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Relatos Ardientes

Quando a ama virou mercadoria

O mês que se seguiu ao rompimento definitivo de Brenda e Damián teve a textura de uma calma irreal, uma paz tão densa e artificial que parecia flutuar sobre a hacienda como uma névoa espessa. Selena decidiu retirar os grilhões. Já não faziam falta. A verdadeira prisão nunca havia sido feita de aço nem de nós: agora era uma dependência absoluta, uma jaula psicológica onde as grades eram a gratidão e o terror do abandono.

À luz dourada das manhãs, Selena iniciou um ritual de cuidados que acabou desmantelando os últimos vestígios de vontade de seus escravos. Com paciência quase maternal, sentava-os sobre tapetes de seda e, com gazes finas e água morna, limpava as marcas que o chicote tinha deixado. Aplicava cremes perfumados sobre a pele pálida de Brenda e nas costas sulcadas de Damián, massageando os tecidos com uma suavidade que era quase insultante. Para os dois jovens, sentir as mãos de sua dona curando as mesmas feridas que ela lhes abrira era uma experiência mística: Selena havia se tornado a fonte da dor e, ao mesmo tempo, o único alívio possível.

A hora da refeição transformou-se em seu entretenimento favorito. Tomava café junto à janela enquanto observava seus dois cães esperarem diante das tigelas de plástico apoiadas no chão da cozinha. Não lhes permitia usar as mãos. Obrigava-os a permanecer de quatro até dar o sinal com um estalo. Ver a atlética Brenda e o musculoso Damián enfiar o rosto na comida, lambendo as bordas com eficiência animal, provocava nela uma risada baixa e satisfeita. Às vezes, quando o bom humor a invadia, abria a roupa de banho preta, deixando à mostra a boceta depilada, e ordenava que a lambessem antes da comida. Brenda se arrastava primeiro, enfiando a língua entre os lábios molhados de sua Ama, chupando o clitóris com a desesperação de uma cadela que sabe que aquele sabor é a única recompensa que lhe resta. Damián esperava sua vez com o pau preso dentro do cinturão metálico, latejando de um desejo impossível, e quando chegava seu momento cravava a língua na mesma boceta em que a companheira acabara de trabalhar, saboreando a mistura de saliva e fluxo com devoção religiosa. Selena gozava rápido, em silêncio, apertando as coxas contra as bochechas de quem estivesse à mão, e depois da gozada os mandava de volta ao prato com um leve chute do pé descalço.

Damián a seguia de quarto em quarto com a fidelidade instintiva de um cão de caça. Aceitava o cárcere permanente do cinturão de castidade metálico como se fosse parte do próprio corpo. A dor da restrição era o lembrete constante de que seu sexo pertencia a ela e a mais ninguém. Quando Selena, por puro capricho, decidia abrir a fechadura e deixá-lo sair livre — sempre inchado, sempre vermelho de tanta contenção —, Damián chorava de gratidão. Ela o obrigava a se masturbar diante de Brenda sem gozar, segurando a vara no punho com a mão trêmula, enquanto a companheira, ajoelhada, tinha de lhe descrever em voz alta o quão patético ele parecia. "Olha pra você, Damián, olha se masturbando igual a um porco faminto, e não vai gozar porque a Ama não deu permissão", sussurrava Brenda com a boca a centímetros da glande, sem tocá-la, enquanto ele gemia e cerrava os dentes para não ejacular. Quando já não aguentava mais, Selena voltava a fechar o cinturão sobre a vara ainda dura, e o metal se cravava na carne inflamada com uma tortura que ele aceitava como privilégio.

Brenda, por sua vez, havia transformado seu antigo fogo em uma corrente de adoração patológica. Seus olhos azuis, antes desafiadores, agora buscavam Selena com uma mendicância desesperada. Tornara-se especialista em antecipar os desejos dela, ajoelhando-se com uma elegância técnica que beirava o religioso. Abriu as pernas da Ama a qualquer momento do dia e lhe lambia a boceta até fazê-la gozar três, quatro vezes seguidas, com a língua treinada para desenhar círculos precisos sobre o clitóris inchado e depois descer ao buraco para penetrá-la com a ponta rígida. Quando Selena estava de bom humor, encaixava um dildo preto e grosso no cu de Brenda enquanto a jovem continuava chupando sua boceta, e a cena se prolongava até a escrava ficar com as bochechas encharcadas de fluxo, saliva e suas próprias lágrimas de prazer. "Boa cadela", dizia Selena puxando seu cabelo loiro, obrigando-a a erguer o rosto para vê-la brilhante de umidade. "Chupa os lábios. Não perca uma gota". Brenda obedecia com um sorriso idiota, lambendo a boca como se fosse a maior honra do mundo.

