A prova de submissão que não consegui controlar
Ele ficou me olhando com uma mistura de vergonha e alívio, como se finalmente tivesse soltado uma pedra que carregava havia anos dentro do peito. Eu continuava sentada na beira da cama, nua, com as pernas ainda tremendo pelo que tínhamos acabado de fazer e pelo que eu acabara de ouvir.
Ele havia confessado que se excitava ao obedecer, que ficava tesudo ao se sentir usado, mandado, pressionado contra um limite por outra pessoa. Também me disse que, antes de me conhecer, havia transado com homens, que não era uma fantasia passageira, mas uma parte real dele que escondera por medo de me perder.
— E por que está me contando isso agora? — perguntei enfim.
Ele engoliu em seco antes de responder.
— Porque esta noite, quando você falou comigo daquele jeito... quando me fez aguentar... senti algo que queria sentir com você havia anos. E não consigo mais fingir que isso não existe.
As palavras dele me atingiram por dentro. Uma parte de mim se sentiu enganada. Outra, muito mais perigosa, sentiu uma chicotada de calor entre as pernas. Não era só por causa dele. Era por tudo o que eu vinha calando, pela minha própria necessidade de me submeter em outros lugares, de buscar fora algo que em casa eu nunca soubera nomear.
Olhei para ele em silêncio. Seus olhos estavam fixos em mim, esperando a sentença. Ele não parecia um homem destruído, mas alguém cansado de se esconder.
— Então, esta noite, quem manda sou eu — falei.
Vi o maxilar dele se contrair.
— Sim.
— Não diga “sim” como se estivesse me fazendo um favor. Se quer isso, obedeça. Sem perguntas.
A respiração dele ficou mais pesada. Ele assentiu.
Levantei-me da cama e peguei um lenço de seda que pendia da cadeira. Não era uma corda de verdade nem nada sofisticado. Era improvisado, quase desajeitado, mas naquele momento bastava. Aproximei-me da cabeceira e fiz um sinal com a cabeça.
— Mãos para cima.
Ele obedeceu sem hesitar. Levantou os braços e deixou os pulsos juntos sobre o travesseiro. Amarrei primeiro um e depois o outro à madeira da cabeceira. O nó não ficou perfeito, mas firme o bastante para imobilizá-lo. Puxei um pouco para testar. Ele soltou um gemido breve.
— Está apertando?
— Um pouco.
— Ótimo.
Falei com voz dura, embora por dentro estivesse improvisando tudo. O pau dele já estava duro outra vez, erguido sobre a barriga, brilhando na ponta. Vê-lo daquele jeito, amarrado e excitado por algo que eu mal compreendia, me causou uma vertigem estranha.
Subi na cama e me ajoelhei ao lado dele. Passei a ponta dos dedos pelo seu peito, desci devagar pelo abdômen e não toquei no pau. Apenas o contornei, roçando de leve, e o ouvi prender a respiração.
— Não se mexa.
— Não vou me mexer.
Dei um tapa seco na coxa dele, mais para me testar do que para puni-lo. Ele gemeu, e aquele som me deixou excitada imediatamente. Havia algo profundamente obsceno em comprovar que uma ordem minha bastava para deixá-lo ainda mais duro.
— Abra mais as pernas.
Ele afastou as coxas e me acomodei entre elas. Observei seu corpo por um instante, como se fosse a primeira vez que realmente o enxergava inteiro. Seu pau pulsava. Os ovos estavam tensos. O peito subia e descia depressa, e os pulsos giravam levemente contra a seda.
— Quero ouvir você dizer isso — murmurei.
— Dizer o quê?
Agarrei o pau dele com a mão inteira e apertei o suficiente para arrancar um gemido.
— Não me faça repetir as coisas. Diga o que você quer.
Ele fechou os olhos por um segundo, vencido e excitado ao mesmo tempo.
— Quero obedecer a você.
— Mais claro.
— Quero ser seu submisso esta noite.
Ouvi-lo dizer aquilo percorreu minhas costas como uma corrente elétrica. Inclinei-me e lambi a ponta do pau dele uma vez, devagar, antes de me afastar. Ele puxou as amarras por instinto.
— Quieto.
— Porra...
— Isso, porra. Você fica aí e aguenta.
