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Relatos Ardientes

A inspeção da Ama que me levou ao limite

Eu estava na vila havia dois meses quando a Ama anunciou o dia da revisão. Dois meses de treinamento, de disciplina, de aprender na própria carne o que significava me entregar por completo a algo maior do que eu mesma. Meu corpo havia mudado nesse tempo: mais magro, mais firme, marcado em vários lugares pelas marcas de cada sessão, que tinham se tornado tão familiares quanto o meu próprio nome. Mas nada do que eu havia vivido até então me preparou para o que viria naquela terça-feira.

A trombeta soou antes do amanhecer, como sempre, arrancando-nos do sono com sua autoridade metálica. Reunimo-nos no refeitório, doze submissas com os olhos semicerrados e os corpos ainda rígidos pelo frio das celas. Vestíamos o uniforme de sempre: nada. A nudez àquela hora já não me causava vergonha. Era, simplesmente, o estado das coisas. Meus mamilos estavam duros por causa do frio, minha boceta ainda úmida por causa dos sonhos da noite — eu sempre sonhava com ela, com a boca dela, com a vareta — e eu conseguia sentir o cheiro do sexo recém-lavado das outras garotas misturado ao vapor do café.

A Ama Vera entrou com passos lentos, a vareta de bambu balançando entre seus dedos como se fosse uma extensão natural do corpo dela. Era alta, tinha os cabelos negros presos num coque sem um fio fora do lugar, e um olhar que atravessava você sem esforço e sem malícia, como a luz através do vidro. Eu a observava havia quatro meses e ainda não a tinha visto hesitar por um instante sequer.

— Hoje é dia de revisão — anunciou, batendo com a vareta na mesa. O som seco ecoou contra as paredes de pedra, e várias submissas deram um sobressalto involuntário. — Vamos levar vocês uma por uma à sala médica. Peso, vacinas, exame completo. Quero que estejam em perfeitas condições para continuar o programa. Preciso saber exatamente com que material estou trabalhando.

Um sorriso fino desenhou-se em seus lábios. O tipo de sorriso que eu já conhecia bem demais.

Patrícia, que estava ao meu lado, roçou meu cotovelo com os nós dos dedos. Era a maneira dela de dizer o que não podíamos dizer em voz alta. Nós nos conhecíamos desde a minha primeira semana: ela havia chegado à vila seis semanas antes e, sem querer, tinha se tornado a única pessoa com quem eu realmente conversava. Não conversávamos muito. Naquele lugar, você aprendia a se comunicar por gestos.

— Isto não é um spa — ela me dissera naqueles primeiros dias, quando eu ainda chegava às sessões oferecendo resistência demais. — Mas também não é um castigo, se você não quiser que seja. Tudo depende de como você interpreta. A dor que você busca aqui não é a que destrói. É a que abre.

Eu não entendi até a terceira semana. Entendi numa madrugada em que a Ama me mantinha amarrada de bruços sobre um banco, com dois dedos enterrados até os nós na minha boceta e o polegar pressionando meu cu, enquanto dizia no meu ouvido: «goze quando eu mandar, não antes, puta». Gozei quando ela permitiu, com um grito rouco que arranhou minha garganta, e naquele instante entendi o que Patrícia tinha tentado me dizer. Depois disso, não precisei mais que ela me explicasse.

Esperei minha vez sentada no banco do corredor, ouvindo os sons que vinham de trás da porta fechada. Nada alarmante. Nada reconfortante também. Apenas aquele silêncio específico que precede o desconhecido e obriga você a permanecer no próprio corpo, sem fugir para nenhum outro lugar. Eu sentia o suor escorrer entre meus seios, a boceta pulsando com aquela mistura de medo e expectativa que a vila me ensinara a não separar.

Quando gritaram «Quinhentos e quarenta e dois!», minhas pernas começaram a se mover sozinhas.

