Minha parceira quis me dividir com ele na noite em que voltei
Eu tinha passado vinte horas viajando e só pensava em voltar para os braços dela. Não imaginava que esse reencontro me faria cruzar uma linha que eu jurava nunca cruzar.
Eu tinha passado vinte horas viajando e só pensava em voltar para os braços dela. Não imaginava que esse reencontro me faria cruzar uma linha que eu jurava nunca cruzar.
Ele levava um mês sabendo que a queria mais do que um amigo deveria. Quando ela abriu a porta do apartamento, entendeu que não dava mais para fingir.
Faziam dois anos. Ele entrou com o sobrinho pela mão, sentou-se a três mesas da minha e, sem dizer uma palavra, me fez lembrar de tudo o que fomos.
Ela levava oito anos de um casamento confortável e vazio quando um desconhecido sorriu para ela no supermercado. Não imaginava que aquele sorriso a deixaria sem marido, sem amante e, enfim, diante de si mesma.
Aceitei o trabalho pelo dinheiro. O que eu não esperava era que o silêncio daquela casa acabasse nos empurrando, aos dois, para algo que nenhum de nós conseguia nomear.
Quando ele bateu à minha porta à meia-noite, eu soube que tinha voltado a mentir para a mulher. E soube, também, que naquela noite ele seria só meu.
Encontrei-a chorando na cozinha, com o telefone ainda na mão e a voz do marido ecoando. Eu só queria consolá-la; juro que o resto não estava nos meus planos.
Subi a escada com o coração batendo como o de um adolescente. Ela me esperava lá em cima, e eu ainda não sabia que aquela seria a noite que me deixaria sem nada.
Aceitei o dinheiro dele sem imaginar como ele ia querer receber de volta. Quando ele chegou naquela noite com vinho e aquele sorriso calmo, eu soube que não havia mais volta.
Ele é sempre tão sério diante dos outros. Ninguém imagina que basta um olhar seu para eu baixar os olhos, me aproximar e me ajoelhar sem que ele precise pedir.
Quando o último colega fechou a porta, soube que naquela noite eu não voltaria para casa sendo a mesma mulher. Ele me olhou e eu já estava tremendo.
Caiu para ela o mecânico que ela vinha observando na fila. Quando ele lhe passou o telefone “caso o carro desse problema”, os dois sabiam que o carro era o de menos.
“Nem um pio”, ela o avisou antes de se ajoelhar sobre os azulejos frios. O filho dela ainda estava lá em cima e a água do chuveiro não abafava tudo.
Saí da piscina de roupa íntima e senti que ela me olhava. Já não era o filho da amiga: era um homem, e ela sabia exatamente o que queria de mim.
Olhei-me no espelho, mordi o lábio e soube que aquela foto traria consequências. Não demorou nem três minutos para a chave girar na minha fechadura.
Elas se conheciam desde a adolescência e se desejavam em silêncio. Quando ambas se casaram com homens que lhes davam liberdade, deixaram de se esconder.
Passamos cinco dias nos entregando sem tabus, mas foi naquela última manhã à beira d’água, com ela tremendo nos meus braços, que entendi o que realmente havia acontecido.
Cruzei as pernas devagar até roçar o joelho dela na poltrona ao lado. Ela não tirou os olhos das minhas coxas, e eu soube que naquela noite não terminaríamos vendo o filme.
Ela baixou as persianas, trancou a porta e ficou atrás de mim. “Você só precisa relaxar”, sussurrou. O que veio depois não estava em prova nenhuma.
Toda quinta-feira ela inventava uma desculpa tosca e eu fingia acreditar. Eu sabia exatamente aonde ela ia, com quem, e o que fariam durante aquelas três horas roubadas.