Voltei a passar a língua, desta vez da base até a glande, recolhendo o sabor salgado de sua excitação. Depois enfiei o pau na boca só até a metade, o bastante para sentir a grossura e o calor sem deixar que o ritmo saísse do controle. Chupei devagar, olhando para cima para ver o rosto dele.
A expressão dele me excitava quase mais do que ter seu pau na boca. A boca estava entreaberta, a garganta tensa, uma necessidade brutal de se mexer e nenhuma liberdade para fazê-lo. Sempre que tentava levantar os quadris, eu afastava a boca e o obrigava a ficar quieto.
— Quem manda?
— Você.
Soltei o pau dele com um estalo molhado e cuspi na ponta antes de masturbá-lo com movimentos lentos e firmes, torcendo o pulso ao subir. Ele gemia sem parar, cada vez mais desfeito.
— Não vou deixar você gozar quando quiser — falei. — Se gozar sem permissão, paramos.
Os olhos dele se arregalaram de repente.
— Não, por favor.
— Então se comporte.
Enfiei dois dedos entre as pernas para umedecê-los e passei-os pela glande, depois por todo o comprimento, apertando a cada subida. O som era sujo, molhado, hipnótico. O pau quase escapava da minha mão de tanto pulsar.
— Olhe para mim — ordenei.
Ele obedeceu. Não tirou os olhos do meu rosto enquanto eu o masturbava. Senti um poder estranho, imperfeito, mas real. E, ao mesmo tempo, percebia uma rachadura. Eu ocupava um lugar que me excitava por reflexo, não por natureza. Mandar nele me deixava excitada porque eu o via rendido, sim, mas no fundo também reconhecia gestos que antes aprendera obedecendo a outra pessoa.
Isso não me fez parar. Pelo contrário. Fez com que eu continuasse.
Montei sobre o peito dele, com a boceta bem acima da boca. Acariciei sua bochecha com a sola do pé antes de descer.
— Ponha a língua para fora.
Ele a colocou para fora imediatamente. A ponta roçou minha entrada e um gemido escapou de mim. Apoiei uma mão na cabeceira e comecei a esfregar-me contra a boca dele. Primeiro devagar, testando, depois com mais pressão. Ele lambia com obediência febril, procurando o clitóris, mantendo a língua firme quando meus quadris exigiam.
— Aí — falei, ofegante. — Não mude. Continue assim.
Agarrei-me com força à cabeceira enquanto ele comia minha boceta com o desespero de quem sabe que seu prazer depende de fazer tudo direito. Passava a língua de baixo para cima, chupava meu clitóris, parava apenas quando eu permitia. A seda roçava de vez em quando quando ele puxava os pulsos, e aquela visão, abaixo de mim, me excitava ainda mais.
— Mais forte.
Ele obedeceu. A língua me abriu com insistência e, quando percebeu que eu estava me contraindo, começou a movê-la mais rápido, mais sujo, enfiando-a e tirando-a enquanto sugava meu clitóris entre uma passada e outra. Eu já não mantinha pose elegante nem dominante. Cavalgava o rosto dele com os quadris, direta, molhada, usando sua boca para me aproximar do orgasmo.
Então me afastei de repente.
Ele soltou um som de frustração tão sincero que quase gozei só com aquilo.
— Não — falei, ofegante. — Ainda não vou gozar. E você muito menos.
— Por favor...
— Isso soa tão bonito na sua boca.
Desci do peito dele e me sentei sobre sua barriga. O pau ficou encaixado entre minha boceta molhada e seu abdômen. Comecei a esfregar-me contra ele, para cima e para baixo, deixando a glande se ensopar. Ele tremia inteiro.
— Diga o que você é.
— Seu submisso.
— Não ouvi.
— Seu submisso — repetiu mais alto. — Seu brinquedo.
A palavra me atingiu por dentro. Brinquedo. Por um segundo tive vontade de calá-lo com um beijo; no seguinte, quis continuar espremendo aquela obediência até o fim.
Ergui-me ligeiramente sobre os joelhos, segurei-o pela base e desci pouco a pouco até me sentar nele. Entrou com facilidade, quente e duro, abrindo-me com um impulso lento que me fez fechar os olhos. Soltei um gemido grave ao senti-lo inteiro dentro de mim.
— Porra...
Ele arqueou as costas.
— Você não sabe como é.
