O ménage que mudou as regras na minha casa
Eu não encontrava o maldito relógio. No escuro, no quarto de hóspedes, cada móvel parecia ter sido colocado ali de propósito para me trair. Tateei a mesinha, esbarrei no abajur e fiquei imóvel, com o coração acelerado, esperando ter acordado alguém.
Não aconteceu nada.
No fim do corredor, continuava o mesmo silêncio cansado que fica depois de uma noite de sexo demorado. Minha mulher dormia na nossa cama com o amante. Eu, ao contrário, estava acordado havia horas, ouvindo cada rangido do colchão, cada gemido abafado, cada risada murmurada quando já tinham terminado e, mesmo assim, continuavam se beijando como se o mundo não existisse fora daqueles lençóis.
Eu sabia distingui-los apenas pelo som. Ela gemia mais agudo quando ele a fodia de barriga para cima, com as pernas abertas e a boceta recebendo-o inteiro. Quando montava nele, o ritmo mudava: golpes mais secos, respiração entrecortada, a cabeceira da cama marcando o compasso enquanto ela mesma se empalava naquele pau que eu tinha imaginado vezes demais. E quando se virava e se oferecia de quatro, eu a reconhecia pelos gemidos abafados contra o travesseiro e pela voz grave dele ordenando que não se mexesse.
Eu tinha aprendido demais em uma única noite.
Minha boca estava seca. Saí nu para o corredor, com cuidado. A porta do quarto continuava fechada. Atravessei até a cozinha e me servi de um copo de água. Bebi de um só gole, depois outro. A dor de cabeça continuava latejando atrás dos olhos, mas não era apenas ressaca ou falta de sono.
Era outra coisa.
Como tínhamos chegado àquilo?
Tudo tinha começado semanas antes, quando Lía voltou a procurar Bruno. Fui eu quem abriu aquela porta, acreditando que controlava tudo. Pensei que conseguiria administrar a fantasia, mantê-la sob controle, observá-la a uma distância segura. Minha mulher com outro homem. Eu por perto. Eu presente. Eu consentindo. Repeti aquela palavra tantas vezes que acabei usando-a como desculpa para não encarar o que realmente estava acontecendo comigo.
Porque não era apenas vê-la.
Também era vê-lo.
Bruno tinha chegado na tarde anterior com aquela segurança tranquila que irrita e atrai ao mesmo tempo. Alto, ombros largos, corpo trabalhado sem exagero, barba curta, olhos pacientes. Não precisava se exibir. Bastava ficar de pé na minha sala para ocupar espaço demais. Lía tinha se colado ao lado dele assim que cruzou a porta, como se o corpo se lembrasse antes da cabeça.
A tensão explodiu durante o jantar.
Ela já vinha furiosa, por causa de segredos, de decisões tomadas pelas suas costas, daquela minha tentativa de consertar as coisas sem incluí-la. Quando deixou a taça sobre a mesa e me apresentou Bruno como se quisesse cravá-lo no meu peito, entendi que não estava improvisando.
— Apresento a você o Bruno — disse, olhando fixamente para mim. — Meu homem nestes dias.
— Lía...
— Não. Desta vez você não vai me calar. Você decidiu brincar de entender tudo sem me perguntar nada. Então olhe para mim agora.
Bruno tentou acalmá-la, mas já era tarde. Ela precisava me ferir porque estava ferida. E eu, em vez de responder, fiquei olhando para os dois como um idiota. Para ela, com a voz vibrando de raiva. Para ele, tentando sustentar a situação sem tirar a mão da cintura dela.
Depois discutimos. Depois bebemos. Depois ela o levou para o nosso quarto como se estivesse arrancando algo de mim diante do meu rosto.
E eu deixei.
***
— Ainda tem água gelada?
A voz me fez virar tão rápido que derramei metade do copo sobre a bancada. Bruno estava à porta da cozinha, nu, com uma mão apoiada no batente. A luz fraca marcava seu torso e seu ventre. Estava com o pau semiduro, pesado, ainda relaxado pelo sexo recente, e mesmo assim era imponente.
— Não queria assustar você — disse.
— Não esperava você.
— Eu também não esperava encontrar você acordado.
Abriu a geladeira, tirou a garrafa e serviu-se de água sem deixar de me observar de relance. Tentei sustentar seu olhar, mas meus olhos desceram sozinhos. Para o peito. Para o abdômen. Mais abaixo.
Ele percebeu.
— Fizemos muito barulho, não?
