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Relatos Ardientes

Perdi o controle na sex shop e todo mundo viu

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Fazia meses que eu usava o mesmo vibrador desgastado que um ex tinha deixado comigo, e chegara a hora de aposentá-lo. Não que me faltasse companhia — eu tinha um relacionamento estável e a coisa funcionava bem —, mas sempre gostei de manter meu próprio espaço para explorar. Naquela hora do almoço, saí sozinha, com tempo livre e uma ideia clara: renovar o brinquedo.

Moro na capital, mas sou de uma cidadezinha do interior. A cidade me acostumou a muitas coisas que, na minha terra, seriam impensáveis, entre elas entrar sem pestanejar numa loja erótica em plena tarde de um dia de semana. Havia uma galeria comercial na região central com vários estabelecimentos do tipo, discretos por fora, surpreendentes por dentro. Entrei no segundo que encontrei.

Era pequeno, mas bem abastecido. Vitrines com todo tipo de artigo, iluminação quente e alaranjada, música suave que abafava qualquer conversa constrangedora. Atrás do balcão havia uma garota de uns vinte e cinco anos, morena, com o cabelo preso num coque e um decote que claramente fazia parte da estratégia comercial da loja.

— Bem-vinda — disse ela sem tirar os olhos do celular. — Me avise se precisar de alguma coisa.

Passeei tranquilamente pelas prateleiras, olhando lubrificantes, estimulantes, acessórios de silicone. Ela se aproximou sem que eu a chamasse, como se tivesse percebido que eu estava avaliando de verdade, e não apenas dando uma olhada.

— Está procurando alguma coisa específica?

— Um vibrador — respondi. — O meu já não dá mais conta.

Ela sorriu. Apresentou-se como Camila e começou a me mostrar modelos com a naturalidade de quem explica as funções de um eletrodoméstico. Enquanto apontava para um dos expositores, virou-se para alcançar alguma coisa numa prateleira alta e foi então que eu vi: sob a calça de lycra semitransparente, aparecia a base circular e brilhante de um plugue anal.

Não consegui disfarçar.

— Você está usando…? — comecei.

Ela não se abalou.

— Sim — disse, voltando a se virar para mim. — Não me incomoda que você tenha percebido. Estou com ele enfiado na bunda desde que abri, às dez da manhã. No começo parece enorme, depois o corpo se acostuma e só fica a lembrança, sabe?, aquela sensação de estar cheia que não vai embora.

— Não é desconfortável trabalhar assim?

— Pelo contrário — respondeu, e não havia provocação em seu tom, mas algo pior: uma honestidade completamente tranquila. — Isso me ajuda a estar presente naquilo que vendo. Cada vez que me abaixo ou me estico, o plugue se move dentro de mim e eu me lembro de por que estou aqui. Termino o turno com a boceta encharcada e a calcinha pronta para o lixo.

Isso foi suficiente para que alguma coisa no meu corpo começasse a se mover sem pedir minha permissão. Senti a pulsação quente entre as pernas, a umidade brotando contra o tecido da calcinha, os mamilos endurecendo sob o sutiã.

Continuamos olhando os vibradores. Camila perguntou que tipo de estímulo eu preferia — interno, externo ou combinado — e respondi com mais detalhes do que teria dado em qualquer outra circunstância. Falei do meu ponto G, de que precisava de curvatura, de que gostava dos grossos porque picas finas nunca tinham me feito gozar. O ambiente da loja, o plugue em seus quadris quando ela se movia, a naturalidade com que falava sobre tudo aquilo: era tesão demais acumulado num espaço muito pequeno.

Escolhi um modelo de silicone cor de creme, realista, com função vibratória incorporada. Era exatamente o que eu tinha em mente quando saí de casa: grosso na base, com as veias marcadas, uma cabeça inchada que prometia me encher sem misericórdia. Enquanto o segurava, ocorreu-me uma pergunta que me pareceu ridícula no instante em que a formulei.

— Existe algum lugar onde eu possa experimentá-lo? Antes de ir embora, quero dizer.

Camila me encarou por um segundo.

— Não temos provador. Mas, se você quiser privacidade, posso mover algumas caixas. Já fiz isso antes.

Não sei o que esperava que ela respondesse. Não aquilo.

***

Ela reorganizou o fundo da loja em cinco minutos: duas caixas de papelão empilhadas de um lado, um expositor com rodinhas empurrado para a outra parede e uma cortina de tecido escuro que já estava pendurada numa barra no teto. Não era perfeito, mas funcionava. Da entrada não dava para ver nada.

