O pós-festival que acendeu nosso trio
Não vou fingir que tudo aconteceu exatamente assim. O que digo, sem rodeios, é que a base foi real: a noite, o festival, o calor grudado na pele, o álcool na medida certa para soltar a língua e aquela tensão que se instala entre adultos que já se desejam antes de admitir isso em voz alta.
Troquei nomes, lugares e alguns detalhes, mas a fantasia nasceu de algo concreto. E quando uma fantasia se alimenta de olhares reais, roçadelas reais e silêncios carregados demais, acaba pedindo um corpo. Foi isso que aconteceu conosco.
Éramos quatro. Eu, Darío. Minha parceira, Vera. Minha outra companheira, Nerea. E Lidia, amiga íntima das duas, cúmplice habitual de conversas sem filtro e jogos que sempre roçavam a linha sem se decidir a atravessá-la.
tínhamos combinado de nos encontrar antes do festival na casa de Vera, uma casa ampla perto do litoral, daquelas que no verão conservam o calor mesmo depois da meia-noite. Desde o primeiro copo, o clima virou a nosso favor. Purpurina nas maçãs do rosto, camisas abertas um botão a mais, risadas longas e conversas que, como sempre, acabaram em sexo.
— Você fica excitado quando olham para você — soltou Nerea enquanto desenhava uma linha brilhante ao lado do meu olho.
— E você, quando obedecem — respondi.
Vera riu da cozinha, apoiada no balcão, com uma taça na mão. Lidia não disse nada, mas sustentou meu olhar por um segundo a mais do que devia. Aquele tipo de segundo que, visto de fora, não parece nada e muda tudo por dentro.
Antes de sair, já tinham sido ditas barbaridades. Chuva dourada como uma piada que não soava tanto como piada. Ejaculação sobre o peito. Beijos compartilhados. Quem se deixaria amarrar e quem não. Que fantasia não confessada ainda estava pendente. Éramos adultos, ninguém fingia escandalizar-se, e justamente por isso cada frase tinha mais peso.
No festival, nos dispersamos e nos reencontramos cem vezes entre palcos, luzes e gente. Cumprimentávamos conhecidos, dançávamos apertados, bebíamos dos copos alheios e nos procurávamos com uma facilidade que não era casual. Às vezes eu tinha Vera colada ao meu lado. Às vezes era Nerea que me agarrava pelo pulso para me arrastar no meio da multidão. E mais de uma vez vi Lidia nos observando com aquela mistura de curiosidade e fome contida que se reconhece mesmo à distância.
Não aconteceu nada evidente ali, mas o corpo faz as contas mesmo quando a cabeça se faz de distraída. Vera se inclinava para falar no meu ouvido e roçava os seios no meu braço. Nerea dançava diante de nós e esfregava a bunda em mim sem o menor pudor. Lidia deixava-se abraçar mais do que devia quando tirávamos fotos. Tudo se somava.
Quando decidimos voltar, já era madrugada alta. O cansaço se misturava àquele ponto de excitação física que a música, o álcool e o desejo acumulado deixam. Dividimo-nos em dois carros. Voltei com Vera. Nerea e Lidia foram atrás.
Na casa nos esperavam uma tortilla fria, pão, água e aquela claridade feia e linda das horas em que já não é noite de verdade, mas ainda não amanheceu. Comemos de pé, descalços, despenteados, com a maquiagem borrada e os músculos frouxos. A fome passou rápido. A outra, não.
Foi Nerea quem propôs o jogo.
— Nada complexo — disse, tirando um dado de uma caixa onde sempre aparecia alguma surpresa. — O número mais alto manda. O mais baixo faz o que mandarem se sair ímpar. Se sair par, responde a uma pergunta.
— Perigoso — murmurou Lidia.
— Só se você quiser — disse Vera, com aquela voz tranquila dela que às vezes era mais sedutora do que qualquer ordem.