***

A sala médica era um cômodo branco, iluminado por tubos fluorescentes que não deixavam sombras. No centro, havia uma maca de metal com estribos enferrujados e grossas correias de couro nas laterais. Uma mesa auxiliar estava carregada de instrumentos: seringas, fórceps, dilatadores de vários tamanhos, luvas de látex numa caixa aberta. O cheiro era antisséptico e frio, o mesmo cheiro de todos os lugares onde alguém precisa se render a algo inevitável.

Um homem de jaleco branco e máscara esperava de pé junto à janela. A Ama Vera entrou atrás de mim e apoiou-se no batente da porta, os braços cruzados, o cronômetro pendendo do pulso.

— Suba — disse o médico, apontando para a maca com um gesto que não admitia negociação.

Subi sem ajuda. A superfície metálica estava fria contra minhas coxas, e o contato com ela fechou minha garganta por um instante. O médico amarrou meus pulsos com as correias, depois os tornozelos, e então uma faixa larga ao redor da cintura, apertando-me contra o metal. Não com violência. Com a precisão de alguém que já fez aquilo muitas vezes e sabe exatamente quanta tensão é necessária.

As correias dos pulsos mordiam um pouco onde minha pele já estava rosada por causa das sessões anteriores.

— Primeiro, o peso — disse o médico. Desamarrou-me o suficiente para que eu descesse até a balança. Subi nela. O ponteiro parou. — Setenta e oito quilos.

Ele anotou na prancheta sem nenhum comentário adicional. A Ama assentiu junto à porta, com o olhar descendo lentamente pelo meu corpo nu, do pescoço aos pés, detendo-se nos seios, no ventre plano, no triângulo depilado do púbis. Não era um olhar de desejo. Era um olhar de inventário. E, ainda assim, minha boceta se contraiu quando senti o peso dos olhos dela ali. Devolveram-me à maca e tornaram a me amarrar.

As vacinas vieram depois. O médico tirou uma seringa de agulha comprida e a encheu com um líquido espesso, de cor âmbar. Não explicou o que era. Isso também fazia parte da dinâmica que eu havia aceitado ao assinar o contrato da vila: dentro dos limites negociados, não se pergunta. Apenas se recebe.

A agulha entrou no músculo do braço esquerdo com uma pressão firme. A picada foi intensa, e o líquido se espalhou devagar, como se o tecido o absorvesse com relutância, queimando do ombro até os dedos. Gritei, breve, entre os dentes. A segunda injeção chegou ao braço direito com a mesma sensação. Depois vieram mais duas nas coxas, uma em cada uma, muito perto da virilha, tão perto que a agulha roçou a pele fina que se abre em direção à boceta e me fez tensionar as pernas contra as correias e apertar os punhos até os nós dos dedos doerem.

A Ama Vera observava sem se mover junto à porta. Aquela imobilidade dela fazia parte do dispositivo: saber que ela estava ali, que nada do que acontecia comigo a alterava, que tudo transcorria exatamente como previsto. Esse pensamento, longe de me tranquilizar, fazia minha pele se arrepiar de um jeito que eu já não tentava analisar. Senti, para minha vergonha, que minha boceta estava ficando molhada. Uma gota quente escorreu pela dobra da coxa, em linha reta até o metal da maca.

— Bem — disse o médico, trocando de luvas. — Exame ginecológico.

***

Ele abriu minhas pernas com a calma de alguém que trabalha com um material de precisão e as prendeu nos estribos metálicos da maca. As correias não deixavam margem: meus quadris ficavam completamente expostos, a boceta aberta de par em par para a luz, sem possibilidade de se fechar, os lábios internos se separando pelo próprio ângulo das pernas. Senti o ar frio do quarto entrar na carne mais íntima e encarei o teto de concreto para não pensar demais no que viria.

Ouvi o médico estalar a língua.

— Ela já vem lubrificada de fábrica — comentou com a Ama, com aquela neutralidade clínica que tornava a observação muito pior do que se tivesse sido debochada. — Vai ser mais fácil.

A Ama não respondeu. Senti, sem vê-la, que ela sorria.

