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Relatos Ardientes

Minha irmã me encontrou vestida e tudo mudou

A semana do meu décimo oitavo aniversário foi a mais intensa da minha vida até então, e isso porque eu já tinha vivido coisas que poucos garotos da minha idade poderiam contar.

Desde que eu tinha me mudado para a cidade para morar com minha irmã Carmen, as tardes em casa eram minhas. Ela cursava a faculdade até as cinco e também trabalhava dois dias por semana como assistente em um cartório, então entre o meio-dia e a tarde eu tinha entre três e quatro horas completamente livres. Horas que, havia um mês, eu usava de um jeito muito específico.

Eu vestia a roupa dela.

Tinha começado quase por acidente numa terça-feira em que eu não tinha nada para fazer. Abri a gaveta dela procurando sei lá o quê e encontrei uma calcinha fio-dental de renda preta na parte de cima. Vesti sem pensar, como um reflexo, e passei vinte minutos diante do espelho do banheiro sem conseguir tirar os olhos da minha própria imagem. Naquele mesmo dia eu fui ver Marcos.

Marcos tinha cinquenta e três anos, cabelo grisalho e um jeito de olhar que fazia todo o resto desaparecer. Éramos namorados havia dois meses. Ele já sabia que eu gostava de me vestir de mulher e foi o primeiro a me pedir isso em voz alta: que eu vestisse roupa de menina para ficar com ele. Na primeira vez que fiz isso, ele me percorreu de cima a baixo com aquele olhar dele, lento e direto, e me disse que queria que eu fosse sua mulher. Eu fiquei vários segundos sem saber como respirar.

Aquela primeira tarde com a roupa posta terminou comigo de joelhos na sala do apartamento dele, com a saia erguida até a cintura e a calcinha puxada para o lado. Marcos tirou a rola da calça sem pressa, colocou-a diante do meu rosto e me disse que, se eu queria ser sua mulher, tinha que aprender a chupá-la como uma. Era enorme, grossa, com a cabeça vermelha e brilhante. Eu a segurei com as duas mãos e comecei a chupá-la como pude, engasgando cada vez que ele apertava minha nuca para que eu a metesse mais fundo. A baba escorria do meu queixo e manchava o top. Ele tirou a pica da minha boca e esfregou-a nos meus lábios, nas minhas bochechas, nos meus olhos fechados. —Assim, puta, aprende —me disse com uma voz rouca que fez meu pau tremer também—. Essa é a boca da minha mulher. Depois me jogou de bruços no tapete, arrancou minha calcinha e cuspiu no meu cu antes de enfiar dois dedos de uma vez. Eu gritei contra o chão e me abri mais para ele. Quando entrou com a rola, senti que ele me partia ao meio; cobriu minha boca com a mão e me comeu primeiro devagar, e depois num ritmo selvagem que fez o sofá ranger contra a parede. Ele gozou dentro, me segurando pelo cabelo, e me fez ficar quieto com o pau ainda duro até sentir o esperma escorrendo entre minhas coxas.

Para meu aniversário, Marcos tinha prometido algo especial. Não me dizia o quê, só que íamos passar o dia inteiro juntos e depois dormir até o dia seguinte. A primeira noite inteira com ele. A ideia me mantinha acordado até as duas da manhã, com a mão enfiada na calcinha, me tocando e pensando em como ele ia me comer sem pressa, quantas vezes, em que posições, quanta porra ele ia deixar no meu cu e na minha boca.

Organizei tudo para que desse certo. Pedi autorização aos meus pais, dizendo que ia encontrar amigos do colégio para comemorar o aniversário. Sem problema nenhum. Carmen também sabia que na quinta eu não ia estar em casa, mas achava que era exatamente isso: um encontro com colegas, nada mais.

Na quarta-feira ao meio-dia, quando Carmen saiu para a faculdade, eu vesti o conjunto de que mais gostava. A calcinha verde de renda, a minissaia preta, o top justo, as meias arrastão e os sapatos de salto que eu guardava no fundo do armário. Fiquei diante do espelho por um bom tempo. Ainda sem maquiagem, porque eu não tinha coragem de dar esse passo, mas mesmo assim eu me sentia bem. Muito bem.

Saí para o quintal dos fundos para colocar roupa na máquina. Carreguei a lavadora, coloquei o sabão, apertei o botão. Quando me virei para entrar, Carmen estava parada a dois metros da porta, me olhando com os olhos completamente abertos.

Meu coração parou.