Sentamo-nos na sala. Janelas abertas, ventilador no máximo, pernas cruzadas sobre almofadas, a mesa afastada para abrir espaço. O jogo começou leve, quase ridículo. Um beijo no pescoço. Uma pergunta sobre o lugar mais estranho onde tínhamos nos masturbado. Um gole compartilhado de boca em boca.
Mas o corpo entende na hora quando já não se está brincando de verdade.
Em uma rodada, Vera ganhou e mandou que eu beijasse Nerea enquanto ela e Lidia olhavam. Fiz isso devagar no começo, apenas lábios, um roçar calculado. Nerea me agarrou pela nuca e abriu a boca sem pudor. A língua dela empurrou a minha, e aquilo já não tinha nada de inocente. Quando me afastei, Lidia nos encarava fixamente, com as pernas apertadas.
Depois Lidia ganhou. Seu sorriso tremeu de leve antes de ela falar.
— Quero perguntar à Vera se alguma vez ela se tocou pensando em mim.
O silêncio foi instantâneo. Vera não desviou os olhos dela.
— Sim — respondeu. — Mais de uma vez.
Lidia mordeu o lábio. Vi como engoliu em seco e como Nerea sorriu, satisfeita, porque a noite finalmente estava tomando o rumo que todos sabíamos que podia tomar.
As roupas começaram a cair depois disso. Primeiro as camisas. Depois os sapatos. Nerea acabou de sutiã e saia. Eu, de short. Vera tirou o top e ficou com um sutiã preto simples, úmido de suor sob os seios. Lidia foi a última a se despir pela metade, talvez por pudor, talvez porque soubesse o efeito que causava adiar aquilo.
Houve outra rodada e foi minha vez de mandar. Olhei para Lidia.
— Beije Vera.
Ela demorou dois segundos, não mais. Aproximou-se de joelhos, pousou uma mão na coxa da minha parceira e beijou-a com uma delicadeza que me excitou mais do que qualquer brusquidão. Vera correspondeu imediatamente. Começaram suavemente, mas no terceiro beijo já respiravam pela boca. Lidia soltou um gemido baixo quando Vera enfiou os dedos em seus cabelos e a puxou para mais perto.
Nerea pegou minha mão e a colocou sobre sua coxa nua sob a saia.
— Não me deixe aqui olhando sem tocar — sussurrou.
Acariciei devagar a parte interna da coxa dela, subindo até sentir o tecido úmido da calcinha. Ela virou o rosto para mim e me beijou com fome. Enquanto nossas línguas se enroscavam, meus dedos apertaram sua boceta por cima do tecido, e ela soltou o ar pelo nariz, tensa, excitada, já sem intenção alguma de disfarçar.
Continuamos assim por um tempo, alternando ordens, perguntas e carícias. Ninguém chegou a foder ali, mas quase era pior: a tensão tinha se tornado insuportável. Às sete da manhã, com a praia nos esperando horas depois e os olhos já pesados, Vera foi a única a dizer em voz alta o que todos sabíamos.
— Ou paramos agora, ou amanhã seremos cadáveres.
Ninguém quis discutir. Recolhemos os copos, apagamos as luzes e subimos.
***
A casa tinha dois quartos contíguos e um banheiro no meio do corredor. O habitual era simples: Vera e eu em um; Nerea no outro, e naquela noite Lidia dividiria o quarto com ela. As despedidas na porta foram longas demais para alguém que supostamente ia dormir. Beijos de boa-noite com os lábios roçando mais do que o necessário. Abraços lentos. Olhares que não conseguiam se soltar.
Fazia um calor insuportável. Deixamos as portas abertas para que algum ar circulasse. Deitei de roupa íntima ao lado de Vera e, do outro lado do corredor, ouviam-se pequenos movimentos, a cama do outro quarto, o murmúrio de duas mulheres se acomodando. Tentei dormir. Não consegui.
Vera também não.
Percebi primeiro pela respiração dela, mais desperta do que cansada. Depois pela mão, que me procurou sob o lençol e agarrou meu pau já meio duro. Não foi preciso dizer nada.
