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Relatos Ardientes

O convite para a piscina que eu não deveria ter aceitado

Ilustração do conto erótico: O convite para a piscina que eu não deveria ter aceitado

A água da piscina brilhava sob as luzes douradas da varanda, devolvendo em reflexos partidos o movimento preguiçoso dos corpos que deslizavam entre as sombras. A música imprimia no ar um pulso grave, hipnótico, uma cadência feita de propósito para que ninguém tivesse pressa de nada.

Renata se inclinou sobre a borda, com as pernas mergulhadas até as coxas. O cloro e o perfume caro se misturavam ao cheiro de pele molhada e de vinho derramado na cerâmica. Ela tinha chegado com um biquíni preto, mas a parte de cima flutuava abandonada a alguns metros, e aquilo já não lhe importava. Sabia que estavam olhando para ela. Pela primeira vez em muito tempo, era exatamente isso que ela queria.

Do outro lado, Darío apoiou os braços na borda, com a água lambendo-lhe o peito. Tinha olhos escuros e não fazia nenhum esforço para disfarçar para onde olhava. Perto dele, Lucía e Iván se beijavam com uma lentidão deliciosa, os corpos enredados, as mãos percorrendo-se sob a superfície como se o tempo fosse apenas um detalhe sem importância.

—Está quente, né? —murmurou Renata, molhando o lábio com a ponta da língua.

—Não o suficiente —respondeu Darío, e começou a avançar pela água com a calma de quem sabe que não será rejeitado.

As mãos dele a prenderam pelos quadris e a puxaram até que sua pele quente colasse na dele. Um suspiro baixo escapou de sua boca quando sentiu a dureza pressionando contra seu ventre. Ao redor, o ar ficou mais denso. Os murmúrios se transformaram em suspiros, as carícias ficaram mais ousadas, e o barulho da água se misturou aos primeiros gemidos contidos.

***

Alguém passou os dedos por suas costas nuas. Mãos que ela não conhecia, bocas reivindicando pele alheia. A sensação de estar sendo tocada por toda parte e por lugar nenhum a fez estremecer da cabeça aos pés.

Lucía se aproximou e capturou seus lábios num beijo que tinha gosto de champanhe. Renata gemeu contra a boca dela enquanto mãos masculinas lhe afastavam as coxas sob a água com uma facilidade quase insultante. Os dedos de Lucía acariciavam seus seios, beliscavam seus mamilos com uma precisão que a fez arquear o corpo, e, quando tentou se mexer, dois corpos a sustiveram entre eles.

Quatro pares de mãos reivindicando-a ao mesmo tempo.

—Relaxa —sussurrou Darío em seu ouvido, antes de desenhar um círculo lento no lóbulo com a língua e prendê-lo entre os dentes.

Um dos homens deslizou a boca até seu ventre. Outro a sustentava contra o próprio peito, respirando fundo, mordiscando devagar o ponto exato onde o pescoço se junta ao ombro. Renata jogou a cabeça para trás, perdida na sensação de ser o único centro de toda aquela atenção.

Uma língua abriu caminho entre suas coxas, lambendo com um ritmo tortuosamente lento. Ela tentou fechar as pernas, mas as mãos que a seguravam a obrigaram a mantê-las abertas. Uns dedos se enroscaram em seu cabelo e puxaram com a mesma intensidade com que outra boca a devorava sob a água.

—Meu Deus… —gemeu, com a voz perdida entre o vapor e os dentes que marcavam sua pele.

A língua mudou de ritmo, pressionou com uma maestria que a fez tremer. Lucía segurou seu rosto e a beijou outra vez, como se gostasse de vê-la se desfazendo, como se se alimentasse disso. Uns dedos longos se afundaram dentro dela e encontraram o ponto exato. Os quadris de Renata começaram a se mover sozinhos, seguindo o ritmo da língua e das mãos que a mantinham aprisionada.

Os músculos de seu ventre se contraíram de repente. O orgasmo a arrastou sem piedade; um grito ficou preso em sua garganta quando seu corpo se arqueou e o prazer se espalhou por ela como uma descarga do centro até a ponta dos dedos.

***

Ela ficou boiando, ainda tremendo, enquanto a respiração voltava devagar ao seu lugar. A brisa da noite esfriava o ardor da pele coberta de beijos úmidos. E então ela a viu.

Lucía tinha saído da água e estava sentada na borda, com as pernas abertas e a pele brilhando sob as luzes. O cabelo encharcado caía em mechas escuras sobre os seios, e seu rosto era o de uma mulher perfeitamente consciente do desejo que provocava. Os homens agora tinham se voltado para ela.

