O jantar que mudou o que éramos os quatro
A tarde na praia tinha durado tempo demais e não o suficiente. Aquela sensação estranha de querer que algo continue, mas saber que já está completo. Os quatro chegaram ao apartamento com sal na pele, areia entre os dedos dos pés e aquele cansaço gostoso que o sol e a água deixam quando você não teve de fazer nada importante o dia inteiro.
Tomaram banho em turnos. Dividiram o banheiro com a naturalidade de quem está há mais de quarenta e oito horas no mesmo espaço. Lucía penteou o cabelo diante do espelho do corredor enquanto Diego procurava as chaves entre as coisas da bolsa de praia. Marcos amarrou as sandálias sentado no braço do sofá. Natalia escolheu um vestido de linho azul-claro e perguntou se estava bom para um jantar informal.
— Está perfeito — disse Lucía sem olhar para ela, ainda diante do espelho.
Natalia a encarou por um segundo.
— Obrigada.
Saíram depois das nove. A noite cheirava a maresia e a jardins recém-regados. A rua principal do vilarejo estava cheia daquele burburinho suave que os lugares de veraneio têm quando o sol baixa: famílias com crianças pequenas que se recusam a dormir, casais jovens com cervejas na mão, algum grupo mais velho sentado numa varanda sob lampiões coloridos.
— Reservamos? — perguntou Diego enquanto esperavam no semáforo.
— Não — respondeu Natalia antes que qualquer outra pessoa pudesse falar—. Não reservamos nada o fim de semana inteiro.
— Por algum motivo será — disse Marcos.
Lucía sorriu sem dizer nada. Aquilo também era uma resposta.
***
Andaram uns dez minutos sem direção fixa, deixando-se levar pelo calçadão à beira-mar. Havia algo diferente no grupo naquela noite. Uma leveza, sim, mas também algo mais denso por baixo. Como se a tarde na praia tivesse dissolvido alguma resistência antes imperceptível, mas que agora, sem ela, se notava em cada pausa e em cada olhar que durava um segundo a mais do que o habitual.
Foi Natalia quem viu primeiro.
— Esteban — disse baixinho.
Todos olharam na direção que o olhar dela indicava. A uns vinte metros, caminhando no sentido contrário, estava o homem do quiosque onde tinham passado as últimas horas da tarde. Cabelo escuro, camiseta branca, aquele jeito de se mover sem pressa que têm os que vivem a vida inteira perto do mar.
Esteban os reconheceu na hora.
— Olha só! — exclamou, abrindo os braços como se fossem velhos conhecidos—. Os do Aperol spritz.
Marcos foi o primeiro a se aproximar.
— O mesmo — disse, apertando a mão dele—. Dando um passeio?
— Estou procurando um amigo, mas acho que ele se perdeu. — Esteban deu de ombros e então olhou para o resto do grupo. Os olhos dele pararam um instante em Lucía, e depois em Natalia—. Boa noite.
— Boa — responderam as duas, quase ao mesmo tempo.
Marcos fez o gesto sem pensar muito. Ou pensando muito rápido, que às vezes é a mesma coisa. Pôs a mão nas costas de Lucía com uma suavidade que não tinha nada de casual.
— Olha — disse—, vou apresentar. Minha esposa.
Lucía não piscou. Não se afastou. Virou levemente a cabeça para Esteban e lhe ofereceu um sorriso tranquilo.
— Prazer.
A voz saiu limpa. Natural. Como se tivesse ensaiado aquela resposta por anos.
O silêncio durou menos de um segundo, mas estava ali. Diego percebeu na hora. Deu um passo em direção a Natalia e pôs a mão no ombro dela com a mesma naturalidade com que alguém faz algo que já fez mil vezes.
— E esta é a minha.
Natalia sustentou o olhar de Esteban sem piscar.
— Oi.
