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Relatos Ardientes

O que compartilhamos naquela cabana do norte

Chegamos a Tromsø no último voo do dia, com o céu ainda claro às dez da noite. Aquela luz ártica que não vai embora de vez e te desorienta, que faz o corpo não saber se está com fome ou com sono. Sebastián levava as mochilas, eu levava o celular com o mapa baixado. Fazia sete anos que estávamos casados e era a primeira vez que viajávamos tão longe sozinhos, para um lugar onde não conhecíamos ninguém e ninguém nos conhecia.

A casa ficava a quarenta minutos da cidade, à beira de um fiorde. Tínhamos encontrado numa plataforma local de hospedagem: «Experiência autêntica em família norueguesa. Cabana tradicional, comida caseira, vista para a água». O que o anúncio não dizia era o que íamos encontrar naquela noite.

Bjarne abriu a porta antes mesmo de batermos. Tinha uns cinquenta anos, era alto e forte, com o cabelo loiro muito claro misturado com branco e umas mãos que pareciam feitas para partir troncos. Falava pouco, mas quando falava olhava direto nos olhos. A mulher dele, Solveig, apareceu atrás dele com uma bandeja de chá. Era da mesma idade, com um sorriso aberto e um corpo que preenchia bem o suéter cinza que usava. Seios grandes, quadris largos, aquela segurança das mulheres que se sentem à vontade com quem são.

— Bem-vindos — disse Bjarne em um inglês tranquilo —. Nesta casa, compartilhamos tudo.

Na primeira vez que disse aquilo, tomamos como uma daquelas frases de hospitalidade escandinava. Só no jantar entendemos exatamente o que ele queria dizer.

***

Jantamos ensopado de cordeiro com legumes, pão de centeio e uma cerveja artesanal que tinha gosto de pão torrado. Bjarne falou dos fiordes, do inverno que estava chegando, dos alces que desciam até o jardim no outono. Solveig ouvia e, de vez em quando, pousava a mão sobre a minha na mesa. Não era desconforto o que eu sentia: era outra coisa, como se ela soubesse que naquela noite ia acontecer algo que eu ainda não conseguia nomear.

— Temos um costume — disse Bjarne quando terminou o prato, pousando a caneca sobre a mesa —. Quando recebemos casais nesta casa, tratamos como família completa. Comida, fogo, corpo. É uma forma antiga de dar boas-vindas. Aqui no norte, durante séculos, o frio matou quem não soube compartilhar. A comida, o calor, a confiança. Oferecer o corpo da sua parceira a um visitante não era um insulto: era dizer que você o considerava família.

Sebastián ergueu os olhos do prato. Eu também.

— Esta noite, se aceitarem: você com Bjarne, eu com Daniela — disse Solveig, com a mesma calma com que antes falara do tempo —. No mesmo quarto. Sem segredos, sem vergonha. Não é obrigação. Mas, se disserem que sim, fazemos direito.

Houve um silêncio. Do lado de fora, o fiorde era uma linha escura contra o céu pálido. Olhei para Sebastián. Ele olhou para mim. Há meses falávamos de algo assim na escuridão da nossa cama, aquelas conversas que começam como brincadeira e terminam sendo uma pergunta real que nenhum dos dois tinha coragem de fazer com seriedade. Senti calor entre as pernas antes mesmo de abrir a boca.

— Está bem — disse —. Aceitamos.

***

Bjarne apagou as luzes principais e deixou acesa só a lareira. O quarto tinha uma cama grande de madeira clara, mantas de lã e uma janela que dava direto para a água escura do fiorde. Nos despimos sem pressa, como se fosse a coisa mais natural do mundo, embora para Sebastián e para mim ainda não fosse.

Sebastián tirou a roupa devagar, com aquela calma dele que eu sempre gostei. O corpo dele era o que eu conhecia de memória: ombros largos, pouco pelo no peito, a ereção já marcando contra o boxer. Solveig tirou o suéter e por baixo não usava nada. Seios grandes e pesados, mamilos escuros e largos, barriga macia. Achei-a bonita de um jeito que eu não esperava.

