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Relatos Ardientes

Quando a caçadora virou presa

O trajeto até o porto foi a descida mais longa da vida de Raquel. Trancada na escuridão metálica da van, sem outra referência do mundo exterior além do cheiro de diesel e do balanço surdo da estrada, soube que o destino que a esperava não tinha volta. Iván, ao seu lado, continuava sendo uma máquina cega movida pelos químicos que lhe haviam injetado; seu corpo não descansava, seu olhar não via. Só empurrava e empurrava, mecânico e brutal, com a rola ereta batendo contra o ventre, inchada, roxa, escorrendo um fio grosso de pré-gozo que lhe molhava as coxas e pingava no assoalho da van a cada solavanco. Toda vez que o veículo dava um tranco, o pau se sacudia como um pêndulo obsceno, e de sua garganta saía um rosnado animal, rouco, faminto, que se cravava na nuca de Raquel.

Raquel apertou os dentes contra o bocal de ferro até a dor atravessar sua mandíbula. Pensou na ironia perfeita: ela, que durante anos havia desenhado o cativeiro dos outros, agora era a peça capturada. O couro das correias cortava seus pulsos, e a marca recente em sua coxa ardia como uma promessa selada. Já não era uma pessoa. Era mercadoria.

A van parou quando o ar mudou de temperatura e um cheiro salino e frio entrou pelas frestas do metal. O porto. O balanço das ondas contra os pilares chegou pouco antes de as portas traseiras se abrirem de golpe.

Separaram Raquel e Iván com uma eficiência que não deixava margem para resistência. Um puxão de corrente e Iván foi arrastado para a área escura do cais, onde o fedor de óleo se misturava ao medo humano. Raquel o seguiu com os olhos até ele desaparecer entre as sombras.

***

O que aconteceu com Iván naquele canto do porto ela entenderia mais tarde, quando o visse de novo. Um guarda com máscara tática o inspecionou com desprezo clínico, notou seu estado — a rola dura como um mastro, os ovos tensos, carregados, à beira de explodir de tanta droga e tanta abstinência — e agiu sem aviso: fechou a mão enluvada ao redor de suas bolas e apertou com uma pressão que o dobrou em dois, o grito preso atrás do bocal de metal. Com a outra mão agarrou o pau pela base e o sacudiu três vezes com brutalidade seca, calibrando a espessura.

—Olha que desperdício de carne —murmurou o guarda—. Você ainda vai aprender a sentir falta dele.

Do cinto saiu um dispositivo de aço polido, frio como gelo de janeiro. Antes de encaixá-lo, o guarda cravou o polegar na glande inchada, forçou o prepúcio para baixo e arrancou um jorro violento de pré-gozo que manchou a luva. Beliscou o freio com uma unha, rindo.

—Aqui todo mundo usa gaiola, lixo —sussurrou ao ouvido dele enquanto colocava o mecanismo com movimentos precisos e impiedosos—. A farra que você aprontou no caminhão acabou. Neste cais só existe obediência.

O aço mordeu o corpo do pau, comprimiu a carne inchada até dobrá-la, esmagou os ovos para baixo com um anel tensor. Iván gemeu atrás do bocal, com a mandíbula tremendo, enquanto o guarda ajustava parafusos milimétricos que fechavam a carne dentro da armadilha. O clique metálico que ecoou ao se fechar foi, para Iván, o som de uma tumba. Sua rola, ainda crescida, lutava contra as paredes de aço sem ter para onde ir, dolorida, latejante, com cada pulsação transformada em martelada entre as pernas.

***

Raquel foi conduzida às gaiolas de alto valor: mais limpas, melhor iluminadas, destinadas à mercadoria feminina premium. O protocolo de contenção foi rápido e sem palavras. Dois guardas a obrigaram a abrir as pernas, afastaram os lábios da boceta com dedos enluvados e encaixaram nela um cinto de aço reforçado que abrigava dois dispositivos de vibração contínua. Uma das hastes, longa e curva, afundou-se na boceta até o fundo, e ela sentiu o estiramento gelado atravessá-la. A segunda, mais chata, ficou ajustada diretamente sobre o clitóris, presa com pressão.

