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Relatos Ardientes

A clínica que prometeu me mudar para sempre

4.5 (50)
Ilustração do conto erótico: A clínica que prometeu me mudar para sempre

Meu nome é Marta, e a primeira coisa que aprendi a fazer direito na vida foi me esconder. Aos oito anos eu me escondia embaixo da mesa de jantar quando vinham visitas. Aos dezesseis eu me escondia atrás de roupas largas. Aos trinta e quatro eu já tinha transformado isso em arte: nas fotos, eu me colocava ao lado das pessoas mais altas; nas reuniões, buscava a cadeira encostada na parede; nos vestiários da academia, eu me trocava no cubículo fechado mesmo quando não havia mais ninguém. Meu corpo — um metro e sessenta, cabelo preto até os ombros, um peso que eu não me atrevia a dizer em voz alta — tinha se tornado o centro de uma guerra que eu vinha perdendo havia anos.

Eu tinha duas coisas que não me deixavam afundar de vez. Rodrigo, meu marido, que me olhava de um jeito que eu nunca entendi direito, como se visse algo que eu não conseguia encontrar no espelho. E Nicolás, nosso filho de dez anos, que toda noite me pedia para cobri-lo e me perguntava como tinha sido meu dia com a mesma seriedade com que os adultos perguntam coisas importantes. Eles eram meu motivo. Mas não eram suficientes para calar aquela voz.

Nessa manhã de terça-feira, depois de deixar Nicolás na escola, tomei o caminho mais longo para lugar nenhum. Rodrigo estava no escritório. Eu tinha quatro horas vazias e a certeza de que, se voltasse direto para casa, ia acabar na frente do espelho do banheiro fazendo o de sempre: me olhando, me odiando, comendo alguma coisa que não devia para não pensar, me odiando ainda mais. Então eu caminhei.

O cartaz estava colado na vitrine de um local que um dia tinha sido uma farmácia. Letras pretas sobre fundo branco, sem enfeites: «Centro Horizonte — Transformação real. Disciplina. Resultados. Ligue hoje.» Um número de telefone e nada mais. Sem fotos de antes e depois, sem preços, sem sorrisos de modelo retocados. Só aquelas quatro palavras.

Cena 1 do conto: A clínica que prometeu me mudar para sempre
Un aviso que lo cambia todo

Peguei o celular antes mesmo de pensar.

—Centro Horizonte, aqui é Claudia. Em que posso ajudar?

—Olá, eu... quero perder peso — eu disse. Senti que minha voz era menor do que eu. — Já tentei de tudo. Dieta, nutricionista, grupos de apoio, remédios. Alguma coisa funciona por um tempo e depois volta tudo. Já não sei mais o que tentar.

—Eu entendo perfeitamente — respondeu ela, com uma calma que não era calor humano, mas outra coisa, algo mais parecido com eficiência. — No Centro Horizonte trabalhamos com métodos que a maioria das clínicas não utiliza. São não convencionais, sim, mas os resultados são consistentes. Você tem alguns minutos agora?

Disse que sim, parada na calçada com o sol nas costas.

—O programa dura doze meses. Durante esse período, a participante reside em nossa instalação. O contato com o exterior se limita a uma videochamada semanal com a família. A disciplina que aplicamos se baseia em técnicas de controle corporal e mental derivadas do BDSM: restrição física, esforço sustentado e um sistema de reforços positivos e negativos que atua simultaneamente sobre o corpo e a psicologia. A condição é o compromisso total. Não existe possibilidade de saída antecipada. Uma vez assinada a entrada, a participante completa o ano.

Demorei um instante para responder.

—Sem poder sair em nenhum momento?

—Exatamente. É a única forma de garantir o processo. Vou enviar material informativo para o número de onde você está ligando. Veja com calma, tome o tempo que precisar e, se decidir seguir em frente, me escreva.

Desliguei. Fiquei imóvel. O sol continuava ali. Os carros passavam. Uma pomba bicava alguma coisa no chão a dois metros dos meus pés. Todo o resto parecia ter parado.

O telefone vibrou três minutos depois. Um arquivo compactado de um número que eu não reconheci.

