Segui minha esposa até aquele apartamento em ruínas
Ela voltava todas as madrugadas cheirando a tabaco americano e perfume novo. Eu calava e guardava minhas suspeitas, até a noite em que resolvi segui-la e descobrir com quem passava aquelas horas.
Ela voltava todas as madrugadas cheirando a tabaco americano e perfume novo. Eu calava e guardava minhas suspeitas, até a noite em que resolvi segui-la e descobrir com quem passava aquelas horas.
Aos quarenta e nove anos, eu achava que já tinha visto de tudo, até que aquele desconhecido encharcado tirou a camiseta no meu quintal e eu soube que a tarde não terminaria com jardinagem.
Ninguém no supermercado, na farmácia nem na padaria imaginava o que eu escondia debaixo da roupa. E era justamente isso que mais me excitava.
Atravessamos aquela porta sabendo que, ao fazer isso, deixávamos de ter vontade própria até a segunda-feira. Nenhum dos dois quis voltar atrás.
Quando abri a porta, esperava encontrá-la sozinha no sofá, como sempre. Não contava com a segunda silhueta que me fitava da penumbra da sala.
Todas as tardes eu atravessava o jardim para ajudá-lo com as videiras, mas os dois sabíamos que eu ia por outro motivo: pela forma como aquele homem enorme me olhava.
Quando sentiu a brisa arrepiar sua pele, soube que aquela noite de lua cheia não terminaria à beira-mar. E não queria que terminasse.
Todas as manhãs eu o espiava pela janela sem admitir. Numa tarde de chuva, ele bateu à minha porta encharcado, e eu soube que não daria mais para fingir.
Nessa noite, enquanto eu corrigia os exercícios no quarto do hotel, senti o olhar dele cravado em mim e soube que já não conseguiria ser apenas sua professora.
Nunca tínhamos passado de um cumprimento cortês, mas naquela tarde encharcada, presa pela chuva na loja dele, tudo mudou com uma única mensagem no meu celular.
Mal o conhecia, mas quando aquele desconhecido me agarrou na frente de todo mundo, o chofer deixou o copo no bar e se aproximou com uma calma que dava mais medo do que qualquer grito.
Ele me arrancou dois sorrisos em uma semana e eu lhe dei meu número. Naquela tarde, ensinei na escada do prédio tudo o que uma mulher experiente pode fazer.
Quando ela me entregou o cartão e disse para eu ir com fome, entendi que aquela mulher não buscava conversa: buscava alguém capaz de acompanhar seu ritmo até o amanhecer.
Dez anos depois da última despedida, ele a observou por cima do café e soube exatamente como iria ajudá-la. E o que pediria em troca.
Tinham-lhe avisado que no segundo dia não haveria piedade. O que ela não sabia era até onde as duas senhoras da sala branca estavam dispostas a levá-la.
Bruno achava que controlava tudo: a namorada, a amante e o próprio orgulho entre as pernas. Não sabia que naquela noite perderia as três coisas de uma vez.
Eu conhecia as regras: uma hora, sem limites combinados, quatro contra mim. O que eu não sabia era o quanto eu ia gostar de perder o controle nas mãos deles.
Estávamos há um mês sem ousar mais nada, até ela escolher outro filme de dominação e me perguntar, com aquele sorriso, se eu queria fazer de verdade.
Faz meses que eu não sabia dela. A ligação dela não foi um convite, foi uma ordem: naquela noite, eu deixaria de ser pessoa para virar propriedade.
Cada vez que fico sozinho em casa, repito o mesmo ritual. E cada vez fica mais difícil distinguir o jogo do que eu realmente desejo ser.