— Sei, sim. E vai ficar quieto.
Comecei a me mover sobre ele, determinando a profundidade e o ritmo. No início, devagar, desfrutando cada centímetro, cada subida em que seu pau quase saía e cada descida em que eu o engolia inteiro outra vez. Depois comecei a usá-lo com mais fome. Quicava sobre ele com as mãos apoiadas em seu peito, sentindo o choque dos meus quadris contra a pelve dele.
A respiração dele já era puro ofegar.
— Não se mexa — repeti, embora eu mesma começasse a perder o controle.
Ele tentava obedecer, mas o corpo escapava. Sempre que eu descia até o fundo, seus quadris se erguiam um pouco para me buscar. Vi-o dividido entre a ordem e o impulso e, por estranho que fosse, aquilo me excitou mais do que qualquer gesto perfeito.
— Você gosta que eu foda você assim? — perguntei.
— Sim.
— Gosta que eu use você?
— Sim, porra.
Segurei o queixo dele para obrigá-lo a me olhar.
— Com palavras.
— Sim, gosto que você me use. Gosto que você monte em mim. Gosto de obedecer a você.
Continuei fodendo-o enquanto ouvia aquelas frases saírem de sua boca. O som molhado da penetração encheu o quarto. Minhas pernas já estavam tensas, o clitóris roçando repetidamente a cada movimento. Eu estava perto. Perto demais.
Inclinei-me sobre ele, mordi seu lábio e depois sussurrei em seu ouvido:
— Não goze.
A crueldade de dizer aquilo justamente quando ele me apertava por dentro me fez gemer. Contraí as paredes da boceta ao redor do pau dele e senti seu corpo inteiro tremer, à beira de perder o controle.
Saí de cima dele antes de gozar. Fiz isso bruscamente, deixando-o ensopado, e ele soltou uma praga abafada.
— De bruços — ordenei.
Desamarrei-o primeiro. O nó se soltou com mais facilidade do que eu gostaria. Ele se sentou, com os pulsos avermelhados, e obedeceu imediatamente, deitando-se de bruços sobre a cama. Afastou as pernas antes mesmo que eu pedisse.
Ajoelhei-me atrás dele e abri suas nádegas com as duas mãos. Vê-lo daquele jeito, exposto, oferecido, me acendeu de uma maneira mais animal. Aproximei a boca e dei um beijo molhado em uma nádega, depois outro. Em seguida, passei a língua devagar pelo seu cu, de baixo para cima.
Ele estremeceu inteiro.
— Relaxe.
Voltei a lambê-lo com mais pressão, abrindo a língua, insistindo no centro, brincando ao redor até perceber que ele começava a relaxar. Enquanto isso, agarrei o pau dele por baixo do corpo e comecei a masturbá-lo por trás, com a mão deslizando entre saliva e lubrificação natural.
— Porra... — gemeu contra o travesseiro. — Não pare.
— Não dei permissão para pedir.
Então lambi mais fundo, enfiando a ponta da língua e tirando-a em movimentos curtos que o fizeram ofegar como um animal. Seu cu se abria apenas um pouco, tenso, mas receptivo, e continuei alternando língua, saliva e mão até deixá-lo quase tremendo.
— Você gosta disso, não é?
— Sim.
— Gosta que comam seu cu?
— Sim, sim... adoro.
Ouvi-lo admitir aquilo daquele jeito, sem maquiagem nem vergonha, provocou outra chicotada de calor entre minhas pernas. Cuspi entre suas nádegas e voltei a passar a língua, usando a saliva para deixá-lo mais molhado. Depois afastei a boca e enfiei um dedo com cuidado. Entrou devagar. Ele ficou tenso e então soltou o ar de repente.
— Respire.
Movimentei o dedo dentro dele, massageando, enquanto com a outra mão continuava a masturbá-lo. Seu pau estava duríssimo, pingando. Enfiei um segundo dedo e, desta vez, o gemido que ele soltou foi tão grave que me fez esfregar as coxas uma na outra.
— Assim — murmurei. — Que obediente.
Comecei a foder seu cu com os dedos, abrindo-o pouco a pouco, procurando o ponto que o fazia se contorcer. Quando o encontrei, seus braços dobraram sob o peito.
— Aí... porra, aí.
— Você gosta que enfiem os dedos em você?