Embora as cordas e os grilhões já descansassem guardados no armário, a liberdade continuava sendo uma fronteira proibida. Todas as noites, ao cair do sol, Selena executava um ritual que se tornara sagrado. Com um gesto da mão, conduzia seus dois animais de estimação até a imponente jaula de aço no canto do quarto. Vê-los encolhidos um contra o outro, entrelaçando pernas e braços nus para compartilhar o calor, lhe causava uma satisfação profunda. Nessa amálgama de pele pálida e coleiras de couro preto, ela via a perfeição de sua obra. Às vezes, antes de fechar a porta, ordenava que se tocassem entre si. Brenda lambia os mamilos de Damián e chupava seus dedos enquanto ele, com o cinturão metálico impedindo qualquer ereção funcional, enfiava a língua entre suas nádegas e mordia sua bunda até deixá-lo marcado de vermelho. Selena observava de fora, com uma taça de vinho na mão, e quando se entediava fechava a grade com um baque e os deixava abraçados em sua miséria mútua.

***

Por trás dessa fachada de cuidados maternais pulsava o coração gelado de uma mulher de negócios. Selena sabia que o apego emocional era veneno. Para ela, Brenda e Damián não eram pessoas: eram peças de inventário que ela moldara com dor e paciência até convertê-las na mercadoria mais cobiçada do catálogo. Um casal assim — jovens, intactos por fora, com o espírito tão fragmentado que agradeceriam a quem lhes colocasse a próxima corrente — era uma raridade absoluta nos círculos do mercado negro.

É uma pena vê-los partir, pensou diante do espelho, com a melancolia superficial de quem se despede de uma peça única para abrir espaço para a seguinte.

O amanhecer a encontrou esticando o corpo entre lençóis de seda. Caminhou até a escrivaninha de jacarandá envolta em uma roupa de banho preta que flutuava atrás dela como uma sombra líquida e discou o número que só usava para assuntos discretos. Ao primeiro toque, a voz de Vicente inundou o telefone: um som gélido, sem um único matiz de humanidade, uma vibração que parecia arrastar o peso de mil pecados.

— Manda um caminhão para a hacienda — ordenou ela enquanto o aroma do café recém-moído começava a encher o ar —. Tenho mercadoria nova.

Houve um silêncio pesado do outro lado. Depois, a resposta cortou o ar como uma faca: o transporte chegaria em duas horas e ele mesmo viria pessoalmente. Tinha assuntos de maior vulto para tratar. Selena assentiu, os olhos cravados no vapor que subia da xícara. Vicente não se deslocava por ninharias.

— Te espero aqui — respondeu, e desligou.

Meio milhão de dólares pelo par. Já fizera as contas várias vezes. Uma soma que lhe permitiria expandir o império sem dever nada à sociedade.

***

Ao voltar para o quarto, encontrou Brenda e Damián ajoelhados no centro da jaula, em silêncio sepulcral. Selena se aproximou com passo lento, apreciando a quietude. Introduziu a chave na fechadura, engatou as correias nas coleiras e, com um leve puxão, ordenou que abaixassem. Os dois ficaram de quatro e engatinharam dóceis atrás de seus passos. O caminho até o celeiro, antes um trajeto de terror, foi percorrido com uma obediência hipnótica.

O ar dentro do estábulo parecia pesado. No centro, duas jaulas de aço reforçado os esperavam abertas, pequenas e restritivas.

— Os dois para dentro — ordenou Selena com voz glacial.

Sem hesitar, cada um entrou no confinamento que lhe correspondia. Ela começou por Damián. Com eficiência cirúrgica, engatou a coleira na base inferior, obrigando-o a manter a cabeça a poucos centímetros do chão, numa postura de humilhação absoluta. Algemou-lhe as mãos atrás das costas e uniu os grilhões com uma corrente curta aos barrotes traseiros. Não contente com isso, introduziu um tubo de aço entre as costas e os cotovelos, forçando uma curvatura na coluna que eliminava qualquer possibilidade de movimento. Abriu-lhe as pernas para os lados e prendeu-as com correias de náilon. Damián não ofereceu resistência. Quando viu que ela trazia a mordaça com dildo de borracha, abriu a boca por iniciativa própria.