Entrei no banco da praça que ficava a meia quadra, sentei num canto e coloquei os fones de ouvido. Os vídeos eram quatro. No primeiro, uma mulher de constituição parecida com a minha corria nua numa esteira inclinada com os pulsos presos a uma barra horizontal acima da cabeça. Os seios pulavam a cada passada, pesados, marcados de suor; entre as coxas dava para ver a boceta raspada, brilhando de esforço. Ela corria porque não tinha escolha: se diminuísse o ritmo, a correia que a mantinha ereta puxava para trás e levantava a bunda numa curva obscena. Um homem vestido de preto observava da lateral com um tablet na mão, anotando alguma coisa, os olhos cravados no vinco que o suor desenhava entre as nádegas dela. No segundo vídeo, outra mulher fazia agachamentos nua com uma barra pesada sobre os ombros, as pernas bem abertas, a boceta à mostra a cada descida. Sempre que os joelhos cediam antes de completar o movimento, recebia uma descarga elétrica breve nas coxas que a fazia gemer e contrair os lábios menores. Não era violento, mas era o bastante para o corpo aprender a preferir a correção, e para os mamilos dela ficarem duros como pedra. No terceiro, uma mulher de joelhos, também nua, repetia frases em voz alta diante de um espelho grande: afirmações sobre o corpo, a própria capacidade, o que merecia. Tinha as mãos amarradas nas costas e um dildo de silicone enfiado na boceta que se movia sozinho toda vez que ela pronunciava uma palavra errada. A voz tremia no começo. No fim do vídeo, já não tremia, embora a coxa brilhasse com um filete de corrimento que tinha descido até o joelho.

Cena 2 do conto: A clínica que prometeu me mudar para sempre
Las imágenes que no pudo olvidar

Depois vinham as imagens do «depois».

As mesmas mulheres, meses depois, em pé, nuas, diante daqueles mesmos espelhos. Os quilos perdidos eram evidentes — cinturas marcadas, bundas firmes, seios altos com os mamilos bem apontados —, mas não era isso o mais marcante. O mais marcante era a postura. A forma como se olhavam sem desviar os olhos, as pernas levemente afastadas, sem cobrir nada, sem esconder a boceta nem o cu. Como se alguma coisa que antes estava quebrada por dentro tivesse encontrado seu lugar.

Guardei o telefone. Saí da praça. Caminhei até em casa com a calcinha úmida, sentindo o tecido colar na boceta a cada passo.

***

Naquela noite, enquanto Nicolás terminava a lição no quarto de brinquedos, sentei em frente a Rodrigo na cozinha e disse que tinha encontrado um programa para emagrecer.

—É intensivo — comecei. — Doze meses. Eu ficaria numa instalação fechada, sem visitas. Só videochamada uma vez por semana. E, uma vez que entro, o programa não permite saída antecipada.

Rodrigo pousou o copo na mesa devagar. Não de forma brusca. Devagar, como quando está processando alguma coisa.

—Não permite saída antecipada?

—Faz parte do método. Assim eles garantem que o processo seja concluído.

—Que tipo de método, Marta?

Não soube explicar os vídeos sem que a conversa terminasse antes de começar. Disse o que consegui dizer.

—Disciplina muito rígida. Controle físico e mental, com supervisão médica constante. É extremo, não vou mentir. Mas eu vi os resultados. Vi mulheres que entraram como eu e saíram diferentes. Não só fisicamente.

Ele ficou em silêncio. Depois foi até a janela, como sempre fazia quando precisava pensar sem ser observado.

—Um ano sem te ver. Sem o Nicolás te ver. — A voz dele era baixa. — E se algo der errado? E se você quiser sair e eles não deixarem?

—Me disseram que há supervisão médica o tempo todo.

—Isso não é a mesma coisa que poder ir embora quando a gente quer.

—Eu sei.

—Eles têm autorização? Você conseguiu verificar alguma coisa desse lugar?

—Ainda não. Mas me mandaram informação. Posso investigar mais antes de decidir.

Rodrigo se virou. Me olhou por um longo momento.

—O que foi que te convenceu, Marta? Porque eu te conheço, e você já está convencida. Isso não é cara de “estou pensando”. Isso é cara de “já decidi”.

Ele tinha razão. Não adiantava mentir para ele.

—As mulheres que passaram pelo programa. A forma como se olhavam no final. Não só os quilos: a forma como se olhavam. Como se tivessem encontrado alguma coisa. Eu passo há quinze anos procurando isso no espelho e não encontro. Quero tentar.

Rodrigo soltou o ar devagar. Encostou a testa no vidro da janela por um segundo, como se o frio o ajudasse a pensar.

—Não gosto disso. — Ele falou com toda a honestidade do mundo. — Um ano é tempo demais. O Nicolás precisa de você. Eu preciso de você. E essa coisa de não poder sair me dá um pressentimento ruim. Mas se você sente que é o que precisa para ficar em paz consigo mesma... eu vou aceitar. Só me promete que, se alguma coisa estiver realmente errada, se você sentir que alguma coisa está errada, você encontra um jeito de me avisar.