— Sim.
— Gosta que abram você?
— Sim, por favor...
Dei outro tapa na nádega dele e apertei por dentro.
— Não implore. Aguente.
Continuei por vários minutos, entrando e saindo com os dedos ao mesmo tempo que o ordenhava com a outra mão. O quarto cheirava a sexo, suor e saliva. Minhas pernas continuavam molhadas de tê-lo montado. Ele estava tão excitado que suas costas tremiam em pequenos espasmos.
Quando senti que ele já não aguentava mais, retirei os dedos e me sentei à sua frente na cama.
— Vire-se.
Ele se virou e ficou de joelhos, com o pau erguido, o peito subindo e descendo como se tivesse corrido. Olhei para ele por um instante. Seu rosto estava avermelhado, o cabelo grudado na testa e uma expressão de necessidade tão nua que meu estômago deu um vuelco.
Abri as pernas diante dele e enfiei dois dedos na boceta, bem fundo, para depois tirá-los cobertos de umidade. Comecei a me tocar sem parar de olhá-lo.
— Agora você goza quando eu mandar. Tocando-se. Eu vou assistir.
Só isso bastou para ele agarrar o pau e começar a se masturbar. Fazia aquilo com fome, rápido no início, até que ergui uma sobrancelha.
— Devagar.
Ele obedeceu. Diminuiu o ritmo, subindo e descendo a mão com uma tortura evidente. Eu continuava enfiando os dedos em mim e esfregando o clitóris, excitada pela imagem dele gozando por minha ordem e, ao mesmo tempo, incomodada com a certeza de que aquele papel me servia apenas pela metade.
— Diga o que está vendo.
— Vejo você se tocando.
— Continue.
— Vejo você aberta para mim. Molhada. Olhando para mim como se fosse me fazer gozar quando quisesse.
Mordi o lábio. As palavras dele me incendiaram de repente. Comecei a me tocar com mais força, enfiando os dedos violentamente, ouvindo o som molhado da minha mão.
— O que você é?
— Seu submisso.
— E?
— Seu enquanto você quiser.
Isso me fez gemer. Ele acelerou um pouco a mão.
— Ainda não — falei.
— Não vou aguentar muito mais.
— Vai aguentar.
Eu já estava à beira. Via-o se masturbando de joelhos para mim, com o pau brilhando de pré-gozo, e sentia ao mesmo tempo prazer, estranheza e uma pontada de vazio difícil de explicar. Aquilo me excitava, sim. Muito. Mas eu não me sentia em casa dentro daquele poder. Era uma máscara que eu colocava e que, ainda assim, me deixava molhada.
Ele começou a tremer de verdade.
— Agora — ordenei.
A palavra bastou. Ele apertou o pau com força e gozou em jatos violentos sobre os lençóis e a barriga, gemendo com a cabeça jogada para trás. A visão me levou junto. Gozei quase ao mesmo tempo, esfregando-me com raiva, com os dedos dentro de mim e o orgasmo partindo minhas pernas.
Ficamos os dois ofegantes. Ele com a mão ainda sobre o pau sensível. Eu com as pernas abertas, molhadas e trêmulas.
Durante alguns segundos, não houve nada além de nossas respirações e do som distante de um carro na rua.
— Foi incrível — murmurou ele enfim.
Assenti, embora a palavra não fosse suficiente para tudo o que eu sentia. Incrível, sim. Excitante. Cru. Estranho. Insuficiente de uma forma que me dava vergonha admitir.
Deitei-me ao lado dele e ele se aninhou contra mim, ainda dócil, com o corpo satisfeito. Fiquei olhando para o criado-mudo. O telefone continuava ali. Eu havia gravado uma parte. Poderia enviá-la. Poderia provar que cumprira uma ordem vinda de outro lugar, de outra voz que realmente me dominava sem sequer me tocar.
Não fiz isso.
Apaguei a tela sem abrir a pasta e fechei os olhos. Ele me abraçou pela cintura e adormeceu antes de mim. Demorei muito mais, pensando em tudo o que acontecera, no que eu desfrutara e no desconforto que continuava por baixo de tudo, como uma pedrinha que não desaparece.
***
A manhã entrou pela persiana em linhas claras sobre os lençóis revoltos. Acordei antes dele e fiquei alguns segundos imóvel, sentindo o peso de seu braço sobre minha cintura. O quarto ainda cheirava a sexo seco, pele e noite recente.
