O que ouvi através da parede do hotel
Nunca os vi. Só ouvi cada palavra, cada batida da cabeceira na parede, e de repente o prazer deles também virou o meu.
Nunca os vi. Só ouvi cada palavra, cada batida da cabeceira na parede, e de repente o prazer deles também virou o meu.
Eu sabia a hora exata em que ela voltaria. Deixei a porta entreaberta, apaguei a luz e esperei ouvir seus passos no corredor para começar.
Minha esposa achava que o jogo terminava quando o técnico ia embora. Ela não sabia que a câmera escondida gravava tudo e que minha excitação mal começava ao vê-la do escritório.
Subi para usar o banheiro e ele me esperava com o zíper aberto. O que eu não calculei foi que alguém ia abrir a porta justamente quando estávamos de quatro.
Apagar a luz teria sido o sensato. Mas naquela noite, no nono andar de um hotel vazio, a última coisa que eu queria era passar despercebida.
Eu o conheci tímido e frágil, quando se chamava Tomás. Dez anos depois, ele cruzou a porta de minissaia, com um sorriso que prometia arruinar meu verão.
Pedi para ela vestir o short mais curto que tinha. Queria ver como os operários olhariam para ela enquanto passava, e como ela aguentaria o dia inteiro com aquela roupa.
Ela tomava seu gin tônica quando dois homens se sentaram ao lado dela e falaram de um filme. Quando terminou a bebida, ela já tinha assinado.
Reservei o lugar para nosso aniversário, mas ela se adiantou: a pousada era o quartel-general de um clube privado e, naquela noite, o botão vermelho ficava ao lado da cama.
Com dezoito anos, eu nunca tinha ficado com uma mulher. O último que eu esperava era que minha primeira vez viesse com a empregada que entrou para limpar meu quarto.
A salsa tocava alto demais. Encostei-me à parede, procurei a fresta entre as cortinas e o que vi do outro lado apagou para sempre a ideia que eu tinha da minha família.
Abri os olhos no meio da escuridão da sala e ela estava no batente da porta, mordendo o lábio, olhando exatamente o que eu não conseguia esconder.
Atrás de cada um dos três buracos podia haver qualquer um. Eu não via nada. Só sentia mãos, bocas e um olhar conhecido me observando do outro lado.
Ele vinha fingindo há meses que o uniforme dela não o afetava. Naquela tarde, com a coxa dela enfaixada e as mãos dele tremendo sobre sua pele, soube que não aguentava mais.
Estreei os tênis num sábado cedo, sem imaginar que voltaria para casa com o short úmido por motivos que não tinham nada a ver com correr.
Confessei a fantasia às onze e meia da noite. Às duas da manhã já tínhamos o encontro marcado e eu estava mais assustado do que ela.
Achávamos que estávamos sozinhos na enseada escondida, até eu notar que aqueles três não tiravam os olhos de nós. E isso nem incomodava a gente.
Ela limpava a varanda de calcinha e quase nada mais, sem saber que dois homens a espionavam do prédio em frente. E, para mim, vê-la desejada me enlouquecia.
Meu dono plantou a ideia como uma semente: dinheiro pelo meu corpo e um desconhecido observando cada detalhe. Numa terça-feira, saí para cumprir isso sem saber como terminaria.
Eu tinha entrado na torre para cobrar uma velha dívida. O que eu não esperava era ficar imóvel atrás da cortina, prendendo a respiração, incapaz de desviar o olhar.