— Sim — admiti. — Bastante.
Ele sorriu de leve, sem zombaria. Isso tornou tudo pior.
— Lía é incrível.
— Eu sei.
— E você também sabe muito mais do que diz.
Fiquei calado. Bruno deixou o copo sobre a mesa e deu um passo na minha direção. Já não era possível fingir normalidade. A essa distância, ele cheirava a sexo recente, sabonete, suor seco, à mistura íntima que minha mulher havia deixado na pele dele.
— Na última vez que estivemos juntos — disse em voz baixa — você me olhava como agora.
— Não sei do que está falando.
— Sabe, sim.
Senti o rosto esquentar. Ele deu mais um passo.
— Você ficou excitado vendo-me foder sua mulher.
— Isso não significa...
— Ainda não terminei. Você também ficou excitado olhando para mim.
Fez-se um silêncio espesso. Não consegui negar. Não com meu pau começando a endurecer diante dele.
Bruno baixou os olhos e soltou uma breve expiração, como quem confirma uma suspeita.
— Olhe para você.
Baixei os olhos. Meu pau, que estava morto havia horas por causa da ansiedade, finalmente despertava.
— Não vou julgar você — disse. — Mas também não vou deixar que minta para mim.
— Não estou mentindo.
— Então diga.
— Não consigo.
— Consegue, sim.
Fiquei agarrado à borda da bancada, como se o mármore pudesse me sustentar. Bruno levantou a mão e tocou meu queixo com os dedos, obrigando-me a olhá-lo. Não era um gesto carinhoso. Era firme, quase clínico. Dominador sem teatralidade.
— Você gosta de mim.
Engoli em seco.
— Você me excita — sussurrei por fim.
A expressão dele mudou só um pouco, mas o suficiente. Não era satisfação. Era mais uma espécie de alívio bruto.
— Isso é verdade.
Ele ficou diante de mim. Seu pau tinha crescido por completo. O meu também. O ar da cozinha ficou denso, reduzido a duas respirações e ao zumbido da geladeira. Bruno me observava como se calculasse até onde me pressionar.
— Ajoelhe-se.
A ordem atravessou meu corpo inteiro.
— O quê?
— De joelhos. Agora. Se você hesitar demais, eu me viro e volto para ela.
Não sei o que me empurrou mais: o desejo ou o medo de perder aquele instante. Talvez as duas coisas. Ajoelhei-me devagar sobre o chão frio. Visto de baixo, o corpo dele parecia ainda maior. Mais real. Mais impossível de disfarçar com teoria, discursos ou qualquer palavra elegante.
A mão dele acariciou meu cabelo, afastando-o da testa.
— Isso — disse. — Sem pensar tanto.
Segurei seu pau com uma mão. Era pesado. Estava quente, duro, com a pele lisa sobre o tronco grosso e a cabeça úmida. Fiquei olhando para ele por um segundo longo demais. Bruno apertou de leve meu couro cabeludo.
— Beije.
Beijei a ponta. Depois passei a língua ao redor da cabeça, devagar. O gosto me atingiu imediatamente: sal, pele, restos da boceta da minha mulher ainda grudados nele. Aquilo me desarmou mais do que qualquer outra coisa. Gemi sem querer, e o som fez sua respiração ficar mais profunda.
— Porra — murmurou. — Assim.
Lambi-o de novo, demorando-me na coroa, no frênulo sensível, na umidade que se juntava sob minha língua. Meus dedos percorriam o tronco enquanto minha boca continuava explorando com uma mistura de fome e cuidado. Eu tinha dificuldade de dar o passo seguinte. Bruno percebeu.
— Abra mais.
Deixei-me guiar apenas pela voz dele e pela pressão suave de sua mão. Fui colocando-o na boca aos poucos, deixando-o avançar até onde minha garganta permitia. Era grosso, mais do que eu tinha imaginado, e precisei recuar por um instante para respirar.
— Não tenha pressa — disse. — Acostume-se.
Voltei a pegá-lo. Dessa vez entrou melhor. Fechei os lábios, chupei com mais decisão, usei a língua por baixo enquanto a mão trabalhava a parte que não cabia. Bruno soltou um gemido rouco e acariciou meu cabelo para trás, já não como quem guia, mas como quem sente prazer.
— Olhe para mim.
