O presente de aniversário que eu jamais deveria ter visto
Isso aconteceu quase vinte anos atrás, mas eu me lembro com uma clareza que ainda me surpreende. Era o aniversário de 60 anos do meu pai. A comemoração oficial estava marcada para o fim de semana seguinte, com toda a família reunida, mas ele fazia aniversário na terça-feira e, naquele dia, saí mais cedo do trabalho, então me ocorreu passar lá para lhe dar um abraço sem avisar.
Ele tinha me dito que naquela tarde teria uma reunião tranquila com uns amigos de sempre. Nada especial, algo informal. Deixei o carro a um quarteirão de distância para não fazer barulho com o motor e caminhei até a casa pela calçada de terra.
O primeiro detalhe que me estranhou foi que tudo estava às escuras. As persianas fechadas, a luz da varanda apagada, o silêncio da rua sem nenhum carro conhecido estacionado por perto. Nada a ver com uma reunião de amigos. Parei um momento em frente à porta e escutei. Silêncio total.
Empurrei a porta. Não estava trancada. Entrei devagar.
***
Na cozinha encontrei sinais de que algo tinha acontecido ali pouco antes. Três garrafas de vinho tinto sobre a bancada, duas já vazias e uma apenas começada. Vários copos com restos de batom escuro na borda. Uma caixa de comprimidos ainda não totalmente aberta que eu nem parei para ler. Passei reto e segui pelo corredor.
A casa era térrea, então os sons viajavam sem obstáculos. Enquanto eu caminhava em direção aos quartos, comecei a ouvir algo que a princípio não consegui identificar: vozes muito baixas, quase sussurros, e depois uma risada feminina que vinha do fundo. Não era a risada de alguém falando ao telefone. Era uma risada íntima, compartilhada, de pessoas que estão à vontade na escuridão.
O primeiro impulso foi pensar que tinham entrado para roubar. Que alguma coisa estava errada. Continuei andando.
A porta do quarto principal estava entreaberta. Havia luz lá dentro, quente, como a de um pequeno abajur no canto. Cheguei mais perto devagar e espiei pela fresta.
Levei vários segundos para processar o que estava vendo.
***
Meu pai estava em pé ao lado da cama, com o telefone na mão e um sorriso que eu nunca tinha conhecido. Aos 60 anos, mantinha um físico que eu jamais tinha parado para observar: costas largas, sem barriga, os braços com aparência de trabalhados. Vestia um robe branco completamente aberto e segurava o telefone na altura do peito, como quem enquadra uma foto. Entre as pernas, já duro, o pau se movia pesado cada vez que ele transferia o peso de um pé para o outro. Era grosso, erguido contra o ventre, com as veias marcadas e a ponta avermelhada e úmida. Custou a eu associar aquela pica ao homem que eu tinha registrado como meu pai.
Aos seus pés, de costas para a porta, duas mulheres de lingerie escura posavam sobre o colchão. Uma era Mirta, minha madrasta. Reconheci pelo cabelo castanho, pelo formato dos ombros, por aquele perfume dela que eu conhecia havia anos. A outra tinha o cabelo preso de qualquer jeito e uma silhueta que a roupa mínima que usava deixava completamente à mostra: quadris largos, as costas bem desenhadas, as pernas levemente afastadas numa pose que não era casual. A renda preta da calcinha se enterrava entre as nádegas e deixava ver, no meio, uma mancha brilhante que se formara de frente para trás.

As duas riam. Era uma risada cúmplice, de gente que sabe exatamente no que está e se sente confortável ali.
Meu pai baixou o telefone. Disse algo em voz baixa que eu não consegui ouvir. E as duas se levantaram.
***
A mulher que eu não conhecia virou o rosto naquele momento e eu a reconheci na hora. Era Inés, a prima de Mirta. Eu a tinha visto em duas ou três reuniões de família, sempre vestida de forma discreta, sempre correta e distante. Era alguns anos mais velha que Mirta, passava dos 55 com folga, e naquela noite usava renda preta que deixava claro que não tinha chegado ali por acaso. O sutiã lhe levantava uns peitos grandes e brancos, separados no meio por uma corrente fina de ouro, e os mamilos se marcavam contra o tecido como duas pontas duras pedindo para serem soltas.
Fiquei imóvel no corredor, com uma mão apoiada na parede fria.
