Castigo e recompensa sob o domínio dele
Uma semana depois de voltar do litoral, Tomás entrou no apartamento com o cansaço grudado nos ombros e o hábito de verificar primeiro a ordem, antes de qualquer outra coisa. Deixou a pasta junto ao aparador do hall de entrada e percorreu a sala com uma calma meticulosa. Vera estava recostada no sofá, com um livro aberto sobre o peito e as pernas dobradas sob uma manta leve, observando-o em silêncio.
A casa brilhava. O chão encerado devolvia o reflexo alaranjado do entardecer, a bancada da cozinha estava livre e o cheiro de produto de limpeza ainda pairava no ar. À primeira vista, tudo estava perfeito. Mas Tomás não confiava na primeira impressão; nunca confiava.
Passou um dedo pela borda de uma estante, abriu um armário, verificou o banheiro, olhou até mesmo a parte de cima da coifa. Ali encontrou uma minúscula marca de gordura, apenas um brilho irregular sob a luz. Sorriu de leve, não com crueldade, mas com aquela serenidade implacável que apertava o ventre de Vera mesmo antes de ele falar.
—Vera —disse ao voltar à sala—, você fez um ótimo trabalho. Mas deixou uma mancha na coifa.
Ela deixou o livro de lado e se sentou devagar. Baixou os olhos por um segundo, depois voltou a erguê-los.
—Sinto muito. Deixei passar.
—Você deixou passar —repetiu ele, aproximando-se—. E sabe que não se trata de ser grande ou pequena. Trata-se do acordo.
Vera engoliu em seco. Não era uma mulher ingênua nem uma menina assustada. Era uma adulta que havia escolhido aquela dinâmica com plena consciência e, justamente por isso, sentia o peso da falta com uma mistura de vergonha e excitação. Odiava admitir, mas toda vez que ele falava com ela daquele jeito, firme e sereno, algo entre as pernas começava a despertar.
—Eu sei —murmurou—. Aceito o castigo.
Tomás segurou o queixo dela com dois dedos.
—Quero ouvir melhor.
—Aceito o castigo, senhor.
O título saiu suave, quase rouco. Bastou para ele. Indicou com um gesto que ela fosse à sala de jantar. Vera obedeceu sem fazer cena, com aquele tremor interior que não aparecia nas pernas, mas se revelava na respiração. A cadeira estava no centro, afastada da mesa. Tomás desabotoou o cinto devagar, sem tirar os olhos dela.
—Apoie-se. Levante o vestido. Não me faça repetir.
Vera inclinou-se sobre o encosto e ergueu o vestido até a cintura. Não usava nada por baixo. Fizera isso porque sabia que ele gostava de encontrá-la disponível e, naquele momento, essa previsão se transformou em exposição total. Sentiu o ar sobre as nádegas e um arrepio percorreu sua coluna.
—Conte cada golpe —disse ele.
O primeiro golpe de cinto abriu sua pele com uma linha de fogo. Vera soltou o ar entre os dentes e apertou os dedos contra a madeira.
—Um.
O segundo caiu atravessado sobre a outra nádega. O terceiro, mais abaixo, fez seus joelhos se dobrarem um pouco. Tomás não golpeava ao acaso; distribuía o castigo com precisão, deixando ardor sem se encarniçar no mesmo ponto. A correia assobiava no ar e depois vinha o impacto seco, seguido por aquele calor pungente que levava apenas um segundo para explodir.
—Quatro... cinco...
A voz começou firme e foi se quebrando. No sexto, seus olhos já estavam úmidos. No sétimo, um gemido escapou sem sua permissão. Não era apenas dor. Era a humilhação de estar aberta para ele, de saber-se corrigida por uma falta mínima, de sentir o corpo responder da maneira mais indecente possível. Sua boceta estava molhada, e isso a enfurecia e excitava ao mesmo tempo.
O oitavo golpe arrancou dela um gemido mais alto.
—Mais forte, Vera. Quero ouvir você contar.
—Oito!
Tomás desferiu mais dois na parte alta das coxas, obrigando-a a ficar na ponta dos pés. Depois apoiou a mão sobre uma nádega avermelhada e a massageou devagar, exatamente onde ardia mais. O contraste a fez tremer.
—Aprendeu?
—Sim, senhor.
