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Relatos Ardientes

Ajoelhei-me diante da mulher que me encomendou pelo chat

O espelho me devolvia a imagem de uma mulher de quarenta e oito anos. Não era a mesma que tinha se casado havia mais de duas décadas, mas tampouco uma estranha. Meus seios, antes firmes, agora cediam à gravidade com uma curva suave, embora continuassem generosos. E meu traseiro, largo, com a redondeza que só os anos e as gestações dão, conservava aquela textura de pele que tanto me custou aceitar. Era o meu mapa, a minha história. Na intimidade do banheiro, eu o aceitava sem reproches. Era eu, Beatriz, esposa de Andrés e mãe de duas filhas.

Minha vida era um mecanismo bem lubrificado: o escritório, os jantares em família, as conversas com Andrés sobre contas e planos de fim de semana. Tudo previsível. Tudo cômodo. E, às vezes, terrivelmente monótono.

Uma tarde, com as meninas em suas atividades e Andrés na academia, me vi navegando sem rumo pela internet. Comecei num fórum de jardinagem, pulei para receitas e, sem saber muito bem como, acabei num canto escuro da rede. Um anúncio discreto, quase subliminar, prendeu minha atenção: «Procurando algo a mais? Explore seus limites». A curiosidade, essa velha amiga do tédio, me empurrou a clicar. E assim aterrissei numa sala de chat de dominação entre mulheres.

No começo senti uma mistura de espanto e rejeição. Eu, ali? Beatriz, a esposa e mãe irrepreensível? Mas alguma coisa me deteve antes de fechar a janela. As conversas eram explícitas, diretas e, ao mesmo tempo, estranhamente magnéticas. Havia uma autoridade nas palavras de algumas usuárias que me intrigava. Minha vida sexual com Andrés sempre fora convencional, sem sobressaltos. Ler aquelas ordens e aquelas entregas despertou algo que eu não sabia que existia: uma faísca, uma ânsia pelo proibido. Cadastrei-me com um nome inventado, um alter ego que me permitia ser qualquer uma.

Observei durante dias, aprendendo a linguagem, as dinâmicas. Até que uma noite apareceu uma mensagem privada. Era de alguém que se fazia chamar «Reina_V». Seu perfil era sucinto, mas suas palavras me arrepiaram a pele.

—O que você procura aqui, pequena? —perguntou.

Meu coração acelerou.

—Não sei —digitei—. Acho que… algo diferente.

E assim tudo começou. Horas, dias, semanas de conversa. Eu me sentia atraída pela sua segurança, pela forma como ela tomava o controle de cada frase. Confessei que me sentia atraída por mulheres dominantes, algo que nunca havia admitido nem mesmo para mim mesma. Ela me pedia coisas. No começo, pequenas: descrever minha lingerie. Depois, mais ousadas: fotos do meu corpo tal como era, sem retoques nem vergonha. E eu, para meu próprio espanto, obedecia. Cada imagem enviada, cada ordem cumprida, era mais um passo além da minha zona de segurança. Eu me sentia exposta e, ao mesmo tempo, incrivelmente excitada. Ela me pedia que eu me tocasse, que me imaginasse aos seus pés. E eu fazia isso, sozinha no meu quarto, com o celular tremendo na mão. Eu havia me tornado a sua submissa, e aquilo me encantava.

Numa noite, depois de semanas daquela conexão, Reina_V soltou a pergunta que eu tanto temia e desejava.

—Você está pronta para levar isso ao próximo nível?

Meu coração deu um salto. Eu sabia a que ela se referia.

—Sim —digitei, com os dedos desajeitados.

Ela me deu o endereço de um hotel no centro e um horário.

—E mais uma coisa —acrescentou—. Venha sem calcinha. Quero que você se sinta completamente exposta desde o momento em que cruzar a porta.

A ideia me aterrorizou e me incendiou em partes iguais. Os dias anteriores foram uma tortura deliciosa. Cada vez que Andrés me abraçava ou minhas filhas me contavam suas coisas, eu sentia uma fisgada de culpa, mas a emoção do que vinha pela frente era mais forte.

