O hóspede que meu marido convidou para me olhar
Desci descalça pelo corredor enquanto ele dormia, decidida a dar ao meu marido os chifres que ele tanto desejava, mas do meu jeito: sem que jamais chegasse a saber que já os tinha.
Desci descalça pelo corredor enquanto ele dormia, decidida a dar ao meu marido os chifres que ele tanto desejava, mas do meu jeito: sem que jamais chegasse a saber que já os tinha.
Estávamos casados havia doze anos e eu jamais a tinha visto tão dona de si quanto naquela tarde, se deixando olhar em pé na água por homens que não conhecíamos.
A sala estava quase vazia quando ela escolheu sentar uma poltrona longe de mim. Ela não olhava para a tela: olhava para mim, e queria que eu percebesse.
Subi no último vagão pensando que faria uma viagem tranquila. Nunca imaginei que a mulher do vestido verde me convidaria a assistir ao que seu parceiro faria com ela.
Disse a ela que o limite era ela quem mandava. O que eu não esperava era o quanto eu ia gostar de ficar de lado, olhando, enquanto outros a descobriam.
A primeira vez foi um reflexo no vidro: uma silhueta imóvel do outro lado do pátio, olhando-a tomar café da manhã de robe. Ela não afastou a cortina. Também não a fechou.
Quando abaixei a tanguinha dela para passar creme, notei que o casal ao lado tinha parado de fingir. E então entendi que olhar também fazia parte do jogo.
Abri a porta com os fones de ouvido, sem suspeitar de nada. Quando me esforcei para olhar para a sala, ele não estava sozinho, e tive sangue-frio para ficar observando.
Ela estava ao meu lado havia algum tempo, observando-me enquanto eu me perdia no quadro. Quando finalmente falou, soube que nós duas desejávamos exatamente a mesma coisa.
Ela ficou imóvel entre as árvores, vermelha de vergonha, com as mãos cruzadas atrás das costas. —Só me deixa olhar — sussurrou —. Nunca vi um homem se tocar.
Eu tinha passado o dia inteiro sem vontade de nada. Até que, ao ligar o aquecedor, vi a mulher do prédio da frente andando quase nua pela cozinha, alheia ao meu olhar.
Eu poderia ter aguentado perfeitamente, mas não queria. Desci do carro, deixei a porta entreaberta e esperei que os faróis da estrada me encontrassem agachada.
Ela subiu ao palco vestida enquanto as outras já estavam quase nuas, e eu soube que naquela noite ela perderia completamente a vergonha na frente de todos.
Eu estava com a janela aberta e a mão onde não devia quando ouvi sua voz a três metros. Ao abrir os olhos, ela já estava me olhando.
Começou diante de uma webcam, no escuro e em segurança. Mas, naquela tarde, na praia da represa, não havia tela: apenas meu corpo, o sol e os olhos de homens que não desviavam o olhar.
Passei para o centro do círculo achando que controlava a situação. Eu não sabia que o short iria entrando aos poucos até me deixar quase sem nada diante de todos.
Sentei na penumbra, decidida a não tocar em ninguém e apenas observar. Mas meus dedos tinham outros planos enquanto eu a via se entregar a dois homens a um metro de mim.
Quando comecei a provocar Diego dentro da barraca, Camila estava com os olhos fechados. Mas a mão dela já se mexia sob o saco de dormir, e eu soube que ela não estava dormindo coisa nenhuma.
Ela levantou o vestido, me lançou um sorriso e começou a se tocar para o caminhoneiro que seguia ao nosso lado. Era só o começo de uma viagem inesquecível.
A cento e cinquenta metros da minha sombrinha, ela o acariciava sem disfarçar. Soube que voltaria pelas dunas para não perder nada do que viria depois.