Cena 3 do conto: A clínica que prometeu me mudar para sempre
La conversación más difícil

—Eu prometo.

Nos abraçamos no meio da cozinha, e o abraço se prolongou além da conta. Senti o pau dele endurecendo contra meu ventre por cima da calça, e soube na hora o que ele também estava pensando: um ano sem me tocar, um ano sem transar. Fui atrás da boca dele e o beijei com língua, mordendo o lábio. Ele agarrou minha bunda com as duas mãos, apertando forte, e me arrastou para a sala. Puxei o cinto dele enquanto caminhávamos, abaixei a calça pela metade antes de empurrá-lo no sofá.

—Nicolás — murmurou ele, sem convicção, já com a rola para fora, grossa, dura, pulsando contra o abdômen.

—Ele está fazendo a lição. Temos vinte minutos.

Ajoelhei entre as pernas dele e agarrei a rola com as duas mãos. Estava quente, úmida na ponta de tanto pré-gozo. Passei a língua pela base até a cabeça, devagar, enquanto o olhava nos olhos. Depois enchi a boca com ela de uma vez só, até a ponta bater na minha garganta e me fazer lacrimejar. Ele gemeu baixinho e agarrou meu cabelo.

—Marta, porra... assim eu não vou durar.

Tirei a rola da boca com um som molhado, fios de saliva pendendo do queixo.

—Não quero que dure. Quero que goze duas vezes antes do jantar.

Voltei a chupá-lo, agora mais rápido, ajudando com a mão na base, massageando as bolas com a outra. Ele tinha a cabeça jogada para trás, a mandíbula tensa, os músculos do abdômen contraídos. Senti os ovos dele se enrijecerem contra a minha mão, senti a rola inchar mais um milímetro antes do estouro.

—Vou gozar... vou gozar, Marta...

Não tirei. Afundei a rola até o fundo da garganta e senti o jato quente descendo direto, espesso, abundante. Engoli a porra até a última gota enquanto ele apertava meu cabelo e tremia sob mim. Quando soltei, ficou um fio branco escorrendo por um lado da pica. Limpei com a língua.

—Vem cá — disse ele, com a voz rouca, me pegando pelas axilas para me colocar no sofá. Me virou de costas, baixou minha calça e a calcinha de uma vez até os tornozelos, e me pôs de quatro com o rosto afundado na almofada.

Senti a língua dele percorrendo minha fenda de cima a baixo, do cu até o clitóris, lenta, grossa, quente. Ele abriu os lábios da minha boceta com os polegares e chupou meu clitóris até meus joelhos começarem a fraquejar. Depois enfiou dois dedos, fundo, curvando-os para cima, enquanto continuava me lambendo. Eu mordia a almofada para não gritar e despertar a curiosidade de Nicolás.

—Me come logo — eu implorei com a cara afundada no tecido —. Não aguento mais, me come.

Ouvi ele se erguer atrás de mim, senti a cabeça da rola, ainda dura mesmo depois de ter gozado há pouco, encostando na entrada da minha boceta encharcada. Ele me penetrou de uma só vez, até o fundo, e soltei um gemido abafado contra o sofá. Começou a me foder forte, segurando meus quadris, fazendo minha bunda bater contra a pelve dele a cada golpe. Meus seios balançavam dentro do sutiã, os mamilos eretos roçando o tecido a cada investida.

—Você está escorrendo — ele ofegou atrás de mim. — Está gozando na minha rola, puta.

—É... é... mais forte... mais fundo...

Ele tirou uma mão do meu quadril e passou pelo meu cu, molhando-o com meu próprio tesão. Depois enfiou o polegar ali, devagar, mas firme, até a junta. Aí foi o fim. Senti o orgasmo subir da sola dos pés e explodir no centro do corpo, contraindo minha boceta ao redor da rola dele, contraindo meu cu ao redor do polegar. Mordi a almofada para não deixar escapar o grito.

Ele não afrouxou. Continuou me fodendo pelo tempo que durou meu gozo, prolongando-o, até eu sentir a pica dele inchar dentro de mim de novo. Ele tirou a rola da minha boceta, passou por meu cu várias vezes, lubrificando com meus próprios fluidos, e então empurrou com cuidado, milímetro por milímetro, até a cabeça entrar no meu rabo.

—Porra... porra, Rodrigo...

—Aguenta, meu amor. Um ano sem isso. Aguenta.