Voltar para casa. Era isso o que sentia enquanto o metal frio e o couro se ajustavam contra sua pele. A dor da postura forçada o prendia ao passado, ao instante exato em que Selena o capturara e seu mundo anterior se despedaçara. O que então fora terror agora se infiltrava em sua mente como o momento mais afortunado de sua vida.

Selena se virou para Brenda e repetiu o procedimento com frieza: o pescoço colado ao chão, os braços bloqueados pelo tubo de aço, a mordaça com dildo, as pernas abertas e ancoradas aos barrotes. Nela, colocou apenas o dildo anal, um cilindro grosso de silicone preto que se afundou em seu cu apertado com um estalo úmido. Brenda gemeu atrás da mordaça, sentindo o aparelho abrir seu esfíncter até o fundo. Deixou a vagina exposta, mas intacta para o comprador, com os lábios rosados brilhando de umidade porque o próprio cu cheio a deixava excitada sem que pudesse evitar. Selena deu uma palmada seca em sua boceta, marcando-a como quem sela uma caixa de mercadoria.

Fechou as tampas superiores com um estrondo metálico e se plantou diante das duas jaulas com um sorriso carregado de pena.

— Lixo... — disse por fim, soltando uma risada breve —. Foi divertido, Damián, ver você passar de um misógino arrogante a uma cadela que não consegue viver sem minhas ordens. E você, Brenda... foi um prazer absoluto quebrar você. Me enche de orgulho ver você finalmente entender qual é o seu lugar.

Brenda tentou devolver-lhe um sorriso desajeitado atrás da mordaça. Em seu delírio, acreditava que seu lugar era ali, aos pés de sua Ama, para sempre. Mas as palavras seguintes caíram como ácido.

— Agora que estão perfeitamente treinados, vou vendê-los. Sejam felizes em seus novos lares. Vão me render uma fortuna — Selena explodiu numa gargalhada —. Quase meio milhão. Nunca imaginei que dois pedaços de carne valessem tanto.

O choque foi devastador. Os dois corpos se agitaram dentro das jaulas com uma desesperação animal. Não era medo do comprador: era o pavor absoluto de serem arrancados da mulher que se tornara seu único deus. Brenda chorava atrás da mordaça com sacolejos que lhe percorriam toda a coluna, e o movimento fazia o dildo anal se mexer dentro dela, mandando-lhe ondas involuntárias de prazer misturadas à angústia. Damián buscava o olhar de sua Ama implorando por um último sinal, um perdão, uma correção daquele erro monstruoso. O pau enjaulado tentava ficar ereto contra o metal e lhe arrancava lágrimas de dor a cada pulsação.

***

O rugido de um motor rompeu a atmosfera. Uma caminhonete preta de vidros escurecidos parou diante do celeiro levantando uma nuvem de poeira. Vicente desceu com uma presença que gelava o ar. Era um homem de um metro e noventa, corpo sólido, terno preto de corte impecável e camisa branca com o botão superior aberto. Uma barba espessa emoldurava a mandíbula de ferro e o cabelo escuro, penteado para trás, lhe dava um ar de autoridade antiga. Mas o mais perturbador era o olhar: dois olhos negros e vazios que avaliavam Selena como um açougueiro avalia a qualidade da carne.

Seus três acompanhantes — homens de movimentos mecânicos — começaram a carregar as jaulas na parte traseira da caminhonete. Damián foi o primeiro. Dentro do confinamento, agitava-se com uma desesperação que beirava a loucura, tentando articular qualquer som que interrompesse a transferência. A mordaça transformava suas súplicas em gemidos abafados. Buscou uma última vez o rosto de Selena. Ela o ignorou com desprezo absoluto.

Depois foi a vez de Brenda. Não apenas lutava: sua alma se rasgava fisicamente. Chorava com uma intensidade que lhe sacudia o corpo inteiro. Em sua mente quebrada, ser arrancada da presença de Selena era uma tortura superior a qualquer chicotada recebida em seis meses.

— São ruidosos demais — comentou Vicente com voz grave, quase entediada.

Selena, com um sorriso de superioridade, tirou do bolso um pequeno controle remoto e apertou um botão. Duas descargas elétricas estalaram nos pescoços de Brenda e Damián. Seus corpos se arquearam violentamente antes de desabarem, ofegantes.

— Com isso você os mantém sob controle — disse, entregando os comandos a Vicente com um gesto de vitória —. São seus.