Iván se ajoelhou entre suas pernas e foi deixando um rastro de beijos da altura do joelho até a parte interna da coxa. Darío, ainda dentro da água, segurava-lhe os tornozelos e os afastava sem esperar resistência. Renata observava, embasbacada, a amiga se abandonar às carícias, a enterrar os dedos no cabelo de Iván quando a língua do homem finalmente a alcançou.

Como ela tinha ido parar naquela festa?

A pergunta atravessou sua mente como um clarão na neblina. Um convite que, no começo, tinha parecido brincadeira. “Uma festa exclusiva. Gente discreta. Sem limites, sem julgamentos.” A mensagem tinha chegado por uma rede social que ela quase não usava, enviada por alguém com quem certa vez tinha falado sobre o quão tedioso tudo tinha se tornado: a rotina, o previsível, o sexo mecânico com parceiros que mal sabiam o que queriam.

Ela tinha dito não, claro. Porque ela não era “desse tipo de pessoa”. E, no entanto, ali estava, submersa numa piscina onde minutos antes vários bocas a haviam adorado ao mesmo tempo, olhando Lucía se entregar com a mesma naturalidade com que outra mulher pede uma bebida num bar.

A monotonia tinha ficado para trás. A rotina, simplesmente, já não existia.

***

Iván ia com calma. Beijava a parte interna das coxas de Lucía, metódico, cuidadoso, como quem saboreia o prazer alheio como uma arte. Subia devagar, provando-a com a língua em círculos lentos, até que ela deixou escapar um gemido quebrado e se agarrou com as duas mãos à borda da piscina.

Darío era o oposto. Não tinha paciência nem fingia ter. Colocou-se atrás de Lucía, rodeou-lhe a cintura com as mãos grandes e começou a deslizar entre suas nádegas com movimentos preguiçosos, roçando-a sem entrar ainda, torturando-a com a promessa do que viria.

—Quer mais, gatinha? —sussurrou no ouvido dela, com a voz rouca.

Lucía não respondeu de imediato, mas a forma como empurrou o quadril para trás foi resposta suficiente. Darío sorriu, segurou-a com mais força e a alinhou. E então a tomou. Lucía gritou num suspiro rasgado quando ele a penetrou de uma só vez, afundando até o fundo. As pernas dela tremiam enquanto ele começava a se mover, lento no início, deixando que cada investida a abrisse mais.

Renata sentiu o próprio sexo latejar ao ver a amiga jogar a cabeça para trás, a boca entreaberta, o rosto dividido entre o prazer e algo parecido com loucura. As mãos dela percorreram o próprio corpo quase sem pensar: as pontas dos dedos roçaram os seios, desceram pelo ventre, deslizaram sobre o sexo encharcado pela água e por algo mais escuro. Quando Darío a olhou do outro lado da piscina, com os olhos brilhando, Renata entendeu que sua vez chegaria em breve.

***

As mãos que encontraram sua cintura foram firmes, decididas.

—Vem aqui —disse Iván, afastando-se de Lucía e se virando para ela.

Renata não hesitou. Ou talvez tenha hesitado, mas o desejo venceu a razão. Deixou-se conduzir para fora da água, a pele escorregadia e ardente contra o ar fresco da noite. Iván a acomodou sobre a borda e a beijou com fome, com a posse de um homem que não a estava descobrindo, mas reivindicando. A língua dele era exigente, o hálito quente, as mãos exploravam a pele molhada dela com a avidez de quem já sabe o que quer.

Renata sentiu a ereção dura pressionando contra seu ventre, um presságio do que vinha a seguir. Mas, antes que pudesse assumir o controle, Darío se moveu atrás dela e a empurrou com suavidade até deixá-la sobre as mãos e os joelhos.

—Não pense que eu vou deixar você sair dessa tão fácil —murmurou no ouvido dela, e o tom eriçou suas costas por inteiro.

Lucía, ainda presa nos braços de Iván, olhou para ela com os olhos semicerrados e um sorriso torto nos lábios inchados. Foi um instante de cumplicidade absoluta, de entrega compartilhada. E então, ao mesmo tempo, tomaram as duas.

Darío se enterrou em Renata com uma força que lhe arrancou um grito sufocado. Era grosso, implacável, a esticava até fazê-la tremer. O aperto dele nos quadris era firme, os dedos se cravavam em sua pele, e cada investida a levava mais longe, mais fundo, mais perto da beira. À sua frente, Lucía gemia enquanto Iván a sustentava e a fazia quicar sobre o colo, os dois corpos brilhando de suor e água.