Esteban franziu a testa, muito de leve. Os olhos dele percorreram o grupo. Marcos ao lado de Lucía. Diego ao lado de Natalia. Ele tentou encaixar aquilo no que sabia, que não era muito, mas era suficiente para notar que algo não fechava. Olhou para Marcos. Olhou para Diego. Olhou para os quatro.
— Ah... sim. — Pigarreou—. Prazer em conhecer vocês todos.
— Igualmente — disse Marcos—. Nos vemos amanhã se passarmos pelo quiosque.
— Quando quiserem.
Esteban os olhou uma última vez antes de retomar o caminho. Já de longe, virou-se uma vez, como se conferisse alguma coisa. Mas não havia nada para conferir. Ou havia coisa demais. Os quatro o viram se afastar em silêncio.
Foi Lucía quem falou primeiro.
— Isso foi... — ela procurou a palavra—. Interessante.
— Foi rápido — disse Diego.
— Foi oportuno — respondeu Marcos.
Natalia soltou uma risadinha baixa. Não nervosa. Não desconfortável. Era outro tipo de riso.
— Ele não acreditou completamente.
— Não — confirmou Diego—. Mas também não soube o que fazer com isso.
— Normal — acrescentou Lucía—. Ele não tinha informação suficiente.
Marcos a olhou.
— E alguém aqui tem?
Lucía sustentou o olhar dele por um segundo a mais do que o necessário.
— Nós temos — disse por fim—. Mais ou menos.
***
O restaurante encontraram sem procurar demais. Um terraço pequeno com vista para o calçadão, mesas de madeira escura, luz quente e uma lousa na entrada com o menu do dia escrito à mão. Um garçom jovem, de camisa listrada e bem-disposto, os recebeu na porta.
— Mesa para quatro, certo?
— Sim — confirmou Marcos.
Ele os guiou até uma mesa junto ao corrimão, com o mar ao fundo e uma brisa na medida para não fazer frio. Ninguém comentou nada sobre onde sentar, mas a distribuição foi a mesma de antes. Marcos e Lucía de um lado. Diego e Natalia em frente. O garçom deixou os cardápios e desapareceu.
Por um momento, os quatro olharam o menu sem muita convicção.
— Tudo parece bom — disse Natalia.
— Isso sempre complica a decisão — respondeu Marcos—. Quando há opções demais igualmente atraentes, fica mais difícil escolher.
Diego ergueu os olhos do menu.
— Ou mais fácil. Você pede o que te dá vontade primeiro e esquece o resto.
— Você sempre tão prático — disse Lucía sem olhar para ele, mas com um sorriso que não se escondia.
— Alguém precisa ser.
Quando chegaram as bebidas — vinho branco gelado para elas, cerveja para Marcos e Diego — a conversa derivou para o dia. A praia, a água mais fria do que esperavam para essa altura de maio, o quiosque de Esteban e seus smoothies doces demais. Riam com facilidade. A tensão de antes não tinha desaparecido; tinha se integrado. Já não flutuava acima da conversa. Estava dentro dela, misturada às palavras e aos silêncios.
O garçom anotou o pedido. Escolheram para compartilhar: mexilhões no vapor, uma tábua de embutidos, camarões grelhados. Para os pratos principais, algum peixe e um arroz do dia que o rapaz recomendou com o entusiasmo genuíno de quem sabe que aquilo é bom de verdade.
***
Comeram devagar. Compartilhando pratos, cruzando os braços sobre a mesa para alcançar o que estava do outro lado, provando bocados que a pessoa da frente oferecia no garfo. Havia uma familiaridade nesses gestos que era nova. Não a familiaridade de quem está junto há anos, mas a de quem decidiu, sem falar, que não precisa mais manter certa distância.