Quando ligaram o aparelho, o zumbido subiu pela sua medula. A frequência constante era um ruído branco de estimulação forçada que crispava seus nervos sem levar a lugar nenhum: um prazer parasita que a encharcava contra a vontade, que inchava seu clitóris até fazê-lo pulsar como um segundo coração, mas que nunca terminava de chegar ao clímax. Um orgasmo suspenso a um dedo de distância, retido, cruel, que a manteria com a boceta ensopada e os quadris contraindo por horas.

Raquel não ofereceu resistência. Sua mente, treinada durante anos na arte do controle, havia mudado de modo: agora calculava, observava, esperava. Mas seu corpo a traía: entre as coxas, o líquido começava a vazar pelas bordas do cinto, um fio brilhante que descia pela parte interna da perna até o joelho.

A três gaiolas de distância, uma mulher recém-capturada gritava e implorava. Os guardas a submeteram com golpes calibrados até que seus gritos se transformassem em soluços. Outra peça para o mecanismo, pensou Raquel, sentindo o peso da própria focinheira ancorando-a à realidade, e o vibrador cravado na boceta arrancando dela outra contração inútil.

Foi então que ouviu a voz. Suave. Melódica. Carregada de um veneno que reconheceu de imediato.

—Raquel? Você é mesmo você?

Virou a cabeça devagar. Do lado de fora das grades, envolta num sobretudo branco que parecia obscenamente elegante naquele antro de miséria, estava Mei. A dominatrix asiática era pequena, magra, impecável. Segurava um cigarro entre os dedos enluvados como se estivesse num terraço de luxo e não num cais cheirando a sal e medo.

—Ora, ora... —Mei se aproximou da grade com um sorriso sem qualquer calor—. A grande “Caçadora”, transformada em pony de carga.

Ela soltou a fumaça direto no rosto de Raquel. Olhou-a de cima a baixo, detendo-se no crânio raspado, no ferro na boca, nas marcas do couro nos pulsos, no fio brilhante que escorria pela coxa.

—Olha pra você. Tá vazando pela perna, porca. Esse cinto te deixou bem fodida, não deixou? —Mei riu e enfiou dois dedos entre as grades para tocar o fio pegajoso, esfregando-os depois no lábio de Raquel—. Chupa o que você é.

—Ser uma pony é honra demais pra você —sussurrou depois, inclinando-se até que seus olhos escuros ficassem na altura dos da presa—. Porcas não trotam. Porcas se arrastam. Porcas se deixam foder por qualquer um.

Raquel tentou articular algo, qualquer coisa, mas o bocal de ferro só permitiu um rosnado úmido. Mei soltou uma gargalhada cristalina e cruel, acariciando as grades com unhas perfeitamente cuidadas.

—Eu não planejava comprar nada esta noite —disse Mei—. Mas te ver assim me abriu o apetite.

Os olhos de Raquel se arregalaram de repente. O medo genuíno, aquele que ela não sentira nem sob o chicote do antigo captor, percorreu sua espinha de cima a baixo, enquanto o vibrador continuava a martelar sua boceta encharcada sem dar trégua.

***

À meia-noite a tenda do leilão se erguia como um templo iluminado no centro do cais. Raquel foi arrastada ao palco sob os refletores, ofuscada pela luz, cercada pelo murmúrio de uma multidão que pagava muito dinheiro para estar ali: magnatas, colecionadores, rivais com pendências antigas.

—Senhoras e senhores —anunciou o apresentador com voz de veludo—, o Lote trinta e dois. Um exemplar único. Muitos a reconhecerão: antes ela atendia pelo nome de Caçadora. Esta noite retorna transformada em pony de carga, pronta para dedicar o resto da existência à obediência total.

As risadas de reconhecimento encheram a tenda. Um ajudante se aproximou, abriu o cinto vibrador com um puxão e o arrancou dali encharcado, mostrando-o ao público como um troféu. A boceta de Raquel ficou à vista de todos: aberta, brilhante, com os lábios inchados e arroxeados de tanta estimulação, o clitóris aparecendo como uma pérola dolorida. Os flashes estalaram. Alguém assobiou. Raquel sacudiu a cabeça com fúria, gesto inútil que só aumentou o apetite mórbido da plateia.