Obedeci sem tirá-lo completamente da boca. Os olhos dele estavam cravados em mim, escuros, concentrados, e aquele contato me deixou ainda mais duro. Continuei chupando-o, cada vez com menos medo e mais vontade. Comecei a pegar ritmo. Subia e descia a cabeça, sugando com força, deixando a cabeça bater na entrada da minha garganta. A saliva escorria pelo meu queixo. Ele cerrou o maxilar e soltou outro palavrão.
— Você tem uma boca muito boa.
Senti uma descarga direta no pau. Toquei-me apenas por reflexo, mas Bruno afastou minha mão.
— Não. Agora não vai gozar. Agora você vai me chupar.
Disse aquilo com uma firmeza seca que me fez obedecer na mesma hora. Entreguei-me mais. Segurei-o pelos quadris e aprofundei, engolindo um pouco mais a cada vez, testando o limite da ânsia até aprender a controlá-la. Ele começou a mover a pélvis em estocadas curtas, experimentando, e eu me ajustei ao ritmo.
Então ouvi passos.
Virei o olhar o suficiente para vê-la. Lía estava à porta, nua, com o cabelo despenteado e uma expressão de puro espanto excitado. No início, não disse nada. Ficou observando o marido chupar o pau do amante no meio da cozinha.
Bruno ainda não a tinha visto. Eu tinha. E, em vez de parar, continuei. Talvez justamente por isso.
Lía aproximou-se devagar até ficar ao lado dele. Tocou-lhe o braço. Ele virou a cabeça e os dois se encontraram num beijo imediato, úmido e longo. Eu continuava embaixo, com a boca cheia dele, olhando como se beijavam acima de mim. A imagem me desfez.
— Não pare — disse ela sem se afastar completamente da boca dele.
Obedeci.
Chupei com mais força. Bruno soltou um gemido aberto dessa vez e me empurrou de leve contra si. Quando subi para respirar, Lía segurou meu queixo e me olhou com os olhos brilhantes.
— Era isso que você queria, não era? — sussurrou. — Finalmente você se atreveu.
Não respondi. Apenas voltei a mergulhar nele. Já não havia volta.
Minha língua rodeou a cabeça e desceu pela veia do tronco enquanto minha mão massageava seus sacos. Bruno ficou inteiro tenso. Começou a foder minha boca com golpes mais marcados, sem brutalidade, mas sem pedir permissão. Deixei-me levar. Cada estocada me preenchia mais. Cada retirada me deixava querendo outra. Lía nos observava fascinada, com uma mão entre as pernas, tocando a boceta inchada enquanto me via engoli-lo.
— Olhe para ele — disse ela a Bruno. — Está louco.
— Estou percebendo.
Ele segurou meu cabelo com mais firmeza e enfiou o pau até o fundo. Meus olhos se encheram de água. Tive uma breve ânsia, controlei-a, recuei o suficiente e continuei. Bruno soltou um gemido grave.
— Assim, porra. Assim.
Lía ajoelhou-se ao meu lado. Beijou minha bochecha molhada de saliva, depois o canto da minha boca, depois minha boca, roubando de mim o gosto dele. Gemi dentro do beijo. Ela acariciou meu pau duro, finalmente, e quase gozei na mão dela.
— Nem pense em gozar ainda — disse, sorrindo. — Primeiro quero ver você nos servir.
Os dois me levantaram e me conduziram até o quarto.
***
A cama continuava desarrumada, com o cheiro forte de tudo o que havia acontecido ali. Lía deitou-se de costas no centro e abriu as pernas sem pudor, mostrando a boceta vermelha, inchada, brilhando de desejo e de uso. Bruno posicionou-se de um lado. Eu, do outro. Por um segundo, ninguém falou. Apenas a contemplamos.
— Venham — ordenou ela. — Quero suas bocas.
Inclinamo-nos ao mesmo tempo. Minha língua alcançou seu clitóris enquanto Bruno chupava sua entrada encharcada, enterrando o rosto entre seus lábios. Lía arqueou as costas imediatamente. O gemido saiu cru, sem vergonha.
— Porra... sim... assim... os dois...
Agarrei suas coxas e comecei a lambê-la com fome. O clitóris estava duro, sensível, pulsando contra minha língua. Bruno a abria com dois dedos para depois enfiá-los de uma vez, tirando-os enlameados e voltando a chupá-los diante dela. Lía gemia cada vez mais alto, perdida entre nossas bocas.
— Enfie mais dedos — pediu a ele. — E você não pare de me chupar, Leo, nem por um segundo.