As duas cercaram meu pai sem que ninguém precisasse dar qualquer indicação. Mirta passou as mãos pelos ombros dele por trás, mordeu a base do pescoço e desceu uma mão pelo ventre até agarrar o pau dele. Apertou devagar, medindo a grossura, e começou a puxá-lo de cima a baixo com uma calma que não deixava dúvidas. Inés se colocou de frente para ele e apoiou as palmas no peito, movendo-as devagar para baixo, até chegar à mão de Mirta. Somou a dela. As duas mãos se alternavam na pica do meu pai, uma em cima e outra embaixo, cobrindo-a inteira, fazendo a ponta pingar sobre os nós dos dedos. Vi como as mãos das duas se moviam com uma calma que deixava claro que não era a primeira vez que estavam assim. Meu pai fechou os olhos por um momento e o robe caiu no chão.
—Olha como você tá com a rola dura —murmurou Inés, sorrindo, enquanto passava o polegar sobre a glande—. Igual a um moleque de vinte.
—Espera, prima, espera —disse Mirta, rindo contra o ombro dele—. Não termina sozinha.
***
Eu deveria ter ido embora naquele momento. A lógica me pedia isso com clareza: dar meia-volta, sair por onde tinha entrado, esquecer que tinha visto alguma coisa. Mas as pernas não me obedeceram. Fiquei grudado à fresta, respirando o mais devagar que conseguia, medindo cada inspiração.
As duas se ajoelharam diante dele ao mesmo tempo. Mirta segurou a base da pica com a mão e passou a língua lisa de baixo até a ponta, devagar, como se a estivesse medindo. Quando chegou em cima, abriu a boca e a enfiou inteira, até onde coube, e começou a chupar com uma entrega que eu jamais teria imaginado nela. As bochechas afundavam cada vez que sugava. A cabeça ia e vinha num ritmo baixo, constante, e um fio de saliva descia pelo queixo até cair sobre os seios.
Inés esperou sua vez sem pressa. Quando Mirta tirou a pica da boca, brilhando e pulsando, Inés se inclinou para o lado e enfiou a língua entre as bolas, lambendo uma por uma, chupando-as com a boca aberta. Mirta apontava o pau para ela, segurando-o, e a outra o mamava por baixo, gemendo baixinho, devorando-o como se estivesse esperando por aquele momento havia meses. Depois se alternaram sem dizer nada, uma oferecia a rola à outra, passavam-na como se fosse um doce, colocavam-na na boca por turnos e às vezes as duas ao mesmo tempo, juntando as línguas na ponta e deixando-a inteira brilhando.
Mirta tinha uma confiança no próprio corpo que eu nunca vira em nenhum almoço de domingo. Inés era mais decidida, mais direta, com uma desenvoltura que vinha de anos e de saber exatamente o que estava fazendo. Quando engolia até o fundo, o volume lhe marcava a garganta, e ela permanecia assim por vários segundos, sem engasgar, olhando para ele de baixo.
Meu pai tinha as mãos no cabelo das duas. Os olhos fechados. A respiração que eu ouvia do corredor era totalmente diferente de qualquer som que eu já tivesse associado àquele homem em toda a minha vida. Ele rosnava baixo, numa nota contínua, com a cabeça jogada para trás.
—Isso, vadias —disse de repente, com a voz rouca—. As duas juntas. Chupem direito.
O contraste era o que me paralisava: os mesmos móveis de sempre, a mesma cama, a mesma luminária de madeira que estava ali desde que eu era criança, e em cima daquele colchão algo que não tinha lugar nenhum na imagem que eu tinha da minha família.
***
Em algum momento ele mandou que as duas se levantassem e se sentou na beira da cama. Mirta tirou a calcinha num movimento só e deixou-a cair no chão. Tinha a xana completamente depilada e os lábios inchados, brilhantes, à mostra entre as coxas. Subiu em cima dele, de frente, e segurou a pica com a mão para posicioná-la na entrada. Desceu o peso do corpo devagar, gemendo à medida que ela ia entrando, e quando a teve inteira dentro soltou um gemido longo que encheu o quarto.
—Ai, Deus… que duro você tá hoje —disse, apoiando as mãos nos ombros dele para ganhar distância e encontrar o ritmo.