O médico passou dois dedos enluvados pelos lábios da minha boceta, separando-os, examinando. Os dedos percorreram toda a fenda com uma lentidão metódica, afastaram o capuz do clitóris para examiná-lo, desceram até a entrada e pressionaram levemente contra ela. Não entraram. Apenas tatearam a borda, medindo a resistência, e aquela contenção foi pior do que se ele tivesse me penetrado de uma vez: o corpo inteiro se contraiu para dentro, procurando o que não recebia.

— Elástica — murmurou, e anotou alguma coisa.

Então ergueu o espéculo da bandeja. Era metálico, e eu o vi de relance quando ele o levantou à altura do meu rosto. Era grande e brilhava sob a luz do tubo fluorescente.

Ele entrou devagar, com a pressão uniforme de alguém que conhece os tempos exatos. Sem lubrificante suficiente, apenas uma quantidade mínima que tornava o contraste mais agudo. As paredes internas da boceta protestaram com aquela ardência reconhecível que o treinamento na vila me ensinara a habitar sem fugir: aquele limite exato entre o desconforto e a dor, onde o corpo deixa de tentar resolver e começa a se abrir.

Quando o expandiu girando a roda do cabo, o rangido metálico foi claramente audível no silêncio do quarto. O estiramento se espalhou em direção ao ventre, uma pressão que puxava de dentro para fora, como se algo tentasse encontrar espaço onde não havia. Senti as paredes da minha boceta se afastarem umas das outras, obrigadas a mostrar até o fundo o que normalmente permanecia fechado. Gemei com os dentes cerrados.

— Mais uma volta — disse a Ama junto à porta, em voz baixa.

O médico obedeceu. Mais uma volta. A boceta se abriu ainda mais, impossivelmente mais, e dessa vez o gemido saiu sem controle, um som animal vindo do fundo da garganta. Eu sentia o metal frio incrustado até o colo do útero, afastando a carne rosada para os lados. O médico inclinou-se e acendeu uma pequena lanterna, apontando-a diretamente para dentro.

— Respire — disse, sem olhar nos meus olhos.

Respirei. Soltei os músculos. Ou tentei. O ar frio entrava diretamente contra o colo do útero, um frescor obsceno numa parte do corpo que jamais havia sentido o ar.

As pinças vieram depois, frias e precisas, trabalhando lá dentro com movimentos que não pediam permissão. O médico raspou suavemente a mucosa das paredes para colher uma amostra, apertou pequenos beliscões que me fizeram estremecer contra as correias, palpou o colo do útero com uma pressão rotatória que arrancou de mim um suspiro entrecortado. Cada roçar despertava terminações nervosas que estavam em estado de alerta permanente havia meses. O médico murmurava anotações para si mesmo em voz baixa, como se eu fosse um objeto de estudo cuidadosamente catalogado. Paradoxalmente, era isso que fazia o sangue pulsar mais forte nas minhas têmporas, e que a boceta — aquela boceta aberta, exposta, humilhada pelo metal — continuasse secretando aquela umidade quente que me delatava diante da Ama.

Ela viu. É claro que viu.

— Está pingando — disse ao médico, com aquela voz neutra que usava para as coisas importantes. — Anote. Responde bem ao procedimento.

O médico anotou. Fechei os olhos com força e senti as lágrimas começarem a escorrer sozinhas, quentes pelas têmporas até o cabelo. Não de medo, mas daquela mistura particular de humilhação e entrega que a vila me ensinara a não resistir, que sempre chegava no mesmo ponto do processo, quando o corpo entregava aquilo que a mente ainda queria reter.

Ele retirou o espéculo pouco a pouco, afrouxando a roda entalhe por entalhe, e as paredes da boceta se fecharam sobre si mesmas com um espasmo longo que percorreu meu corpo inteiro. Quando o retirou completamente, um fio de umidade misturada ao gel acompanhou o metal e pingou sobre o aço da maca. Eu me senti vazia e exposta ao mesmo tempo, como se o próprio ar do quarto ainda estivesse dentro de mim.