Em certo momento, o braço de Diego roçou o de Lucía ao alcançar a jarra de água. Nenhum dos dois comentou. Mas Lucía deixou a mão um segundo a mais do que o necessário sobre a toalha, com os dedos abertos, e Diego notou o pé dela, descalço dentro da sandália, roçando seu tornozelo por baixo da mesa. A rola dele ficou tensa contra a calça. Bebeu um longo gole de cerveja sem olhar para ela.
Mais tarde, Marcos serviu vinho na taça de Natalia sem pedir. Ela o olhou por um segundo, passou a língua pelo lábio de cima — muito devagar, com toda a intenção — e sorriu.
— Obrigada.
— De nada.
Coisas pequenas. Gestos que, em outro contexto, seriam irrelevantes. Aqui não eram. Aqui eram declarações.
A conversa foi mudando de assunto com naturalidade. Falaram dos filhos, que estavam com os avós naquele fim de semana e provavelmente estavam aproveitando a situação a favor deles. Dos planos para o verão, ainda indefinidos. De uma viagem que nenhum deles tinha feito ainda, mas que todos queriam fazer. De como o trabalho tinha esse péssimo hábito de ocupar todo o espaço disponível, se a pessoa permitisse.
— É preciso saber fechar a porta — disse Lucía.
— Isso é mais fácil falar do que fazer — respondeu Diego.
— Sim. Mas neste fim de semana estamos fazendo isso bastante bem.
Marcos assentiu devagar.
— Bastante bem, sim.
Os olhares se cruzavam de maneira diferente agora. Mais diretos. Mais sustentados. Mas sem desconforto. Era como se alguém tivesse ajustado levemente o foco de uma câmera e tudo o que antes estava um pouco borrado tivesse ganhado definição.
Quando a conta chegou, houve a previsível troca sobre quem pagava. Natalia resolveu sem drama, com o cartão já na mão antes que a discussão pudesse se alongar.
— Hoje à noite pagamos Diego e eu. A próxima, vocês.
— Não tem próxima — protestou Marcos.
— Vai haver outra ocasião — disse Lucía.
Ninguém contradisse isso.
***
A noite lá fora estava mais fresca. Andaram pelo calçadão sem pressa, com aquela lentidão que as pessoas têm quando não querem que uma noite termine. A lua estava alta e redonda, e o mar soava suave à esquerda, aquele barulho constante e tranquilizador que faz tudo parecer menos urgente.
Em algum momento, sem que ninguém organizasse ou sugerisse, os casais ficaram separados por alguns metros. Lucía e Diego iam na frente. Marcos e Natalia, um pouco atrás. Não era uma separação. Também não era casual. Era algo intermediário para o qual nenhum dos quatro ainda tinha nome.
— Foi uma noite estranha — disse Natalia em voz baixa, sem olhar para Marcos.
— Em que sentido?
— No melhor possível.
Marcos não respondeu de imediato. Olhava o reflexo dos postes no asfalto molhado de uma lavagem recente e a silhueta de Lucía e Diego caminhando alguns metros à frente, os ombros quase se tocando.
— Sim — disse depois de alguns passos—. No melhor.
Mais à frente, Diego disse algo ao ouvido de Lucía que fez com que ela inclinasse levemente a cabeça na direção dele para ouvir melhor. O gesto foi pequeno. Quase imperceptível. Mas Natalia viu de trás e não disse nada. E o fato de não dizer nada já era, por si só, uma resposta.
***
O apartamento estava em silêncio quando chegaram. A rua quase vazia, só algum turista atrasado e o som distante de música vindo da praça. Marcos abriu a porta e deixou os outros entrarem. Entraram sem acender todas as luzes. Diego acendeu uma pequena luminária na sala, a do canto com a cúpula de tecido cor de areia. Lucía tirou as sandálias perto da entrada e as deixou alinhadas contra a parede. Natalia largou a bolsa sobre a cadeira de madeira que ninguém tinha usado para sentar durante todo o fim de semana.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Não era um silêncio incômodo. Era o silêncio de quem tem algo em mente e está medindo como dizer, ou se é preciso dizer, ou se o que já foi feito e o que já deixou de ser feito já diz tudo sem necessidade de palavras.