Começou a subir e descer devagar, com os quadris firmes, fodendo-o com um movimento que mostrava anos de saber o que fazer. Inés se colocou atrás dela, também já nua, com as mãos na cintura dela, guiando o movimento de um jeito que alongava tudo. Mordia o ombro dela, apalpava os seios por trás e os apertava, beliscava os mamilos e sussurrava coisas no ouvido dela que eu não consegui ouvir, mas que a faziam rir e acelerar.
Os gemidos de Mirta eram baixos no começo, controlados, como se estivesse calibrando alguma coisa. Quando Inés desceu uma mão e começou a tocar o clitóris dela por trás, enquanto ela seguia empalada e se movendo, os gemidos se abriram de repente.
—Isso, prima, isso, assim, ai não para…
Meu pai tinha os olhos abertos agora e olhava para Mirta com uma intensidade que eu não soube classificar: era concentração, era prazer, era algo que eu nunca tinha visto no rosto daquele homem e que não esperava encontrar ali. Ele segurava a bunda dela com as duas mãos e a ajudava a se empalar com mais força, levantando os quadris para afundá-la até o fundo.
—Me fode, velho, me fode direito —ela ofegava, mordendo o lábio dele—. Me fode como quando a gente tá sozinho.
O rangido da cama começou a se tornar constante. O som do pau entrando e saindo da buceta molhada de Mirta chegava claro até onde eu estava, misturado com o barulho úmido dos dedos de Inés trabalhando o clitóris dela por trás.
Inés se inclinou para a frente e disse algo no ouvido de Mirta. As duas soltaram uma risada curta. Depois Inés se afastou um pouco, mudou de posição, e do corredor ouvi sua voz com clareza:
—Sempre é assim de resistente com você?
Mirta demorou um segundo para responder, ainda em movimento, com a pica dentro e os olhos fechados.
—Hoje ele se preparou para a ocasião —disse, soltando uma risada entrecortada—. Temos a noite toda.
***
Essas duas frases caíram sobre mim como um balde de água fria. Não pelo conteúdo, mas pelo que implicavam. Meu pai tinha planejado aquela noite. Não era algo que tinha acontecido por impulso ou por acidente. As três pessoas naquele quarto tinham chegado ali por decisão própria, com antecedência, com vinho, com a caixa sobre a bancada da cozinha. Estavam comemorando seu aniversário exatamente do jeito que ele tinha escolhido.
Fiquei pensando nisso enquanto continuava olhando.
A cena mudou de posição. Inés se acomodou de costas sobre o colchão e abriu as pernas o máximo que pôde, mostrando uma buceta grossa, com os lábios escuros e o clitóris inchado aparecendo, já brilhante de tanto se tocar enquanto olhava para Mirta. Meu pai arrancou a pica de Mirta num puxão —eu vi quando ela saiu pingando, completamente ensopada— e enfiou-se entre as pernas de Inés sem esperar nada. Enterrou-a de uma só estocada, até o fundo, e a prima da minha madrasta soltou um grito rouco que se partiu no meio.
—Ah, ah, ah… sim, devagar que você me parte…
—Aguenta tudo, puta —respondeu ele, agarrando-a pelas coxas e começando a se mover com uma energia que eu não teria esperado de um homem da idade dele se não o estivesse vendo com meus próprios olhos.
Fodia-a com investidas longas, profundas, tirando-a quase inteira e enfiando-a de novo até o fundo, fazendo as bolas baterem na bunda dela a cada golpe. Inés tinha as pernas erguidas e afastadas, sustentadas pelas mãos dele, e os peitos quicavam a cada estocada.
Mirta se colocou em cima de Inés, de frente para ela, sentando a boceta pingando sobre a boca. Inés abriu a língua e se prendeu aos lábios da prima sem hesitar, chupando seus fluidos, enfiando a língua dentro dela, fazendo-a gemer ainda mais forte do que já estava gemendo pela pica. As duas ficaram assim, cada uma entregue ao seu, mas também atentas uma à outra de um jeito que falava de muita confiança acumulada. Mirta segurava os seios e os apertava enquanto se esfregava com a buceta na boca de Inés, e meu pai comia Inés com um ritmo brutal, olhando por cima para Mirta e apertando também os seios dela por frente.