Ele me enfiou toda, devagar, até sentir os ovos dele batendo contra minha boceta. Depois começou a se mover, saía até deixar só a ponta e voltava a mergulhar até o fundo, uma e outra vez. Eu descia uma mão e tocava o clitóris no ritmo das estocadas, com dois dedos fazendo círculos rápidos. A sensação de tê-lo no cu, enquanto ele apertava meu clitóris, era demais. Gozei de novo, mais forte que a primeira vez, e senti ele se descarregar no meu cu com um rosnado grave, me enchendo de porra quente.

Ficamos assim por um momento, ele desabado sobre mim, a pica ainda dentro do meu cu, os dois ofegando. Quando ele se retirou, senti o fluxo morno descendo pela parte interna da coxa.

Do quarto de brinquedos veio a voz de Nicolás perguntando se a merenda já estava pronta.

Cena 4 do conto: A clínica que prometeu me mudar para sempre
Ya no hay vuelta atrás

—Dois minutos — gritei, com a voz que saiu —. Já vou.

Rodrigo me sorriu com o rosto corado enquanto eu puxava a calcinha de volta sobre a bunda ainda melada.

***

Liguei para Claudia no dia seguinte, às nove da manhã. Disse que aceitava. Ela me deu instruções precisas: uma mala pequena, roupa esportiva, itens de higiene sem fragrância, duas fotos pessoais em moldura rígida, nada mais. O transporte viria me buscar na sexta-feira seguinte.

Naquela semana fiz tudo devagar. Levei Nicolás para a escola como sempre. Cozinhei as comidas favoritas de Rodrigo. Transamos com Rodrigo todas as noites, às vezes duas vezes, em todas as posições que conseguíamos imaginar, como se quiséssemos marcar a fogo um ano inteiro de sexo em uma única semana. Chupei a rola dele na cozinha enquanto ele lavava a louça, bem cedo numa manhã. Fodi com ele no banheiro enquanto eu tomava banho, com a água caindo entre nós. Pedi que ele me comesse pelo cu mais duas vezes, porque eu sabia que no Centro Horizonte isso ia ser outra coisa, se acontecesse, e queria que o último cu que tivessem comido tivesse sido o dele.

Na quinta à noite, vimos um filme, eu encostada no ombro dele, sem falar. Eu tinha a mão dentro da calça de pijama dele, segurando a rola semi-ereta, sem mexer, só sentindo. Tudo tinha aquela textura estranha das últimas vezes, quando você sabe que alguma coisa está prestes a mudar e ainda não mudou.

Na sexta, Nicolás me abraçou na porta e não me soltou por um bom tempo.

—Pra onde você vai, mãe?

—Pra um acampamento especial — eu disse, e me odiei por não conseguir dizer a verdade. — Pra aprender a me cuidar melhor. Vou te ligar toda semana. E quando eu voltar, a gente vai ao parque de dinossauros que você me mostrou no computador.

—O de verdade? O grande?

—O de verdade.

O abraço dele apertou forte por um segundo. Depois me soltou.

Rodrigo me beijou na testa, quieto, sem palavras. Às vezes os silêncios de Rodrigo dizem mais do que qualquer coisa que ele pudesse falar em voz alta.

Subi na van que chegou exatamente na hora que Claudia tinha dito. Vi pela janela os dois ficarem menores, parados na calçada, até dobrarmos a esquina.

***

A viagem durou quase quatro horas. Rodovia, estrada provincial, um caminho de terra entre árvores altas. Por fim, uma porteira de metal com uma placa pequena: «Centro Horizonte». O motorista não falou durante todo o trajeto. Eu também não.

A primeira coisa que notei foi o silêncio. Não o silêncio de um prédio vazio, mas o silêncio de um lugar que estava longe de tudo. Sem barulho de trânsito, sem vozes, sem o fundo constante de cidade ao qual a gente se acostuma tanto que deixa de notar. Só o vento nos campos e, ao longe, algo que soava como maquinário.

Claudia me esperava na entrada. Alta, magra, com o cabelo preso com uma precisão que parecia parte do uniforme. O sorriso era correto e eficiente. Ela estendeu a mão.

—Bem-vinda, Marta. Vamos começar conhecendo as instalações. Mas antes, preciso pedir que você se dispa aqui fora. É protocolo de entrada. Toda participante entra no Centro sem roupa. As roupas que você trouxe ficam guardadas no depósito.

Fiquei olhando para ela por um segundo. Depois deixei a mala no chão e comecei a desabotoar a blusa. Os dedos tremiam. Tirei os sapatos, a calça, o sutiã e a calcinha, dobrando cada peça como se isso fosse me dar algum tipo de controle sobre o que estava acontecendo. Ela esperou paciente, com as mãos cruzadas à frente, olhando meu corpo como quem avalia um móvel que chegou numa mudança. Senti os mamilos endurecerem com o ar fresco, senti o sol batendo nos vincos do ventre, na boceta, nas nádegas. Quinze anos me escondendo, e agora eu estava ali, nua, ao ar livre, diante de uma desconhecida.