Ele deslizou dois dedos entre as pernas dela e sorriu ao encontrá-la encharcada.
—Ora. Veja só como você está culpada.
Vera fechou os olhos de pura vergonha.
—Não consegui evitar.
—Eu não pedi que evitasse.
Enfiou um dedo na boceta dela, depois outro, enterrando-os devagar enquanto, com a palma livre, continuava acariciando sua bunda castigada. Vera soltou um gemido rouco e empurrou o quadril para trás por puro reflexo. A ardência e o prazer se misturaram de uma forma brutal, como se cada nervo tivesse ficado mais sensível depois do cinto.
—Olhe para você —disse ele perto de seu ouvido—. Eu corrijo você e você fica ainda mais molhada. É uma putinha obediente.
A frase fez com que ela se contraísse ao redor dos dedos dele. Tomás os retirou de repente e mostrou-os, brilhantes.
—Limpe-os.
Vera virou-se o suficiente para abrir a boca. Chupou os dedos dele sem desviar o olhar, engolindo a própria umidade com uma docilidade que a excitou ainda mais. Tomás deu-lhe um tapa breve na face, mais possessivo do que violento.
—Boa.
Ajudou-a a se levantar e a abraçou por alguns segundos. Aquela era outra parte do acordo: a firmeza não anulava o cuidado. Vera apoiou a testa no peito dele, ainda com lágrimas nos cílios e as nádegas ardendo. A mistura de alívio e desejo pesava no baixo ventre como uma pedra quente.
—Obrigado por aceitar bem —murmurou ele.
—Obrigada por me corrigir.
Tomás beijou o cabelo dela e os dois foram para o sofá. Ela se aninhou ao lado dele, ainda sensível, ainda excitada, enquanto ele acariciava sua nuca. A conversa derivou para coisas menores, uma mensagem de uma conhecida das férias, a rotina dos dias seguintes, mas a marca invisível do castigo continuava ali, pulsando entre os dois como uma promessa.
***
Durante os dias seguintes, Vera se dedicou a cumprir cada detalhe. Limpou com um cuidado quase obsessivo, deixou a casa perfeita e completou seu treinamento como se o corpo não tivesse direito ao cansaço. Tomás observava aquele esforço com satisfação, embora não demorasse a encontrar outra brecha.
Certa noite, verificou o aplicativo onde ela registrava sua rotina física. O tempo estava completo, mas faltava uma repetição em uma série de agachamentos. Uma só. Vera o viu erguer uma sobrancelha e soube na hora o que havia acontecido.
—Não percebi —admitiu antes que ele perguntasse.
—Isso eu já sei. O que quero saber é se você acha que isso muda alguma coisa.
Ela negou com a cabeça.
—Não, senhor.
Tomás sentou-se na poltrona do escritório e abriu as pernas.
—Venha. Sobre meus joelhos.
Vera aproximou-se com o peito acelerado. Deitou-se de bruços sobre ele, com o vestido novamente erguido até a cintura. Suas nádegas ainda guardavam a memória de dias antes, e só a ideia de sentir a mão de Tomás ali a fez apertar as coxas.
A primeira palmada caiu com a mão aberta, sonora, carnuda. Não cortava como o cinto; reverberava com uma força úmida que permanecia vibrando sob a pele. Tomás alternava as nádegas, conduzindo o ritmo com uma paciência cruel. Vera contou doze, uma após a outra, até sua voz se tornar um tremor líquido.
Quando terminou, ele não a soltou. Abriu as pernas dela com o joelho e acariciou sua boceta por cima da pele avermelhada da bunda, obrigando-a a sentir tudo ao mesmo tempo.
—Agora você vai repetir o treinamento completo. E eu vou assistir.
Vera obedeceu. Posicionou-se no tapete da sala, usando uma legging curta e um top colado ao corpo. Tomás permaneceu sentado, observando-a sem dizer uma palavra. Aquele olhar a trabalhava mais do que qualquer aparelho da academia.
As primeiras séries foram suportáveis. Depois vieram o suor, a ardência nos músculos, a respiração entrecortada. Cada agachamento puxava suas nádegas castigadas e cada flexão tensionava o ventre já sensível. Quando chegou às repetições que havia deixado de fazer, contou-as em voz alta, como se estivesse rezando.
—Vinte e dois... vinte e três... vinte e quatro...