—Começamos em setenta e cinco mil.

As plaquetas se ergueram em sequência. O preço subiu: cento e cinquenta mil... duzentos e oitenta mil... trezentos e noventa mil dólares. Raquel percorreu a sala com os olhos injectados, procurando Mei. Encontrou-a na primeira fila, impassível, fumando com uma calma que lhe congelava a alma. Sem levantar a plaqueta.

Talvez ela não vá dar lance, pensou Raquel. Talvez tenha algo pior me esperando.

No instante em que o martelo se ergueu para cair, Mei levantou a plaqueta com uma elegância letal.

—Quatrocentos e cinquenta mil.

O silêncio foi absoluto. Ninguém cobriu esse valor.

—Vendida!

O golpe do martelo ecoou nos ouvidos de Raquel como o fechamento definitivo de uma porta. Ela foi entregue diretamente às mãos de Mei, que a recebeu com um sorriso quase infantil, como o de alguém que acabou de obter o brinquedo mais precioso de uma coleção proibida. Sem dizer uma palavra, Mei acariciou o couro cabeludo raspado de sua nova aquisição com desprezo infinito, deslizou a mão até a virilha de Raquel, enfiou três dedos secos na boceta e os retirou pingando, mostrando-os aos que ainda observavam.

—Encharcada como uma cadela —disse, e limpou os dedos na bochecha de Raquel antes de fazer um sinal aos guardas.

***

A caminhonete de luxo saiu do cais antes do amanhecer. Raquel, presa na jaula traseira, contou os minutos na escuridão. O silêncio durou pouco: em algum ponto do trajeto, as portas traseiras se abriram e dois escravos foram empurrados para dentro.

O primeiro era Iván. Raquel o reconheceu de imediato pela tensão nos ombros. Ao notar a gaiola de castidade de aço que aprisionava o corpo dele —a rola engradada, arroxeada pela pressão, os ovos apertados no anel, uma mancha úmida de pré-gozo filtrando-se pelas fendas do metal— algo parecido com satisfação cruzou seus olhos. Ao menos aquela ameaça estava neutralizada.

Mas o segundo escravo chamou sua atenção de outro jeito. Era um homem de porte imponente, mais alto que Iván, de pele escura que brilhava sob as luzes de emergência. Mesmo sob o arreio de pony, sua presença exalava uma força e uma severidade que fizeram Raquel se tensionar. Sob o arreio, pendendo pesada entre as coxas, adivinhava-se uma rola escura e grossa, comprida como um antebraço em repouso. Seus olhos não mostravam derrota. Mostravam cálculo.

Mei surgiu no limiar, recortada contra a noite.

—Gastei uma fortuna esta noite —disse, cravando o olhar em Raquel—. Mas você é um capricho pessoal que eu pretendo aproveitar até seu corpo ou sua mente dizerem basta. E, para você não ficar entediada, trouxe companhia.

A porta se fechou com um golpe. O motor roncou. A caminhonete partiu.

***

Durante o trajeto, Raquel encontrou um prazer pequeno e cruel. A cada quilômetro, Iván afundava mais no desespero: o químico no sangue exigia uma liberação que o aço lhe negava, e seus olhos ensanguentados o denunciavam. Com um movimento lento e calculado, Raquel girou o tronco e lhe ofereceu uma visão direta: afastou as coxas até onde as correias permitiam, arqueou as costas e deixou que a marca de fogo na coxa e a cauda postiça cravada no cu ficassem perfeitamente à altura dos olhos de Iván. Lambera os lábios por trás do bocal. Com dois dedos, abriu os lábios da boceta, ainda brilhantes e pulsantes depois de horas de vibrador, e lhe mostrou o interior rosado, a mancha escura do clitóris inchado, o fio transparente pendendo da entrada.