— Não vou dormir assim — sussurrou no meu ouvido.
Beijei o ombro dela. Vera virou-se para mim e ofereceu a boca. O beijo tinha aquela urgência silenciosa de quem passou horas se contendo. Enfiei a mão entre suas pernas e a encontrei quente, realmente molhada, não por exagero mental nem pela lembrança do jogo. Molhada o bastante para eu abrir seus lábios com dois dedos e sentir imediatamente como ela estremecia.
— Devagar — arfou. — Mas não pare.
Baixei a calcinha dela até o meio das coxas e me acomodei entre suas pernas. O ventilador não servia para muita coisa; o suor grudava nossas peles e as tornava ainda mais sensíveis. Comecei esfregando o clitóris dela com a ponta do dedo, círculos lentos, quase sem pressão, e ela mordeu o lençol para não gemer alto. Depois enfiei um dedo, então dois. A boceta dela me apertou com fome, molhada, viva, respondendo a cada movimento.
— Porra, sim... assim — sussurrou, com um fio de voz.
Chupei um mamilo por cima do sutiã até deixá-lo encharcado, depois afastei o tecido para lamber o seio inteiro, morder de leve a aréola, beliscar o mamilo entre os dedos enquanto os outros dedos entravam e saíam da boceta. Vera abriu mais as pernas e ergueu os quadris, entregue, buscando profundidade, tentando gozar sem fazer barulho e ficando ainda mais excitada justamente por se conter.
Eu estava completamente duro. Meu pau pulsava contra o colchão, pedindo para entrar em algum lugar, mas decidi prolongar aquilo. Desci com a boca. Beijei sua barriga. Abri-a com as mãos e enfiei a língua entre seus lábios molhados. O sabor me atingiu em cheio, e ela se retesou como um arco.
Tive de segurar sua coxa quando ela tentou fechá-la por reflexo. Chupei seu clitóris com fome, direto, alternando lambidas largas e pontas rápidas, e quando enfiei dois dedos novamente, curvando-os para cima, Vera levou o punho à boca para não gritar.
— Eu vou gozar — disse, destroçada. — Não pare, seu puto, não pare.
Continuei. Chupando sua boceta, metendo os dedos num ritmo firme, sentindo o clitóris endurecer sob a língua e as paredes internas se contraírem cada vez mais. O orgasmo veio em ondas curtas, mas intensas, com as pernas tremendo ao redor da minha cabeça. Ela gozou mordendo os nós dos dedos, sacudindo a pélvis contra minha boca enquanto eu lambia tudo, sem me afastar, aproveitando cada espasmo.
Quando levantei o rosto, ela brilhava de suor e excitação. O peito subia e descia violentamente. E foi então que vi o movimento no corredor.
Lidia.
Estava descalça, com uma camiseta comprida e os cabelos desgrenhados, imóvel junto ao batente do banheiro. Ainda não tinha entrado. Estava nos observando.
Soube na hora que estava ali havia pelo menos alguns segundos. Tempo suficiente para ter visto Vera gozar na minha boca. Tempo suficiente para entender que não tinha parado por acidente.
Nossos olhos se encontraram. Minha ereção tornou-se quase dolorosa.
Não fiz nenhum movimento brusco. Não queria alertar Vera, que ainda estava meio perdida na ressaca do orgasmo. Apenas sustentei o olhar de Lidia enquanto me erguia devagar e limpava a boca com as costas da mão. Ela não fugiu. Também não sorriu completamente. Mas ficou.
Passei uma mão pela coxa de Vera, ainda acariciando-a, e sem deixar de olhar para Lidia, deslizei os dedos molhados da boceta até a parte interna de sua perna, como se lhe mostrasse o rastro daquilo que acabara de provar. Lidia apertou os lábios. Baixou os olhos por um instante até meu pau duro marcado sob a roupa íntima. Depois voltou a me olhar.
Negou com a cabeça. Uma negativa clara, suave, não assustada; mais um “ainda não”.
Entendi. E isso me deixou ainda pior.