—Boa postura. Vamos trabalhar bem com você. Me siga.

A academia era o primeiro lugar e o maior. Esteiras com sistemas de fixação nos pulsos, idênticas às dos vídeos. Estruturas de metal com roldanas, cordas e correias pendendo do teto como numa sala de abate. Uma parede inteira de espelhos sob luzes brancas que não deixavam sombra em nenhum ângulo. Uma sala lateral com colchonetes, ganchos no teto e armários fechados com cadeado, onde consegui ver dildos de vários tamanhos, plugs anais enfileirados por diâmetro, varas, chicotes, mordaças com bolas vermelhas e pretas, arneses de couro. Cada elemento tinha um propósito visível. Nenhum era decorativo.

Em uma das esteiras, uma mulher jovem corria com os pulsos amarrados à barra superior, exatamente como no vídeo que me tinham mandado. Ela tinha a boceta raspada e um dildo preso ao corpo por um arnês, que se movia dentro dela a cada passada. Os seios brilhavam de suor. Ela não me olhou quando passei ao lado. Mantinha os olhos fixos em um ponto do espelho à frente.

O refeitório era de aço inoxidável: mesas compridas, bandejas com seções separadas, cartazes com gramas e calorias em cada opção. Sem livre escolha. Cada refeição, calculada. As mesas tinham um buraco no centro de cada assento e, embaixo, vibradores fixos apontando para cima.

—Durante as refeições também trabalhamos o controle orgásmico — explicou Claudia, neutra —. As participantes se sentam empaladas nos vibradores, que são ativados em intervalos aleatórios. É preciso comer cada garfada com compostura, sem gozar à mesa. As que gozam antes de terminar o prato ficam sem sobremesa. Você vai aprender.

Engoli em seco.

Num corredor que ligava os dois prédios, passamos por uma porta com fechamento eletrônico. Claudia a apontou sem parar.

—A sala de correção. Você vai conhecê-la quando for a hora.

Não perguntei mais.

Meu quarto ficava no fim de um corredor comprido. Era pequeno e branco: uma cama de ferro com colchão firme, com argolas de metal soldadas nos quatro cantos e correias de couro dobradas sob o colchão; uma janela alta com grades pintadas da mesma cor da parede, uma escrivaninha de madeira sem gavetas, um armário com cadeado externo. Na mesa de cabeceira havia um plug anal médio, lubrificante e um bilhete que dizia «Uso noturno obrigatório durante as duas primeiras semanas. Adaptação gradual.»

Claudia conferiu a moldura com minhas duas fotos antes de devolvê-la. Depois colocou a mala no armário, trancou-o e guardou a chave no bolso do avental.

—Descanse esta tarde. Amanhã o programa começa às seis. Lembre-se do plug antes de dormir. Se você não colocar sozinha, eu coloco na primeira revisão.

Ela fechou a porta. A tranca eletrônica soou com um clique seco e definitivo.

Sentei na beirada da cama, nua, sentindo o ferro frio sob as coxas. As paredes brancas. O silêncio do campo lá fora, além da janela gradeada. As imagens dos vídeos voltaram sozinhas: as correias, as descargas, os dildos se movendo dentro das mulheres enquanto corriam e agachavam e recitavam frases diante do espelho. E depois as outras imagens, as do fim, aquelas mulheres nuas com a postura diferente, aquele jeito de se olhar sem desviar os olhos, sem esconder nada.

Pensei em Nicolás e no parque de dinossauros. Pensei em Rodrigo me beijando na testa sem dizer nada. Pensei na minha bunda ainda um pouco aberta de como ele tinha me fodido na noite anterior, e em como eu ia aprender a abri-la por completo durante o ano que começava amanhã.

Peguei o plug da mesa de cabeceira. Ele era maior do que parecia no bilhete. Lubrifiquei com cuidado, deitei de lado na cama e fui colocando devagar, respirando, até a base se acomodar contra meu cu. O corpo inteiro se tensionou e depois relaxou. Fiquei ali, imóvel, com aquela presença fria por dentro, respirando.

Já estou aqui, pensei. Não tem volta. A única coisa que posso fazer é ver o que acontece quando essa porta se abrir amanhã às seis.

Deitei de lado, com o plug se ajustando centímetro a centímetro ao meu corpo. Lá fora, o vento movia alguma coisa que soava como metal contra metal, muito longe. Fechei os olhos e esperei o sono vir antes do medo.

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