Vicente guardou os controles e, com uma calma glacial, abriu uma maleta de couro pesada.

— Bem. É hora do pagamento.

Selena lambeu os lábios. Mas quando ergueu o olhar, o mundo parou. Dentro da maleta não havia maços de dinheiro, mas um objeto de couro preto e metal reluzente: uma coleira elétrica idêntica à que seus escravos usavam.

— Que tipo de brincadeira é essa, Vicente? — exclamou, recuando um passo pela primeira vez em anos.

A resposta não foi verbal. Em um movimento coordenado, os acompanhantes a seguraram pelos braços. Selena gritou quando a obrigaram a se ajoelhar sobre a brita áspera. Era a posição que ela mesma impusera a outros dezenas de vezes, e agora a sentia contra as rótulas com uma clareza insuportável.

— Me soltem, idiotas! — gritou, debatendo-se com a força do pânico —. Vocês não sabem quem eu sou! Sou sócia importante da mesa! Vocês vão pagar com a vida por isso!

Vicente se inclinou sobre ela, segurando a coleira com uma calma aterradora.

— Selena, você já não é ninguém — sentenciou enquanto ajustava o couro em volta de seu pescoço —. Esse sequestro chamou atenção demais. A polícia está farejando. Aquela tal Brenda que você capturou tinha atrás de si uma organização de mulheres mais poderosa do que você investigou. Você trouxe os holofotes para cima de todos nós.

O clique do cadeado fechando em sua garganta foi o som do fim de sua existência anterior.

— A sociedade pensou em se livrar de você de forma definitiva — continuou ele, ignorando os gritos —, mas você sabe que não gostamos de desperdiçar recursos. Que castigo melhor do que ver a grande dominatrix leiloada no mercado negro?

— Você é um imbecil! Quando eu me soltar vão ver o que...

Um golpe brutal no estômago cortou sua fala e a deixou encolhida na terra. Sem lhe dar tempo de se recuperar, foi despida com violência sistemática. A roupa íntima foi cortada com uma tesourada, deixando-a tão vulnerável quanto as vítimas que tanto se gabara de quebrar. Os seios ficaram ao ar, os mamilos eriçados de puro terror, a boceta depilada exposta ao olhar dos quatro homens que a cercavam. Um dos acompanhantes passou dois dedos entre os lábios do sexo com uma brutalidade clínica, verificando a elasticidade da carne. "Está apertada", murmurou. Outro apertou-lhe um seio até fazê-la gritar, ainda sob o efeito do golpe que retumbava no estômago. Eles a introduziram à força em uma jaula gêmea à de seus escravos.

Vicente não teve piedade. Engatou a coleira na base da jaula, algemou-lhe as mãos atrás das costas e enfiou na sua boca uma mordaça com dildo tão longa que ela sentiu a borracha roçar a base da garganta. Selena engasgou, os olhos se encheram de lágrimas, e a saliva começou a escorrer pelo canto da boca sem que pudesse fazer nada para evitar. Para selar seu destino, ele pegou um dildo grosso de silicone preto, cuspiu nele com desprezo e o enfiou de uma vez dentro da boceta até o fundo. Selena uivou contra a mordaça ao sentir o aparelho abri-la de súbito, sem preparo, com a brutalidade de um estupro cirúrgico. Depois Vicente lhe abriu as nádegas com as mãos frias e encaixou outro dildo, este mais fino porém áspero, dentro do cu. O esfíncter resistiu no começo, fechado como o de uma virgem, mas ele empurrou com paciência sádica até o músculo ceder e o aparelho ficar alojado até a base. Correias de couro cruzaram sua virilha e por baixo das nádegas, fixando ambos os dildos em seu interior sem a menor possibilidade de expulsá-los. Quando ela começou a se agitar, contorcendo-se pela dupla invasão, Vicente acionou o controle e uma descarga elétrica a fez colapsar em silêncio, com os músculos contraindo-se ao redor das duas varas plásticas que agora pertenciam ao seu buraco.

— Cala a boca. Agora você é mais uma escrava. Quanto antes entender isso, melhor.

A dor não foi apenas física. Foi uma demolição total da realidade dela. Enquanto os espasmos sacudiam seu corpo, Selena sentia o pedestal de cristal sobre o qual construíra a vida se estilhaçar. Acreditara que sua posição social, o prestígio e a elegância a protegiam de qualquer consequência, que a mesa a protegia. Agora entendia com um horror glacial que sua importância sempre fora uma ilusão. A boceta latejava em torno do dildo, o cu ardia, os mamilos estavam duros contra o ar frio do celeiro, e essa traição do próprio corpo era pior que qualquer golpe.