O efeito foi imediato. A rola enjaulada de Iván tentou inchar dentro da prisão de aço e não conseguiu. Os ovos ficaram azulados, tensos como pedras. Ele se debateu contra as amarras com uma violência que fez o metal da gaiola de castidade ranger. A carne se rebelou contra os parafusos, esmagando-se contra as paredes a cada pulsação, e um filete de sangue fresco começou a pingar no chão pela ponta da gaiola, misturado ao pré-gozo que escapava pelas ranhuras. Gemia como um animal, com a mandíbula frouxa atrás do bocal, a baba caindo em fios sobre o peito.

Raquel o observou com a antiga centelha felina nos olhos. Era pouco. Mas naquele universo reduzido a gaiolas e arreios, era tudo o que lhe restava.

***

Ao chegar à propriedade, Ciro, o escravo de confiança de Mei, recebeu os recém-chegados com a eficiência de quem já explicou as regras centenas de vezes. Era um homem que um dia teve outro nome, agora reduzido à própria função.

—Quatrocentos hectares de colheita ativa —disse enquanto ajustava o arreio de Iván com força suficiente para lhe cortar o ar—. As mulheres colhem o fruto. Vocês são os bois que o transportam. A lei é simples: se o carro não se move, vocês não comem. Se tentarem tirar a coleira ou cruzar o perímetro elétrico, o dispositivo libera cinquenta mil volts direto na medula. Não morrem, mas vão desejar ter morrido.

Ciro lhes dirigiu um sorriso que denunciava que ele mesmo já havia passado por aquele ponto de ruptura.

—A vida não é tão dura aqui se vocês aprenderem a trabalhar em equipe e aceitarem que seus nomes morreram no cais.

***

Raquel foi levada ao porão da mansão. A descida foi uma tortura rítmica; cada degrau batia em seus joelhos enquanto o ferro da focinheira ressoava na umidade do ambiente. Ao chegar lá embaixo, ela não se surpreendeu com o que viu, mas com a precisão com que Mei havia reproduzido, quase de memória, os instrumentos que a própria Raquel utilizara durante anos: cavaletes de madeira escura, cruzes de Santo André, cepos reluzentes. Tudo banhado em luz de LED carmesim.

Mei tirou o sobretudo branco com movimentos lentos e calculados, revelando por baixo um macacão completo de látex preto que se prendia à sua figura como uma segunda pele. O brilho do material moldava os mamilos eretos sob o látex e a fenda marcada do púbis. Aproximou-se, agarrou Raquel pelo queixo e cuspiu dentro da boca aberta pelo bocal.

—Engole, porca. É o único café da manhã que você vai merecer hoje.

Depois pegou de uma mesa um pano de linho e derramou sobre ele algumas gotas de líquido transparente. O cheiro doce e químico encheu o espaço.

—Vou te apagar por um instante —disse Mei com uma calma mais aterradora do que um grito—. Quando você acordar, vai ser algo completamente diferente. Algo muito mais adequado ao que você é.

Raquel tentou recuar, mas as botas de pony e a fraqueza das pernas a traíram. A mão enluvada se fechou sobre seu rosto. Raquel prendeu a respiração o quanto pôde, cravando os olhos nos da captora, tentando preservar algo de si naquela troca de olhares. Mas o líquido era implacável. Seus músculos cederam um a um, e a luz vermelha do porão se dissolveu em negro.

***

O retorno à consciência veio como uma explosão de dor técnica. Raquel tentou se esticar e entendeu de imediato que algo fundamental havia mudado em seu corpo. Seus pulsos estavam presos com correias das quais saíam fios finos esticados até argolas perfuradas em seus mamilos: qualquer tentativa de estender os braços provocava um rasgo que a obrigava a se encolher. Os mamilos, inchados, arroxeados ao redor do metal recém-cravado, pulsavam a cada respiração. Seus tornozelos compartilhavam o mesmo sistema, mas os fios convergiam mais abaixo, num anel pesado que atravessava seu clitóris. Ao mexer uma perna, mesmo que fosse um centímetro, o puxão arrancava dela um uivo abafado: sentia o metal cortando a carne tumefeita do capuz, mordendo o nervo diretamente.

Ela não podia andar. Não podia ficar de pé. Nem sequer podia engatinhar sem que o metal puxasse sua área mais sensível. Só podia se arrastar sobre o ventre, com os seios pendendo para baixo, puxando os anéis a cada centímetro conquistado.