Bjarne se aproximou primeiro de mim. Era enorme. O pau dele pendia comprido e grosso, e já estava meio duro quando pousou as mãos nos meus ombros. As mãos eram calejadas e quentes.

— Devagar — murmurou em norueguês. Depois, em inglês: — Me diga se quiser parar.

Me deitei na cama. Ele se ajoelhou entre as minhas pernas e as abriu com as palmas. Sua boca desceu pelo meu pescoço, pelos meus seios, pelo estômago. Quando chegou à minha virilha e passou a língua por cima do tecido, gemi antes de conseguir evitar.

Ao lado, Sebastián e Solveig já se beijavam. Ela tinha pegado o pau dele com uma mão e o movia devagar enquanto ele acariciava a bunda dela com os dedos. Ouvi ele rosnar contra o pescoço dela e algo em mim se soltou: já não importava o que eu supostamente devia sentir. Só importava o que eu sentia.

Bjarne me tirou a calcinha com os dedos e enfiou o rosto entre as minhas pernas. Língua plana primeiro, depois precisa no clitóris, depois dois dedos entrando devagar enquanto ele continuava. Ele me fodia com os dedos, devagar e fundo, sem pressa, me deixando encharcada.

— Bjarne — disse, com a voz mais rouca do que eu esperava —. Quero sentir você dentro de mim.

***

Ele ficou por cima. Encostou a cabeça na minha entrada e empurrou sem pressa, abrindo caminho centímetro por centímetro. Era mais grosso que o de Sebastián e eu notei isso desde o primeiro momento. Soltei o ar que vinha segurando.

— Continua — disse —. Não para.

Quando estava todo dentro, fiquei quieta um segundo, me acostumando ao tamanho e ao peso dele sobre mim. Então ele começou a se mover com um ritmo lento e profundo que me fez arquear as costas.

Ao lado, Solveig estava de quatro e Sebastián a fodia por trás. Ele a olhava com aquela concentração que eu conheço quando está muito excitado, a mandíbula tensa, os olhos fixos. Solveig gemia contra o colchão, os seios se movendo a cada investida.

Virei a cabeça para vê-los melhor e isso me esquentou ainda mais. Ver Sebastián enfiando o pau em outra mulher, gozando, sem culpa. E saber que ele também me via sendo fodida por outro.

— Como você está? — Sebastián perguntou sem parar.

— Muito bem — respondi —. E você?

— Incrível — respondeu, e continuou.

Bjarne agarrou meus seios enquanto me fodia, apertando-os com as palmas. Cada investida era mais funda. Gozei pela primeira vez sem aviso, com um grito curto que se misturou ao rangido da madeira.

***

Trocamos de posição várias vezes. Sentei sobre Bjarne e cavalguei nele enquanto Sebastián nos observava de trás, com Solveig ajoelhada chupando o pau dele. Em um momento, as duas mulheres ficaram lado a lado, de joelhos, com a bunda empinada, e os homens se alternavam entre nós sem pressa. Solveig me beijou na boca quando estavam trocando. Gostei da boca dela: macia, sem nervosismo.

Depois Bjarne me perguntou no ouvido se eu queria que ele me comesse pelo cu. Perguntei com a mesma calma, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e suponho que fosse.

— Sim — disse —. Devagar.

Sebastián nos observava do outro lado da cama. Vi no rosto dele a mistura de excitação e algo mais profundo, algo que eu não saberia nomear, mas que reconheci porque era o mesmo que eu sentia ao vê-lo com Solveig.

Bjarne usou os dedos primeiro, com óleo que tirou da mesa de cabeceira, com paciência. Quando empurrou a cabeça do pau contra o meu cu, fez isso devagar, com pausa, esperando que meu corpo o deixasse passar. Quando entrou, Solveig ficou à minha frente e abriu minhas pernas para lamber minha xota enquanto Bjarne me comia por trás. A combinação me fez gritar com o rosto enterrado na coxa dele.

— Não para — disse a Solveig —. Por favor, não para.

Sebastián gozou na boca de Solveig. Ela engoliu tudo e depois limpou os lábios com o dorso da mão, satisfeita, com um sorriso que não tinha nada de vergonha. Bjarne continuou me comendo no cu até eu gozar de novo, longa e com o corpo inteiro tenso. Então ele também gozou dentro, quente, em duas ou três ondas profundas.

