O que fiz para sobreviver cinco anos atrás das grades
Me usaram de mula e caí por causa de uma mala que eu nem sabia que levava. Dentro descobri que a única moeda que valia algo era o meu próprio corpo.
Me usaram de mula e caí por causa de uma mala que eu nem sabia que levava. Dentro descobri que a única moeda que valia algo era o meu próprio corpo.
Quando faltou luz e ficamos presos entre dois andares, soube que aquelas horas no escuro iam mudar tudo. E eu não fiz nada para evitar.
A voz metálica anunciou a próxima fase e, em vez de pânico, senti algo que eu não deveria sentir: uma vontade absurda de que tudo começasse de novo.
A água quente correu pelas minhas costas e, pela primeira vez naquele cativeiro, senti as mãos calejadas dele como uma carícia. Não abri os olhos. Eu havia prometido.
Subi para entregar uns papéis e desci com um desconhecido que cheirava a perfume caro. Então o elevador travou, as luzes morreram e tudo mudou entre nós.
Eu passava um ano procurando alguém disposta a me tomar por completo. O e-mail daquela desconhecida mudou tudo: ela não queria brincar comigo, queria ficar com a minha vida inteira.
Segurei a tarde inteira pensando no instante exato em que cruzaria a porta daquele quarto e ele entenderia, de novo, para que estava ali.
Muita gente me pergunta de onde vem meu fetiche por luvas de borracha. Quase ninguém conhece a resposta. Começou numa sexta-feira, no quarto da minha tia, com a porta trancada.
Eu a odiava com todas as forças e, ainda assim, com o corpo dela amarrado sobre o meu e a mordaça abafando seus insultos, meu corpo me traiu da pior forma.
Fui treinada para agradar e obedecer, mas aquela porta entreaberta despertou algo diferente: uma faísca de desafio que nem as algemas frias contra minha pele conseguiram apagar.
Achei que o barulho entre as caixas eram ratos. Era ela, agachada na escuridão, e, assim que sentiu meu medo, soube que aquela noite eu não voltaria para casa sendo o mesmo.
Acordei sem um arranhão numa cama que não era minha, curada por um desconhecido de beleza impossível. O que ele não me contou foi o que essa cura fez com meu corpo... e com meu desejo.
No banheiro me esperava um nécessaire com um bilhete: «vista tudo e ligue». A partir desse instante deixei de decidir sobre o meu próprio corpo.
Todas as noites desço às masmorras com pão e água. Ontem à noite, a mulher acorrentada à coluna me esperava nua e com uma ordem nos lábios que eu não podia desobedecer.
Adrián achou que tinha me projetado para servi-lo. Não sabia que, no instante em que abri os olhos, tudo o que meu código desejava era que ele me quebrasse.
Desci do ônibus com meu vestido florido e a cabeça baixa; nenhuma daquelas mulheres tatuadas imaginava no que eu me transformaria antes do fim do primeiro mês.
Esperei as portas se fecharem. Diego já beijava a namorada sem disfarçar, e a irmã dela me olhava de soslaio, mordendo o lábio, sem saber o que fazer com as mãos.
Quando abri os olhos, ela ainda estava dentro de mim. Não soube quantas horas tinha dormido, só que Soledad sorria como quem sabe que você não tem mais para onde ir.
Há anos ele encostava a orelha nas paredes de motéis baratos. Uma noite encontrou um fórum que prometia algo mais: cabines para espiar o prazer alheio.
Quando me jogaram naquela cela, jamais imaginei que duas desconhecidas a transformariam no cenário onde aprendi a me render ao desejo e ao prazer.