O ritmo aumentou. A cabeceira da cama começou a bater contra a parede com uma regularidade que enchia todo o corredor. Os gemidos de Inés perdiam qualquer controle, às vezes abafados pela boceta de Mirta em cima da boca, e meu pai respondia com rosnados curtos que eu ouvia à distância como uma trilha sonora completamente alheia ao homem que se sentava ao meu lado nos jantares de Natal.
—Comam-se as duas, vamos —ele rosnava, sem parar de empurrar—. Quero ver uma chupando a outra.
Mirta desceu da cara de Inés e se acomodou ao lado. Começaram a se beijar fundo, com a língua para fora, enquanto ele continuava fodendo Inés sem pausa. Depois Mirta desceu pelo corpo da prima, lambeu-lhe os seios, passou a língua pelo ventre e parou justamente onde meu pai entrava e saía. Começou a chupar o clitóris de Inés enquanto a pica do meu pai seguia entrando e saindo a centímetros do rosto dela. Meu pai tirou a pica por um instante, enfiou-a na boca de Mirta —e vi como Mirta a mamava tirando o gosto da própria prima— e depois a enfiou de novo em Inés.
Inés gozou com um grito longo, agarrando o cabelo, com as pernas tremendo, enquanto os dois continuavam trabalhando o corpo dela por cima e por baixo.
***
A cena mudou mais uma vez. Meu pai virou Inés e a reposicionou de bruços, mandou que ela erguesse a bunda, acomodou o rosto dela contra o travesseiro. Abriu as nádegas dela com as duas mãos, cuspiu no meio e tornou a enfiar a pica, agora por trás, até o fundo, de um só impulso. Inés mordeu o travesseiro e deixou escapar um gemido surdo.
—Assim, assim, assim… —começou ele, fodendo-a com força, com as coxas batendo contra a bunda dela num tapa que se ouvia no corredor inteiro.
Mirta aproveitou o movimento para se acomodar ao lado dele, de joelhos, com a cabeça inclinada para o peito do meu pai. Mordia os bicos dos peitos dele, lambia o pescoço, falava no ouvido dele. Depois desceu a mão e acariciava as bolas dele enquanto ele continuava fodendo Inés por trás, marcando o ritmo, ajudando-o a aguentar.
—Vem, papai, dá direitinho pra prima —ela dizia—. Que ela lembre a semana toda.
O que veio depois foi mais intenso do que tudo o que havia antes: os corpos chocando-se com um som seco e regular, os gemidos de Inés abafados contra os lençóis, mas saindo mesmo assim, os de Mirta se misturando por baixo numa cena que tinha suas próprias regras e sua própria língua. Meu pai puxou o cabelo de Inés e jogou a cabeça dela para trás para entrar ainda mais fundo. A carne de Inés tremia a cada investida, os seios balançavam por baixo, e a buceta aparecia vermelha e aberta cada vez que a pica saía e voltava a entrar.
—Vou gozar, vou gozar, vou encher ela —avisou meu pai em um momento, com a voz quebrada.
—Ai, sim, goza dentro, enche ela inteira —respondeu Mirta, mordendo o ombro dele.
Inés apenas gemeu contra o travesseiro, assentindo, com a bunda erguida pedindo o fim. Meu pai deu mais cinco ou seis estocadas, brutais, sem medir, e no final afundou até o fundo com um rosnado longo que pareceu nunca terminar. Vi as costas dele se tensionarem inteiras, as pernas tremerem, a bunda apertar enquanto despejava tudo dentro dela. Quando finalmente a tirou, a pica pingava e um fio branco escorria pela coxa de Inés até o lençol.
Mirta se inclinou sem esperar nada e lambeu o resto da porra que havia ficado na ponta, limpando-a devagar, enquanto Inés se virava de barriga para cima com as pernas ainda abertas, mostrando a buceta transbordando, respirando fundo. Depois Mirta se acomodou entre as pernas da prima e começou a chupar a porra dele que ainda saía dela, com uma naturalidade que me desorientou de vez.
***
Senti que, se ficasse mais um segundo, eu ia me denunciar. O coração batia nos ouvidos e minha boca estava completamente seca. Comecei a recuar pelo corredor, colocando cada pé com cuidado, medindo o peso em cada tábua, evitando os pontos que rangiam.