Vera, alheia, estendeu a mão e agarrou meu pulso.
— Me fode — pediu, num sussurro rouco. — Preciso que você enfie agora.
Eu não ia recusar. Tirei a roupa íntima de um puxão, afastei completamente a calcinha dela e me posicionei entre suas pernas. Continuei olhando para Lidia por cima do ombro de Vera. Ela não se moveu. Ficou ali, respirando devagar, observando enquanto eu guiava a ponta do pau até a entrada encharcada da minha parceira.
Entrei de uma só estocada, fundo, até o fim. Vera abriu a boca e deixou escapar um gemido abafado. Sua boceta ainda estava sensível do orgasmo, apertadíssima, e aquela mistura de umidade e contração quase me fez gozar no primeiro impulso.
— Porra... — murmurei. — Olha como você me aperta.
Tampei sua boca com um beijo enquanto começava a fodê-la num ritmo curto, contido no início para não fazer a cama ranger. Cada vez que eu saía quase todo, ela me prendia com as pernas e me obrigava a entrar de novo. Suas unhas arranharam minhas costas. Ela tinha o olhar perdido, o corpo pedindo mais do que o silêncio permitia.
Lidia continuava ali.
Isso mudou tudo.
Comecei a meter mais forte, mais seco, enterrando o pau com estocadas profundas que faziam o colchão ranger levemente. Vera virou o rosto, enterrou um grito no travesseiro e me recebia sempre com os quadris erguidos. Eu alternava entre beijar seu pescoço, morder seu ombro e olhar para sua boceta me engolindo inteiro, brilhante de fluidos, cada vez que recuava um pouco para enfiá-lo de novo.
— Assim, sim... assim eu gosto — sussurrou entre os dentes. — Me fode direito.
Agarrei uma perna dela e a ergui até minha cintura para abri-la mais. Daquele ângulo eu entrava mais fundo, e ela sentiu na hora. Retorceu-se sob mim, buscando a pancada exata, e comecei a investir contra ela num ritmo que já não tinha nada de prudente. O sutiã ficou torto sobre seus seios. Chupei um mamilo enquanto a fodia e senti como ela voltava a se retesar.
Então ouvi outro som. Muito baixo. Uma roçadela rápida, úmida.
Levantei os olhos.
Lidia tinha enfiado uma mão sob a camiseta. Não via tudo, mas via a postura, o movimento do braço, a respiração alterada, as coxas apertadas. Ela estava se tocando enquanto nos observava. Ali, no meio do corredor, a poucos metros da nossa porta aberta.
Quase enlouqueci.
Continuei fodendo Vera sem denunciá-la, mas já não conseguia tirar os olhos do corpo de Lidia. Sustentei seu olhar e acelerei. Vera percebeu a mudança.
— O que foi? — arfou.
— Nada — menti, cravando o pau até o fundo. — É que você está gostosa demais.
Enfiei a mão entre as coxas dela e esfreguei seu clitóris enquanto a fodia. O estímulo duplo a desarmou. Ela começou a gozar outra vez em espasmos, contraindo-se ao redor do meu pau, molhando-me ainda mais e me deixando à beira. Eu continuava vendo Lidia acariciar-se em silêncio, com as costas apoiadas no batente, a boca entreaberta, os olhos fixos no movimento dos meus quadris.
— Você vai gozar de novo — disse a Vera. — Vamos, faça isso. Me aperte. Goze no meu pau.
E ela fez. O segundo orgasmo explodiu mais sujo, mais desordenado. Agarrou minha bunda para me obrigar a continuar, e sua boceta me ordenhou com uma série de espasmos que me deixaram tremendo. Tive de cerrar os dentes para não gozar naquele mesmo instante.
Olhei novamente para Lidia. Ela estava vermelha, imóvel da cintura para cima e completamente entregue da cintura para baixo. A mão trabalhava depressa sob a camiseta. Seus olhos já não escondiam nada.
Falei apenas movendo os lábios, sem voz.
Algum dia será a sua vez.
