqui embaixo. Debaixo de mim.
Deslizei para baixo dela. Ficamos cara a cara, com Marco se movendo sobre nós dois, a cama rangendo a cada investida. Dali eu podia ver tudo com uma clareza que tinha algo de vertigem: a rola de Marco entrando na buceta da minha esposa a dez centímetros do meu rosto, os ovos batendo no clitóris dela, o cheiro de sexo espesso e quente pairando no ar. Os detalhes que de longe parecem abstratos, por dentro são concretos, físicos e impossíveis de ignorar.
Valeria me olhava nos olhos enquanto gemia. Direto, sem desviar a vista, com a boca entreaberta, a língua para fora. Cada investida de Marco a sacudia e fazia seus olhos se fecharem por um instante, mas logo ela os abria de novo, como se quisesse ter certeza de que eu estava exatamente onde ela queria que eu estivesse, não só fisicamente, mas de algum outro jeito mais difícil de definir. Ela pôs a língua para fora e lambeu meus lábios. Eu a beijei e passei minha língua contra a dela enquanto outro homem arrebentava sua buceta.
—Chupa o clitóris dela —me disse entre gemidos—. Enquanto ele me come, chupa ele.
Baixei a cabeça e coloquei a língua para fora. Encontrei o clitóris inchado, pulsando, e o chupei. Lambi também a rola de Marco toda vez que ela saía, sentindo o pau quente roçar minha língua entre uma estocada e outra. Marco não parou. Pelo contrário: comeu com mais força, mais fundo, sabendo que eu estava ali embaixo, chupando a rola dele e a buceta de Valeria ao mesmo tempo.
De vez em quando Marco interrompia o movimento. Saía inteiro da buceta da minha mulher e metia em mim na boca, encharcado dela. Eu abria os lábios e chupava, limpava com a língua, engolia o que ela havia deixado nele. Depois ele voltava para dentro de Valeria e continuava comendo. Passava de uma para o outro com uma naturalidade que me surpreendia mais do que a eles, como se houvesse um caminho traçado que eu apenas começava a percorrer, mas que existia desde antes.
—Trabalha o outro lado —me disse Marco em um momento.
Entendi sem precisar de explicação. Usei os dedos primeiro, com cuidado, devagar. Esfreguei o cu dela com o polegar, salivado, até o músculo ceder. Depois a língua. Afastei suas nádegas com as duas mãos e enfiei a língua no cu dela enquanto Marco continuava comendo sua buceta. Valeria emitiu um som que eu nunca tinha ouvido, algo entre o espanto e a exigência, um gemido gutural que saiu do fundo do estômago.
—Os dois juntos —sussurrou—. Deus. Os dois buracos. Continuem assim.
Enfiei um dedo no cu dela, devagar. Depois dois. Sentia a rola de Marco se mover do outro lado, separada apenas por uma fina parede de carne, empurrando no mesmo ritmo. Valeria gozou com um grito longo, se sacudindo entre nós dois, apertando meus dedos com o cu e Marco com a buceta ao mesmo tempo.
Marco chegou ao limite com um esforço visível para se aguentar o máximo possível. Segurava os quadris dela com as duas mãos, tinha os músculos do abdômen tensos, cerrava os dentes. Quando finalmente cedeu, afundou até o fundo, ficou imóvel por alguns segundos e descarregou dentro com um grunhido grave. Depois saiu para o lado, deixando a buceta de Valeria aberta, pingando a porra que escorria em um fio espesso e branco.
Eu me estiquei e cheguei onde precisava chegar. Encostei a boca na buceta e chupei tudo o que saía. A porra espessa caiu na minha língua, morna, salgada, em grande quantidade. Engoli. Fiz isso sem calcular, com a mesma lógica automática da noite anterior, aquela que funcionava antes que o cérebro tivesse tempo de opinar. Valeria me guiou com as duas mãos, me apertando contra ela, gemendo baixinho enquanto eu a limpava por inteiro.
—Você é uma joia —disse Valeria, quando conseguiu falar—. Você é a joia de marido mais estranha do mundo. Vem, me dá um beijo.
Subi e lhe dei um beijo longo, na boca. Ela chupou minha língua sabendo perfeitamente o que eu tinha acabado de engolir, e lambeu meus lábios e meu queixo.
Marco se recostou do outro lado da cama e nos olhou com a expressão de quem chegou exatamente onde queria chegar.
—Boa equipe —disse.
—Sabia que vocês iam funcionar juntos —disse Valeria.
—Sabia —disse eu, e os dois riram.
***
Já se passaram vários meses desde aquela primeira noite. As coisas mudaram, como era inevitável, mas não do jeito dramático que as pessoas imaginam quando ouvem falar dessas situações. Não houve crise nem conversas intermináveis com choro e cobranças. Houve, em vez disso, uma reorganização silenciosa, um ajuste de papéis que ninguém verbalizou em voz alta, mas que todos assumimos com uma naturalidade que às vezes ainda me surpreende.
Marco vem duas ou três vezes por semana, dependendo da semana. Há noites em que eu durmo em outro quarto porque ele quer ter Valeria só para si, e de lá eu ouço como ele a come durante horas e me masturbo em silêncio. Há manhãs em que chego e eles já começaram sem mim, e me pedem que eu me ajoelhe ao lado da cama e chupe a rola e a buceta deles, respectivamente, revezando-me entre os dois. Há manhãs em que Marco me espera com aquele sorriso particular que eu já aprendi a ler do outro lado do corredor, com a rola para fora, sabendo que eu vou descer e me ajoelhar sem que ele precise pedir.
Valeria diz que sou o marido mais completo que alguém pode ter. Marco diz que fazemos uma boa equipe. Eu não sei se alguma das duas descrições captura por inteiro o que somos, mas também não encontro uma melhor.
O que eu sei é que há coisas que o corpo aprende e não desaprende. Que há noites que funcionam como dobradiças, com um antes e um depois que não se pode ignorar. E que a mão de Valeria na minha nuca, empurrando-me para baixo com aquela pressão suave e constante rumo à buceta cheia de outro homem, foi a primeira vez que entendi o que ela realmente queria de mim.
Não era o que eu tinha imaginado quando me casei com ela. Era algo mais completo, mais estranho e muito mais difícil de explicar para qualquer pessoa que não tenha estado lá.
Mas, se você esteve lá, não há nada a explicar.