Marcos se apoiou no batente da porta da sala, com os braços cruzados e uma expressão que não era provocação, mas se parecia com ela. Olhou para os três.
— Uma coisa.
Todos olharam para ele.
— Passamos o dia inteiro ajustando coisas sem dizer em voz alta. Com Esteban na rua. No restaurante. No caminho de volta. — Ele fez uma breve pausa—. Vamos continuar assim ou alguém quer ser oportuno de uma vez?
O silêncio que se seguiu foi diferente de todos os anteriores. Mais denso. Mais consciente. Como se a pergunta precisasse de espaço para assentar no ar antes que alguém pudesse tocar nela.
Lucía foi a primeira a se mexer. Cruzou os braços, não como gesto defensivo, mas como quem pensa antes de falar, e o encarou.
— Depende — disse por fim—. Do que exatamente está sendo ajustado?
Marcos sorriu. Sem pressa. Sem pressa nenhuma.
— Do que vocês quiserem que seja.
Diego olhou para Natalia. Natalia olhou para Lucía. Lucía sustentou o olhar de Marcos por um segundo a mais do que sustentaria esse mesmo olhar vinte e quatro horas antes, quando ainda não tinham passado pela praia nem pelo jantar nem por Esteban nem pelo passeio sob a lua.
E, dessa vez, também ninguém se apressou a responder com palavras.
Lucía descruzou os braços. Cruzou a sala devagar, com aquela calma que têm as decisões já tomadas há horas sem que a pessoa ainda as tenha formulado, e parou diante de Diego. Pôs a mão aberta no peito dele. Deixou-a ali, sentindo o coração acelerado sob a camisa.
— Oportunos — disse, com a voz meio rouca—. Vamos ser oportunos.
Diego baixou o olhar para aquela mão e depois o ergueu até o rosto de Lucía. Procurou Natalia por cima do ombro dela. Natalia assentiu uma vez, de leve.
— Vai em frente — murmurou Natalia—. Já está demorando demais.
Lucía agarrou Diego pela nuca e enfiou a língua na boca dele sem mais preâmbulo. Mordeu o lábio dele, chupou, enfiou a língua de novo. Diego passou as mãos pela cintura dela, pela bunda, e a apertou contra si. Lucía sentiu no segundo seguinte a rola dura contra o ventre, pressionando através da calça, e soltou uma risada baixa contra a boca dele.
— Você já estava com isso armado, filho da puta.
— Desde o caralho do restaurante. Desde que você roçou meu tornozelo por baixo da mesa.
— Fiz de propósito.
— Eu sei, porra.
Marcos não havia saído do batente. Observava. Olhava para a própria mulher beijando outro, esfregando-se na rola dele, e não sentia ciúme: sentia a dele endurecer contra a calça, agressiva, urgente. Natalia o observava, não aos outros dois. Cruzou a sala devagar, parou diante dele e pôs a mão aberta diretamente sobre o volume. Apertou.
— Nossa — disse, com um sorriso lento—. Você gosta disso. Gosta muito de ver outro comer sua mulher.
— Muito.
— Eu também estou gostando. — Apertou a rola dele de novo, desenhando o formato por cima do tecido—. E isso aqui? Vai me meter você ou eu fico só olhando?
Marcos a agarrou pela nuca e a beijou como se tivesse passado o fim de semana inteiro esperando para fazer aquilo. Porque tinha passado o fim de semana inteiro esperando para fazer aquilo. Mordeu o lábio inferior dela, chupou, enfiou a língua até Natalia gemer contra a boca dele. Ergueu-a pela bunda, com as duas mãos, e ela enroscou as pernas na cintura dele. O vestido de linho azul subiu pelas coxas sem resistência. Ela não estava de calcinha. Marcos percebeu com a palma quando apertou uma nádega nua.