O médico ainda não havia terminado. Enfiou três dedos enluvados na boceta aberta, sem aviso, até os nós, e com a outra mão pressionou meu baixo ventre por fora. Os dedos de dentro se curvavam à procura de alguma coisa, apertavam contra a parede frontal, apalpavam o útero pelos dois lados ao mesmo tempo. A pressão combinada fez minhas costas se arquearem contra as correias. Sem querer, apertei as paredes contra os dedos, e ele percebeu.

— Contraia outra vez — ordenou.

Eu o fiz. Apertei com força os músculos da boceta ao redor dos dedos alheios, e o gesto — tão íntimo, tão ordenado com a mesma voz com que ele dizia à Ama quantos quilos eu pesava — queimou meu rosto de vergonha e de outra coisa perigosamente parecida com prazer.

— Boa musculatura — disse ele, retirando os dedos.

A Ama Vera se aproximou pela primeira vez. Parou ao lado da maca e olhou para mim de cima, com aquela expressão que eu aprendera a interpretar: não era crueldade, mas algo mais complicado, mais interessante. Uma espécie de reconhecimento. Passou dois dedos pela minha bochecha, recolhendo uma lágrima, e então levou-os à boca. Chupou-os devagar, olhando para mim, e aquele gesto foi mais obsceno do que todo o exame anterior.

— Muito bem, quinhentos e quarenta e dois — disse, em voz baixa. — Você ainda está aqui.

Era o mais próximo de um elogio que ela podia oferecer. Eu o recebi como se fosse um.

***

Os supositórios foram a última parte.

O médico virou-me com a ajuda das correias, de bruços sobre a maca, com as pernas ainda separadas pelos estribos. Senti o ar frio na lombar, nas coxas e no cu, que ficava erguido e completamente acessível por causa da posição forçada. Um estremecimento de antecipação, difícil de distinguir do medo, percorreu minha coluna.

— Para regular a flora intestinal — explicou, com a mesma inflexão neutra que usava para tudo. — Procedimento padrão do programa.

Senti seus dedos separarem minhas nádegas. O ar bateu diretamente no olho do cu. Foi uma humilhação breve e aguda, aquele instante em que você sabe que estão olhando para o lugar mais escondido do seu corpo com a mesma indiferença com que se olha para uma rótula.

— Nunca foi realmente aberto — comentou o médico com a Ama, como se eu não estivesse ali. — Está apertado.

— Vai ficar — respondeu ela.

Um dedo enluvado, besuntado com uma gota de gel, pressionou contra o esfíncter. Apenas pressão, sem entrar. Mais uma vez aquela contenção metódica que me fazia cerrar os punhos dentro das correias. Na segunda tentativa, o dedo cedeu, entrou até o nó e girou uma vez, alargando o anel, avaliando a resistência. Mordi o couro da maca.

— Um grande — disse a ninguém em particular, e retirou o dedo.

O primeiro supositório era grande, cilíndrico, com uma textura ligeiramente áspera. O médico o colocou contra o olho do cu e empurrou com firmeza constante. O esfíncter resistiu por um segundo, dois, três, com aquela sensação impossível de algo que não pode passar e, ainda assim, passa; então cedeu com uma pequena explosão silenciosa. A sensação de preenchimento foi imediata e total: uma pressão interna que viajou pelo reto em direção ao ventre e me fez tensionar todos os músculos da pélvis ao mesmo tempo. A boceta, ainda sensível por causa do espéculo, contraiu-se em simpatia, e senti uma nova onda de umidade escorrer por dentro da coxa.

Mordi a superfície de couro da maca até meus dentes doerem.

