O que vi no barracão no dia do aniversário do meu filho
Eu queria pregar uma peça acendendo as velas diante do barracão. Quando empurramos a porta, ninguém riu: meu filho estava contra o móvel e o pai do amigo não parava.
Eu queria pregar uma peça acendendo as velas diante do barracão. Quando empurramos a porta, ninguém riu: meu filho estava contra o móvel e o pai do amigo não parava.
Subi ao terceiro andar para bisbilhotar e acabei trancada num armário, espionando uma madrugada proibida que mudaria tudo o que eu pensava do desejo.
Quando o primeiro se aproximou do carro, minha mulher já estava com a saia levantada e a blusa aberta. O que veio depois eu vi tudo de um sofá, copo na mão, sem respirar.
Desci para o banheiro numa noite sem luz, achando que estava sozinho na casa. A lanterna de um celular iluminou a cozinha e entendi por que os dois andavam tão estranhos.
Às duas da manhã, naquela sala com luzes vermelhas, parei de fingir que tinha ido só acompanhar meu marido. Eu estava olhando. E estava gostando demais.
Cruzei olhares com ele na lanchonete da área de serviço. Soube que ele ia me seguir até o banheiro, e soube que dali eu não sairia igual a como entrei.
Havia cinco assentos vazios no ônibus e mesmo assim ela escolheu o meu. Sorriu, ajeitou o xale sobre o colo, e eu soube que algo ia começar antes de sair.
Quando a vi de joelhos entre os arbustos do parque, soube que naquela noite revisaria o celular dela. O que encontrei mudou tudo o que eu pretendia fazer depois.
Eu a observava havia semanas da mesa do canto, com uma calma que bagunçava algo dentro de mim. Quando ela se sentou na minha frente no meu descanso, não veio sozinha.
Os óculos escuros nos deram a permissão perfeita: ele olhava as garotas de topless, eu olhava os homens, e os dois sabíamos o que viria depois.
Naquela manhã decidi sair sem nada sob a saia. Eu não queria ser tocada, só observada. E na sorveteria do segundo andar alguém percebeu.
Vi o motorista nos observando pelo retrovisor e, em vez de me cobrir, deixei que ele abaixasse meu top. Às três da manhã, meu ex e eu éramos um espetáculo grátis.
Eu era o diretor invisível de uma peça proibida: vi minha mulher se transformar diante do pintor sabendo que eu a espionava do outro lado da câmera.
A cerveja tinha nos deixado carinhosos e o terraço parecia vazio. Até eu ver o brilho de uns binóculos nos mirando do morro.
Quando levantei os olhos entre o capim, dois faróis se apagaram a trinta metros. Dentro do carro, uma sombra imóvel não parava de nos observar.
Eu estava meio dormindo, com a camisola na cintura, quando vi no espelho da penteadeira a silhueta do homem debruçado na minha janela.
Passei o verão inteiro esperando a enseada esvaziar. Encontrei-a deserta, sim, mas o vento me trouxe uns gemidos atrás das dunas que precisei ir buscar.
Quando me agachei para pegar uma revista na prateleira mais baixa, senti o ar frio entrar inteiro entre minhas pernas. Três pares de olhos se ergueram ao mesmo tempo. Não baixei a saia.
Cada vez que entro num provador, deixo a cortina só um pouco aberta. Quem olha do outro lado nunca imagina que eu estou esperando por ela. E quase sempre alguma entra no jogo.
Desci para a sala depois da meia-noite e vi os dois, nus, sobre o sofá. Minha mãe virou a cabeça e não havia vergonha, só irritação.