— Tome — disse, entregando-me o vibrador sem embalagem. — Você tem tempo. E tome isto também — acrescentou, colocando na minha palma um sachê de lubrificante. — Embora eu suponha que, do jeito que você está molhada, não vá precisar.

Fiquei vermelha porque ela tinha razão. Entrei atrás da parede improvisada com o coração acelerado. Agachei-me para que ninguém me visse caso alguém espreitasse do lado de fora, tirei a calça jeans e a calcinha — que já estava irremediavelmente encharcada; um fio pegajoso se esticou do elástico até a minha boceta quando baixei o tecido — e sentei no chão. O frio do piso contra minhas nádegas nuas teve o efeito contrário ao esperado: em vez de me acalmar, tornou-me mais consciente de cada centímetro do meu corpo, dos pelos úmidos do púbis, dos lábios inchados que se abriam sozinhos, do clitóris pulsando como um segundo coração.

Olhei na direção de Camila. Ela me observava de volta, apoiada no balcão com os braços cruzados, o olhar fixo entre minhas coxas abertas.

— Se quiser, pode olhar — falei, quase sem pensar.

Ela assentiu com a cabeça e se aproximou devagar. Sentou-se a um metro de mim, em silêncio, com a expressão de alguém que presta atenção de verdade.

Abri completamente as pernas e comecei.

No início fui devagar, experimentando a superfície do vibrador contra mim sem introduzi-lo ainda. Passei a ponta pelos lábios externos, depois pelos internos, e então fiz círculos ao redor do clitóris, apertando de leve. A cabeça do brinquedo deslizou entre minhas dobras com a facilidade de algo destinado a entrar. A textura era exatamente o que eu procurava: firme, mas com alguma flexibilidade, realista o bastante para não parecer artificial. Camila não dizia nada. Apenas observava com aquela calma que, por si só, era mais excitante do que qualquer coisa que ela pudesse ter feito. Vi que passava a língua pelo lábio inferior sem perceber.

Empurrei-o devagar contra a entrada, pressionando de leve até a cabeça ceder e entrar. Depois baixei os quadris e deixei a gravidade fazer o resto. O vibrador entrou inteiro de uma vez, afundando até a base, e soltei um gemido rouco que não consegui conter.

A sensação foi imediata e intensa. Fazia mais tempo do que eu queria admitir desde a última vez que algo assim estivera dentro de mim daquela maneira, e o contraste foi tão brusco que precisei morder o lábio para não fazer mais barulho. Senti as paredes da boceta se esticarem ao redor do silicone, pulsarem, se agarrarem a ele. Apoiei-me na caixa atrás de mim e deixei o corpo se ajustar. Comecei a movimentá-lo, tirando-o quase até a ponta e voltando a enfiá-lo até o fundo, ouvindo o ruído úmido e obsceno que minha boceta fazia a cada estocada.

Então senti os dedos de Camila na extremidade do brinquedo, procurando o botão de ligar.

Ela o ativou.

A vibração me atravessou inteira. Não é exagero: foi literal, dos ossos dos quadris até as pontas dos dedos. O motor rugia dentro de mim, golpeando meu ponto G a cada pulso. Apoiei a cabeça para trás e soltei o ar de uma vez, com um gemido longo que escapou por entre os dentes cerrados.

— Assim — sussurrou Camila. — Continue, não pare. Enfie até o fundo, quero ver você gozar.

Empurrei com mais força, mais rápido, fodendo a mim mesma com o vibrador novo enquanto ela me observava a trinta centímetros do rosto. O primeiro orgasmo chegou antes que eu esperasse. Sou do tipo que molha muito — sempre fui, e nunca achei que fosse algo pelo qual pedir desculpas — e, daquela vez, foi mais do que o habitual: senti um jato morno sair disparado ao redor do brinquedo, ensopando minhas coxas e caindo no chão com um som claramente audível. Senti o frio do piso molhado sob a bunda e não me importei nem um pouco.

— Porra — murmurou Camila. — Você molha mesmo, hein.

Levantei a camiseta e o sutiã de uma vez e comecei a apertar meus peitos. Meus mamilos são muito sensíveis mesmo em circunstâncias normais; naquele estado, com o vibrador ainda zumbindo dentro de mim, era quase impossível não tocá-los. Belisquei-os, estiquei-os, rolei-os entre os dedos até ficarem duros como pedras. Camila observava sem intervir, e aquela passividade, aquele olhar sem pressa, me excitava mais do que qualquer participação ativa poderia ter excitado.

Foi então que notei a câmera.

