O que fazemos quando enfim nos deixam sozinhos
A porta mal se fechou e já tenho a boca dele buscando a minha, ainda com o gosto da noite entre os dentes. Agora a cama é só nossa.
A porta mal se fechou e já tenho a boca dele buscando a minha, ainda com o gosto da noite entre os dentes. Agora a cama é só nossa.
Iván e Nico entraram como se o ático já fosse deles, e antes mesmo de cumprimentar nos empurraram contra a parede da sala.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
Reconheci o sorriso de demônio encostado no balcão, com a toalha preta e o arnês vermelho, e soube que aquela noite a sauna inteira seria testemunha da nossa história.
Quando a porta se fechou e engoliu a última luz, só existiam as mãos, as bocas e a voz de Mateo dizendo que naquela noite eu era dele.
Quando entramos nus e pingando, os três caras que se ensaboavam se afastaram sem dizer nada e nos deixaram o centro, como se soubessem que a noite ainda não tinha acabado.
Saímos dos chuveiros enrolados em toalhas curtas, tremendo de frio. No jacuzzi, dois desconhecidos nos esperavam sorrindo como se tivessem acabado de encontrar o jantar.
Iván ainda dormia nos meus braços quando um barulho no corredor me tirou da cama. Eu não imaginava que o último dia seria o mais quente de todos.
Perdemos o jogo e caminhávamos rumo ao metrô quando um carro de luxo parou ao nosso lado. O homem ao volante tinha uma proposta que nenhum de nós esperava.
Eram duas da manhã quando ele aceitou cruzar minha porta. Só me pediu três coisas, e a terceira era a que mais me excitava: poder voltar atrás quando quisesse.
Andrés guardou o cartão por dois dias sem se atrever a escrever. Quando finalmente o fez, não imaginou que naquela mesma noite estaria nu contra a parede do próprio hall.
Estávamos há semanas em alto-mar e o velho contramestre vinha me olhando de um jeito diferente. Nessa meia-noite, ao terminar meu turno, bati em sua porta sem imaginar o que ele me pediria.
Ele achava que estava sozinho sob a água, até que um braço lhe rodeou o pescoço pelas costas e uma voz rouca sussurrou no seu ouvido o que já era óbvio.
Subi as escadas atrás dele sentindo seu perfume, sem saber que os colegas voltariam duas horas antes do previsto.
A chave girou na fechadura às duas da madrugada e eu ainda estava embaixo dele, sem a menor intenção de me cobrir. Quatro pares de olhos me olharam da porta.
Quase nove da noite, o campus vazio e uma mochila esquecida nos banheiros. Abri só para achar o dono. O que havia no fundo mudou tudo.
Eu passava anos entrando escondido só para olhar. Naquela tarde de verão, finalmente resolvi abrir a porta para um deles.
Sentamos como dois amigos quaisquer, mas nós dois sabíamos a que tínhamos vindo. Ao fechar a porta, nenhum de nós ousava dar o primeiro passo.
Há semanas eu fingia que não notava os olhares dele, as pernas abertas no sofá, os volumes que marcava de propósito. Nessa noite voltei cedo demais e parei de fingir.
Assim que os pais entraram na cozinha, o rapaz agarrou o volume dele por cima do jeans. Ninguém naquela casa imaginava como o jantar ia acabar.