Na boca, uma mordaça de anel mantinha a mandíbula permanentemente aberta. Um aro pesado perfurava o septo nasal.

—A porca acordou —anunciou a voz de Mei das sombras.

Um chute na lateral fez Raquel rolar pelo piso de pedra, os fios puxando suas perfurações com precisão dolorosa. Mei enganchou uma corrente no aro de seu nariz.

—Segue-me.

***

A procissão pelos corredores da mansão foi uma lição de humilhação geométrica: Raquel se arrastando sobre mãos e joelhos, deixando um rastro de suor sobre o mármore polido, com o cu empinado e a boceta aberta à vista de quem quisesse olhar. Ao sair para o exterior, a luz do amanhecer revelou a escala do império de Mei: centenas de mulheres nuas colhendo frutos sob o sol, e os homens-pony puxando carros carregados entre as fileiras.

Mei arrastou Raquel até a beira da estrada de terra e a empurrou com o pé, fazendo-a cair de cara em uma poça de lama espessa e negra que margeava as plantações. O barro entrou por dentro da mordaça aberta, encheu suas narinas ao redor do aro, cobriu seus seios pendentes.

—Esse é o seu lugar, porca. Revire-se no que você é.

Depois se virou para os carros que se aproximavam e ergueu a voz.

—Garotos! Aqui está a recompensa pelo trabalho da manhã. Boceta aberta, cu aberto, boca aberta. Usem como quiserem. A que não quebrar hoje, repete amanhã.

Entregou a corrente do nariz de Raquel aos escravos que se aproximaram com os olhos vazios e os músculos queimados pelo esforço. Raquel tentou gritar, mas a mordaça de anel transformou suas súplicas em ruídos que ela mesma não reconheceu como seus.

O primeiro se jogou sobre ela na lama. Agarrou suas ancas enlameadas, afastou as nádegas com as duas mãos e enfiou o pau de uma só vez até o fundo da boceta, com tanta violência que o ar lhe escapou do peito num guincho. A rola era grossa, dura, suja; ela sentiu a força com que lhe abria caminho, as veias raspando as paredes internas. O sujeito começou a fodê-la num ritmo brutal, mecânico, esmagando seu rosto contra a poça a cada estocada, afundando seus seios na lama, arrancando os fios dos anéis dos mamilos a cada puxão para trás. O clitóris suspenso no anel pesado sacudia entre as pernas como um badalo e lhe enviava chicotadas de dor à medula.

Outro se ajoelhou diante dela, agarrou sua cabeça raspada pelas orelhas e enfiou a rola na boca aberta pelo aro de metal. Não precisou abrir nada: a mordaça já a mantinha em posição de boquete permanente. Ele afundou o pau até sua garganta de uma só vez, bateu no fundo, segurou ali até Raquel começar a convulsionar por falta de ar e só então tirou para enfiar de novo. Cada estocada lhe enchia a garganta de um pau salgado, sujo de terra e suor. As lágrimas e a saliva escorriam pelas bochechas misturadas à lama.

Um terceiro, impaciente, abriu suas nádegas enlameadas e cuspiu no cu antes de encaixar a ponta no ânus. Empurrou sem piedade, forçando o anel fechado até ceder, arrancando dela um uivo abafado que se chocou contra a rola que lhe tapava a boca. Sentiu o rasgo seco, a ardência subindo pelas costas, a sensação de partir-se ao meio. O sujeito a ensartou até os ovos e começou a bombear o cu no mesmo ritmo com que o outro fodia sua boceta, os dois se movendo juntos, encontrando-se pela parede interna fina, esmagando-a entre eles.

