Confesso o que passamos os quatro naquela noite
Começou com a mão dele dentro da minha calça enquanto fingíamos olhar para a tela. Nenhum dos quatro disse nada até ficar impossível parar.
Começou com a mão dele dentro da minha calça enquanto fingíamos olhar para a tela. Nenhum dos quatro disse nada até ficar impossível parar.
Eu estava prestes a entrar no jacuzzi quando bateram na porta. Era ela, com meu cartão na mão e aquele sorriso que eu imaginava havia meses.
Disse a eles que meu consolo era mais eficaz que qualquer bebida gelada. Tirei a roupa antes de entrar e esperei que a água quente me denunciasse no vapor.
Há vinte anos atrás do balcão, aprendi a ler as pessoas. Eu sabia que ela não fechava as contas do mês muito antes de ter coragem de me pedir ajuda.
Quando faltou luz e ficamos presos entre dois andares, soube que aquelas horas no escuro iam mudar tudo. E eu não fiz nada para evitar.
Me chamavam de solteirona dos gatos, mas ninguém do bairro imaginava o que acontecia na minha casa toda manhã, toda tarde e toda noite desde aquela terça de verão.
Não tínhamos trocado os telefones, mas eu sabia como encontrá-lo. Voltei ao chat com uma única ideia: que ele me chamasse de gatinho outra vez.
Ninguém respondeu ao interfone, mas a porta se abriu mesmo assim. Ali entendi que já não havia volta e que aquele homem faria comigo o que quisesse.
Passei o verão inteiro desejando isso e nunca tive coragem. Naquela tarde, com a piscina em silêncio e ninguém por perto, Adrián pulou na água pelado e me chamou.
Nós dois o desejávamos desde a primeira aula, mas nunca imaginamos que seria ele quem nos pediria para escolher entre esquecê-lo ou nos mudarmos para sua casa.
Acabei de completar vinte e dois e nunca tinha ficado com ninguém. Iván tinha três anos a menos, mas bastou uma aposta besta para eu entender quem mandava.
A voz metálica anunciou a próxima fase e, em vez de pânico, senti algo que eu não deveria sentir: uma vontade absurda de que tudo começasse de novo.
A varanda do motel se conectava à dele, e da penumbra uma voz grave me chamou de “bonito”. Eu devia ter entrado e trancado a porta. Não fiz isso.
Marquei três e meia quando entrei naquele banheiro deserto. Não passei o trinco. Foi o erro — ou o acerto — que mudou para sempre o que eu achava saber sobre mim.
O braço que descansava sobre seu abdômen não era o da namorada. Era pesado, quente, masculino. E Bruno não se lembrava de absolutamente nada da noite anterior.
Quando abri os olhos na sauna a vapor, ele já estava me olhando. E eu sabia perfeitamente quem era, embora jamais tivesse imaginado tê-lo tão perto.
Saí da academia com o corpo ainda pegando fogo e entrei pela trilha de terra para fumar sossegado. Não esperava que aquele carro preto parasse justo atrás de mim.
Quatro meses sozinho na montanha tinham deixado nele uma fome que nenhum uísque acalmava. Naquela noite, atrás da cortina vermelha da estalagem, três rapazes sabiam exatamente como recebê-lo.
Na sexta, por volta das dez, o ginásio quase vazio e um cara que pegava o dobro no banco ao lado. Bastou um olhar no espelho para tudo sair do eixo.
Eu tinha nadado três mil metros até a exaustão e só queria a água quente nos ombros. Então ele se virou sob o chuveiro ao lado e eu soube que aquela tarde não terminaria como as outras.