Tomás continuava em silêncio. Aquilo a apertava mais do que um grito.
Quando terminou, estava encharcada. O suor escorria por suas costas e entre os seios, e mechas de cabelo estavam grudadas nas têmporas. Aproximou-se dele com as pernas trêmulas.
—Terminei, senhor.
Ele passou o polegar pelo lábio inferior dela e depois o enfiou em sua boca. Vera chupou-o sem perguntar. Tomás a encarou por longos segundos.
—Boa menina.
A aprovação a desarmou. Sentiu uma pontada direta na boceta e baixou os olhos para que ele não visse o quanto aquilo a afetara. Mas Tomás já sabia; sempre sabia.
***
Com o tempo, seu jogo de sinais tornou-se parte natural da vida cotidiana. Um estalar de dedos significava esperar. Duas palmas, segui-lo. Um assobio curto, aproximar-se sem demora. No começo, Vera se confundia, e os erros tinham consequências: um beliscão nos mamilos, uma volta extra correndo, algumas palmadas rápidas com a mão. Nada improvisado, tudo dentro das regras que haviam construído juntos.
O que começou como disciplina também se tornou uma fonte de excitação contínua. No supermercado, quando Tomás estalava os dedos e ela obedecia sem falar, Vera sentia um espasmo de submissão entre as pernas. Durante um jantar, bastava um olhar duro e uma palmada discreta na coxa para que ela se calasse imediatamente. A mais ninguém aquilo dizia alguma coisa. Nela, deixava um ardor.
A situação ficou realmente tensa quando ele começou a passar a ela tarefas rotineiras do escritório. Certa noite, pediu que revisasse uma planilha interminável de dados no laptop. Vera aceitou, embora soubesse que aquilo a deixaria acabada. Passou horas diante da tela, com os olhos secos e as costas rígidas, corrigindo números enquanto o restante de suas obrigações se acumulava ao redor.
Enquanto isso, Tomás saiu para beber alguma coisa com uma colega nova, Elisa. Não aconteceu nada entre os dois, mas o nome e o sorriso com que ele o mencionou bastaram para Vera sentir um bicho escuro de ciúme mordendo-a por dentro. Quando ele voltou e encontrou um erro decimal na tabela, a noite explodiu.
—É mínimo —disse ela, cansada até os ossos, assim que o viu apontar para a tela.
—Mínimo não significa aceitável.
Vera soube que estava perdida. Não apenas por causa do erro, mas também pelo tom. Respondera mal, e ele havia percebido.
Tomás pegou uma palmatória de madeira que guardavam para seus jogos. Fez com que ela apoiasse as mãos sobre a mesa da sala de jantar e baixou sua roupa de uma vez. O ar fresco atingiu sua bunda já tensa antes do primeiro impacto. A palmatória era diferente do cinto e da mão: plana, dura, brutalmente uniforme. Cada golpe deixava uma marca compacta de calor que subia até a cintura.
—Conte.
Vera obedeceu entre gemidos. No sexto, sua voz já estava quebrada. No nono, suas pernas tremiam tanto que Tomás segurou seu quadril com força para mantê-la imóvel. Quando chegou ao doze, ela chorava sem conseguir evitar.
Ele deixou a palmatória de lado e abriu mais as pernas dela com o joelho.
—Ajoelhe-se.
Vera desceu ao chão. Tomás segurou seus mamilos entre os dedos e os beliscou devagar a princípio, depois torcendo-os com uma precisão que a fez gemer e arquear as costas. Doía de uma maneira íntima e feroz. Ela soluçou.
—Perdão.
—Pelo erro ou por me desafiar?
—Pelas duas coisas.
Ele afrouxou um pouco, inclinou-se e beijou sua testa.
—Melhor.
Ainda assim, a noite não terminou ali. Mandou-a terminar a limpeza da casa e depois treinar. Vera cumpriu tudo com a bunda em chamas e os mamilos doloridos, movendo-se pelo apartamento como se cada tarefa fosse uma penitência e uma oferenda. Quando finalmente caiu exausta na cama, de bruços, soube que no dia seguinte teria de reparar algo mais importante do que um número digitado errado: a distância que se abrira entre os dois.
***
Na manhã seguinte, Tomás disse que pretendia continuar delegando a ela aquelas tarefas tediosas. Exausta, Vera soltou um “não aguento mais” que soou mais brusco do que pretendia. Ele não discutiu. Limitou-se a ficar frio.