Renata sentia o ritmo dos quatro começar a se sincronizar, uma dança perversa de pele e desejo, de suspiros entrecortados e bocas se devorando. Mas eles não estavam sozinhos. Ao redor da piscina, outros observavam. Algumas mulheres olhavam com taças de vinho na mão e sorrisos cúmplices antes de se deixarem levar por seus próprios jogos. Mais adiante, um casal se enroscava numa espreguiçadeira, os sussurros se perdendo na brisa.

***

—Olha pra mim quando você gozar —pediu Darío contra o ouvido dela.

Quando Renata abriu os olhos, encontrou o olhar de Lucía refletindo o mesmo fogo, a mesma rendição. Darío pegou a mão de Renata e a levou até onde o corpo de Iván se unia ao da amiga.

—Toca ela —ordenou com um rosnado.

Renata, presa no delírio, obedeceu sem questionar. Seus dedos roçaram o clitóris inchado de Lucía, deslizando entre a umidade da amiga e a dureza que entrava e saía dela. Lucía gritou: um gemido longo, sujo, as costas arqueando-se, o quadril empurrando contra a mão de Renata em busca de mais. Ela nunca tinha tocado outra mulher daquela forma, mas naquele momento não existiam barreiras, só desejo.

—Assim, Renata… mais forte… —Lucía mal conseguia articular as palavras entre gemidos, as unhas arranhando as costas de Iván.

Então Renata sentiu uma mão em seu próprio sexo. Darío, sem parar de investidas com uma brutalidade que a deixava à beira, deslizou os dedos sobre seu clitóris e começou a esfregá-lo no mesmo ritmo que ela imprimia em Lucía.

—Quero que você goze ao mesmo tempo que ela —murmurou.

Renata não conseguiu conter o suspiro. As pernas tremiam, o prazer subia em ondas selvagens. Cada vez que Darío se enterrava nela, o corpo inteiro vibrava com o impacto. Lucía se agarrou ao braço dela, cravando os dedos, enquanto o orgasmo a atravessava como uma onda que levava tudo embora. O corpo dela tremeu com violência, a boca aberta num grito mudo.

E Renata não conseguiu resistir mais. A imagem de Lucía estremecendo contra ela, o roçar úmido dos dois corpos, o sexo profundo de Darío sem trégua enquanto os dedos dele a esfregavam com precisão brutal: tudo explodiu em seu ventre de uma vez. Ela gozou com um gemido rasgado, o corpo arqueando-se, sacudido, esvaziado.

***

O som de pele contra pele e de suspiros entrecortados se misturava a outros, mais distantes. Ao redor, o prazer continuava: outros casais, outros corpos, alguns na água, outros nas espreguiçadeiras, alguns apoiados nas grades. Renata e Lucía ficaram ali, ainda estremecendo com os últimos espasmos, rendidas, mas ainda presas na espiral que se espalhava por toda a varanda.

Lucía sentiu o corpo tremer, preso entre o desejo e uma centelha fugaz de lucidez. Como eu vim parar aqui? A pergunta piscou em sua cabeça, silenciosa, efêmera. Não era o álcool; ela tinha bebido, sim, mas não o suficiente para justificar nada. Ela quisera isso. A rotina sufocante, o tédio das noites previsíveis, os amantes mornos que não sabiam como tomá-la. Tinha querido romper tudo, rasgar a monotonia e se lançar em algo que a fizesse se sentir viva. E tinha encontrado isso ali.

Seus olhos deslizaram até Renata, sua amiga, sua confidente, agora convertida no reflexo do próprio desejo, ainda recostada na borda com a pele marcada por todas as mãos que a tinham percorrido. Lucía sentiu algo parecido com dúvida, um clarão de realidade ameaçando abrir caminho por entre a névoa.

Mas então Iván voltou a se mover dentro dela, e Darío, sem deixar Renata descansar, virou-a e lhe tomou o pescoço com a boca enquanto a preparava para tomá-la de novo. E a onda levou consigo qualquer vestígio de dúvida. Não era hora de pensar. Era hora de sentir.

Lucía soltou o ar devagar, agarrou-se aos ombros de Iván e deixou o corpo ceder outra vez à voragem, afundando no único abismo em que queria se perder naquela noite. A razão podia esperar. Seu desejo, não.

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