Os sons do quarto me acompanharam por todo o caminho até a cozinha. Mirta dizendo algo baixinho para Inés que a fez rir. Meu pai respirando forte, se recuperando. E depois, quase de imediato, uma palmada e a voz de Inés dizendo “vem pra cá, gordo, que agora é minha vez de montar você”, e o barulho da cama começando outra vez.
Saí pela porta da frente com o mesmo cuidado com que tinha entrado. Fechei suavemente atrás de mim e o ar da noite bateu no meu rosto. Caminhei até o carro. Sentei ao volante sem dar partida por vários minutos, com a cabeça apoiada no encosto, processando o que acabara de ver.
Meu pai aos 60 anos, mais presente do que nunca, comemorando o próprio aniversário do único jeito que, para ele, parecia valer a pena. E eu, que tinha vindo para lhe fazer uma surpresa, levava para casa um segredo que ia me queimar por dentro durante dias.
Liguei o carro e me afastei sem olhar para trás.
***
No fim de semana, a reunião de família foi na casa do meu pai, como estava planejado. Cheguei no horário, cumprimentei meus irmãos, me servi de algo para beber. Tudo parecia exatamente igual de sempre: ele com a camisa impecável, Mirta fazendo as vezes de anfitriã na cozinha, a televisão ligada na sala de jantar com o volume alto demais.
Sentei-me à mesa e tentei não olhar para ninguém por muito tempo.
No meio do almoço, a campainha tocou. Mirta foi atender e ouvi a voz dela vinda da cozinha:
—É minha prima! Chegou de surpresa!
Inés entrou com jeans escuros e uma blusa de manga comprida, o cabelo solto agora, cumprimentando todo mundo com um beijo na bochecha como se fosse qualquer domingo. Quando chegou ao meu pai, o abraço foi breve, completamente normal para qualquer um que não soubesse o que eu sabia. Mirta, do outro lado da mesa, lançou a eles um olhar que durou meio segundo e que ninguém mais naquela sala poderia decifrar.
Eu decifrei perfeitamente.
Servi mais água. Preguei os olhos no prato.
***
Ver Inés sentada à minha frente, pedindo que lhe passassem a salada, comentando sobre o calor da semana, perguntando aos meus irmãos pelos filhos, era uma experiência que eu não sei bem como qualificar. Eu sabia coisas sobre aquela mulher que ela não sabia que eu sabia. Sabia como soava quando gozava com a pica do meu pai entrando até o fundo. Sabia o formato exato dos seios dela sob aquela blusa de manga comprida. Sabia como a buceta dela ficava aberta quando ele terminava dentro. Sabia a pergunta que ela fizera a Mirta no meio daquela noite de terça-feira. Sabia que a compostura com que estava sentada naquela cadeira era exatamente a mesma que, na outra noite, ela tinha deixado jogada no chão junto com a renda preta.
Comi em silêncio a maior parte do almoço.
Perto do fim, meu pai se levantou e ergueu a taça.
—Obrigado a todos por virem —disse com aquela voz grave de sempre—. Sério. Este foi um aniversário que eu não vou esquecer tão cedo.
Mirta e Inés trocaram um olhar de menos de um segundo. Seguraram alguma coisa que para os outros deve ter parecido emoção. Erguiram as taças com entusiasmo e brindaram com todo mundo.
Eu também erguí a minha.
—Feliz aniversário, pai —disse.
Ele sorriu para mim e deu uma palmada no meu ombro.
—Que bom que você conseguiu vir hoje. Você perdeu a tranquilidade da terça, mas o importante é que estamos todos juntos.
“Tranquilidade.”
Não disse nada. Terminei o vinho devagar e esperei alguém mudar de assunto.
***
Nunca contei nada. Nem naquela tarde nem nos anos que se seguiram. Aquela terça-feira ficou guardada numa categoria sem nome: íntima demais para contar, presente demais para esquecer. Toda vez que eu via Mirta numa reunião de família, ou quando Inés aparecia de vez em quando pela casa, a lembrança voltava com uma clareza que o tempo não conseguiu apagar por completo.
Meu pai fez muitos outros aniversários depois daquele. Em cada brinde, quando levantava a taça e agradecia por ter a família por perto, eu me perguntava se algum dia ele havia suspeitado que mais alguém estivera naquele corredor na noite de terça-feira. Nunca deu sinal nenhum de saber.
E eu nunca perguntei.