Aquela frieza foi pior do que qualquer palmada.
Durante o dia, Vera o viu rir com Elisa no escritório e sentiu o estômago se fechar. Não porque acreditasse que ele fosse traí-la, mas porque compreendeu de repente o quanto precisava continuar sendo seu refúgio, sua cúmplice, a pessoa sobre quem ele podia descarregar o peso e não mais alguém que acrescentasse resistência.
Ao fim do expediente, foi procurá-lo com os olhos úmidos e o orgulho quebrado.
—Podemos conversar?
Tomás levou-a a uma sala vazia. Ali, Vera respirou fundo e pôs tudo para fora.
—Eu errei. Estava exausta, sim, mas não deveria ter rejeitado você daquele jeito. Não quero que sinta que não estou com você. Vou me esforçar. Só... preciso que me diga quando eu estiver passando dos limites, antes que eu me quebre.
Ele a olhou em silêncio. Aquilo não era uma cena; era o centro de tudo. Por fim, assentiu.
—Isso me serve. Não quero obediência cega. Quero honestidade e entrega de verdade.
Vera engoliu o nó na garganta.
—Você tem isso.
Tomás acariciou o rosto dela com uma ternura que a deixou tremendo. Depois a beijou, suave a princípio, profundo em seguida. Não havia castigo naquele beijo, apenas reconciliação e um desejo denso que subiu pelos corpos dos dois como fumaça.
—Amanhã conversamos em casa —murmurou—. E amanhã você me prova isso.
Vera passou o resto do dia com aquela frase correndo em seu sangue.
***
Na manhã seguinte, enquanto ela recolhia as coisas do café da manhã, Tomás apareceu atrás dela e envolveu sua cintura. Beijou a base de sua orelha e falou tão baixo que o som quase se confundiu com a própria respiração dela.
—Venha. Para o banho.
Vera deixou a xícara na pia sem discutir. Só aquela ordem já havia molhado sua calcinha. Caminhou atrás dele até o banheiro, sentindo o pulso acelerar a cada passo. O vapor começou a preencher o espaço assim que ele abriu a água quente, e o espelho cobriu-se de uma névoa leitosa que isolou o mundo exterior.
Tomás despiu-se primeiro. Vera o observou com a fome silenciosa de quem conhece bem um corpo e, ainda assim, nunca se cansa de olhá-lo. Depois tirou o vestido e a calcinha, ficando diante dele completamente aberta, ainda com um leve tom rosado nas nádegas por causa dos castigos da noite anterior.
—Vire-se —ordenou.
Ela obedeceu. A água caiu sobre suas costas, escorrendo entre as omoplatas e descendo pela curva da bunda. Tomás ensaboou seu pescoço, os ombros, os braços. Fez isso com uma lentidão deliberada, quase insultante. Cada passada da mão era um lembrete de controle. Quando chegou às nádegas, apertou-as com firmeza, e Vera soltou um gemido abafado.
—Ainda arde?
—Sim, senhor.
—Ótimo. Quero que se lembre disso enquanto eu fodo você.
Enfiou uma mão entre as pernas dela. Seus dedos encontraram a boceta já escorregadia e fizeram-na abrir mais os joelhos. Tomás brincou com o clitóris em círculos lentos, exatamente o suficiente para deixá-la louca sem permitir que chegasse a lugar algum.
—Ontem você me pediu honestidade —disse junto ao ouvido dela—. Hoje quero entrega. Quero que me mostre o quanto deseja continuar com isso comigo.
—Sim...
—Não perguntei se sim. Eu disse o que quero.
Vera tremeu. Teria respondido algo mais, mas ele segurou sua nuca e a fez ajoelhar-se sobre o tapete molhado. De baixo, com a água batendo em seus ombros, ela o tinha diante do rosto, duro e pesado. O simples tamanho dele tão perto fez sua boceta pulsar.
—Abra a boca.
Ela abriu. Tomás encostou a ponta nos lábios dela e esfregou-a devagar. Vera pôs a língua para fora e o provou, lambendo a glande antes de engoli-lo alguns centímetros. Ele acariciou seus cabelos molhados e depois apertou sua cabeça apenas um pouco, marcando o ritmo.
—Mais.