Obedecemos. Bruno enfiou três dedos nela e começou a fodê-la com a mão enquanto eu continuava cravado em seu clitóris, chupando, lambendo, pressionando a língua contra aquele ponto que sabia fazê-la tremer. Lía agarrou meu cabelo, empurrando-me contra sua boceta com uma necessidade franca.
— Assim... assim, seu puto...
Seu corpo se retesou. Senti o espasmo antes de ouvir o grito. Ela gozou com força, molhando a boca de nós dois, apertando as coxas ao redor de nossas cabeças. Continuamos lambendo-a durante o orgasmo, sem deixá-la diminuir o ritmo. Ela arfou, afastou-nos um pouco e voltou a se abrir.
— Ainda não terminei.
Bruno subiu sobre ela. Posicionou o pau na entrada, deslizou de leve sobre os próprios sucos e enfiou-o com uma estocada lenta, profunda e deliberada. Lía abriu a boca e soltou um gemido longo que me deixou ainda mais duro. Ele ficou dentro dela por um segundo, enterrado até o fundo, olhando para ela.
— Olhe para mim quando eu foder você — disse.
— Foda-me — respondeu ela.
Ele começou num ritmo firme e amplo, golpeando fundo. A cama rangia a cada investida. Ajoelhei-me ao lado do rosto de Lía e ela logo procurou meu pau com a mão, encontrou-o duro e o acariciou com fome enquanto Bruno a penetrava repetidamente.
— Beije-me — pediu.
Beijei-a. Seus gemidos entravam na minha boca. A mão dela me punheteava no ritmo das estocadas dele, cada vez mais rápido, cada vez mais sujo. Bruno agarrou uma perna dela e colocou-a sobre o ombro para abri-la mais. A mudança de ângulo a fez gritar.
— Ah, merda... sim... aí... não pare...
Eu observava o pau dele desaparecendo dentro dela. Como saía molhado e voltava a entrar. Como a boceta da minha mulher se abria para receber aquele pau grosso que eu acabara de chupar. A visão me transtornou. Desci e peguei um de seus seios na boca, chupando o mamilo enquanto ela continuava me masturbando sem piedade.
Bruno olhou para mim por cima do corpo de Lía.
— Venha aqui.
Aproximei-me e entendi imediatamente. Ele colocou a mão na minha nuca e me levou em direção à boca de Lía enquanto continuava fodendo-a. Ela abriu os lábios e me engoliu a ponta. Entre as sucções dela e sua mão, já não consegui pensar. Bruno continuava empurrando dentro dela, e eu via seu ventre se contrair, seus peitos balançarem, seu rosto desfeito de prazer enquanto me chupava.
— Que boa putinha você é — disse ele.
Lía gemeu ao redor do meu pau. Aquilo quase me matou.
Bruno saiu dela por um instante e a virou sem delicadeza. Colocou-a de quatro na beira da cama. Eu me posicionei à frente. Ela segurou meu pau de novo e o levou sozinha à boca, olhando para mim de baixo, enquanto Bruno se colocava atrás dela.
A imagem era obscena e perfeita: minha mulher ajoelhada sobre nossa cama, chupando-me com os olhos úmidos, enquanto o amante lhe abria o cu com saliva e dedos.
— Relaxe — disse ele. — Você quer isso.
— Sim... sim... enfie...
Chupei o polegar de Lía enquanto Bruno trabalhava seu cu com dois dedos, depois três, preparando-a. Ela babava sobre meu pau, gemendo e tremendo. Quando Bruno posicionou a cabeça na entrada traseira dela e começou a pressionar, vi o corpo inteiro dela ficar tenso.
— Devagar...
— Respire.
Ele entrou aos poucos, abrindo-a com uma paciência brutal, sem tirar a mão de seu quadril. Lía soltou meu pau para gritar. Acariciei seu rosto, seu cabelo, seu pescoço, enquanto Bruno continuava afundando naquele cu apertado até ficar completamente dentro.
— Porra — cuspiu ele. — Olhe para você.
Ficou imóvel por um instante, deixando-a se acostumar. Depois começou a se mexer. Curto no início. Depois mais amplo. Mais duro. Lía voltou a pegar meu pau e levou-o à boca outra vez, como se precisasse se preencher pela frente enquanto ele a abria por trás. Vê-la assim arrancou de mim um gemido rouco. Segurei sua cabeça e comecei a foder sua boca com cuidado, acompanhando o ritmo de Bruno.
Já não éramos três corpos separados. Éramos uma única máquina de respirações, saliva, golpes de pélvis e gemidos sujos.