O segundo chegou antes que eu pudesse me acomodar ao primeiro. O médico empurrou-o mais profundamente, usando dois dedos para introduzi-lo até onde o primeiro não havia chegado. A pressão se multiplicou, e o corpo respondeu com cólicas suaves que se espalhavam em ondas do abdômen até as pernas. O médico trabalhava sem pausa, sem crueldade desnecessária, mas também sem qualquer indulgência. Senti o segundo se acomodar contra o primeiro lá dentro, duas formas duras enchendo meu cu enquanto o esfíncter já não se fechava completamente.

O terceiro foi o que me fez gritar.

Não um grito de pânico. Um daqueles gritos que saem quando o corpo chega a um ponto que a mente não consegue administrar sozinha: a fronteira exata onde o limite físico e algo mais íntimo se tocam e se dissolvem. O médico precisou empurrar com a palma inteira, e senti o esfíncter se esticar ao máximo, a carne do cu cedendo com uma ardência branca que turvou minha visão. Os supositórios começaram a se dissolver quase imediatamente, liberando um calor interno que se expandia como uma maré subindo das entranhas em todas as direções. As cólicas se intensificaram, o ventre inchou com aquela pressão úmida e inevitável que não deixa saída. Eu sentia a substância derretida escorrer lá dentro, o cu se enchendo de líquido quente que pressionava contra o esfíncter cansado e ameaçava sair.

— Aperte — ordenou o médico. — Nada sai até eu mandar.

Apertei. Com toda a minha força. O esfíncter já deformado resistia a se fechar direito, e o esforço me fez tremer inteira, as coxas, o ventre, as nádegas contraídas até a cãibra. E, no meio daquele aperto desesperado, senti com uma nitidez que me arrancou outra onda de lágrimas que o clitóris pulsava contra o couro da maca. Cada contração do cu se transmitia por dentro até ali; cada tentativa de reter o líquido quente fazia a boceta se contrair no vazio, procurando algo que a preenchesse.

Eu chorava sobre a maca, a bochecha contra o couro, os punhos fechados dentro das correias. A Ama Vera permanecia de pé à minha direita, observando. Não falou durante um longo tempo. Depois baixou a mão e a pousou aberta sobre a minha lombar, bem acima das nádegas, e com o polegar traçou um círculo muito lento, uma única vez, na cavidade da coluna.

— Aguente, quinhentos e quarenta e dois — murmurou. — Aguente por mim.

Aguentei. Por ela. Fechei os olhos e apertei o cu ao redor daquela massa líquida e ardente que queria sair, pensando apenas na voz dela me dizendo para aguentar e no polegar que já havia se afastado, mas cuja marca ainda permanecia na pele.

Ela retirou a mão depois de dois ou três segundos. Isso também fazia parte do ritual. O gesto exato que impedia você de cruzar a linha entre aquilo que havia escolhido e aquilo que já não conseguia suportar.

***

Desamarraram-me quando o procedimento terminou, quando finalmente me permitiram despejar num balde de metal aquilo que eu carregava dentro de mim. A evacuação foi longa e humilhante, com o médico e a Ama ainda no quarto, e, quando terminou, meus joelhos tremiam. Minhas pernas demoraram a responder; precisei me apoiar na maca com as duas mãos para não cair. O médico me entregou uma toalha pequena sem dizer nada. Limpei-me entre as pernas, pela frente e por trás, com movimentos desajeitados. A Ama foi embora primeiro, com seus passos lentos e seguros, como se o tempo lhe pertencesse por completo.

Uma guarda me levou de volta à minha cela.

Deitei-me de costas no colchão fino, com o ventre ainda tomado por cólicas e os braços marcados pelos pontos das injeções. O cu pulsava com o eco do estiramento, a boceta com o eco do espéculo. Os locais das agulhas latejavam suavemente a cada batida do coração.

Fiquei imóvel por algum tempo. Respirando. E depois, sem decidir completamente, levei a mão para entre as pernas.

