Acreditei que estávamos sozinhos naquele quarto
Quando finalmente abriu os olhos, descobriu que as quatro poltronas ao redor da cama já não estavam vazias. E então entendeu a que ele jogava.
Quando finalmente abriu os olhos, descobriu que as quatro poltronas ao redor da cama já não estavam vazias. E então entendeu a que ele jogava.
Saíram do clube às duas da manhã. Renata não imaginava que a verdadeira atração daquela noite era transmitida numa tela aos pés da cama.
“Você sabe que fiquei pensando e me ocorreram várias invenções”, ele escreveu. Três horas depois, havia um desconhecido tocando a campainha da nossa casa.
Durante anos, achei que aquele arroio era só meu. Até o dia em que a filha do vizinho apareceu entre o mato e me olhou sem pudor.
Durante anos me exibi na janela sem que ninguém importasse, até a noite em que atravessei a rua descalça para me ajoelhar diante do único homem que se atreveu a me olhar de verdade.
Eu andava pelado em casa porque achava que ninguém me via. Até a vizinha da frente me cumprimentar com um sorriso que já sabia tudo sobre mim.
Nessa noite desci para pegar um copo d'água e ele estava acordado no sofá. O que aconteceu depois na minha cama, com meu padrasto respirando do outro lado da porta, ainda me queima.
Eu o cumprimentava havia quinze anos na praia sem imaginar o que aquele homem via todas as noites, pelo vidro do banheiro, enquanto eu pensava estar sozinha.
A janela do nosso quarto dava bem de frente para o terraço dele. Naquela noite entendi que a ideia de ser observada me excitava mais do que eu jamais admitiria.
Abri a cortina só o bastante para confirmar minha suspeita: ele estava lá fora, com a mão metida na calça, esperando ver algo que não deveria ter visto.
Deixei as cortinas abertas de propósito e fingi não vê-lo. Ele, parado na sua laje, não perdia um só detalhe do meu corpo nu.
Levo trinta anos fingindo ser a mulher recatada que meu marido acha ter libertado. O que ele não sabe é que neste cruzeiro sou eu quem controla o jogo.
Conectei o sistema do escritório só para vigiar a obra. O que apareceu na tela foi minha mulher tirando o biquíni diante dele.
—Marina, você não vai acreditar: entrei para arrumar o quarto e tinha um casal na cama. E eu fiquei olhando da porta, sem conseguir me mexer.
Você não nos conhecia de nada, mas passou a tarde toda com a mão dentro da sunga, nos vendo brincar. E nós sabíamos disso desde o começo.
Quando senti o olhar dele cravado nas minhas costas da janela da frente, soube que naquela tarde eu não ia comprar pão: ia dar a ele algo muito melhor.
Nunca pensei que ver outro homem olhando para minha namorada nua, com as pernas abertas sobre a areia, seria a coisa mais excitante que eu sentiria na vida.
Passávamos meses fantasiando com a ideia. Naquela noite, enquanto ela subia a escada atrás da garçonete, eu soube que veria tudo da sala ao lado.
Eu vinha imaginando aquilo havia semanas. Naquela madrugada, abri o portão, dei um passo no asfalto e soube que não ia parar até alguém me ver.
Achei que o balneário estivesse vazio até ouvir as risadas. Cinco vozes jovens, cinco olhares que não se desviaram do biquíni branco molhado contra minha pele.