Vera desceu até onde conseguiu, sentindo-o preencher sua boca, sentindo o calor e o peso de seu pau ocuparem sua língua e sua garganta. Tirou-o, voltou a enfiá-lo, cada vez mais fundo, enquanto a água corria por suas bochechas, misturando-se à saliva. Começou a masturbar a base com uma mão para acompanhar o movimento, e Tomás soltou um rosnado baixo que a fez vibrar inteira.
—Assim. Chupe direito. Quero ver essa boca trabalhando para mim.
A humilhação crua da frase subiu diretamente para seu clitóris. Vera entregou-se mais, lambendo o freio, ensopando-o de saliva, enfiando-o de novo até engasgar um pouco. Tomás não a forçava completamente; guiava-a. Isso tornava tudo pior e melhor ao mesmo tempo, porque a obediência continuava sendo dela.
Ele tirou o pau da boca dela e deu-lhe duas palmadas suaves na face molhada.
—Levante-se.
Vera se pôs de pé imediatamente. Tomás virou-a de costas e empurrou-a contra os azulejos. A cerâmica fria apertou seus seios enquanto ele separava suas pernas com o joelho. Ela apoiou as palmas na parede, respirando rápido, esperando.
Ele a penetrou de uma só vez.
Vera gritou. Não porque fosse a primeira vez, mas porque ele entrou fundo, direto, aproveitando o quanto ela estava molhada para cravar-se até o fim, sem transição. O choque do púbis contra suas nádegas avermelhadas arrancou dela um gemido animal, e seu corpo se arqueou sozinho.
Tomás começou a fodê-la num ritmo firme, seco, possessivo. Cada estocada fazia a água espirrar sob seus pés e seus seios ricochetearem contra a parede. Vera não podia fazer outra coisa além de recebê-lo, abrir-se, respirar entrecortadamente enquanto ele segurava sua cintura com força e ditava o compasso.
—É assim que eu quero você —rosnou—. Quieta e aberta para mim.
Ela gemeu mais alto. A boceta se apertava ao redor do pau dele em contrações involuntárias cada vez que ele roçava aquele ponto profundo que a deixava sem pensamentos. Sentia a ardência da bunda a cada golpe, e aquele ardor transformava o prazer em algo mais intenso, mais sujo.
Tomás tirou uma mão de sua cintura e levou-a entre as pernas dela. Começou a esfregar seu clitóris com os dedos molhados, rápido, preciso, enquanto continuava metendo-se nela até o fundo. Vera se desfez.
—Porra... porra... não pare...
—É isso que você quer? Que eu não pare de foder você?
—Sim, senhor. Foda-me. Foda-me assim.
Ele respondeu com uma estocada mais dura, que quase a fez perder o apoio. Depois deslizou a mão para trás e enfiou um dedo na bunda dela sem aviso, pressionando primeiro o anel tenso e entrando depois devagar, aproveitando a água e o sabonete que ainda restavam na pele.
Vera ficou rígida por um segundo.
—Relaxe —ordenou ele—. Quero todos os seus buracos obedientes.
A frase fez com que ela soltasse um gemido misturado à vergonha. Relaxou. O dedo entrou mais, e o contraste entre o pau preenchendo sua boceta e aquele dedo empurrando sua bunda a deixou louca. Tomás acrescentou um segundo dedo, abrindo-a com uma paciência cruel enquanto continuava cravando-se nela num ritmo que não diminuía.
—Isso —murmurou—. Fique mais molhada. Sinta como eu uso você.
Vera já não conseguia responder com palavras inteiras. Apenas suspiros, sílabas quebradas, gemidos cada vez mais agudos. Seu orgasmo se formou de repente, como uma onda suja e enorme que subia do ventre. Tomás voltou a esfregar seu clitóris com a força exata, e tudo explodiu.
Ela gozou tremendo, com um grito abafado que se chocou contra os azulejos. Suas pernas fraquejaram, a boceta apertou o pau dele em pulsos violentos e sua bunda se fechou ao redor dos dedos de Tomás. Ele soltou um gemido rouco ao senti-la se contrair daquela maneira.
—Boa menina... aperte-me assim...
Ele continuou fodendo-a durante o orgasmo, prolongando-o até quase torná-lo insuportável. Vera choramingou de puro excesso, com a testa apoiada na parede e o corpo convulsionando. A água caía pelas costas e pelas pernas dos dois, misturando-se ao som molhado das estocadas.