Na noite anterior, mal dormi. Minha mente reproduzia cenários, imaginava um rosto, uma voz, um toque. No dia do encontro inventei uma desculpa para Andrés: um jantar com velhas amigas do colégio. Tomei banho com calma, ensaboando cada centímetro de pele como se me preparasse para um ritual. Escolhi um vestido preto simples, justo nas minhas curvas sem ser vulgar. Maquiei-me com cuidado, um pouco mais do que o habitual, para disfarçar o nervosismo nos olhos. E então, o momento da verdade: me vesti deixando a roupa de baixo na gaveta. O tecido roçava minha pele nua com uma sensação estranha e elétrica. Cada passo em direção ao hotel era uma batida mais forte no peito.

***

O saguão era discreto e elegante. Subi no elevador sentindo o coração martelar nas têmporas. A porta do quarto 318 se abriu antes que eu pudesse bater. E ali estava ela.

Minha respiração parou. Não era a mulher madura que eu havia imaginado. Era loira, magra, com olhos azuis que pareciam me atravessar. E eu a reconheci de imediato. Era Daniela, a melhor amiga da minha filha mais velha, Marina. A filha de Patricia, minha amiga de toda a vida. A garota que crescera diante de mim, que ia à nossa casa para estudar, que me chamava de «tia Bea».

Um arrepio, desta vez de puro choque, percorreu minhas costas. Ela sorriu. Não era um sorriso de surpresa, e sim de astuta satisfação.

—Olá, Beatriz —disse com voz firme—. Surpresa em me ver?

Não consegui responder. Minha cabeça era um turbilhão de incredulidade, vergonha e, para meu espanto, uma fisgada de desejo ainda mais intensa. A situação era tão transgressora que meu corpo reagiu antes da minha mente.

Ela deu um passo para trás, convidando-me a entrar. Minhas pernas se moveram sozinhas. A porta se fechou com um clique suave, selando nosso segredo.

Daniela não me tocou. Começou um lento percurso ao meu redor, como uma avaliadora diante de uma peça única. Seu olhar frio pousou em cada detalhe: a tensão dos meus ombros, a curva da minha cintura, a forma como o tecido se ajustava aos meus quadris. Ao parar na minha frente, seus olhos desceram até minhas pernas e uma sombra de sorriso surgiu ao perceber o tremor das minhas coxas. Essa inspeção foi mais íntima que qualquer carícia. Foi um ato de posse.

—Então você veio —disse, em voz baixa—. Pronta para obedecer?

Assenti, incapaz de articular palavra. Minha garganta estava seca.

—Tire o vestido.

Minhas mãos tremiam ao desabotoar os botões. O tecido escorregou até formar uma poça aos meus pés. Fiquei nua, vulnerável, diante da amiga da minha filha. A vergonha era imensa, mas a excitação a superava. Eu sentia o ar frio na pele e cada poro parecia ganhar vida.

Ela me esquadrinhou de cima a baixo, detendo-se em cada curva, em cada imperfeição que eu havia escondido durante anos. Minhas bochechas queimavam, mas não desviei o olhar. Havia uma intensidade em seus olhos que me desarmava.

Ela se aproximou. Seus dedos frios percorreram minha pele do ombro até o quadril.

—Bonito corpo —sussurrou, o hálito quente em meu ouvido—. Gosto do que vejo.

Suas palavras foram um bálsamo para uma insegurança que eu carregava há tempo demais. Ela me conduziu até a cama e me empurrou com suavidade para que eu me sentasse. Ajoelhou-se diante de mim, os olhos cravados nos meus.

—Quero que você me olhe —disse—. Quero que veja quem a possui.

Suas mãos subiram por minhas coxas sem nojo nem julgamento, apenas com uma curiosidade possessiva. Meus mamilos endureceram sob seu olhar. Ela se inclinou e beijou meu ventre, depois a parte interna das minhas pernas, subindo devagar, me torturando com sua proximidade. Minha respiração ficou irregular. Quando seus lábios enfim encontraram meu sexo, um gemido escapou da minha garganta. Era um gemido de rendição.