Escorreguei para fora da cama e vesti uma camiseta comprida. Fui descalça até a cozinha em busca de café e silêncio, mas não encontrei nenhuma das duas coisas. Minha irmã já estava lá, sentada em um dos bancos, com uma caneca fumegante entre as mãos e um sorriso lento que me deixou em alerta desde a porta.
Ela usava uma camiseta cinza folgada que mal cobria metade da coxa. Nada mais. O cabelo despenteado, as pernas cruzadas, a postura de quem se sente confortável demais na casa alheia.
— Bom dia — disse ela, saboreando a expressão no meu rosto. — Dormiu bem?
Servi-me de café sem responder imediatamente.
— Sim. E você?
— Muito bem. Embora não tenha conseguido deixar de ouvir algumas coisas.
Olhei para ela por cima da caneca.
— Que coisas?
Ela deu de ombros com uma falsa inocência.
— Gemidos. Ordens. Alguém dizendo que era submisso. Nada grave.
Senti o calor subir pelo pescoço. Ela sorriu ainda mais.
— Calma. Não vou contar para ninguém. Só fiquei surpresa. Não imaginava você mandando.
Antes que eu pudesse responder, ele apareceu à porta da cozinha, despenteado e ainda meio adormecido. Ao vê-la vestida daquele jeito, ou quase vestida, hesitou por um segundo. Aquele segundo não me escapou.
— Bom dia — murmurou.
— Bom dia, cunhado — respondeu ela, com uma doçura calculada demais.
Ela se levantou para cumprimentá-lo e, ao fazê-lo, a camiseta subiu o suficiente para mostrar a curva inferior de uma nádega. Foi um gesto mínimo, calculado. Ele desviou o olhar imediatamente e se aproximou da cafeteira, desajeitado.
Minha irmã se virou para mim e baixou a voz.
— Ouvi tudo ontem à noite.
— Fale mais baixo.
— Por quê? — sussurrou com um sorriso. — Se ele já sabe como obedece bem.
Ele continuava de costas, preparando torradas, sem perceber a faca que ela movimentava a cada palavra. Ou talvez percebesse demais e fingisse não perceber. Quando se virou com a caneca na mão, ela se espreguiçou no banco, erguendo os braços. A camiseta se abriu o suficiente para mostrar a ele que não usava calcinha.
Ele ficou imóvel por um segundo. Depois pigarreou.
— Vocês querem pão?
— Claro — disse ela. — Com tomate e azeite.
Observei a cena em silêncio, com irritação e uma pontada de excitação retorcida. Ela estava testando-o. E ele, depois da noite que passáramos, não sabia para onde olhar.
Ele se sentou entre nós para tomar café da manhã, e ela continuou fincando agulhas com a voz suave, falando de casais que experimentam, da dificuldade de aprender a mandar e a se deixar levar, de como é sexy descobrir segredos. Ele se remexia na cadeira. Eu percebia suas bochechas ficando coradas.
Debaixo da mesa, ela esticou a perna até roçar o joelho dele. Foi apenas um toque, mas suficiente para eu ver como ele cerrou o maxilar. Meus dedos se fecharam ao redor da caneca. A cozinha se tornou um lugar pequeno demais.
Quando ele se levantou para recolher os pratos, ela me lançou um meio sorriso triunfante.
— Vou tomar banho — anunciou.
Passou por mim roçando meu ombro e seguiu pelo corredor sem pressa. Fiquei sozinha por um momento, com o café já frio e a sensação de que o controle escapava de mim por todos os lados.
Tirei o celular do bolso da camiseta. Havia uma mensagem pendente. Abri-a com o pulso acelerado.
Era uma ordem fria e direta, cobrando a prova que eu não enviara. Dizia que já esperara o bastante. Que queria ver o que eu tinha feito. Que eu não o obrigasse a me lembrar de quem realmente decidia.
Li a mensagem duas vezes. Depois ergui o olhar. Ele continuava na pia. Minha irmã acabara de fechar a porta do banheiro. E eu ainda tinha o vídeo guardado, a excitação grudada no corpo e uma decisão que já não podia adiar por muito mais tempo.
Não respondi.
Mas também não apaguei nada.