Tomás retirou os dedos da bunda dela e segurou seus quadris com as duas mãos. Deu mais quatro, cinco, seis empurrões, cada um mais profundo que o anterior. Vera sentiu-o ficar tenso atrás dela.
—Vou gozar dentro de você. Quero que sinta.
Aquela frase foi tudo de que ela precisou. Ele afundou até o fundo com um gemido grave e gozou dentro dela, descarregando em pulsos espessos que Vera sentiu claramente, um após o outro, quentes, brutais, preenchendo-a. O prazer residual arrancou dela outro gemido fraco quando sentiu a ejaculação pulsar dentro de sua boceta.
Ficaram assim por alguns segundos, colados, sem ar. Tomás apoiou a testa no ombro dela enquanto seu pau continuava palpitando dentro dela. Vera fechou os olhos, atordoada, sentindo-se usada, amada e completamente entregue de uma maneira que lhe revirava o peito.
Ele saiu devagar. Uma mistura de sêmen e corrimento escorreu pelo interior das coxas dela. Tomás passou dois dedos por ali, recolhendo o rastro branco e brilhante.
—Olhe para mim.
Vera virou a cabeça. Ele levou os dedos à boca dela.
—Chupe-os.
Ela abriu a boca e os recebeu sem hesitar. Saboreou a mistura salgada, espessa, íntima, sustentando o olhar dele enquanto limpava cada dedo com a língua. Tomás sorriu com uma satisfação tranquila que valia mais do que qualquer elogio.
—Ajoelhe-se outra vez.
Vera o fez imediatamente. Ele ainda estava semiduro, manchado com restos de sua ejaculação e da água ensaboada. Ela segurou seu pau com a mão e começou a lambê-lo da base até a ponta, recolhendo o que restava. Tomás acariciou seus cabelos enquanto ela trabalhava com devoção, chupando suavemente, beijando-o, limpando-o como se aquilo encerrasse o ritual.
—Isso. Deixe-o limpo. Quero que termine bem sua tarefa.
O tom fez Vera sorrir ao redor do pau dele. Chupou com mais vontade, engolindo até a última gota que conseguia tirar dele. Não buscava outro orgasmo; buscava agradá-lo, e nisso encontrou outro tipo de satisfação igualmente profunda.
Quando Tomás a fez se levantar, abraçou-a sob a água já morna. Desta vez não havia ordens nem correção, apenas suas mãos acariciando-lhe as costas e descendo depois até a bunda dolorida com uma ternura inesperada.
—Era assim que eu queria você —disse—. Honesta. Entregue. Presente.
Vera apoiou a cabeça no peito dele e fechou os olhos.
—Eu sou sua.
Tomás não respondeu imediatamente. Ergueu o rosto dela, beijou-a lenta e profundamente e só então murmurou:
—E eu sou o homem que continuará exigindo tudo o que você sabe dar.
Ela sorriu, exausta e satisfeita.
—Então não diminua o ritmo.
Saíram do banho ainda unidos pelo vapor e pelo cansaço bom. Vera secou-o primeiro com a toalha, passando o tecido por seu peito, seus braços, suas pernas e, por fim, entre as pernas dela, com uma delicadeza que ainda guardava algo de serviço e algo de adoração. Depois secou-se, sentindo o sêmen escapar pouco a pouco de sua boceta e escorrer pela coxa. Não o limpou imediatamente. Gostou de senti-lo por mais algum tempo, como uma marca particular.
Enquanto arrumava as toalhas e limpava o espelho embaçado, Tomás observava-a da porta. Já não havia distância em seus olhos, nem o gelo da véspera. Apenas desejo satisfeito, orgulho e aquela calma profunda que ela estivera buscando desde o erro.
Vera aproximou-se, nua, ainda corada, e abraçou sua cintura.
—Não vou prometer perfeição —disse—. Mas vou continuar cumprindo.
Tomás acariciou seus cabelos molhados.
—Isso é melhor do que qualquer promessa.
Ela sorriu e voltou a beijá-lo, sabendo que, naquela relação, o castigo nunca estava completamente separado da recompensa, nem a disciplina do desejo. E que, justamente por isso, cada acordo que renovavam com o corpo lhes parecia mais verdadeiro do que qualquer palavra.