Entreguei-me por completo, esquecendo o mundo, esquecendo quem eu era e quem ela era. Só existiam o prazer e a submissão. O clímax chegou como uma onda que me arrastou, deixando-me trêmula e sem fôlego. Agarrei-me aos seus ombros, o corpo arqueado, a mente em branco.

Quando abri os olhos, Daniela estava sentada ao meu lado com um sorriso enigmático.

—E então? —perguntou—. Gostou da sua primeira lição?

—Mais do que me atrevo a admitir —sussurrei.

Eu me sentia diferente, como se uma parte adormecida durante anos tivesse despertado. A vergonha inicial tinha se dissolvido, substituída por uma estranha sensação de poder. Eu havia cruzado uma fronteira que jamais imaginei que existisse para mim. E, surpreendentemente, eu não me arrependia.

Daniela inclinou-se, o rosto a centímetros do meu.

—Seu corpo maduro me enlouquece, Beatriz. Aquilo que você me mostrou nas fotos me deixa louca.

Suas palavras cruas me fizeram tremer.

—Você está disposta a continuar? —perguntou, agora mais séria, mais exigente—. Se estiver, serei uma ama rigorosa. Vou fazê-la atravessar barreiras que você nunca imaginou.

A ideia de me entregar por completo era assustadora e, ao mesmo tempo, a fantasia mais excitante que eu já tivera.

—Sim —consegui dizer, apenas um fio de voz—. Sim, estou disposta.

Um sorriso lento se espalhou pelo rosto dela.

—Fiquei surpresa por ser você —acrescentei, com a necessidade de ser honesta—. Mas, no fundo, isso me excita. Muito. Só… minha família não pode saber. Nem sua mãe. Ninguém.

Ela me olhou nos olhos com uma expressão tranquilizadora.

—Não se preocupe. Nosso segredo está seguro comigo.

Sua mão pousou na minha bochecha e, com um movimento rápido, me empurrou.

—De joelhos.

Obedeci sem hesitar, o corpo respondendo à ordem antes que a mente pudesse processá-la. Ajoelhei-me no chão, olhando-a de baixo.

—O que você quer? —perguntou, a voz carregada de autoridade—. Me diga.

—Quero ser sua escrava —implorei, as palavras saindo sem controle—. Por favor. Seja minha ama.

Ela me observou por um instante, os olhos brilhando com uma satisfação sombria. Então, com um movimento fluido, despiu-se. A roupa caiu no chão e revelou um corpo esguio, atlético, de pele luminosa. Era lindíssima, uma deusa diante dos meus olhos. Ela se aproximou e, antes que eu pudesse reagir, segurou minha cabeça. Ela em pé, eu de joelhos, guiou meu rosto até o sexo dela.

O cheiro de desejo me invadiu. Era a primeira vez que eu faria aquilo, e a ideia me encheu de nervosismo e de uma ânsia avassaladora de agradá-la. Meus lábios roçaram sua pele, minha língua explorou timidamente e depois com audácia. Ela gemeu, um som gutural que me confirmou que estava gostando. Seus dedos se enroscaram no meu cabelo, me empurrando mais para perto. O prazer era quase elétrico. E então, com um grito abafado, ela estremeceu contra minha boca e eu bebi o prazer dela como se fosse o meu.

Fiquei ajoelhada, o corpo trêmulo, a mente em um estado de êxtase total. Daniela se ergueu e foi até a bolsa. De lá tirou um harness com um falo escuro, de tamanho imponente. Minha respiração engatou na garganta. Ela o ajustou à cintura com uma facilidade espantosa, e a visão me deixou sem ar.

Ela se aproximou de mim, que continuava de joelhos, os olhos azuis cravados nos meus.

—Abra as pernas —ordenou, num murmúrio que reverberou em cada fibra do meu corpo.