A boceta estava encharcada. Não de gel, não mais: de mim. Os lábios estavam inchados, quase doloridos, e o clitóris duro como um botão sob a ponta do dedo. Comecei a me acariciar devagar, com a ponta do dedo médio, desenhando círculos apertados sobre o capuz. Cada roçar enviava uma descarga até o fundo do ventre. Baixei a mão, enfiei dois dedos dentro — a boceta os engoliu sem resistência, ainda aberta por causa do metal — e com a outra mão comecei a apertar um seio, torcendo o mamilo entre o polegar e o indicador como ela fazia quando queria que eu gozasse rápido.

Pensei na Ama. No rosto dela me olhando de cima enquanto eu chorava com as pernas abertas. Nos dedos dela recolhendo minha lágrima e levando-a à boca. No polegar nas minhas costas, dizendo aguente por mim. Fodi minha própria boceta com três dedos, curvando-os em busca daquele ponto contra a parede frontal que o médico havia apalpado, e, quando o encontrei, meu corpo inteiro estremeceu. Com o polegar, pressionei o clitóris em círculos rápidos, sem parar, enquanto os outros dedos entravam e saíam com um chapeado úmido que encheu a cela vazia.

Gozei mordendo o lábio para não gritar, com as costas arqueadas sobre o colchão, a boceta se apertando em longos espasmos ao redor dos meus próprios dedos. Um segundo orgasmo veio logo atrás do primeiro, quase em seguida, mais profundo, quando voltei a contrair os músculos como se estivesse segurando o líquido quente dentro do cu. Senti uma gota morna escorrer entre minhas nádegas até o lençol.

Faltam seis meses, pensei quando consegui voltar a pensar. Mais seis meses disso.

E, sob esse pensamento, mais quieto e mais honesto que todos os anteriores, havia outro: eu escolhi isso. Assinei o contrato. Li cada cláusula e coloquei meu nome.

Não era exatamente consolo. Mas era a diferença entre afundar e flutuar.

Patrícia me encontrou naquela noite no corredor escuro, depois que as guardas terminaram sua ronda. Sentamo-nos juntas no chão frio, ombro a ombro, sem precisar explicar nada. Ela estava com os olhos avermelhados. A revisão dela havia sido antes da minha. Senti em sua pele o mesmo cheiro que eu ainda trazia dentro da roupa: antisséptico, suor, sexo mal contido.

— Você está bem? — sussurrei.

— Estou aqui — disse ela. No vocabulário da vila, aquilo significava a mesma coisa.

Ficamos em silêncio por um bom tempo. Depois ela moveu ligeiramente a mão, procurou a minha sobre o chão de pedra e entrelaçamos os dedos. Não foi um gesto sexual. Mas, quando apertei sua mão, ela apertou de volta, com a força contida de alguém que também acabara de gozar sozinha numa cela pensando na mesma mulher.

Lá fora, o vento movia os galhos das árvores que não podíamos ver do lado de dentro. Eu pensava nos dois segundos em que a mão da Ama permanecera sobre minhas costas. No que aquele gesto dizia e no que não dizia. Na diferença entre uma Dominante que usa você e uma que observa você.

Naquela noite, não dormi bem. As cólicas diminuíram ao amanhecer, mas o corpo conservava aquela vibração de fundo que sempre fica depois de uma sessão longa: cada terminação nervosa em estado de alerta, a pele hipersensível ao roçar do lençol, a mente incapaz de se livrar das imagens, por mais que quisesse. Toquei-me outra vez antes do amanhecer, mais devagar, sem urgência, e gozei em silêncio com o rosto enterrado no travesseiro, apertando o cu ao redor da lembrança dos supositórios.

Perguntei-me se a Ama dormia. Se pensava em nós quando apagava a luz em seu quarto. Se existia uma versão dela que funcionava fora daquele olhar impenetrável. Se ela se tocava entre as pernas pensando nas que gozavam pensando nela.

Provavelmente não, concluí. E provavelmente isso também fazia parte do projeto.

Na manhã seguinte, a trombeta soou às cinco em ponto. Levantei-me com a boceta ainda pulsando e as marcas recentes das correias nos pulsos. Juntei-me à fila. Segui em frente.

Era tudo o que precisava ser feito.

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