Raquel estava empalada por três bocas de carne ao mesmo tempo, boca, boceta e cu tampados simultaneamente, sacudida como um boneco na lama. A brutalidade foi imediata e mecânica; usavam-na sem qualquer vestígio de humanidade, transformando a poça de barro num cenário de degradação total. Quando o primeiro gozou, fez isso dentro da boceta com um rosnado, esvaziando-se em dois, três, quatro jatos quentes que ela sentiu banhando o fundo do útero. Ele se retirou e outro ocupou o lugar antes que a porra terminasse de escorrer. O do cu também gozou, com o pau enterrado até os ovos, enchendo o reto de sêmen grosso. O da boca tirou no último momento e vazou a porra sobre seu rosto, sobre os olhos fechados, sobre o aro do nariz, em fios grossos brancos que se misturaram à lama negra. Marcavam-na inteira. Turno após turno. Perdeu a conta ao quinto. O sêmen começou a escorrer pelas coxas, a pingar do cu, a cair do queixo. Quando um pau se retirava, outro ocupava seu lugar antes que ela pudesse fechar o vazio.

Mei deu meia-volta, acendeu um cigarro e se afastou sem olhar para trás. Sabia exatamente o que estava comprando com aquele gesto: produção no máximo, lealdade dos trabalhadores e a demolição total do que restava da Caçadora.

***

Ao longe, entre as fileiras de terra seca, Iván notou o movimento junto à estrada. Reconheceu Raquel na lama, atravessada por paus, encharcada de porras alheias. A mulher que havia sido sua deusa e seu verdugo estava sendo devorada pelo barro e pela luxúria dos outros escravos.

Em vez de horror, algo acendeu na mente fragmentada de Iván. Uma epifania escura e limpa. Sentiu a rola tentando inchar dentro da gaiola, chocando-se contra o aço, e a dor familiar voltou a martelar entre suas pernas.

Se eu me esforçar. Se eu for o melhor. Talvez ela me deixe brincar com a porca. Talvez me deixe tirar o pau e enfiá-lo até o fundo naquela boceta aberta.

Com uma energia que beirava a loucura, cravou as botas de pony na estrada e inclinou o torso para a frente até as correias ameaçarem arrebentar suas clavículas. O carro começou a voar sobre o terreno. Ao lado dele, o escravo de pele escura percebeu a mudança de ritmo e sincronizou o passo sem precisar de palavras.

Para os dois homens, os quatrocentos hectares já não eram uma prisão. Eram um campo de provas. A degradação de Raquel havia se tornado o farol deles, a luz no fim de um túnel de fadiga e arreios.

***

Em seu escritório, cercada por telas de segurança e móveis de design, Mei saboreava a vitória enquanto a fumaça do cigarro formava espirais no ar-condicionado. Ver a Caçadora afundada na lama, empalada por seus escravos, dava à sua existência um sentido que o dinheiro jamais poderia comprar.

O zumbido do telefone via satélite rompeu o silêncio. Ao ver o código criptografado na tela, a expressão de prazer evaporou de seu rosto.

—Fala —ordenou com voz fria.

—Senhora... O Acampamento caiu. Foi uma aniquilação total. As instalações estão destruídas. E Rémi... Rémi foi assassinado.

Os olhos de Mei se arregalaram de repente. O cigarro caiu no chão. Rémi não era um subordinado qualquer: era seu confidente, o único que entendia a escuridão de sua alma sem precisar de explicações. Perder Rémi era como perder uma parte de si mesma.

—Quem? —rugiu Mei, e o som foi o de algo que levava anos sem se soltar—. Quem ousou?

—A Unidade Zero, senhora. Não deixaram rastro. Atacaram com precisão cirúrgica.

Mei levou três segundos para recompor a máscara. Depois se levantou da cadeira, foi até a janela e olhou o pomar onde Raquel continuava sendo fodida em turnos na lama sob a manhã recém-nascida. A perda do Acampamento era uma catástrofe financeira incalculável. Mas a morte de Rémi era algo muito mais perigoso: era o começo do fim se não agissem imediatamente.

Sua mente começou a trabalhar a uma velocidade vertiginosa, traçando rotas de suprimento, mercenários e planos de contingência. A malícia voltou ao seu rosto, mas desta vez não era por jogo. Era por uma sede de extermínio.

A Unidade Zero ia pagar. Cada um dos seus membros, com tempo suficiente para se arrepender de ter desafiado Mei.

A guerra havia começado. E, enquanto Raquel se afundava do lado de fora na lama, tampada por pau após pau, Mei começava a tecer a rede que prenderia todos os que ousassem desafiar o poder do Círculo.

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