— Safada — disse ao ouvido dela—. Você jantou sem calcinha.
— A noite inteira. Na esperança de que você notasse.
— Estou notando agora.
— Toca meu cu.
Marcos deslizou a mão entre os dois corpos e a enfiou por baixo do vestido. Encontrou uma boceta encharcada, os lábios inchados e quentes, o clitóris já duro. Enfiou dois dedos de uma vez e Natalia jogou a cabeça para trás contra a parede, com um gemido que não tentou disfarçar.
— Caralho — murmurou Marcos—. Você está escorrendo.
— Estou assim desde que aquele Esteban me olhou como se soubesse. E desde que você disse "minha mulher" apontando para outra.
— Então fala você agora.
— O quê?
— Diz de quem isso aqui é agora mesmo.
— Seu. Essa boceta é sua esta noite, Marcos. Enfia até o fundo.
A poucos metros, Lucía já tinha aberto o cinto de Diego e estava baixando a calça dele até os joelhos. A rola saltou para fora da cueca, grossa, com a ponta brilhando. Lucía se ajoelhou no tapete sem parar de encará-lo, afastou o cabelo com a mão e a colocou na boca até o fundo. Diego soltou um gemido gutural e se apoiou com as duas mãos na parede.
— Puta que pariu, Lucía... puta que pariu...
Lucía tirava a rola devagar, olhava para ela, cuspia na ponta e tornava a enfiá-la inteira. Chupava devagar, chupava rápido, tirava e passava a língua por baixo, pelos ovos, pela ponta de novo. Erguia os olhos para ele a cada poucos segundos, com a boca cheia, e era aquele olhar que o estava matando, mais do que qualquer outra coisa. O olhar de uma mulher que sabe exatamente o que está fazendo.
— Marcos — disse Diego, com a voz quebrada—. Sua mulher chupa como uma deusa.
— Eu sei — respondeu Marcos do outro lado da sala, com Natalia ainda cavalgando os dedos dele contra a parede—. E a sua goza só com dois dedos. Olha só.
Natalia gemeu, mais alto, e cravou as unhas nos ombros de Marcos. Estava quase lá. Ele percebeu pela forma como a boceta se fechava ao redor dos dedos dele.
— Ainda não — disse ao ouvido dela—. Ainda não goza. Espera eu te meter.
— Mete logo, porra.
— No quarto.
Ele a pôs no chão. Natalia tirou o vestido pela cabeça em dois movimentos e o largou no tapete. Ficou nua no meio da sala, os peitos à mostra, a boceta brilhante entre as coxas. Marcos já estava baixando a calça. Lucía e Diego, sem combinar, não tinham parado. Lucía seguia ajoelhada, agora com a mão na base da rola de Diego e a língua trabalhando a ponta como se fosse um sorvete.
— Para o quarto vocês dois também — disse Natalia, olhando para eles—. Ou aqui. Tanto faz. Mas quero ver vocês.
Acabaram no quarto principal, na mesma cama de casal. Ninguém decidiu. Aconteceu. Lucía deitou Diego de costas e se montou nele, de pernas abertas, guiando a rola dele com a mão contra a entrada da própria boceta. Deixou-se cair devagar, gemendo enquanto ia se abrindo em volta de uma pica que não era a do marido e que estava entrando até o fundo. Quando a teve inteira dentro, ficou imóvel por um segundo, apertando-se contra os quadris de Diego, sentindo-se invadida.
— Caralho — sussurrou—. Que rola, Diego. Que puta rola você tem.
Ao lado, na mesma cama, Marcos tinha colocado Natalia de quatro. Agarrou as coxas dela com as duas mãos, cravou os polegares na carne da bunda e empurrou a rola até o fundo, tirando-a quase inteira a cada vez para enfiá-la de novo até as bolas baterem no clitóris.
