A última noite com ela antes do voo
Abri sua camisa contra a parede do hall, beijei seu pescoço e soube que não ia pedir que ela ficasse, mesmo morrendo de vontade.
Abri sua camisa contra a parede do hall, beijei seu pescoço e soube que não ia pedir que ela ficasse, mesmo morrendo de vontade.
Nunca tinha tirado a blusa ao ar livre. Eu estava com o coração disparado e as mãos tremendo, mas algo em mim precisava saber como era ser vista por um desconhecido.
Tinham se passado oito anos desde a última vez que eu me despi diante daquela câmera. Nessa noite voltei a ligá-la, e do outro lado ele ainda me esperava.
O grande desgraçado tinha usado o próprio corpo dela como inspiração, e agora ela tremia diante da tela sem saber se o que sentia era raiva ou desejo.
Entrei no chuveiro para tirar o cansaço do dia e acabei sentada no chão, com o jato entre as pernas, chamando você em voz baixa.
Quando ela deixou o robe cair, entendi que minha vizinha perfeita escondia muito mais do que qualquer um imaginava — e que, naquela noite, eu não queria voltar atrás.
Faziam seis semanas que eu não dormia direito e ainda carregava o cheiro dela nos lençóis. Naquele café, entendi o que custa perder quem ainda cheira a você.
São duas da manhã, não consigo dormir e estou sozinho. O calor aperta, a cama me queima e minha mente começa a vagar por nomes e corpos que eu achava esquecidos.
Eu ia esperá-lo de joelhos com o conjunto novo. O que eu não imaginei foi até onde eu iria sozinha, diante do espelho, antes que ele chegasse.
Não fui à praia para nadar. Fui para lembrá-la, centímetro por centímetro, até a lembrança ficar tão real que o corpo respondeu sozinho.
São três da manhã, os lençóis roçam minha pele nua e sua lembrança não me deixa em paz. Confesso o que faço quando você não está para fazer isso.
Ela estava junto à escultura de bronze, com um vestido preto que parecia apaixonado pelo corpo dela, e me olhou sem pudor, como se já soubesse o que íamos fazer naquela noite.
Durante seis meses tivemos a casa só para nós, e o contrato que nos unia virou uma rotina da qual nenhum dos dois queria fugir.
Esperei no ponto de ônibus com o coração acelerado, sabendo que assim que o carro dele aparecesse deixaríamos de ser mãe e filho para ser outra coisa.
Seis meses de liberdade terminaram com uma ligação: o pai voltava para casa. E eles teriam de esconder, sob o mesmo teto, um fogo que já não sabiam apagar.
Há semanas eu escolhia o vestido, o perfume, a lingerie. Nessa noite ele cruzaria a porta e enfim me veria como sempre sonhei que me visse.
Eu dormia na cama dele quando tinha medo. Na noite em que o vi chorando por mim, entendi que o que sentia pelo meu irmão não tinha volta.
Ainda sentia o eco da noite anterior entre as pernas quando entrei no quarto dela. Minha filha dormia com cara de anjo e eu só pensava em repetir.
Quando o telefone fixo tocou naquela tarde, eu jamais imaginei que aquela ligação me levaria a um hotel no centro, a dois homens me desejando e a uma versão de mim que eu não conhecia.
Ontem fui para a cama com minha ex-mulher, e foi de longe a coisa mais sensata que fiz a semana inteira. O que aconteceu nos outros quatro dias eu não devia contar, mas aqui estou.