Fingi dormir e descobri o que faziam na minha sala
Às três da manhã, fingi que a coberta me cobria os olhos. O que vi na minha própria sala eu não deveria ter visto nunca, e mesmo assim não desviei o olhar.
Às três da manhã, fingi que a coberta me cobria os olhos. O que vi na minha própria sala eu não deveria ter visto nunca, e mesmo assim não desviei o olhar.
Às três da madrugada Andrés bateu à nossa porta. O que aconteceu depois na beliche de baixo foi visto pelo meu gêmeo da de cima.
Passei meses deixando-a dançar sozinha, esperando que algum insistisse o suficiente. Nessa noite, um homem mais alto que eu conseguiu.
Eu passava a manhã de roupão, diante do computador, até que algo se moveu na janela do bloco em frente e eu soube que aquele dia seria diferente.
Eu estava há semanas deitada na minha rede, me besuntando de óleo e fechando os olhos, até que uma tarde senti que alguém me observava através dos ciprestes.
Ela saiu do vestiário de costas, com um biquíni que nunca tinha me mostrado. Senti ciúme. E, sem saber por quê, comecei a sentir outra coisa.
Fui ao clube para uma noite tranquila. Acabei atravessando a porta do quarto com a mulher de outro homem e a promessa de que ele esperaria do lado de fora.
O espelho do banheiro ficava bem em frente aos beliches. Naquela madrugada, descobri por que minha colega o tinha mudado sem avisar.
Naquela manhã, abri as cortinas com a ideia de espiar as camareiras. Não imaginei que seria uma desconhecida na janela da frente que não tiraria os olhos de mim.
Espiei sem pensar e vi os três tomando banho nus na piscina do vizinho. Naquela mesma noite entendi que olhar escondido também podia ser uma forma de tocar.
Naquela manhã ela acreditava estar sozinha. Tranquei o escritório, pedi que não me passassem ligações e abri o aplicativo justo quando ela entrou no quarto.
Nunca pensei que ver uma desconhecida se tocar ao amanhecer acenderia em mim um desejo tão forte que, naquela mesma noite, eu acabaria num parque, perdendo toda a vergonha.
Comecei com espelhos no chão e acabei descobrindo minha vizinha nua da varanda. Cada vislumbre fugaz virava uma droga.
Sussurrei minha fantasia no ouvido dela no meio do vagão lotado. Ela se surpreendeu, depois mordeu meu lábio e eu soube que naquela noite íamos para um hotel.
Quando me ajoelhei na areia com o sol batendo nas minhas costas, não imaginei que alguém observava cada movimento do outro lado do rochedo.
O primeiro cliente me pediu algo que não estava no meu contrato. Quando voltei ao quarto, Salvador respirava como se estivesse acordado havia horas.
O namorado dela brincava no celular a um metro de distância enquanto ela entreabria a cortina do provador e, toda vez que se despia, conferia com o olhar que eu ainda estava ali.
Achei que tinha colocado ela no lugar dela. Naquela tarde, ao sair do banheiro, ouvi um zíper sendo abaixado atrás da porta entreaberta da sala.
A sala estava quase vazia. Meu marido se levantou para buscar as bebidas e, antes de sair, tinha erguido minha saia e meu suéter o bastante para que o amigo dele não desviasse o olhar.
Nunca os vi. Só ouvi cada palavra, cada batida da cabeceira na parede, e de repente o prazer deles também virou o meu.