— Mais forte — ofegava Natalia, com o rosto colado no travesseiro—. Mais forte, Marcos, me fode mais forte.
— Grita isso.
— Me fode. Fode minha boceta inteira. Arrebenta ela.
Lucía, montando Diego a meio metro dali, virou a cabeça para olhar a cena. O rosto de Natalia contra o travesseiro, a boca aberta, o cabelo desgrenhado, a bunda erguida recebendo rola. E Marcos atrás, suado, com os dentes cerrados, empurrando. A imagem a deixou ainda mais quente. Ela começou a cavalgar mais rápido, subindo e descendo sobre a pica de Diego, com os peitos quicando e as mãos apoiadas no peito dele para se sustentar.
— Diego — ofegou—, olha meu marido fodendo sua mulher. Olha para eles.
Diego virou a cabeça. Olhou. Marcos e ele trocaram um olhar de um segundo, sem dizer nada, sem sorrir um para o outro. Não precisava. Diego voltou para Lucía, agarrou as coxas dela com as duas mãos e começou a empurrar por baixo, metendo na boceta dela com toda a força que a posição permitia.
— Goza em cima de mim — disse ele—. Goza, Lucía, goza na minha rola.
— Espera. Espera. Me troca. Me põe como ela está.
Eles se moveram sem sair. Diego ficou atrás e Lucía apoiou os cotovelos na cama, olhando de frente para Natalia, que agora estava com os olhos fechados e as coxas tremendo porque Marcos a estava fodendo fundo e sem pausa, batendo com a palma aberta na bunda dela a cada poucas estocadas. Diego agarrou o cabelo de Lucía com uma mão, enroscou-o no punho, e enfiou a rola até o fundo de outra estocada. Lucía soltou um grito que morreu contra o travesseiro.
As duas mulheres se olharam. Olhos nos olhos, a trinta centímetros de distância, as duas com uma rola dentro que não era a do marido. Natalia esticou a mão e roçou os lábios de Lucía com o polegar. Lucía chupou o dedo, sem parar de gemer, sem parar de receber. E essa foi a primeira vez que se tocaram entre si em todo o fim de semana. Um polegar numa boca, duas bocetas cheias.
— Estou gozando — ofegou Natalia—. Estou gozando, Marcos, estou gozando...
— Goza, safada. Goza na minha rola. Agora.
Natalia gozou gritando contra o travesseiro, com o corpo inteiro tremendo e a boceta se contraindo em espasmos ao redor de Marcos. E Marcos a seguiu poucos segundos depois, afundando até o fundo com um rosnado e despejando todo o gozo dentro dela, jato após jato, com as mãos cravadas nas coxas dela.
Lucía o observava do próprio travesseiro, com os olhos semicerrados, enquanto Diego continuava a ir fundo nela por trás. Ver Marcos gozar dentro de outra mulher, ver o sêmen escapando de Natalia pelas bordas quando Marcos tirou a rola, a levou ao limite. Ela gozou apertando a boca contra o lençol, com as costas arqueadas, fechando a boceta ao redor de Diego com tanta força que ele não aguentou mais de três estocadas antes de gozar também, gemendo o nome dela contra a nuca dela, se esvaziando inteiro dentro dela.
Os quatro ficaram na mesma cama por alguns minutos. Sem falar. Respirando. Suados, pegajosos, com os corpos misturados de um jeito que já não permitia distinguir direito onde um terminava e o outro começava. Natalia tinha a cabeça sobre a coxa de Marcos e uma mão roçando o tornozelo de Lucía. Diego tinha a palma aberta sobre a barriga da mulher, sim, mas também sentia o calor de Natalia bem ao lado.
Foi Lucía, outra vez, quem falou primeiro.
— Oportunos — murmurou, com um meio sorriso contra o travesseiro.
— Oportuníssimos — respondeu Marcos.
E, desta vez, também ninguém teve pressa de acrescentar mais nada.

