O que aconteceu no vestiário depois do jogo
Fazia meses que ninguém a tocava. Naquela tarde de janeiro, com o vestiário vazio e os três caras ainda suados, ela largou de pensar e se entregou ao que viria.
Fazia meses que ninguém a tocava. Naquela tarde de janeiro, com o vestiário vazio e os três caras ainda suados, ela largou de pensar e se entregou ao que viria.
Eu não usava nada sob a pollera quando bati na porta daquele vagão enferrujado. Só queria um homem. Não imaginava que o capataz apareceria para impor suas regras.
Me usaram de mula e caí por causa de uma mala que eu nem sabia que levava. Dentro descobri que a única moeda que valia algo era o meu próprio corpo.
A gente se cruzava por acaso havia trinta anos. Naquela tarde chuvosa, na fila da farmácia, ela me olhou de um jeito diferente. E eu também.
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Elas chegaram ao rancho procurando um colchão para passar a noite. O que não esperavam era a história que os dois irmãos guardavam havia anos, nem a vontade com que iriam contá-la.
Nunca tinha entrado num sex shop, ela me disse. Entramos juntos numa cabine e, entre gemidos na tela, ela me pediu algo que eu jamais imaginei ouvir da sua boca.
Mateo acabava de expulsar a mulher do restaurante quando bateram na porta do escritório. Era a garçonete tatuada, e ela não vinha falar das contas do dia.
Achei que era só um jogo de mensagens fora de hora, até que uma tarde ele fechou a porta do meu escritório, apagou a luz e parou de me pedir permissão.
O atrito do lençol me acordou e, ao virar a cabeça, encontrei-a dormindo ao meu lado. Eu não lembrava da noite anterior, mas meu corpo lembrava.
Há dois anos ninguém me tocava. Minha filha sabia disso e, naquela tarde, apareceu no meu quarto com um fio-dental dois tamanhos menor e uma ideia na cabeça.
Conheci-a num bar decadente e, aos trinta, eu achava que sabia tudo sobre sexo. Essa mulher me mostrou, numa única noite, que eu não sabia nada.
Baixei o olhar para a janela da frente e entendi que naquela noite, entre caminhões estacionados, ninguém ia fechar as cortinas.
Cheguei sozinha a um andar recém-mudado, com uma legging colada e um suéter fino. O rapaz da mudança me olhou diferente ao fechar a porta, e eu soube que não ficaria na vontade.
Subiu ao vagão depois da meia-noite, sentou-se à minha frente e começou a me contar coisas que ninguém deveria confessar a um desconhecido na escuridão.
Saio para o ponto de ônibus sem calcinha, não para ir a lugar nenhum, mas para encontrar alguém que me olhe como ele me olhou naquela quinta-feira de março.
Entrei naquele hotel só para secar a roupa. Saí horas depois, com as pernas bambas e um segredo que carrego desde então.
Nunca pensei que o garoto magricela que eu lembrava viraria o homem que me fez tremer diante do espelho. E tudo começou por um nome.
Damián chegava toda sexta com vinho e um sorriso de marido exemplar. Tomás dormia feliz do outro lado da parede, sem saber que aqueles barulhos eram a única verdade que lhes restava.
Nunca vi o rosto dela. Só suas costas morenas respirando entrecortadas enquanto minhas mãos iam mais longe do que um massagista deveria ousar.