Ela entendeu. Vi isso em seu rosto. No modo como engoliu em seco. No modo como seus joelhos pareceram ceder por um segundo. Então sua mão parou de repente. Ela fechou os olhos. Apertou as coxas. Gozou assim, em silêncio, olhando para nós pela metade, sem tocar em ninguém e participando de tudo.
Aquela visão me levou ao limite.
Retirei o pau por um segundo, segurei-o com a mão e voltei a enfiá-lo em Vera com duas estocadas profundas, brutais, já sem salvação. Gozei dentro dela com um grunhido abafado, esvaziando-me em jatos, sentindo sua boceta ainda tremendo pelo orgasmo recente. Fiquei sobre ela, respirando como se tivesse corrido quilômetros, enquanto o sêmen escapava dentro dela e Vera acariciava minha nuca, satisfeita, exausta.
Quando consegui erguer um pouco a cabeça, Lidia já estava indo para o quarto. Não correu. Não se escondeu. Apenas me ofereceu um último olhar, lento, safado, consciente, antes de desaparecer.
***
Vera adormeceu quase imediatamente, exausta, com aquela deliciosa letargia do corpo bem usado. Deitei-me ao lado dela, ainda meio duro por pura excitação residual, e levei vários minutos para desacelerar o pulso. Não sabia quanto ela tinha entendido, quanto havia percebido da mudança no meu ritmo, do meu jeito de olhar por cima do ombro dela, daquela tensão extra que me atravessara durante toda a foda.
Ela não fez perguntas. Não naquela noite.
Mas na manhã seguinte, quando acordamos tarde e a luz já forte entrava pelas persianas, Vera se espreguiçou encostando a bunda na minha pélvis e disse no meu ouvido:
— Ontem havia algo diferente em você. Não sei o que foi, mas me deixou excitadíssima.
Beijei suas costas, sem responder imediatamente.
Descemos os quatro para a cozinha como se nada tivesse acontecido e, ao mesmo tempo, como se tudo tivesse acontecido. Nerea parecia descansada, mas era observadora demais para não ter captado a eletricidade no ambiente. Lidia evitou olhar para mim nos primeiros minutos, embora suas bochechas se incendiassem sempre que Vera falava sobre como tinha dormido bem depois de “relaxar”.
Eu sabia a verdade. Lidia também. E talvez, no fundo, Vera a intuísse.
Na mesa do café da manhã, mãos se roçaram ao passar o café. Sorrisos íntimos demais se cruzaram. As brincadeiras ficaram mais fáceis, mas sob tudo pulsava outra coisa. Uma semente plantada de propósito. A certeza de que já tínhamos aberto uma porta difícil de fechar.
Nerea, que sempre farejava a mudança antes de todo mundo, olhou para Lidia e depois para mim.
— Aqui aconteceu alguma coisa — disse, divertida.
Lidia baixou os olhos para a xícara.
— Pode ser.
Não acrescentei nada. Não era preciso. Às vezes o desejo é melhor preparado quando ninguém o nomeia por completo. Não por pudor, mas para que ele cresça.
A única coisa que soube com clareza naquela manhã foi isto: depois daquela noite, o trio já não era uma ideia abstrata nem uma piada de festival entre copos. Tinha olhos, respiração, umidade e memória. Havia uma mulher que tinha gozado olhando para nós de uma porta. Havia outra que se deixara foder com uma intensidade diferente sem entender completamente por quê. E havia eu, com a cabeça cheia de tudo o que ainda faltava fazer.
Faltava colocar Lidia entre nossas mãos. Faltava vê-la parar de olhar para começar a participar de verdade. Faltava ouvir sua voz quando já não pudesse esconder os gemidos. Faltava beijá-la, abrir suas pernas, prová-la, compartilhá-la e deixar que ela nos compartilhasse. Faltava o passo que separa o voyeurismo do trio.
Mas o importante já tinha acontecido. O desejo deixara de ser teórico.
E quando isso acontece entre adultos que se desejam, o resto geralmente não demora muito.