Eu não conseguia falar. Comecei a tremer, bem devagar, como se o chão tivesse ficado instável debaixo dos meus pés. Carmen se aproximou sem dizer nada. Deu a volta ao meu redor lentamente, uma volta completa, me olhando de cima a baixo com uma expressão que eu não sabia interpretar. Então ergueu minha minissaia e viu a calcinha verde, que era dela.

—Não sabia que tinha uma irmãzinha —disse.

Continuei paralisado, sem conseguir emitir som.

—Por que essa cara de susto? —ela perguntou—. Não aconteceu nada.

Carmen esperou com as mãos nos bolsos, sem pressa.

—Eu já tinha reparado que alguém andava mexendo nas minhas gavetas —continuou—. As coisas não ficavam como eu deixava. Mas nunca imaginei isso.

Ela deu mais um passo em minha direção e me olhou nos olhos.

—Fala alguma coisa. Sério, tá tudo bem.

—É verdade? —consegui dizer.

—É verdade. —Ela sorriu—. Sempre quis ter uma irmãzinha.

Algo se soltou no peito. Eu voltei a respirar.

Entramos em casa. Carmen pegou os cadernos que eu tinha esquecido —foi isso que a fez voltar— e enfiou na mochila. Depois apontou para o sofá.

—Tenho um tempinho livre. Vamos conversar.

Sentamos juntas. Ela me abraçou forte, sem perguntar, e eu a abracei do mesmo jeito. Ela cheirava a xampu de coco e àquela loção de lavanda que usava desde que éramos crianças.

—Não se sinta mal por isso —disse—. É completamente normal. E, sinceramente, me deixa feliz saber. Vamos nos dar muito melhor agora.

Eu contei. Não tudo em detalhes, mas o essencial: que vinha usando a roupa dela havia semanas, que me sentia bem assim, que tinha começado aos poucos e que aquilo já fazia parte da minha rotina diária. Contei sobre Marcos, que éramos um casal havia dois meses, que foi ele quem me ajudou a explorar essa parte de mim. E disse que no meu aniversário íamos passar a primeira noite inteira juntos.

Carmen me escutou sem interromper. Quando terminei, me olhou por um instante e perguntou:

—E como ele é por baixo?

Levei um segundo para entender a pergunta.

—Enorme —disse—. Me abre inteiro toda vez. Na primeira vez que ele me enfiou pensei que não ia aguentar. Agora já me acostumei, mas mesmo assim arde um pouco depois.

—Que sorte! —exclamou, e tapou a boca para não cair na gargalhada—. E ele te chupa? Chupa teu cu antes de meter?

—Tudo —eu disse, vermelho até as orelhas—. Ele me põe de quatro e me lambe ali até eu implorar para ele me comer.

—Meu Deus —disse Carmen, se abanando com a mão—. Os maduros são outra coisa. Os garotos de vinte anos não sabem o que é uma língua.

Deu tanta graça vê-la assim que eu também ri. Foi o momento em que tudo relaxou de verdade. A conversa mais estranha da minha vida e também a mais fácil que eu tinha tido em muito tempo.

—Agora é a sua vez —disse eu.

Carmen ajeitou as pernas sob si no sofá e me contou. Três homens no total: o primeiro quando ela estava no quinto ano do ensino médio, um garoto da mesma idade que não foi grande coisa —dois minutos e ele gozou, disse, nem percebeu que ela tinha buceta—. Depois, um professor universitário de quarenta e oito anos, com quem ela realmente aprendeu o que era prazer de verdade, e me descreveu sem filtro: como ele a colocava sobre a mesa do gabinete, abria suas pernas e comia sua buceta até fazê-la gozar três vezes seguidas antes de enfiar nela. E agora Roberto, seu chefe no cartório, cinquenta e cinco anos, divorciado, que a esperava às terças e quintas depois do trabalho.

—Eu adoro maduros —disse sem o menor pudor—. Eles sabem o que fazem. Têm paciência. Não estão apressados como os caras da nossa idade. Roberto me come por duas horas antes de gozar. Ele me mama, me chupa, me mete devagar, tira, mete de novo. Eu fico toda molhada e ele nem cansa.

—Marcos tem cinquenta e três —respondi.

Nós nos olhamos. E as duas rimos ao mesmo tempo, sem precisar explicar a piada.

—Somos exatamente iguais —disse Carmen.

—Nem eu poderia ter imaginado —respondi.

