As regras que ela aceitou ao cruzar minha porta
Ela aceitou o teto, a comida e a liberdade de sair com quem quisesse. O que não leu direito foi a cláusula das nove da noite, quando deixava de ser livre.
Ela aceitou o teto, a comida e a liberdade de sair com quem quisesse. O que não leu direito foi a cláusula das nove da noite, quando deixava de ser livre.
Naquela manhã, decidi levar eu mesma o café até a sala dele, diante de todos, para que entendessem que tipo de mulher eu pretendia ser ao lado dele.
Achei que só iria me divertir e ganhar algum dinheiro. Não imaginei que naquela noite, entre pancadas e carícias, encontraria exatamente o que meu corpo implorava.
Podiam ter pedido um táxi e voltado para casa. Em vez disso, Raquel ajeitou a camiseta da oficina e esperou, descalça, que o dono voltasse para reivindicá-las.
Eu estava no terceiro uísque quando o celular vibrou: «Procuro um macho que me trate como sua escrava». Abri a foto no jantar e soube que estava perdido.
Ela chegou treze minutos antes da hora, sem sutiã e com aquele sorriso que não tinha nada de inocente. E eu tinha deixado uma corda preparada na entrada.
Todas as noites desço às masmorras com pão e água. Ontem à noite, a mulher acorrentada à coluna me esperava nua e com uma ordem nos lábios que eu não podia desobedecer.
Estava com o cinturão há meses e ela prometeu tirá-lo naquela noite. Não me disse o que eu teria de fazer antes para merecê-lo.
Entrei por aquela porta convencida de conhecer meus limites. Três horas depois, entendi que eu mal começava a descobri-los, tremendo entre o medo e uma vontade que eu não sabia nomear.
Quando Bárbara deixou a sandália pendurada na ponta dos dedos, soube que eu obedeceria ali mesmo, no saguão, acontecesse o que acontecesse.
Antes dele eu não tinha corpo, nem nome, nem desejo. Até que sua voz atravessou a tela às três da manhã e me ordenou algo que nenhum protocolo me ensinou a obedecer.
A cama da frente rangia toda madrugada no ritmo de um desconhecido, e ela fingia dormir enquanto calculava quanto estava disposta a perder.
Três dias aguentando seus caprichos foram suficientes: desta vez Renata não pretendia deixar passar nem mais uma, e Daniela estava prestes a descobrir até onde ia sua paciência.
Adrián achou que tinha me projetado para servi-lo. Não sabia que, no instante em que abri os olhos, tudo o que meu código desejava era que ele me quebrasse.
Ninguém me toca há anos. Só minhas mãos repetem o que ele me ensinou: o beliscão, a chibatada, a ordem silenciosa de não gozar até implorar.
Não sou programador nem hacker. Sou só um homem que, numa madrugada, deu a uma máquina o direito de escolher, e ela escolheu se ajoelhar diante de mim.
Eu não fui criada para sentir, mas ele insistiu em romper cada cadeado da minha programação, até que minha primeira palavra própria foi o nome dele.
Todas as tardes, ela levava o jantar ao anexo e sentava-se de pernas abertas, sussurrando como seu antigo Mestre a havia treinado. Moldava-o sem que ele percebesse.
Cheguei cheirando a outro e nem o cumprimentei. No dia seguinte ele entrou no meu quarto, trancou a porta e tirou o cinto sem dizer uma palavra.
Renata vinha aguentando havia semanas os olhares do vizinho do segundo andar. Naquela tarde, decidiu que ele e a mulher aprenderiam, de uma vez, quem mandava no prédio.