Bruno acelerou. O som mudou: carne contra carne, úmida e repetida, o cu de Lía recebendo-o a cada vez com menos resistência e mais ansiedade. Ela me chupava fundo, engolindo o que conseguia, masturbando-se ao mesmo tempo com uma mão enfiada entre as pernas.
— Eu vou gozar — murmurou, afastando-se do meu pau com fios de saliva na boca. — Não parem... não parem...
Desci uma mão e belisquei seu clitóris enquanto Bruno continuava fodendo-a por trás com estocadas secas. Lía gritou. Gozou tremendo, o orgasmo atravessando seu corpo inteiro e quase fazendo-a cair sobre a cama. Bruno segurou-a pelos quadris e continuou fodendo-a através das contrações, cerrando os dentes.
— Agora você — disse, olhando para mim. — Quero ver você.
Lía deixou-se cair de costas na beira da cama, aberta, exausta, linda. Bruno saiu do cu dela e virou-se para mim. Seu pau brilhava, molhado. Aproximei-me sem pensar. Ele me segurou pela nuca e colocou-o nos meus lábios. Abri a boca e ele o enfiou de novo, dessa vez sem experimentar. Eu já conhecia o caminho. Já sabia quanto conseguia engolir.
Ele começou a foder minha boca de verdade.
Suas estocadas eram controladas, mas profundas, levando a cabeça até o fundo da minha garganta e recuando apenas o suficiente para entrar de novo. Deixei que fizesse o que queria, segurando-o pelas coxas, a saliva escorrendo sem que eu pudesse evitar. Lía, deitada ao nosso lado, tocava-se enquanto nos observava.
— Isso — arfava. — Quero vê-lo gozar na sua boca.
Bruno grunhiu algo ininteligível e aumentou o ritmo. Senti seus sacos tensos contra meu queixo, o pulso do pau na minha língua, aquela mudança inconfundível que anuncia a ejaculação. Quis me afastar por um segundo para respirar, mas ele me segurou com firmeza.
— Engula.
Ele gozou com um gemido seco, despejando algo quente e espesso diretamente na minha garganta. Precisei apertar os olhos para suportar. Engoli uma vez, duas, três, enquanto ele continuava jorrando e soltando pequenos espasmos. Quando finalmente me deixou ir, tossi de leve e respirei como se tivesse voltado à superfície.
Lía me beijou imediatamente. Saboreou minha boca, lenta e obscenamente, como se quisesse provar o que acabara de receber. Depois baixou a mão até meu pau, duro ao limite.
— Agora é a sua vez.
Ajoelhou-se entre minhas pernas e começou a chupar-me com aquela mistura de ternura e atrevimento que sempre me desarmava. Sua língua percorreu meu pau, úmida e experiente, enquanto Bruno se posicionava atrás de mim e beijava minha nuca, meus ombros, minhas costas. Senti a mão dele descer pelo meu ventre, envolver meu pau junto à boca dela e marcar o ritmo.
Não aguentei nada.
Gozuei gemendo como um animal, tremendo entre a boca da minha mulher e a mão do amante, deixando a ejaculação sobre a língua dela e os dedos dele. Lía não afastou a boca até tirar a última gota. Bruno me segurou pela cintura enquanto minhas pernas amoleciam.
Caí sentado na beira da cama, sem ar, sem defesas, vazio e pleno ao mesmo tempo.
***
Ficamos em silêncio por algum tempo. Lía recostada sobre o peito de Bruno. Eu ao lado deles, com uma mão ainda perdida sobre a coxa dela. O amanhecer já clareava por trás das cortinas. Ninguém parecia ter pressa de fingir coisa alguma.
Foi ela quem falou primeiro.
— Nunca mais decida por mim — disse sem dureza. — Nem por você mesmo.
Assenti.
Bruno me olhou com aquela calma pesada que continuava me deixando nervoso.
— Você não é menos homem por causa disso.
Soltei uma risada breve e cansada.
— Não é isso que me preocupa.
— Então o quê?
Olhei para Lía, depois para ele. Já não fazia sentido continuar me escondendo.
— Que eu tenha gostado tanto.
Lía sorriu de lado e acariciou meu rosto.
— Então acostume-se a dizer a verdade.
Bruno beijou a testa dela. Eu os observei, ainda atordoado por tudo o que acabara de se quebrar e nascer ao mesmo tempo. Lá fora, começavam a se ouvir os primeiros ruídos da rua. Dentro daquele quarto, porém, continuávamos no olho do furacão.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não queria sair dali.