Nessa noite jantamos juntas, tranquilas, sem a distância que costumava haver entre nós. Depois voltamos para o sofá com um copo de vinho cada uma e continuamos conversando. Sobre os homens de que gostávamos, sobre como eles nos faziam sentir, sobre as coisas que não contaríamos para mais ninguém. Carmen me contou como Roberto a comia em cima da mesa do cartório com a porta trancada, como ele tampava sua boca com a gravata para que ela não gritasse, como gozava dentro dela e depois a mandava voltar a atender clientes com o esperma escorrendo pelas coxas sob a saia. Eu contei como Marcos me fazia andar pelo apartamento de salto alto, como me ajoelhava no tapete e chupava sua rola enquanto ele assistia ao noticiário, como eu engolia tudo quando ele gozava na minha boca. Era a conversa que eu jamais teria conseguido prever antes daquela tarde, e também a melhor que eu tinha tido em muito tempo.

—A gente devia se encontrar os quatro —disse Carmen em algum momento, com a mesma naturalidade com que poderia ter sugerido pedir pizza.

Levantei o olhar.

—Os quatro?

—Sim. Você e Marcos, eu e Roberto. Um jantar, ou o que der. A gente vê. De qualquer jeito você sabe o que vai acontecer. Dois paus maduros, duas irmãzinhas gostosas. Não precisa pagar de inocente.

A ideia percorreu meu corpo inteiro. Duas irmãs, dois homens mais velhos, uma noite sem horário fixo. A imagem se instalou na minha cabeça com uma clareza que eu não podia ignorar: Marcos me fodendo de quatro sobre a mesa enquanto Carmen chupava a rola de Roberto ao lado, os quatro nos trocando, Roberto abrindo meu cu com aqueles dedos grossos de homem grande enquanto Marcos comia a buceta da minha irmã. Meu pau ficou duro debaixo da saia e tive que cruzar as pernas para Carmen não notar. Embora, pelo jeito como ela me olhou, com certeza tenha notado.

—Me parece bem —eu disse, com uma calma que não combinava em nada com o que eu sentia por dentro.

Carmen sorriu, satisfeita consigo mesma.

***

Pouco antes da meia-noite, Carmen se levantou do sofá e foi para o quarto. Voltou com duas caixas embrulhadas em papel de presente e as colocou sobre a mesa.

—Feliz aniversário, irmãzinha —disse, me estendendo as caixas.

Eu não tinha percebido que já era meia-noite.

A primeira caixa era dela: base, sombras em vários tons, delineador preto, quatro batons em vermelhos diferentes, esmaltes, unhas postiças e máscara de cílios. Abri devagar, olhando cada coisa como se fosse algo que eu nunca tivesse visto de perto. Não soube o que dizer. Abracei-a forte e não soltei por um bom tempo.

—Com o batom vermelho, quando você chupar o Marcos, vai deixar a rola marcada —ela sussurrou no meu ouvido—. Ele vai adorar esses anéis vermelhos em volta da base. Homem fica louco com isso.

A segunda vinha com um cartão assinado por Roberto. Um perfume feminino, um frasco alongado com flores brancas desenhadas no rótulo. Abri a tampa e senti o cheiro: algo de jasmim, algo mais quente por baixo, como baunilha ou madeira úmida.

—Eu contei sobre você —explicou Carmen—. Ele achou ótimo. Diz que está com muita vontade de te conhecer. Falei que você é mais puta que eu. Ele ficou duro ali mesmo, na mesa do escritório.

Fiquei sem palavras por um momento.

—Obrigado —disse por fim—. Aos dois.

Nos beijamos no rosto e cada uma foi para o seu quarto.

Na cama, com as maquiagens sobre a mesinha e o perfume aberto enchendo o quarto com aquele cheiro de jasmim, demorei muito para fechar os olhos. Tirei a calcinha e me toquei devagar, imaginando a mão grossa de Roberto separando minhas nádegas enquanto Marcos enchia minha boca com sua rola. Enfiei dois dedos no cu pensando na noite que vinha pela frente, mordendo o travesseiro para Carmen não me ouvir do outro lado do corredor, até gozar sobre os lençóis com um tremor longo que me deixou vazio. Mas eu também pensava em Carmen, em Roberto, nessa possibilidade que ela tinha deixado sobre a mesa com tanta naturalidade.

Quatro pessoas. Uma noite. Tudo por acontecer.

Marcos passava para me buscar às nove.

Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha a certeza de que o que vinha pela frente iria superar tudo o que eu tinha permitido imaginar.

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