Estava no canto do teto, apontada diretamente para o lugar onde eu estava. Não a tinha percebido antes porque estava completamente fora do contexto habitual em que alguém registra esse tipo de detalhe.

— A câmera — falei, apontando para cima, sem parar de mover o vibrador.

— Ela grava — respondeu Camila sem pestanejar —, mas o acesso é só meu. Ninguém mais tem. Depois eu assisto sozinha em casa, com a mão entre as pernas.

Não sei se era verdade. Naquele momento, não me importei.

Ela se aproximou, ajoelhou-se ao meu lado e começou a chupar um dos meus mamilos. Devagar, com a língua, sem pressa, como se tivesse a tarde inteira. Chupava, puxava, mordia de leve e depois soprava ar quente sobre a pele úmida. A mão livre desceu até minha boceta e seus dedos pousaram sobre o clitóris, fazendo círculos precisos ao redor da cabecinha inchada enquanto o vibrador continuava entrando e saindo. Tive o segundo orgasmo antes que ela mudasse de lado, encharcando seus dedos e o pulso. Ela os levou à boca sem parar de me olhar e chupou um por um.

— Gostosa — disse. — Eu sabia que você seria gostosa.

***

Mudei de posição: fiquei de quatro, com os cotovelos apoiados no chão, a bunda bem empinada e o vibrador ainda funcionando dentro de mim. O ângulo mudou tudo. A cabeça de silicone agora golpeava um ponto diferente, mais profundo, e cada empurrão arrancava uma descarga que subia pela minha coluna. Fechei os olhos e me concentrei apenas naquela sensação, na onda quente que se formava novamente no fundo do ventre.

Camila já não estava ao meu lado.

Ouvi-a conversando com alguém do outro lado das caixas. Uma voz masculina, depois outra, depois uma feminina. Risadas, comentários em voz baixa, o som de alguém folheando um catálogo. Clientes.

Fiquei imóvel, com o vibrador enterrado até a base, vibrando, pulsando dentro de mim como uma segunda batida.

Ninguém está me vendo. A caixa está ali. Eles não me veem.

Mas o simples fato de que poderiam me ver, de que aquela possibilidade existisse, ainda que remota, foi suficiente para acender algo dentro de mim de uma maneira completamente diferente. Voltei a mover o brinquedo devagar, sem fazer barulho, cerrando os dentes para não gemer, ouvindo a conversa do outro lado e sentindo minha boceta se contrair ao redor do silicone cada vez que um deles dizia alguma coisa.

Eram dois rapazes e uma garota, procurando artigos para uma reunião. Brincavam entre si com a intimidade de pessoas que se conheciam havia anos. Camila mostrava produtos, explicava as diferenças entre os modelos, e a conversa era completamente normal para aquele contexto.

E eu ali, a três metros de distância, de quatro, com a bunda nua exposta e um vibrador ligado enfiado até o fundo da boceta encharcada.

Levei uma mão até o clitóris e comecei a esfregá-lo enquanto continuava movimentando o brinquedo com a outra. A combinação era brutal. Senti um gemido baixo escapar e mordi o braço para abafá-lo.

Não sei se foi um movimento involuntário ou se, em algum nível, decidi fazê-lo sem admitir para mim mesma. A caixa se deslocou. Não muito, apenas alguns centímetros, mas o suficiente.

O silêncio do outro lado foi instantâneo.

Levantei os olhos. Os três estavam olhando para mim. A garota apertou o braço do rapaz ao lado, com a boca entreaberta. Os dois rapazes não disseram nada, mas um deles levou a mão à virilha e apertou o volume por cima da calça. Camila, atrás deles, esboçou um sorriso que não era de surpresa.

Fiquei exatamente como estava.

Não me cobri. Não fechei as pernas. Não tirei o vibrador. Pelo contrário: empurrei-o devagar até o fundo e também o retirei devagar, deixando que vissem como entrava e saía brilhando com meus líquidos, como a boceta se agarrava ao silicone a cada movimento. Meu corpo continuava reagindo como se nada tivesse mudado do lado de fora, porque nada havia mudado no que importava.

— É uma demonstração — disse Camila com uma tranquilidade desconcertante. — Se quiserem, podem se aproximar, só para olhar. Não se toca. A não ser que ela diga outra coisa.

A garota foi a única a se mexer.