Obedeci no mesmo instante. Minhas coxas tremiam ao se afastarem. Ela se inclinou e o deslizou contra mim, lubrificando-o com a umidade que já brotava em antecipação. E então, sem mais preâmbulos, me penetrou. A sensação de plenitude era avassaladora, como uma reconquista do meu próprio corpo. Um gemido escapou dos meus lábios enquanto ela começava a se mover, devagar no início, depois com uma força que me arqueou as costas.

Cada investida era profunda e precisa, não buscava apenas o prazer, mas redefinir o que eu acreditava ser capaz de sentir. Meus quadris se erguiam para encontrar o ritmo dela. A excitação era uma maré crescente que me arrastava. O que no começo foi avassalador se transformou na chave que abriu uma câmara de êxtase desconhecida. Eu, que só conhecera a contenção, agora me entregava a uma plenitude que me transbordava. O ritmo que ela impunha era implacável, uma cadência que apagava todo pensamento. Meus músculos se tensionaram, minha visão se turvou e, com um grito abafado, gozei, sentindo o prazer me consumir por completo.

Quando a onda se dissipou, ela se deitou ao meu lado, respirando com força. Olhou-me com um sorriso de satisfação.

—Agora é a sua vez —disse—. Suba.

Coloquei-me a cavalo sobre ela, sentindo de novo aquela plenitude. Comecei a me mover para cima e para baixo, descobrindo o prazer de marcar eu mesma o ritmo, embora soubesse, no fundo, que continuava sendo ela quem mandava. Ela gemia sob mim, as mãos agarradas aos meus quadris, me guiando. Quando o segundo orgasmo me sacudiu, desabei sobre ela, exausta e plena.

Depois de alguns minutos, quando nossas respirações se acalmaram, ela tirou o harness.

—Limpe —ordenou, apontando com o queixo.

Abri os olhos arregalados. A vergonha voltou a me invadir, mas a obediência era mais forte. Peguei-o e, com a língua, retirei cada vestígio do nosso encontro enquanto ela me observava sem piscar.

Daniela se levantou da cama, olhou-me com um sorriso de superioridade e foi em direção ao banheiro. Enquanto ouvia a água correr, fiquei estendida, o corpo ainda vibrando, a mente tentando organizar o que acabara de acontecer. Como eu tinha chegado até ali? Eu, Beatriz, esposa e mãe, num quarto de hotel, explorando os limites do meu desejo de uma forma que jamais teria imaginado? A culpa apareceu por um instante, mas foi afogada pela maré de excitação e por uma inesperada sensação de liberdade. Aquela parte de mim, reprimida durante anos, finalmente havia emergido.

Quando voltou do banheiro, envolta numa toalha, me olhou com expressão séria.

—É hora de você ir —disse—. Mas não pense que isso acabou.

Meu coração deu um salto.

—Quero que você esteja pronta para a minha próxima ordem. Ela pode chegar a qualquer momento, em qualquer lugar.

Assenti, a garganta seca.

—Sim, ama —disse eu, e a palavra saiu dos meus lábios com uma facilidade surpreendente.

Vesti-me em silêncio, o tecido roçando minha pele nua como um lembrete constante do que acontecera. Antes de sair, Daniela me deteve.

—Mais uma coisa. Nem pense em mudar nada no seu corpo. Quero vê-la sempre exatamente como você é.

Assenti de novo, os olhos fixos nos dela. Durante anos eu vivera insegura em relação às minhas curvas, às minhas marcas, convencida de que precisava corrigi-las. No entanto, ao ver o brilho de fascínio com que ela as nomeava, essa dúvida sumiu e se transformou num orgulho estranho e profundo. O desejo dela não buscava uma perfeição de catálogo, mas a autenticidade do meu corpo maduro. Aceitá-lo pareceu, paradoxalmente, um ato de libertação.

Saí do hotel e o ar fresco da noite me atingiu o rosto. O mundo exterior parecia o mesmo, mas eu já não era. Havia cruzado um limiar e não havia volta. Minha vida, meu desejo, tudo tinha sido redefinido. E, estranhamente, eu me sentia mais viva do que nunca.

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