***

Depois ficamos largados um tempo, respirando. Lá fora o fiorde seguia igual, quieto e pálido sob o céu que não chegava a escurecer. Alguém ligou a chaleira e tomamos chá com mel sem falar muito. Não era necessário.

No dia seguinte, Bjarne preparou ovos com salmão e café forte. Ninguém mencionou a noite anterior. Mas, antes de terminarmos o café da manhã, Solveig colocou a mão no meu joelho debaixo da mesa e apertou de leve.

— Hoje à noite, se quiserem, repetimos — disse.

Olhei para Sebastián. Ele tinha a mesma expressão da noite anterior: olhos quietos, um sorriso apenas esboçado.

— Claro que sim — disse ele.

***

Passamos nove noites naquela cabana. Cada uma foi diferente. Na segunda noite, Sebastián me comeu a boca enquanto Bjarne me penetrava por diante. Na quarta, Solveig e eu passamos uma hora enroscadas, as duas sozinhas, enquanto os homens observavam do sofá, com os paus duros e a mesma expressão concentrada. Na sétima noite, Bjarne encheu minha xota de porra e Sebastián a lambeu inteira, com calma, olhando nos meus olhos enquanto fazia isso.

Quando voltamos para casa, algo tinha mudado. Não entre nós: continuávamos sendo Sebastián e eu, iguais a antes, talvez mais próximos. O que mudou foi o limite. Sabíamos do que éramos capazes de sentir prazer, e isso não tem volta.

Uma noite, poucas semanas depois, Sebastián me abraçou por trás na cozinha enquanto eu lavava a louça.

— Quer que a gente procure um casal? — ele me perguntou ao ouvido.

— Já estava pensando nisso — respondi.

***

Montamos um perfil discreto em um aplicativo de encontros para casais. Fotos sem rosto, descrição curta: «Casal argentino, na casa dos trinta. Experiência prévia. Procuramos algo real, sem drama». As mensagens chegaram antes do que esperávamos.

O primeiro encontro foi com Nicolás e Pilar, de Mendoza, que estavam de passagem por Buenos Aires. Nos encontramos em um apartamento alugado para a ocasião, com vinho aberto sobre a mesa e aquela tensão dos primeiros minutos em que todos sabem por que estão ali, mas ninguém quer ser o primeiro a dizer.

Foi Pilar quem quebrou o gelo. Ela me olhou firme, largou a taça e perguntou:

— Começamos?

Direto ao ponto. Gostei.

Nessa noite, transamos até as quatro da manhã. Sebastián meteu o pau em Pilar com uma confiança que me deu tesão de ver, sem hesitar, sem me olhar em busca de permissão. Eu estava debaixo de Nicolás, sentindo o pau dele dentro de mim enquanto ouvia Sebastián gemer do outro lado da cama. A combinação de sentir um corpo novo e ver o meu se divertindo com outro foi exatamente o que eu tinha esperado desde a Noruega.

No fim da noite, os quatro largados sobre o colchão, Pilar me perguntou de onde tinha saído a ideia.

— Da Noruega — respondi —. De uma cabana ao lado de um fiorde e de um cara que nos explicou por que compartilhar pode ser uma forma de boas-vindas.

— Que viagem boa — respondeu ela, rindo.

***

Agora, quando Sebastián e eu estamos sozinhos, às vezes falamos daquela cabana junto à água escura. Do cheiro de madeira úmida e sal, do fogo aceso à meia-noite, de Bjarne e Solveig com aquela calma toda deles. Do que aprendemos sobre nós mesmos nesses nove dias.

De vez em quando, continuamos procurando casais. Às vezes repetimos com algum conhecido, outras vezes saímos em busca de algo novo. Cada vez que transamos com outros, lembramos da Noruega e daquele primeiro momento em que dissemos sim sem ter certeza de nada, e acabamos certos de tudo.

O que começou como umas férias diferentes se transformou em algo do qual não saberíamos abrir mão. Não porque precisemos de mais para ficar bem juntos, mas porque descobrimos que compartilhar, quando feito com confiança e sem vergonha, pode ser também uma forma de amar.

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