Ajoelhou-se lentamente diante de mim, como se avaliasse a situação antes de se comprometer com ela. Então estendeu a mão e apertou um dos meus mamilos com a pressão exata. Não disse nada. Aproximou-se mais, baixou o rosto e chupou-o, puxando com os lábios e mordendo de leve. Deslizou a outra mão por baixo, até o meu clitóris, e começou a esfregá-lo em pequenos círculos rápidos, sincronizados com o vibrador. Eu também não disse nada, mas um rosnado rouco escapou do fundo da minha garganta.

Atrás dela, os dois rapazes tinham aberto as calças e tirado os paus para fora. Ambos estavam duros, apontando para o teto, e os seguravam com a mão direita, movimentando-os devagar. Um era mais grosso, avermelhado, com as veias marcadas; o outro, mais comprido e fino, com a cabeça brilhando de líquido pré-gozo. Não tiravam os olhos de mim.

Camila se aproximou pelo lado, passou um braço pelos ombros da garota e beijou seu pescoço. Mantinha a outra mão atrás das costas e, quando a tirou, segurava outro vibrador: maior, muito mais grosso, de silicone escuro quase preto, com nervuras ao longo de todo o eixo.

Ela me olhou.

— Sim? Aguenta um maior?

Assenti.

Ela tirou o meu da boceta com um ruído úmido, levou-o à boca e chupou-o inteiro, olhando para mim. Depois o apoiou no chão. Besuntou o novo com uma camada espessa de lubrificante brilhante, embora eu já estivesse escorrendo sozinha pelas coxas, e encostou-o na entrada.

Ela empurrou.

O estiramento foi uma linha tênue entre dor e prazer que me fez abrir a boca sem emitir som. Senti cada nervura do brinquedo abrindo caminho, minha boceta cedendo milímetro a milímetro, o ar escapando num longo suspiro que eu já não tentava conter. Quando entrou completamente, Camila o deixou ali por um segundo, imóvel, para que meu corpo se acostumasse. Depois começou a me foder com ele, em estocadas longas e firmes, enquanto a garota continuava chupando meu mamilo e esfregando meu clitóris com dois dedos.

O que veio depois foi diferente de tudo o que acontecera antes, não em termos de mais ou menos, mas de algo diferente: o tamanho mudava o ângulo, a pressão, a maneira como meu corpo processava cada movimento. Cada empurrão arrancava um gemido novo, cada nervura do vibrador raspava contra o ponto G como se tivesse sido feita para aquilo. Perdi o fio de todo o resto. O teto, as caixas, a música de fundo, os rapazes parados ali, masturbando-se diante de mim. Tudo se transformou num ruído distante.

— Goza — murmurou Camila contra meu ouvido. — Goza, vamos, molha todo mundo.

O orgasmo que tive não foi como os anteriores. Começou no centro do corpo e se expandiu em ondas que não terminavam. Minhas pernas tremiam sem controle. Senti um jato quente escapar ao redor do brinquedo e espirrar no chão, na mão de Camila, nas coxas da garota que continuava agarrada ao meu mamilo. Gritei, já sem me importar com quem escutasse.

Os rapazes se aproximaram quase ao mesmo tempo, com os paus nas mãos, e gozaram sobre mim sem que eu participasse de maneira ativa. O mais grosso gozou primeiro, um jato espesso que caiu nos meus peitos e no pescoço. O outro o seguiu poucos segundos depois, apontando mais para baixo, respingando na minha barriga e nas coxas, misturando-se aos meus próprios líquidos, que continuavam escorrendo. Senti o sêmen morno descer pela pele, escorrer até o púbis, e aquele calor estranho de estar coberta por dois homens que eu não conhecia foi a última coisa que registrei com clareza. Aquela passividade também fazia parte de tudo.

Depois, nada.

***

Quando voltei a mim, estava coberta com um tecido macio, o chão limpo ao meu redor e a loja em silêncio. Apenas Camila, sentada numa caixa próxima, organizando produtos com uma calma desconcertante depois de tudo o que acontecera.

— Dez minutos — disse ela quando me viu abrir os olhos. — Nada mais.

Vesti-me sem falar, ainda um pouco desorientada, sentindo a boceta inchada e pulsando sob a calça jeans, a pele pegajosa onde o pano não alcançara. O vibrador estava numa prateleira próxima, ensacado e lacrado como se fosse novo.

Quando eu estava prestes a sair, Camila se aproximou e colocou um papel dobrado na minha mão. Um endereço e um horário escritos com letra caprichada.

— Foi mais do que eu esperava — disse. — No sábado vai ter uma reunião. Acho que você vai querer estar lá.

Saí para a rua com o sol do meio-dia batendo no meu rosto e o papel apertado no punho.

Ainda não sei se vou.

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