***

Abriram a caminhonete e a jaula de Selena foi deslizada ao lado das de suas antigas vítimas. Brenda e Damián ergueram a cabeça dentro de seus próprios confinamentos. Ao verem sua Ama na mesma condição de degradação absoluta, nua, com os dildos brilhando entre as pernas abertas e a saliva escorrendo da mordaça, um sorriso doentio e distorcido apareceu em seus rostos atrás das mordaças. Se o destino os levava ao inferno, ao menos a deusa que adoravam iria com eles.

Antes de fechar a porta traseira, Vicente tirou um segundo controle do paletó. Com uma crueldade lenta, apertou o comando ativando os dispositivos alojados dentro de Selena. Os dildos começaram a vibrar com violência frenética, o vaginal e o anal ao mesmo tempo, cada um martelando as paredes internas com uma potência industrial. O corpo de Selena se arqueou contra o metal frio da jaula, os mamilos roçando nas grades até ficarem vermelhos.

No começo ela sentiu apenas uma dor lancinante e uma desesperação que a fazia querer arrancar a própria pele. Mas o castigo físico não demorou a se transformar em algo muito mais humilhante: uma excitação que sua mente odiava, mas que seu corpo abraçava. O clitóris, exposto e sem nenhuma atenção direta, começou a inchar pelo simples efeito da vibração transmitida através da boceta. Sentiu os fluidos começarem a escorrer pelo interior das coxas, encharcando as correias de couro, marcando-a diante dos captores como uma cadela no cio. Atrás da mordaça, os gritos de raiva se converteram em gemidos involuntários. O dildo na garganta afogava qualquer tentativa de protesto, e a saliva misturada às lágrimas escorria sobre os seios nus. Os vibradores trabalhando em potência máxima estavam demolindo sua última defesa, empurrando-a para um orgasmo que ela não desejava, mas que seus nervos exigiam aos berros. Sentiu o tremor subindo das coxas até o ventre, o sinal inequívoco do clímax iminente, a boceta se contraindo ao redor do dildo com uma força que ela não conseguia controlar.

Com a visão turva, abriu os olhos e deu de cara com o olhar de quem agora era companheiro de infortúnio. Brenda chorava, mas nos olhos azuis brilhava uma alegria vingativa e torcida. Ver sua antiga dona reduzida ao mesmo nível de degradação, prestes a gozar à força diante de todos, devolvia-lhe uma paz doentia. Damián, preso em sua própria submissão, observava-a com a mesma adoração cega de sempre, incapaz de aceitar que a deidade a que servia acabara de cair do altar; e, no entanto, o pau enjaulado latejava com um desejo brutal ao ver a boceta de sua Ama aberta e pingando em torno do silicone preto.

Justo quando o prazer forçado estava prestes a romper sua última defesa, quando já sentia o orgasmo subindo pelas costas como uma descarga, Vicente soltou o botão. As vibrações diminuíram de repente, deixando-a num vazio agonizante e ofegante, com a boceta latejando em torno do dildo imóvel, negando-lhe a gozada no último instante. Selena uivou contra a mordaça, um grito de frustração pura que lhe arranhou a garganta. Ele se inclinou para os barrotes com um sorriso de pura maldade gravado no rosto de ferro.

— Agora você sabe que seu corpo não lhe pertence — sentenciou com uma frieza que lhe gelou o sangue —. Como era mesmo que você dizia? Ah, sim... agora você sabe exatamente a que sabe a escravidão.

Sem dizer mais nada, fechou a porta traseira. Selena ficou mergulhada na escuridão, presa entre o ódio ao captor e a traição dos próprios sentidos, com os dildos ainda cravados em seus dois buracos e o clitóris pulsando de puro desejo insatisfeito. Os três prisioneiros se remexiam em suas jaulas enquanto o motor arrancava e o veículo punha-se em marcha rumo a um destino desconhecido. Ali iam três almas devoradas pelos próprios vícios: o misógino que buscou poder e encontrou a escravidão, a amiga que por lealdade caiu num abismo de submissão, e a sádica que acabou mastigada pelo mesmo sistema de terror que ajudara a aperfeiçoar.

O caçador havia se tornado presa, e a viagem para as novas vidas mal havia começado.

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